quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pão e circo na UENF!

Durante muitos anos, e até poucos meses atrás, eu me encontrava entre aqueles que tinham uma visão, digamos, idílica da Universidade Estadual do Norte Fluminense.
Confesso que como semi-analfabeto, sempre olhei para aqueles prédios como a consolidação material da produção do conhecimento, e que esse conhecimento, baseado em CIÊNCIA, pudesse nos redimir, ou ao menos, nos "contaminar" com um olhar melhor sobre nós mesmos e acerca de nossos erros e acertos históricos.
Isso sem mencionar nas múltiplas possibilidades que a tecnologia aplicada traz às regiões onde estão instalados seus centros de inovação e pesquisa.
Eu sei que essa é uma esperança tola, provinciana mesmo, talvez etnocentrica, mas de sinal invertido, na medida que aguardava o condão "civilizador" dos detentores dos códigos da CIÊNCIA.

Qual nada, quanta decepção.

Quem contaminou a UENF fomos nós, e o que assistimos hoje na Universidade é uma escalada rumo a sua mediocridade. Se queríamos algum ponto de contato entre comunidade e a Instituição, aí está: A UENF incorporou o desperdício e cortina de fumaça como método de gestão. Privilegia a bajulação, o aplauso adulador e o pensamento único, em detrimento da crítica, da curiosidade, do questionamento, e por que não dizer, do inconformismo inerente a produção de saberes.

Eis que ontem à noite, recebo, de alguns companheiros da UENF, a notícia de que vai acontecer a Semana de Iniciação Científica, que tem por objetivo amalgamar e aguçar entre os novos (iniciantes) o gosto pela atividade científica, bem como dá oportunidade de estreitar laços entre os que já se encontram em estágios mais avançados, promovendo a integração desejável em uma Universidade.

Mas a (desagradável) surpresa não está na Semana de IC, como eles chamam, mas o "curioso adorno", que foi aprovado para ser "pendurado" na conta dos cofre públicos. Trata-se de uma palestra com Augusto Cury.

Quem é Augusto Cury? Algum doutor? Algum pesquisador responsável por uma tese ou descoberta que mudou a vida ou o modo de pensar de milhões de brasileiros? Alguém que possa servir de referência a pesquisadores iniciantes? Alguma personalidade do mundo político, com relevantes serviços prestados à CIÊNCIA, ao Ensino Público ou a Universidade? Ele bota ovo em pé? Entorta colheres? Faz sumir elefantes no palco?

Qual nada, o palestrante de R$ 20.000,00 por hora e meia de colóquio é um desses mercadores de ilusões ou charlatães de auto-ajuda que infestam as listas dos livros mais vendidos, e fazem sucesso em convenções de representantes comerciais, nas sessões de adestramento profissional dos especialistas de "RH",em programas televisivos vespertinos ou em qualquer outro lugar onde a atividade de pensar é quase descartável, ao menos para produzir conhecimento científico.

Faz desaparecer 20.000,00 reais em hora e meia. É um belo truque, não?

Se você acha que andar com um balde de côco em cima da cabeça vai lhe ajudar a ser determinado, disciplinado e bem-sucedido, ok, tudo bem, mas de que isso serve em uma Universidade?

Ao que parece a UENF encontra-se em uma encruzilhada de difícil superação.

As informações dão conta que a contratação do palestrante foi à revelia da Comissão Organizadora da Semana de Iniciação Científica, o que torna o episódio ainda mais triste, e pior, suspeito.

As conseqüências já se podem sentir, com o rebaixamento de avaliação de programas de pós-graduação pela CAPES, e agora com Semana de IC com Augusto Cury, o mago da motivação.

Veja agora a extensa obra do autor:


"Augusto Jorge Cury é psiquiatra, cientista e é também autor de: Você é Insubstituível, Dez Leis para Ser Feliz, Revolucione sua Qualidade de Vida, Seja Líder de Si Mesmo e Nunca Desista de Seus Sonhos, publicados pela Sextante. 
Pós-graduado em Psicologia Social, com pesquisa na Espanha na área de Ciências da Educação, é fundador da Academia de Inteligência, um instituto que promove seminários, cursos e treinamento sobre qualidade de vida e desenvolvimento da inteligência lógica, emocional e multifocal para empresas, profissionais liberais, educadores, psicólogos e público em geral. 
Ele também é autor de Inteligência Multifocal (Editora Cultrix), Treinando a Emoção para Ser Feliz e da coleção Análise da Inteligência de Cristo (grifo nosso), publicados pela Editora Academia de Inteligência.

