segunda-feira, 4 de abril de 2011

O bom senso e o senso comum!

Eu li em algum lugar, em uma pesquisa estranha, dessas que a gente vê toda hora, que se você pegar um saco e enchê-lo com bolas de gude, ou confeitos de chocolate(tipo confetti, quem tem 40 ou perto disso, se lembra), e perguntar a um número determinados de pessoas na rua qual o número de bolas ou confeitos, a chance de que elas acertem ou se aproximem da soma exata contida no pacote é sempre maior que a dos cálculos feitos por matemáticos.

O objetivo da pesquisa, nesse caso, era direcionar nosso entendimento que o senso comum, na maioria das vezes acerta, pelo menos no aspecto quantitativo das coisas.

Logo, eu fiquei a me perguntar: O senso comum é sempre o bom senso?
Essa dúvida me assola até hoje, quando olho para a cena política de nossa cidade e região, e o papel bisonho desempenhado pelas forças políticas que têm a responsabilidade de apresentar uma alternativa que supere a atual situação, e que possibilite uma alternância de poder, de fato e de direito, e não apenas a troca dos antagonistas de um modelo único de gestão.

Fico a imaginar que os partidos de oposição nessa cidade sempre estarão a fazer cálculos sobre a "quantidade de bolinhas", e sempre encontrarão números mais inexatas que a maioria da população!

Afinal, se há tantos problemas em relação a saúde, educação, transporte público, licitações, desperdício e desvios de dinheiro público, aparelhamento da máquina, comprometimento da mídia, gastos com propaganda, etc, etc, etc, por que a população não se dá conta e rejeita esse modelo? Ou melhor: Por que a população não enxerga que ela é a principal prejudicada, a longo prazo, com esse modelo fisiológico/clientelista? E mais: Por que a "frente" de oposição não decola?

Será que a decisão soberana da população nas urnas está errada?

Será que os partidos e pessoas comprometidas com um outro projeto de poder estarão sempre "pregando no deserto"?

Na planíce, bom senso e senso comum não combinam?

Creio que não.

Eu penso que há múltiplas possibilidades de perguntas a serem feitas, e os partidos da "frente" permanecem naquelas as quais as respostas nunca os favorecerão! Esse é o risco de estatísticas e da quantificação/coisificação da política: Induzir raciocínios.
Mas por outro lado, sempre é possível fazer novas perguntas.

Não se trata de aderir ao oportunismo, mas utilizar a visão estratégica para colocar na agenda política a(s) pergunta(s) certa(s): Se o eleitor já respondeu quantas bolinhas têm no pacote, então perguntemos quem "segura o pacote, quem colocou as bolinhas lá dentro, a cor das bolinhas ou o peso delas".

Enfim, para deixar de ser a eterna vanguarda, que de tão à frente, a frente fique só, ela precisa aproximar suas perguntas do senso comum, para que elas rimem com o bom senso e a percepção de que as coisas estão erradas.

Política é imaginário popular, associada a percepção cotidiana dos problemas. Sem uma forte estratégia de divulgação e contra-informação, que utilize os meios disponiveis (e não só blogs ou outras mídias artesanais), não haverá sucesso no médio prazo (esqueçam 2012, falamos de 2016).

Grupos, partidos, sindicatos e pessoas "físicas" podem e devem utilizar seus espaços institucionais para "comprar" espaço e veicular peças que desmintam a propaganda oficial. E se forem rechaçados por esses meios, que utilizem o espaço nos governos onde detêm o controle para divulgar, sem partidarizações, as mensagens que possam constranger o governo municipal a adotar práticas de boa governança, por exemplo:

O Governo do Estado e Federal têm o dever de veicular propagandas que levem a população a perguntar e solicitar o sobre o funcionamento dos conselhos municipais de saúde, de educação, de segurança, cultura, etc.
Uma simples peça publicitária, mostrando os problemas das administrações que funcionam à margem dos conselhos, e comparando com as cidades onde funcionam, já seria uma ótima "pegada".

Outro exemplo: A Petrobrás, o Ministério do Planejamento e Orçamento, e outras entidades que se relacionam com royalties e orçamento deveriam intensificar propaganda falando do bom uso do dinheiro que arrecadamos, e da transparência desse uso.

Os sindicatos ligados à saúde(desde que suas categorias assim decidissem) deveriam fotografar as filas nos postos de saúde, gravar depoimentos, e depois, junto outros setores organizados, bancarem espaços nas rádios, tvs e jornais, mostrando que nem tudo são "rosas".

O MST tem que publicar nos jornais a real situação dos "escravos modernos", ao invés de se fechar em seu casulo bolchevique.

No campo individual temos os adesivos de carro, camisas, etc, etc, etc.

Ou seja, é preciso ganhar a guerra onde ela está sendo travada. Nas mentes e corações do senso comum.

E isso não será possível sem criatividade, comprometimento dos parlamentares afiliados a "frente", bem como dos entes da sociedade civil!

Mas para isso é preciso uma ousadia, que ao menos, ao que nos parece, já foi domesticada há tempos.

