quarta-feira, 13 de abril de 2011

A quem interessa a desinformação?

Não é de hoje que determinados meios de comunicação associem suas pautas e linhas editoriais a empresas e ao grande capital. Essa prática só perde em antigüidade para outra profissão.

Mas não custa perguntar: A quem interessa confundir investimento empresarial de larga escala com progresso?

Desde tempos imemoriais, essa é uma ótima desculpa para pilhagem de cofres públicos, massacres de culturas locais e devastações ambientais, nunca mitigadas ou compensadas. Em nome da fé e do "progresso civilizador", varramos do mapa tudo que já havia.

Foi assim com a chegada de Cabral (o descobridor), e se estende por essas terras através de outro cabral (o menos venturoso).

Lógico que ninguém em sã consciência pretende desmerecer os efeitos colossais que um porto, siderúrgicas e outros investiments podem trazer para a região, mas pergunta-se, de novo:
A quem interessa o cântico das sereias, destinado a imobilizar questionamentos, interditar debates e anestesiar o coesão social na luta pelos direitos de quem será afetado por tamanha intervenção local?

Qual a contrapartida que os governos e as sociedade locais terão em troca dos enormes subsídios públicos alocados no empreendimento? Bom, a julgar pelas notícias do grupo, já começou mal.
Além de explorar trabalhadores com salários de menos de 3 mínimos, chegou a primeira encomenda para a construção da unidade de produção de petróleo de uma das empresas "X".
E de onde vieram as enormes estacas que servirão a montagem da plataforma "X"? Algum lugar desse enorme país? Que nada, vieram da China! É isso mesmo leitor, seu dinheiro dos impostos subsidia as compras e os empregos chineses. Chique não?

Perguntas...somente perguntas!

6 comentários:

JP disse...

Mas se essas estacas foram compradas lá na China pois deve ter sido mais vantajoso. O mesmo governo que deu subsídios deveria cobrar uma contrapartida! Senão fez fazer o que ?

O que falta é seriedade no gasto do dinheiro público. Tem alguns políticos que agem como se Eike estivesse fazendo um favor em instalar o porto aqui; Eike batista não está fazendo nenhum favor instalando seu porto aqui, ele vai lucrar muitoooo (e bota muito) com isso!

douglas da mata disse...

JP, é verdade.

Como empreendimento privado, a alternativa de fornecedores obedece a lógica de mercado, isso não se discute.

O problema é usar dinheiro dado como subsídio direto ou renúncia fiscal para utilizar essa lógica.

Outro ponto, lembrado por você, que empresário não faz favor, e só age pelo lucro, logo, não há compromisso algum com o bem estar da população (ao menos, não como princípio), e muito menos investimento privado em larga escala rima (sempre) com progresso e prosperidade.

Mas como a confusão entre público e privado está no DNA de nosso estado patrimonialista e na forma de agir politicamente, é compreensível que setores da mídia funcionem como eco desse fenômeno.

Triste é assistir a tentativa cínica de mascarar esses interesses com a defesa do bem estar da população.

Um abraço.

Anônimo disse...

A promessa de empregos virou subempregos, centenas de desapropriados terão que deixar suas vidas e histórias para trás, agressão ao meio ambiente mantida longe dos olhos da população, para que não haja denúncias, etc.
O Porto já está quase pronto e São João da Barra continua a mesma, e olha que os royalties estão a todo vapor.
A população não foi beneficiada por absolutamente nada. Ah, a BR 356 foi recapeada, em contrapartida ganhou um acréscimo no movimento diário de cerca de 300 caminhões para aumentar o risco de quem nela trafega.
E quando o porto estiver em funcionando, ainda teremos os velhos problemas de navios despejando dejetos e vazamentos de óleo e materiais tóxicos nos nossos mares.
O nosso mar, que é barrento, passará a ter cor de caramelo e, provavelmente, impróprio para banho.
Considero que o problema dos materiais vazados/jogados dos navios é muito grave, pois nunca se consegue descobrir quem foi o autor do mal-feito. Eles jogam quando sabem que não estão sendo observados, além do mais, isso acontece em alto mar.
Falam do empreendimento com enaltecimento da generosidade do empresário, nem parece que o que ele visa é somente enriquecimento, concentração e mais concentração de riquezas, até ser o mais rico do mundo, à custa do sacrifício e da mão-de-obra barata dos nossos trabalhadores.
Os empregos são gerados porque ele não consegue, não quer e não sabe fazer sozinho, e não porque ele tenha compromisso com bem-estar social.
Empresas visam lucro e não bem-estar social de quem quer que seja, salvo o bem-estar dos próprios empresários.
Os muitos milhões que esses governantes estão canalizando para beneficiar esse empreendimento poderiam estar indo para saúde, pavimentação de ruas, construção de galerias de esgotos e pluviais, coisas que São João da Barra, praticamente, não tem.
Como exemplo, cito a Rua Santo Antônio, em Grussaí, uma das principais do bairro Lagoa, onde passa o ônibus, além de faltar tudo isso que foi dito e não ter água encanada, meio-fios, etc. a prefeitura ainda teve o desplante de anunciar o calçamento só calçar menos de cem metros de rua (a rua tem cerca de 400m), causando excesso insuportável de poeira ou lamaçal intenso, ficando os ônibus impossibilitados de transitar em épocas de chuva.
Não deixo de reconhecer que existe benefício com a vinda do progresso, só que o maior beneficiário não é o povo, como tentam insinuar.

Nascimento Jr
nascimento.jr@bol.com.br

Anônimo disse...

Ajudar empresário é uma via de mão dupla, primeiro que o dinheiro da ajuda é público, e em épocas eleitorais os empresários costumam ser generosos com os que o ajudaram. Isso pode ser a diferença entre ganhar e perder a eleição.

Anônimo disse...

Esse tipo de progresso beneficia uns poucos e atrapalha todo o restante.

douglas da mata disse...

O comentarista tocou no "X" da questão, perdoe o trocadilho infame.

O financiamento das campanhas por esses empresários inauguram um círculo que entopem os canais democráticos, ou seja:

O dinheiro vai para a campanha, desequilibra a disputa e depois volta como incentivo fiscal e subsídios, já que a agenda do governo eleito beneficiará seus apoiadores.

Assim, os mandatos não passam de meros instrumentos para o grande capital impor seus interesses.

Um luXo não?