Análise da Inteligência de Cristo? Como assim? Que catzo é isso?
Só pode ser piada, ou não!

De qualquer jeito, um cara que escreve um troço desses deve ser especialista em se dar bem às custas da boa-fé de alguns incautos, uma pena é notar que nem a UENF está à salvo de seus "encantos".

Pensando bem, deve ser isso que o pessoa da gestão da UENF está à procura:
A tecnologia de enganar todo mundo, com lugares-comum, frases de efeito, nenhuma substância teórica ou acadêmica e ainda ser aplaudido.
Ou seja, a presença de Augusto Cury na UENF não é um acidente ou excrescência, a se considerar o atual estágio de morbidez intelectual que atravessa a Universidade.

E pensar que alguns setores da UENF, como o "controle social" pregam moralidade na questão dos shows da prefeitura! São uns humoristas!

Bom, já que é para esculhambar, vão aí minhas sugestões para as próximas palestras:

Paulo Coelho, Sílvio Santos, Mulher-Samambaia, Ratinho, Faustão, Gugu Liberato, Lair Ribeiro, Maria do BBB, Alemão do BBB, Jair Bolsonaro, Silas Malafaia, Içami Tiba(não, não, não o Içami, adestrador de crianças já veio ano passado por 23.000,00).

Já que é para virar piada nacional, que seja em "grande estilo".

PS: Como sou otimista, e reforçado pelo questionamento arguto de minha esposa, que é professora, eu fiquei a imaginar o enorme paradoxo da situação, que pode nos chamar a alguma reflexão: O cara ganha 20.000,00 em hora e meia, para falar para doutores que dedicaram 10 ou 20 anos de suas vidas a pesquisa, bem como a estudantes que trilharão esse caminho, e que juntos ganharão por mês, com muita sorte, 1/3 ou 1/2 do valor do palestrante, e pior: por MÊS. 
É, talvez seja esse o objetivo "camuflado" da Coordenação. 
Confrontar a realidade com uma realidade ainda mais surreal. Se foi essa a intenção, parabéns!

15 comentários:

Reflexões disse...

Douglas,
Não leio livros de auto ajuda, em hipótese alguma.

Li a biografia de Augusto Cury, que de um garoto que não gostava de estudar se transformou num cientista com mais de sete mil páginas impressas.

Não sei se o público alvo da UENF é propício para um autor que dá palestras para intelectuais.São palestras complexas. Estimula a crítica, o questionamento, o desenvolvimento do pensamento para a criação. Enfim tudo que um pesquisador ou cientista precisa ter em seu íntimo.

Porém os alunos hoje não sabem mais pensar, estão acostumados a receber respostas prontas.

Com relação a Cristo, ele o chama de Mestre dos Mestres da psicologia, pois Cristo dispunha de pouco mais de 3 anos para lapidar a sabedoria na personalidade rude e complicada dos seus discípulos e Jesus preferiu começar do zero, com jovens completamente desqualificados, a trabalhar com fariseus saturados de vícios e preconceitos. Preferiu a pedra bruta à mal lapidada.

Segundo Cury, se uma equipe de psicólogos analisasse a personalidade dos escolhidos provavelmente só Judas não seria reprovado,sendo que este tinha um porém,ninguém sabia o que se passava em sua cabeça. E foi quem o traiu.

É um resumo do que li sobre ele. Que para vender suas teorias de 7 mil páginas as fatiou nos diversos livros mencionados e outros tantos.

douglas da mata disse...

Cara Gianna,

Não discuto o conteúdo ou a relevância de obras literárias, nem qualquer manifestação de cultura.
A coerência me obriga a não estabelecer "uma hierarquia" entre culturas, e não creio em cultuta erudita e popular como categorias de distinção.
Não é nada disso que o "post" coloca.