8 comentários:

felixmanhaes disse...

Você tem razão, meu caro Douglas. Chegamos a esse estado de letargia mórbida, que nos dá a sensação de que perdemos essa luta e que já estamos no saco.
Aí necessário se torna a criatividade. Chegamos a esboçar um leve aceno nesse sentido. Recordas do "Chega de Palhaçada"? Seria interessante um movimento similar aquele, agregando outras iniciativas e atores além da blogosfera, como por exemplo peças de teatro em praça pública (não sei se ela ainda é do povo!),envolvendo estudantes principalmente aqueles de até 16 anos, que são as peças de reposição na máquina eleitoral, além de outros movimentos, retratando a nossa realidade, onde os atores seriam os próprios expectadores, sem medo do ridículo. Quem não sabe uma iniciativa parecida não nos acordasse desse coma cidadão.
Sabemos que a mídia convencional que ainda regula seu verbo pela verba, não daria bola, mas a meta não se encerra no sucesso midiático. A finalidade é tentar acordar o cidadão/voto, que em última instância é a matéria prima para a manutenção desse estado de coisas.

douglas da mata disse...

Caro Félix,

Mobilizações espontâneas e de cunho mais amadoras são sempre bem-vindas, mas eu falo de um "jogo" mais pesado, profissional e articulado.

Com uso das estruturas disponíveis para romper esse cerco da mídia que você, tão bem, diganosticou.

Não dá mais para combater o peso da máquina de propaganda da dinastia da lapa sem um contraponto com a mesma força.

Os meios disponíveis estão aí, existem outros.

Falta coragem e vontade política.

Um abraço.

Anônimo disse...

Douglas,

Acho também necessário que a oposição ocupe determinados espaços onde teoricamente o governo não poderia estar. Por exemplo discutir e levantar bandeiras que realmente fazem parte do dia a dia das pessoas, e que por algum motivo o governo não poderia fazer por manter certos vínculos.
É o caso da CPI da Águas do Paraíba. Temos um contrato de concessão que é um verdadeiro abuso aos cidadãos, um assalto ao consumidor. Assitimos também uma prestação de serviço de péssima qualidade, e ao mesmo tempo, assistimos esta mesma empresa receber financiamentos milhonários dos governos.
Porque um vereador da oposição não pediu esta CPI?
Pelo que ouvi falar, quem esta querendo a CPI é o vereador Albertinho, que é do governo. A CPI seria uma grande oportunidade de discutir direitos que as pessoas estão atentas, pois fazem parte de seu diaa dia. Mas pelo visto esta CPI tem outro objetivo, que com certeza não é a defesa do povo de nossa cidade.
A oposição perdeu a oportunidade de discutir um ótimo tema, de grande relevância para as pessoas, e também de ganhar capital político com isso, e nós, cidadãos, perdemos a oportunidade de termos uma CPI de verdade, já que um vereador do governo não vai dicutir um contrato de concessão como este.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Nesse caso específico, a leniência em debater esse tema, assim como o escandaloso contrato de coleta de lixo nessa cidade, obedece a uma lógica menor, ou seja:

Uma parte da oposição está vinculada a celebração desses contratos escandalosos, porque, como sabemos, essa mesma parcela da oposição sempre compartilhou os mesmos métodos quando esteve no poder, e derivam do garotismo, como dissidências.

Mas no processo de separação, mantiveram a agenda "garotista" como "modus operandi".

Um abraço.

Anônimo disse...

Não acredito que ninguém no PT esteja de alguma forma vinculada ao contrato da Águas do Paraíba. Além do mais, a vereadora Odisséia é da comissão de defesa do consumidor da câmara, e dentro do PT, temos sindicalistas do setor de saneamento básico.
Essa CPI tinha que ser protocolada po Odisséia.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Não me refiro a vereadora, embora não possa afirmar quais são seus vínculos com quem quer que seja.

Falo da frente de oposição e do ex-prefeito Sérgio Mendes que assinou o contrato de concessão-caracu.

Um abraço.

Anônimo disse...

Douglas, permita-me alongar um pouco mais este assunto. Nem todos os vereadores de oposição estão ligados a Frente Democrática, e se estão, porque um outro partido político não se debruçou neste tema (contrato de concessão da Águas do Paraíba) para conforme você disse em seu texto, ganhar espaço na mídia e fazer a contra-informação ao governo (que diz que tudo está mil maravilhas), que como consequência ganharia capital político.

Poderíamos até dizer que esta seria a tão sonhada "terceira via" para esta cidade...

douglas da mata disse...

Boas questões, e que devem ser respondidas por Vossas Excelências.

Eu somaria uma série de variáveis para responder seus questionamentos em relação aos partidos e sua inércia:

1. Incapacidade política, de fato;
2. Rabo preso;
3. Falta de senso de oportunidade;
4. Falta de senso de defesa do interesse público;
5. Medo;
6. etc.

Veja que esses itens não se anulam, e podem concorre mais ou menos, de acordo com o caso.


Um abraço.