segunda-feira, 4 de abril de 2011

Narciso.

É comum dizermos que políticos têm várias caras, com tom pejorativo. Mas em um jogo no qual as referências são sempre rarefeitas, nem sempre é ruim adaptar-se a realidade, e mudar de opinião. O desafio é achar o ritmo certo, e transformar a rendição ao argumento alheio em algo que lhe beneficie.
Mas o principal é não sucumbir a tentação de mudar ao sabor de qualquer oportunidade, motivado pela crença que sua imagem pública é mais importante que tudo mais em volta!

Quando alguns políticos passam a acreditar mais na imagem que fazem de si mesmos, tornam-se reféns dos humores da opinião pública, que por várias vezes, não passa de opinião publicada.

Esse é o drama que parece viver o atual presidente da Câmara de São João da Barra.

Como o mito do narciso, que morre à míngua, paralisado pela contemplação do reflexo na água, encaminha-se o nobre vereador para a inanição política.

Que fique claro que isso não é porque mudou de opinião, ou reavaliou seus métodos e parceiros políticos. Qual nada!

Mas quem ler suas declarações poderá enxergar que o motivo que o fez desintegrar o único contraponto institucional ao poder empresarial bilionário, que ameaça alugar o processo democrático daquela cidade vizinha, foi única e simplesmente suas conveniências pessoais, a saber: os possíveis danos à imagem que o parlamentar faz de si mesmo.

Ingenuamente, o nobre vereador pretende uma "independência" que o coloque à salvo dos conflitos ali instalados, como se fosse possível pairar acima de todos, ou como dizem os alemães, über alles, como um poder moderador, ou ao menos, "vender" essa postura como crível aos seus eleitores. Anda mal assessorado o vereador.

Esquece que é possível ser independente tendo uma posição clara, sem se misturar com as manipulações rasteiras provocadas pela bipolaridade a qual ficou reduzida a conjuntura local. Mas para tanto, é preciso certo talento.

É lógico que outras ilações sobre sua mudança de posição não podem ser afastadas, ainda mais quando se há "tantos interesses" na mesa de negociações.

Mas não há dúvidas que os adversários (e quem sabe, futuros aliados?) do vereador descobriram(ou já sabiam) seu ponto fraco:
Não é o bolso, como diriam os levianos, mas outro "pecado" mais perigoso:
A vaidade.

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