Mas cada coisa em seu lugar: Logo, é ótimo ouvir Bethoveen, para quem foi educado para tanto, mas eu desafio qualquer um a pular baile de Carnaval ao ritmo da 9ª sinfonia.

Então, de forma honestíssima, não vejo onde estaria a motivação em contratar, a peso de ouro, um autor que se dispõe a analisar a "inteligência de cristo", em uma Universidade que deve questionar TODOS os dogmas, inclusive e principalmente os da fé, que são tão nocivos a qualquer produção de ciência, pois pela Igreja de Cristo nós ainda estaríamos a imaginar o sol a girar em torno do mundo sobre as cinzas de Galileu. ESuqeçamos os outros títulos, que pelos nomes já adiantam o conteúdo de: "conforme-se e seja feliz", típico de todas as repetições que já ouvimos falar desse gênero.

Lógico que cada um deles vai tentar lhe "vender" uma diferença, um "plus" que o fala parecer uma incrível novidade. Como livros de dieta.

Acerca das 7 mil páginas(olha aí os números cabalísticos que fixam o produto no imaginário do leitor/vítima), essa é só minha opinião:
Quantidade nunca foi qualidade, e não é porque paulo coelho ou calcinha preta venderam milhões de páginas ou tocaram milhões de vezes que possam ser coonsiderados como referência cultural para a Humanidade, ou pelo menos, se essa for a referência, será de que involuímos, ou que nossos valores se resumem a balançar eroticamente na boquinha do santo graal.

Se os alunos de lá(como de muitos outros lugares) estão desacostumados a pensar, que tal começar a pensar como um charlatão ganha em uma hora e meia o que um doutor leva dois meses para ganhar?

No início de seu comentário está lá a chave desse dilema. Ele não vende teses ou ensina a pensar, ele vende é sua biografia, e nem precisa ler as baboseiras que ele escreve, é só ir no resumo e pronto.

Daí, se é para adorar a biografia de superação de um cara que descobriu a "fórmula da felicidade(a dele, é claro) cominada a fórmula de como pensar", chama logo o Sílvio Santos ou Ratinho.
Será mais honesto e não virá com rótulo de pseudociência.

Nem vou mencionar a forma autoritária como foi escolhido, à revelia da Comissão Organizadora da referida semana.

Eu acho que no fim da carí$$ima palestra, os estudantes, servidores e professores da UENF não terão sua curiosidade científica aguçada, mas é verdade que se tornarão ótimos em metáforas religiosas e prestidigitação. Quem sabe aprenderão até alguns truques com cartolas e coelhos em alguma "dinâmica de grupo"?

Enfim, ciência não tem nada a ver com o que esse cara faz, minha cara: Ciência é observação, ensaio, repetição, comporovação ou inovação acerca de algum fenômeno.

Associar gestão de comportamento com ciência não dá, Gianna, por mais que eu tente!

Mas se te agrada, vá a palestra e boa sorte, mas não me conte!

Um abraço.

Raphael Sardinha disse...

Rapaz,

A postagem toda merece reflexão, mas o Post-Scriptum... uma dura, e cruel, verdade!

Abração

Reflexões disse...

Não vou a palestra, não gosto do autor.

Li a biografia na internet para saber quem era e já tem mais de ano isto.

Melhor esclarecendo:
Ele desenvolveu um trabalho que quando terminou tinha 7 mil páginas. Claro que editora alguma vende uma obra desta. Então ele fatiou e resultou neste monte de baboseiras sob os títulos citados.

E, pelo que sei as palestras dele não são para alunos que estão ingressando em faculdades,ou fazem parte de uma mas pessoas já qualificadas pela complexidade que talvez nem ele mesmo saiba explicar.

Não teria portanto motivo pra se contratar a peso de ouro uma pessoa assim.

Creio que não fui clara no post anterior

Anônimo disse...

É muito grave a notícia!
O DCE devira tacar ovo no palestrante e em quem o chamou!

douglas da mata disse...

Gianna, valeu pela explanação sobre sue comentário.

Obrigado.

