quarta-feira, 20 de abril de 2011

A sociedade do espetáculo e o espetáculo do desperdício!

Vários estudiosos, opinólogos e semi-analfabetos(como eu) já identificaram e dissecaram a chamada sociedade do espetáculo, que dentre os paradoxos prinicipais, carrega em seu DNA os seguintes:
1. Exposição exagerada do indívíduo, que ao invés de socializá-lo, isola-o;
2. Desrespeito a privacidade, incentivado pelas pessoas que mais a reclamam, os exibicionistas;
3. Uniformização de comportamento, com fragmentação da sociedade e de seus valores.

Na atividade política, como não poderia deixar de ser, há a contaminação por esse movimento, e como uma relação de causa e efeito, onde não se determina o que é um ou outro, as decisões e consensos políticos se movem pelo resultado simbólico (espetáculo) que provocam, e não pela utilidade em si dos atos, em mudar e melhorar a vida das pessoas.

Por isso, nossa classe política e representantes, parecem seres estranhos e distantes, confinados em um palco, onde se dá um espetáculo estranho aos nossos interesses. Mas se olharmos bem de perto, não há como disntingüir quem está no picadeiro, e quem está na platéia, e todos fazemos parte desse triste enredo.

Esses pensamentos me assaltaram quando passei pela Avenida Alberto Lamego, no útltimo sábado, quando levava alguns adolescentes-infratores a serem apresentados ao MP/RJ em SJB, como determina a lei 8069.

Olhei as estruturas do Carnaval(que Carnaval?), as obras do "Túmulo do Samba", e as arquibancadas que se montam para suprir o atraso nas obras do "Túmulo", e pensei: Como pode tanto desperdício?

Um Carnaval indigno desse nome, com vícios e sem qualquer qualidade estética que justifique o gasto público, em agremiações que mais se parecem com "parasitas" de verbas públicas, sem qualquer independência financeira que lhes dê autonomia cultural para definir os rumos de suas manifestações, dirigidas assim, como apêndices da agenda oficial, e relegados e transferidos para um cantinho qualquer de uma data, que não incomode as decisões dos governantes.

E para tudo isso, a repetição quase criminosa de gastos: De um lado o inacabado "Túmulo do Samba". Na Avenida, a improvisada "Capela do Velório do Samba".

6 comentários:

Anônimo disse...

E a oposição?

Anônimo disse...

Os vizinhos do "Túmulo do Samba" buscaram o Ministério Público para questionar a obra, inclusive debatendo sobre o impacto de vizinhança, mas infelizmente nada aconteceu...
É por isso que necessitamos urgentemente de uma oposição, ou um vereador que levante a voz contra este estado de coisas. É muito desmando sem niguém para falar nada.

Anônimo disse...

Alguns assuntos eu só vejo serem tratados aqui neste blog, talvez por medo que alguns blogueiros, políticos e até setores da mídia tem com a opinião pública. Mas, pra mim, é justamente isso que me leva a ler este blog. Parabéns.

douglas da mata disse...

Ao primeiro comentarista:

Nossa oposição, aproveitando o tempo de Semana Santa, é igual a cabela de bacalhau, a gente sabe que existe, mas nunca vê.

Ao segundo comentarista:

O MP, a despeito de todos os poderes outorgados pela CRFB/88 não consegue dar conta de todos os problemas, e há um sentimento no Judiciário, de que há limites para podar a discricionaridade dos atos administrativos, uma vez que os mandatos eletivos são conferidos pela vontade popular.

Daí que não deveríamos esperar apenas pela espada da Justiça, quando a verdadeira arma(o voto)é que determina os contornos da cidade, suas obras e prioridades.

No fim das contas, o MP e a Justiça paracem meio "cansados" de consertar as escolhas que fazemos.

Ao último comentarista:

Muio obrigado pelos elogios, e saiba que remar contra a maré não é nada fácil, mas eu me importo muito mais com o tipo de debate que mantemos aqui, a buscar a audiência só por critérios quantitativos.

Um abraço a todos e obrigado por comentarem aqui.

Anônimo disse...

Douglas, o problema é que a "luta no voto", em uma cidade como a nossa, ou seja, provinciana e com uma população com pouca instrução, e contra políticos do tipo como Garotinho, que possuem:
1- a máqina administrativa da Prefeitura com um orçamento bilionário;
2- a mídia (rádio Diário FM, Manchete FM, Difusora AM, Jornal O Diário, entre outras empresas de publicidade);
3- Influência nas polícias civil e militar;
4- Influência no poder judiciário (indicou advogados pessoais para serem desembargadores);
5- Influência no TCE (indicou advogados pessoais para serem procuradores);
6- Os melhores advogados.

É sem dúvida nenhuma uma derrota certa.

douglas da mata disse...

Caro comentarista das 12:45 do dia 24/04,

Não é verdade que pouca instrução determine uma relação clientelista ou pouca qualidade das escolhas, até porque elas são escolhas e são legítimas.

Rico também se relaciona com a pmcg de forma clientelista, só muda o nome, ou esquecemos de FUNDECAM e outras mamatas.

Os outros tópicos que você cita, com certeza, influenciam os pleitos, mas eu acredito que a luta é política, antes de tudo, ou seja.

Identificar e expor a população (é verdade, isso não é um trabalho fácil) as mazelas desse sistema, que em suma, prejudica seus interesses, ainda que a propaganda diga o contrário.

Esse trabalho requer pensamento estratégico (médio e longo prazos), firmeza ideológica, e outros compromissos. Sem mencionar a capacidade de aglutinar a sociedade em torno desses princípios, e claro: comunicação.

Grupos que detiveram hegemonia por longos anos foram derrotados, como ACM, por exemplo. Eu não creio que estejamos condenados, fatalmente, a repetir esses erros por toda vida, a não ser que nos acomodemos e escolhamos assim.

Mas eu repito: A saída é sempre política, pois como você notou, não adianta "judicializar" a política, pois nessa seara a influências dos clãs é grande.

Um abraço, e grato pela participação.