quinta-feira, 28 de abril de 2011

O gigante preguiçoso e dispendioso.

Deu no Wall Street Journal e no Financial Times: A economia dos EEUU cresceu apenas 1.8% nesse quadrimestre, anualizadas as referências.
O resultado ruim pode ser visto no aumento recorde de pedidos de seguro-desemprego.
Junto com isso, a alta de preços dos combustíveis e comida.

É o que os especialistas chamariam de estagflação (inflação com recessão), mas o crescimento do PIB estadunidense, ainda que fraco, o livra dessa categoria.  Detalhe técnico.
No entanto, ao cidadão comum o efeito é o mesmo, e repercute na política, mas não da forma determinista como querem os opositores de Obama.

Boa parte de seu desgaste (de Obama) não é o resultado ruim da economia, que de certa forma, trouxe uma crise herdada pelo período do oba-oba republicano.

O eleitor de centro e o democrata, que desaprovam Obama, sabem que foi a irresponsabilidade de bush jr, e a farra do mercado que afundaram a economia da maior potência mundial e do resto do planeta.

O discurso economicista favorece a oposição, pois passa  falsa impressão que o presidente gerencia mal uma crise, quando na verdade, o que querem os republicanos radicais e empresários é, justamente, o contrário: que o governo se afaste da gestão econômica.

A queda de apoio, então, se dá por uma questão POLÍTICA, que a oposição não diz, e Obama também não, por ter ficado refém dessa agenda.

Ora, o eleitor mais esclarecido, e que está longe do fundamentalismo do tea party, sabe que Obama não pode ser culpado pela crise, mas sim pela sua opção, ou omissão em regulamentar e punir os verdadeiros culpados: os financistas, e esse ser incorpóreo (como diz Brizola Neto) chamado "mercado".
Politicamente, o povo estadunidense, e nenhum outro, a não ser os que se orientam por mirians leitão e seus pares, aceitam pagar a conta da ciranda financeira, com o mesmos argumentos de sempre:
É preciso limitar o "gasto" de Estado, atacar o funcionalismo "preguiçoso", reduzir serviços públicos, se render a "eficiência" corporativa privada.

Ninguém mais acredita nisso.
Nem gregos,
nem troianos,
espanhóis,
muito menos norte-americanos. (perdoem a rima ruim).

Os estrategistas da Casa Branca parecem não enxergar esse quadro.

Ao contrário, despejou bilhões e bilhões de dólares, e deixou intocadas e fortalecidas as posições que arrastaram o país para a recessão.

Obama está em um complicado beco sem saída, e só sobrevive (ou imagina sobreviver) graças a capacidade do eleitor em afunilar para o centro político, rejeitando assim a maluquice político-orçamentária-econômica dos ultraconservadores, que mesmo em meio ao desgaste do presidente, não conseguem sedimentar uma candidatura que canalize a insatisfação popular.
Ainda bem.

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