Raphael e demais comentaristas, grato pelos comentários.

Anônimo disse...

Prezado articulista.
Gostaria de começar elogiando o excelente texto, muito profissional e bem articulado!

Minha opinião não será tão bem organizada, pois, ao contrário do articulista, não me movo pelo critério jornalístico, minha motivação vem do estomago, tamanho nojo e ânsia de vômito que sinto ao ler as notícias da UENF.

Nos últimos oito anos estamos vendo a UENF descer a ladeira; e, agora que elegemos um reitor que vai dar continuidade a este processo, o que veremos é um “movimento acelerado” em direção ao caos no ensino e na pesquisa, e ao que tudo indica -no mínimo- um péssimo uso dos recursos públicos.

O convite desta palestra inútil, feito de forma imoral, e a preços absurdos, deveria mesmo é sofrer investigação do ministério público. Afinal de contas, é público e notório o uso de "shows de artistas" no desvio de recursos públicos em prefeituras do Rio. É que os administradores da UENF estão andando tanto com políticos do 15, que estão aprendendo os macetes.
Não demora e veremos nossos reitores se candidatando - pêlo 15 é claro!

Já que a palestra vai versar sobre ensino e pesquisa, vale aqui algumas considerações a este respeito.

Na UENF, a qualidade de ensino piorou MUITO.
Embora existam mecanismos para avaliar e acompanhar o ensino, os mesmos não são utilizados. O motivo está claro, a reitoria, as pró-reitorias e os coordenadores não as programam porque o óbvio iria aparecer; os PIORES professores da UENF são exatamente aqueles que tanto lutam por cargos administrativos (somem-se aí os TQQs).
Repito, os piores professores são os administradores da UENF.
O cara faz concurso para professor, em pouco tempo percebe que não gosta de dar aulas- "não é minha praia", daí, a saída é virar político.
Sugiro ao articulista ou aos incrédulos, olhar os curriculuns/dados dos administradores e candidatos da UENF. O que veremos? políticos profissionais, que ficam mudando de um cargo para outro. Alguns assumem várias funções.
Deveríamos limitar o número de cargos simultâneos, e ter quarentenas para evitar a proliferação dos políticos profissionais.

E a qualidade de ensino – uma das metas da palestra?
Só piora! Pois os administradores - reitores, pró-reitores, chefes de centro, chefes de laboratório, e coordenadores, são exatamente os que menos dão aulas.
Logo, se não sabem ensinar como poderão trabalhar pela melhoria no ensino?
Augusto Cury poderia dizer que a UENF precisa inverter seus processos eleitorais. Que tal o seguinte:
“Todo processo eleitoral deveria ser invertido. As disciplinas deveriam ser avaliadas semestralmente pelos alunos; somente os melhores professores poderiam se candidatar aos cargos de coordenadores, diretores de centro, pró-reitores e reitores.”
Assim, teríamos especialistas cuidando do ensino, e não amadores.

O mesmo procedimento seria muito bem vindo nas pós-graduações.

Prezado articulista, a última novidade instalada por esta reitoria, é o MARKETING; esta palestra é um exemplo, e os enormes investimentos na ASCOM, deixam claro que este é um caminho a ser seguido pela nova administração.
Quem leu um pouco sobre marketing sabe que “melhorar as aulas não é importante”, o “importante é parecer que melhorou”. Ou seja, parecer é o que importa. As favas com os fatos.
De forma didática vou repetir: ser uma boa universidade não é importante, o importante é parecer uma boa universidade.


...continua...

Anônimo disse...

Com relação à escolha deste "Ilustríssimo Sr" para dar palestras inúteis -como esta- numa universidade, só posso concordar com o articulista de que o mesmo é um grande oportunista; e que tal oportunismo é acompanhado pela pior administração que já tivemos na UENF, uma administração cujo comportamento é quase ditatorial, e cujo comportamento impositivo se reitera pela escolha do palestrante - sem consulta as pessoas.
Alias, sem consulta, é o que mais tem ocorrido nesta administração. Ou algum professor foi consultado para saber se precisávamos de tantos televisores comprados de forma superfaturada? eu não fui! Mais do que isto, em mais de 25 anos na universidade, participei de milhares de palestras e aulas, e NUNCA VÍ nenhuma aula/palestra em TVs, sempre foram aulas usando quadro negro, transparências ou projetores (devo ser mesmo muito antigo, pois acredito no ensino como instrumento de transformação de uma sociedade).

