segunda-feira, 18 de abril de 2011

Respingos internacionais de lama!

Os ventos internacionais nos trazem um pouco da lógica (ou falta de?) de mercados e dos países, nesse caso os EEUU, em expandir seus domínios, e figurarem como causa e efeito das conjunturas nas quais estão inseridos, onde não é mais possível a "olho nú", perceber o que é problema, o que é solução.
Aparentemente irracionais, mas dotada de uma "racionalidade" definida, esses entes agem como se devorassem a si mesmos, na certeza de que o sofrimento das sociedades lhes proporcionam mais alimento e a capacidade de regenerar os "tecidos" engolidos.

No caso financeiro, é estarrecedor notar que a Europa avança, a passos largos, para um efeito dominó, onde a crise portuguesa e irlandesa, ameaçam contaminar outros países.
O jornal  El País narra as manobras das autoridades financeiras espanholas para impedir uma escalada dos juros e a explosão das dívidas públicas e privadas (empresariais e pessoais).
Como um faminto sorvedor de recursos, o "mercado" gera a crise e ganha dos dois lados: Ora com a injeção pública de recursos, ora com o aumento das taxas de dívidas, frente a ineficiência do contole dos governos, que injetam mais dinheiro e a roda gira, e mais crise surge, e mais gente sofre, mais cortes, menos empregos mais crise, mais juros, etc, etc, etc.
O que temos, mal comparando, é uma hemorragia de dinheiro, onde um controle de capitais, como um torniquete, é urgente e vital para cessar o problema, mas o torniquete não se deve dar em cima de trabalhadores, pensões e políticas de proteção, como querem os rentistas, que tentam evitar, sempre ajudados por seus "analistas de coleira" que a sociedade enxergue o corte onde deve ser feito: A imensa injeção de dinheiro público dos países nos bancos e mercados só aumenta o poder de fogo da banca em apostar na quebra dos países, e pior, fazem com que o dinheiro migre para os países emergentes, valorizam suas moedas, e provocam um assimetria entre países, impedindo que o mundo todo se recupere como um todo.
Como o capitalismo é globalizado, o enfrentamento das crises deveria obedecer essa lógica, mas o mercado fragmenta as soluções, para ganhar em todos os lados.

Já no caso da geopolítica, é revelador o ataque, também noticiado pelo El País que o Ministério da Defesa do Afeganistão sofreu, reivindicado pelo Talebã, que afirmou ser o ministro do governo fantoche dos EEUU o alvo que se pretendia.
Novamente, causa e efeito se misturam, e os EEUU são o problema, mas se "vendem" como solução, embora sua açãos sempre aumentem a primeira variável e acenda o conflito.
Assim, mantém sua "legitimidade", porque no fim, ninguém sabe o que será pior, pois a resultante da retirada ou da presença militar na região dá o mesmo resultado: Mais e mais violência.

É bom lembrar que no Afeganistão e no Iraque têm as"chamadas eleições livres", peça de propaganda estadunidense para submeter temas nacionais dos paises "beneficiados" com a Pax Americana à sua agenda de ocupação e seus interesse geoeonômicos e políticos.

Mas, se antes não havia Democracia nesses locais, é preciso dizer que, no momento (e nada sugere que vá mudar tão cedo), não há qualquer sombra de cidadania e Estado de Direito nesses locais.

Seria o caso de Cuba tentar algo parecido, ou de uma "invasão democrática" na ilha dos barbudos perversos e sangüinários? Não sei.

Será que os EEUU agüentariam outra zona de conflito em seu quintal?
Por essas e outras, eu creio que os EEUU, na verdade, abominam uma mudança ou instabilidade em Cuba, como acontece no Oriente Médio, e na verdade, rezam para que Cuba continue como está.
A situção atual de Cuba serve a todo mundo, senão vejamos:
1. Aos irmãos Castro, é claro, porque mantém a coesão nacional em torno do discurso do inimigo externo.
2. Garante os votos (e milhões de doláres para as campanhas)dados pela ultra-direita anticastrista, que mora na Flórida e arredores, ao governante de plantão.
3. E aos grupos políticos que se espalham ao redor do mundo, tanto a direita, quanto à esquerda, embora ninguém nunca tenha perguntado:
Se em Cuba, cada cidadão tem um fuzil em casa, como forma "simbólica" de mobilização contra uma possibilidade de invasão estadunidense, como aconteceu na bacia dos Porcos, porque esse ditador não cai?
Ué, eu sempre pensei que, em determinados momentos, as armas eram tão perigosas quanto votos, ou não?

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