quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um novo tipo de tragédia, o velho comportamento da mídia.

Não há o que se falar acerca da comoção gerada por um evento desses. O silêncio é o melhor comentário, e só o tempo serve de algum alívio.

Mas há, em volta dos episódios, a mesma forma de repercutí-los, com diminutas diferenças entre um ou outro canal de TV.

Dá vontade de vomitar.

O roteiro de sempre:

1. Repetição ad nauseam.
2. Entrevistas com pessoas do entorno, exploração do drama dos parentes das vítimas, etc.
3. Os indefectíveis "especialistas", em armas, psicólogos, psquiatras, "segurançólogos", esquadrinham o suspeito, suas crenças, dão diagnóstico, palpitam sobre motivos, sem nenhuma evidência, ou sem qualquer fundamentação que difira suas análises de um bate-papo de botequim.

O pior, é que esses "especialistas em comportamento" traçam, de forma genérica, um perfil do atirador, espalham conceitos e rótulos ao vento, dando margem ao surgimento a uma onda de paranóia, preconceito e uma "caçada" a todos que se portem da forma que se encaixe nesse imaginário popular, indevidamente alimentado por esses charlatães televisivos.

Incrível o revezamento entre eles, tal o número deles que está disponivel.

Como se vê, para nosso PIG, só a tragédia não basta!

6 comentários:

Marcelo Bessa disse...

Não há dúvida de que há algum exagero.
Mas qual é a receita correta, então?

Anônimo disse...

O Jornal o Globo se adiantou em noticiar que o louco tinha aids. Na Globo News a reportagem parecia querer associar os crimes a motivos religiosos, como ocorre no mundo árabe.
Mas até agora nada do que eles quiseram se confirmou, nem a mentira leviana do jornal O Globo.
O pior de tudo é ver os idiotas pro-desarmamento "ensinando" que o desarmamento da população teria sido a solução.
É fácil desarmar o cidadão e deixá-lo à mercê dos marginais, mas por que não desarmam os marginais primeiro?
Marginais têm armas e territórios conhecidos, por que não enfrentá-los?
Essa tragédia era quase inevitável. Mesmo se não fosse data comemorativa para essa escola. O assassino não teria tido nenhuma dificuldade para entrar na escola estando armado, afinal ninguém na escola pode ter arma.
Se precisasse ele teria matado o(a) porteiro(a) que tantasse impedi-lo.
As armas que ele portava podem ser compradas em qualquer favela e até fora delas.
Mas se o Brasil fosse um país muito seguro, onde fosse impossível conseguir uma arma, ele teria ido ao posto de gasolina mais próximo ou numa loja de fogos de artifício. A tragédia teria sido bem maior.
Se ele fosse profissional, poderia conseguir dinamites nos mesmos lugares que os assaltantes de caixas eletrônicos estão conseguindo.
Em toda essa tragédia o que mais dói é a impunidade, principalmente porque não acredito em vida após a morte.
O que esse louco tirou de nossas crianças jamais será recuperado, e a morte dele foi uma premiação. Ele fez tudo o que quis, inclusive se matar.
Mas foi muito deprimente saber que feridos tiveram que ser transferidos até para São Gonçalo, simplesmente porque no Rio não tem neurocirurgiões nos hospitais. É provável que esse atraso venha a fazer crescer o número de vítimas fatais, mas isso nunca nos será confessado.

douglas da mata disse...

Marcelo,

Eu creio que a sobriedade a verdade factual são as melhores "receitas", embora eu fale como espectador e não como profissional do ramo.

Disparar conceitos e achismos sem qualquer possibilidade de comprovação, exacerbar ânimos e construir teses conspiratórias não nos ajudam a entender o que houve.

O fato em si já proporciona desespero, e ampliar esses sentimentos para auferir mais audiência só complica.

Há ainda, o que todos os policiais envolvidos em situações desse tipo conhecem, o caso do imitador:

Tamanha é a repercussão e exposição da mídia que algum outro doente se lança a repetir os atos. E veja, esse é um outro tipo de maluco!

Eu vejo essas coberturas e me lembro do caso da febre amarela, e da morte de pessoas intoxicadas por dupla ou tripla vacinação, motivadas pelo escândalo que a mídia fez na ocasião, por interesses que até agora não ficaram bem explicados, embora o MPF tenha interpelado vários órgãos de mídia.

Ratificando: Eu não sei a "receita", mas isso não nos impede de dizer que a "receita" deles está errada.

Um abraço.

Eduardo Braga disse...

A mídia inicialmente quis atrelar o caso a terrorismo e estimular a islamofobia no Brasil seguindo a receita gringa, mesmo na carta havendo referencias mais da fé cristã invocando até Jesus, depois surgiu a insinuação do maluco ser portador de HIV (minha teoria de conspiração está intuinto tentativa também de criar um serial killer homossexual revoltado com o mundo hétero para deleite dos "bolsonaristas"). Na verdade o rapaz simplesmente sofria de esquizofrenia e não houve tratamento a tempo.

Roberto Torres disse...

Qualquer merda que alguem mandar para o Ricardo Noblat sobre a trajédia ele publica.

Há poucos instantes publicou um poster falando da suposta homosexualidade do rapaz.

douglas da mata disse...

Nesse caso, Roberto, a merda está indo ao lugar certo: O esgoto!

Um abraço.