Vai entender?

Deve ser o fato de que a UENF é a universidade do terceiro milênio!
Num mundo virtual, uma universidade virtual - em que “parecer” é mais importante do que “ser”.

Neste momento, em que aliviei a ânsia de vômito, me passa pela cabeça o que diria Darcy Ribeiro?

“Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da maldade destilada e instilada em nós”,[Darcy Ribeiro – O povo brasileiro].

Ou algo menos erudito, mais popular, algo como:
"devo ter cuspido na cruz!"

Mas não se preocupe Darcy, Augusto Cury, em sua memorável palestra, com certeza irá explicar o sentido lúdico desta frase!

Anônimo disse...

em vez de ir a esta palestra inútil, que tal uma visita ao bandejão?

nem terminou a obra e algumas coisas já estão em péssimo estado!

Niemeyer deve estar se remoendo no túmulo!

peraí, ele aida ão morreu?

é, mas se visse as obras na UENF, com certeza teria um infarto fulminante!

douglas da mata disse...

Grato ao comentaristas pela participação no debate.

Saibam que sempre estaremos aqui para contribuir com processo democrático dentro da NOSSA UNIVERSIDADE.

Abraços.

douglas da mata disse...

Só um pequeno comentário ao texto do(a)comentarista das 21:47 de 06 de abril:

Não há óbice a atuação política e função de professor/pesquisador.

É lógico que a eleição ou escolha para cargos de chefia tolhe parte do tempo dedicado a atividade-fim.

Mas não acho que as escolhas políticas desse ou de qualquer outro grupo estejam relacionados a sua proeficência acadêmica, ou ausência dela, até porque, como o comentário mesmo frisou, todos se submeteram a concursos, com as mesmas exigências.

Cabe a comunidade da UENF realizar o debate democrático que aponte essas deficiências e incapacidades, mas não criar obstáculos ao exercício da cidadania, com "cláusulas de barreira" ou "coeficientes técnicos".

Não há garantia de que o melhor pesquisador ou professor seja o melhor administrador.

Ruim ou incapaz, o atual e o ex-reitores foram eleitos, e ocuparam um espaço que "os melhores" não se propuseram a ocupar, mesmo que considerermos todas as manipulações e distorções clientelistas do processo eleitoral.

Democracia ruim é melhor que a ditadura mais "perfeita".

Enfim, pouco importa se o reitor, dentre outros, vão se candidatar a cargos eletivos, e por esse ou aquele partido. Isso é um direito constitucional.

O problema é a gestão, a queda de qualidade e escolhas gerenciais ruins e duvidosas.

A partidarização e aparelhamento da Universidade deve ser evitada, a qulaquer custo, mas isso não significa impedir que as pessoas tenham vida política extra campi.

Um abraço.

Bruno disse...

Prezados,

para contribuir um pouco com as perspectivas a respeito das ponderações sobre o Dr. Augusto Cury, convido-os a acessar o site: www.psicologiamultifocal.com.br, onde sua teoria é objeto de master internacional. Site: www.centroaugustocury.com, onde respeitáveis profissionais europeus estudam sua teoria. Site: www.escoladainteligencia.com.br, onde pelos depoimentos vocês podem perceber como sua teoria da inteligência multifocal ou psicologia multifocal está tendo ótimos resultados nas instituições de ensino do Brasil, Portugal e Nepal.
O Dr. Augusto Cury é médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor, com 26 obras publicadas em mais de 50 paises. É best seller em vários, e em 2009 na China recebeu o premio de melhor ficção do ano pelo livro "O vendedor de sonhos". É motivo de orgulho ter um latino-americano com teoria reconhecida em sua área por uma universidade estrangeira e com prêmios internacionais.
Dr. Augusto Cury há anos atendeu pacientes em seu consultório com os mais variados transtornos psicológicos e pôde ajudar a grande maioria. Além disso, recebe centenas de cartas de pessoas que saíram de depressão, abandonaram ideias suicidas e outros transtornos apenas lendo seus livros. Outros relatos indicam que muitos que não tinham o hábito da leitura, começaram a tê-lo motivados pela leitura inicial de seus livros.
Espero ter contribuído para que possam conhecer um pouco mais do seu trabalho.
Um forte abraço a todos.

douglas da mata disse...

