terça-feira, 26 de abril de 2011

O capital arrependido!

Seguindo sua estratégia de maximizar possibilidades de lucro, agilizar a instalação das plantas dos empreendimentos, o senhor "X" mobilizou e seduziu boa parte da agenda política local e de nossos representantes, com mimos variados: Desde generosas contribuições de campanha, viagens de "Marco Polo", até a doação de"bugigangas e miçangas" para a comunidade local, como viaturas policiais, patrocínio para folguedos de Momo, dentre outras coisas.

Apontou também a mira de sua estratégia para boa parte da mídia local, que sedenta por "oportunidades", abraçou sem nenhum traço de dúvida ou senso crítico a empreitada gigantesca.

Tudo isso, para nos convencer que estamos prestes a receber a "última maravilha moderna", ou o "sopro civilizador" que nos alçará de "bugres comedores de royalties" a cidadãos de "primeiro mundo".

Ah, como não poderia deixar de ser nesses momentos ímpares e únicos da História da Humanidade (quando generosos e corajosos empreendedores decidem mudar a geografia de terras inóspitas, tudo sem o menor interesse, além do progresso, é claro), os críticos da "invasão" foram devidamente classificados: Arautos do atraso, amantes do apocalipse, fracassomaníacos, (lembram dessa expressão do bem sucedido FFHHCC?) dinossauros, radicais, etc, etc.

Afinal, o que são famílias, interesses coletivos, estudo, pesquisa e planejamento, se a força do capital à tudo pode curar?

Bom, parece que não é bem assim. O blog do Roberto Moraes, sempre atento a questões de nosso desenvolvimento regional e a gestão pública, trouxe-nos um importante alerta aqui

Leiam vocês que o canto da sereia pode estar desafinado. Lógico que ninguém vai comparar e defender que a conjuntura que se instalou na zona oesta da capital se repetirá em SJB.

Não custa nada prestar atenção, mas ignorar os sinais pode custar um preço altíssimo, e adivinha quem pagará a conta?

2 comentários:

Anônimo disse...

Aguardamos seus comentários sobre a privatização de aeroportos para a copa.

douglas da mata disse...

Caro comentarista:

Ainda não reúno informações suficientes sobre o tema, e creio que todos estão a esperar a definição do governo sobre a modalidade de concessão ou privatização (propriamente dita) em relação a esse importante gargalo de nossa infra-estrutura.

Mas vamos a algumas impressões iniciais:

1. O modelo de exploração de terminais pela iniciativa privada não é recente, vide o caso dos terminais rodoviários, em algumas capitais, como Rio e SP.

2. O que a sociedade têm que estar atenta é para o bom e velho chavão: lucro privado, prejuízo público.
Logo, agora que o transporte aéreo se massifica (e deixa de seu um privilégio de uns poucos afortunados), e se transforma em alternativa de transporte em um país continental como o nosso, é preciso deixar bem claro os marcos regulatórios, as atribuições (investimentos) e o retorno financeiro que obterão os empresários.

3. Eu não sou, por princípio, contrário e exploração privada de serviços públicos, desde que o papel de cada ente esteja bem definido e que o interesse público seja SEMPRE o alvo pretendido.

Infelizmente, isso quase nunca acontece.

Mas como creio que essa conjuntura, como todas as demais, é ambientada na luta política (e o governo por si, não resume TODA a luta política e os interesses que a movem), será a sociedade (usuários ou não) que definirão o modelo. Se calarmos, é claro, prevelecerão os interesses de sempre.

Como aliás, vem acontecendo no caso de SJB.

Assim que o "tema" amadurecer, volto a falar nele, inclusive na "preguiça" do governo federal em abordar o problemam deixando tudo para os clamores da emergência pelos eventos esportivos internacionais que se aproximam.

Nesse caso, como em outros tantos, pressa é sinônimo de imperfeição (e prejuízo público).


Um abraço.