Caro Bruno,

Vou repetir o que disse a Giana:

Não discuto a relevância da obra, nem do trabalho do referido autor/palestrante.

Eu só defendo que cada coisa deve estar em seu lugar.

E com todas as informações que você trouxe, eu ainda não consegui enxergar aonde esse "curriculum" se encaixa em uma semana de iniciação científica de uma Universidade como a UENF.

Eu não sei se o caso, mas todos sabemos como funcionam as redes de autopropaganda desses tipos.

Nos sites e referências que você citou, não há nenhuma reconhecida como científica, de fato. Se você considerar que eu monte uma página na internet com referência positivas sobre mim memso, basta para ter reconhecimento como cientista, eu lhe diria para você rever alguns conceitos sobre ciência.

É preciso, caro Bruno, e talvez seja esse o papel de um palestrante de Semana de IC, revelar que cientistas publicam (papers, artigos, ensaios, etc) em revistas e anuários legitimados pelos seus pares(cientistas), estão vinculados a instituições OFICIAIS(públicas ou privadas) de ensino, pesquisa e inovação, dentre outros requisitos.

O fato de ser um autor com milhões de livros vendidos não significa muita coisa, pois em ciência, nem sempre quantidade é qualidade.

Então seria o caso de chamar Paulo Coelho ou Bruna Surfistinha para palestrar para alunos da UENF?

Se o Augusto Cury (que não é doutor, pois não tem esse título) salvou muitas pessoas com suas consultas, ótimo.

Que as pessoas com problemas marquem consultas com ele, o que não dá é para fazer um "atendimento coletivo" com o dinheiro público.

Será que há um surto de depressão suicida na UENF?

Ahhh, bom, então deve ser isso. A julgar pela situção lá, faz sentido, faz todo sentido.

Um abraço, grato pela participação e pelas informações que enriqueceram nosso debate.

Anônimo disse...

Comentando - Douglas, 7 abril, 21:23

Douglas, é claro que ser um bom professor não garante que o mesmo seja um bom administrador. Embora seja mais provável.
Também é mais provável que um mal professor, ávido por cargos administrativos, seja um mal chefe, um mal diretor, um mal pró-reitor, um mal reitor. Principalmente no que se refere as atividades de ensino.
Da mesma forma, ser um mal pesquisador muito provavelmente implica em ser um mal coordenador de pós-graduação, um mal pró-reitor de pós-graduação.

Entendo ainda que ser bom na politicagem, no conchavo, na alienação, nas promessas, é independente de ser bom professor.

Douglas, a questão é a seguinte, se sou professor universitário e não entendo de um assunto, o bom senso me diz que não devo me envolver com ele antes de estudá-lo, compreendê-lo, vivenciá-lo. Somente após ter autoridade sobre um assunto, é que obtenho o direito moral de postular uma candidatura cuja função diga respeito ao mesmo assunto. Observe que estou falando de princípios que deveriam se aplicar a uma universidade (que é ou deveria ser diferente). Na sociedade em geral é admissível que um palhaço se candidate e seja eleito, mas nas universidade isto não deveria ocorrer.

É claro que se considerarmos todas as possibilidades, este princípio conflita com outro, o de que vivemos numa democracia, e, portanto, todos tem o direito de se candidatar (aqui me refiro ao conceito geral). A discussão a que me referia na mensagem do dia 6 de abril não é de direito, mas de bom senso na universidade. Um bom senso que os candidatos deveriam ter, mas, na sua maioria, não tem. Leiam os curriculuns dos candidatos e percebam que pulam de cargo em cargo (alguns mesmo não dando aulas ou dando péssimas aulas ocupam cargos de coordenadores e gestores da educação).

A quarentena se refere a ideia de que não devemos deixar que as influências da politica partidária norteiem a vida universitária. Em nossa sociedade ser político virou profissão (veja o caso do Sarney). Aparentemente esta interferência/contaminação dos hábitos político/partidários já vem ocorrendo na universidade e num grau maior do que parece. Então, a ideia da quarentena tem o objetivo de evitar o aparelhamento das instituições universitárias, e a preservação de suas autonomias em relação ao estado e aos partidos políticos. Tem também a intenção de impedir que professores virem políticos, pulando de cargo em cargo. Se olharmos alguns aspectos da reforma política, ora em discussão no congresso, veremos que mesmo as raposas velhas (Sarney, Collor, etc), já estão cedendo a algumas demandas da sociedade, cansada da politicagem alheia aos interesses sociais.

Douglas, vivi os duros momentos da ditadura, lutei pela redemocratização, sei o quanto a democracia é importante; Agora, devemos tomar cuidado com oportunistas, que podem estar usando a universidade para projetos políticos pessoais, aparelhando a universidade e vinculando o projeto da universidade a partidos políticos.

E aqui a outra questão. É perfeitamente normal que um bom administrador tenha o direito de se candidatar a qualquer cargo político que almeje. O imoral é usar um cargo com atividades administrativas pouco ilustrativas (como as questionadas pelo articulista), para se projetar para outros cargos. Este oportunismo deve ser combatido. Repito, não é um impedimento legal, é um impedimento moral.

No caso da UENF, devemos retornar os princípios orientadores de Darcy-Ribeiro. A pesquisa de alto nível irá melhorar a qualidade de ensino, e o resultado destes será alvo das atividades de extensão. Consolidando-se o tripé da universidade.

Se deixarmos este aparelhamento partidário ter sequência, em breve veremos ações de extensão em que a universidade usará seus recursos não para ensino e pesquisa, mas para atender a comunidade. A universidade passa a ser mais um instrumento de ação dos partidos e dos governos, com creches, colégios, postos de saúde, atendimentos a comunidade, etc.

douglas da mata disse...

Caro comentarista, nossas preocupações são comuns, embora se expressem por lógicas um pouquinho dferentes.

É claro que devemos impedir o aparelhamento da Universidade por partidos, a manipulação e carreirismo clientelista para eleição aos cargos da UENF.

Mas eu acho que isso não se consegue com a "normatização", mas com o aprofundamento do processo de debates, o acúmulo de discussão política e enfim, no compromisso das pessoas em defender teses de boa governança.

Os casos (candidatos profissionais) que você cita foram eleitos pelos seus pares, e como sabemos que não há espaço vazio em política, quer seja na UENF, na sociedade ou em outra instância qualquer. Em outras palavras: Se os "ruins" estão em voga é porque os "bons" se omitem! Logo, os "bons" se nivelam pela omissão.

Assim, quarentenas e outros instrumentos de controle são iniciativas bem intecionadas, mas que no fim restringem o acesso ao processo político, e pior: Como os "candidatos profissionais" sempre encontram brechas, e representam um "modelo político", para além de suas pretensões pessoais, é lógico que os métodos de contenção falharão.

Quanto ao clá sarney, e outros, eu não vejo isso como um caso isolado de nossa democracia, e que deva nos envergonhar.

Nos EEUU, o Dick Cheney (que foi vice de bush jr) manda nos bastidores desde bush pai, há mais de 20 anos, intermediando e ganhando rios de dólares com os contratos governamentais com a Halliburton, Kellogs e outras empresas que representa, alimentados por guerras que ele e seu partido patrocinam.

Temos o Jacques Chirác na França, e outras referências na Itália, na Rússia, de grupo e ou pessoas que se revezam e manipulam a favor de seus interesses e de grupos poderosos.

Veja o caso do Obama, refém de uma agenda que ele derrotou nas eleições.

Ou seja, o problema que temos que resolver não se resumem a esse ou aquele nome, mas a própria concepção de luta política e financiamento desse luta e a estrutura de nosso Estado, como ameaças a Democracia.

Um forte abraço, e mais uma vez obrigado pela participação.