segunda-feira, 25 de abril de 2011

Graças à deus!

É assim que cristãos e outros religiosos de outras denominações, que insistem em dar apoio político a manutenção de leis que criminalizam o aborto, deveriam reagir ao assistirem os recorrentes casos mostrados na TV, onde crianças recém-nascidas são jogadas em lixeiras, na sarjeta, e em outros casos, são mantidas presas em casa, mortas por inanição (FOME).

Sim, porque só isso explicaria essa postura ideológica de exigir que mulheres permaneçam grávidas contra sua vontade.
Resultado: As ricas, como a cristã, conservadora e anti-abortista esposa de zéserra, abortam em países onde se permite tal prática (EEUU), ou em clínicas caríssimas e seguras.
As pobres, morrem aos milhões, após praticarem auto-abortos(com medicação abortiva clandestina, e outros instrumenrtos perfurantes), ou se submetem aos "açougueiros" da periferia.
O ponto em comum entre ambas, além do fato de serem mulheres e rejeitarem a gravidez: Talvez todas, as pobre e as ricas, acreditem em deus!
Mas nenhuma fé em deus as convenceu do contrário, ou seja, manterem-se grávidas. Como pretender que o Estado laico mantenha leis calcadas na fé, quando nem entre as fiéis essas leis sejam cumpridas?

Quando falham, essas mulheres rejeitam suas crias, e as abandonam, ou pior: mantêm seus filhos sob sofrimento e condições de negligência de toda sorte.

Estudo exposto no livro de estatísticas Freakonomics (por Steven Levitt, PhD pelo MIT junto com o jornalista Stephen J. Dubner) revelam que nos estados onde há legalização do aborto, menores os índices de criminalidade relacionados a autores que tenham crescido em lares desfeitos ou desestruturados.

Alguns dirão: "Ora, mas as crianças não têm culpa, e cabe ao Estado punir maus pais, ou pais que abandonam ou matam seus filhos".

Mas o que justifica que essas crianças tenham que passar por tanto sofrimento e tortura? Será a crença cristã que o calvário desses menores lhes garantirá o "reino dos céus"?

Será que é uma imposição do "mercado de almas", que determina que haverá vida, ainda que indigna, só para "vender" uma idéia de salvação.

Outros dirão que crianças rejeitadas têm uma chance de recomeço, através da adoção. Pode ser, pode não ser. Algumas poucas, as brancas, recém-nascidas têm uma boa chance, e inclusive, para esse "padrão" tem até fila.
Mas como as pretas são a enorma maioria (aqui também o corte de raça é determinante para saber quem se dará melhor na vida), sobram crianças em abrigos e orfanatos, o que não resolve a questão do abandono e seqüelas psicológicas que estarão submetidas por toda a vida.

Eu continuo a ver a televisão, crianças em caçambas de lixo, boiando em sacolas plásticas em rios, mortas e esqueléticas após semanas sem comida, e penso:

Se tivessem sido abortadas, não teriam ao menos uma morte digna, ao invés de servirem de pauta para noticiários?

Que tipo de sociedade sádica é essa que faz questão de que essas crianças nasçam, só para assistir suas mortes pela TV?

Um comentário:

Eduardo Braga disse...

E para piorar, os "cristãos" também desconfiam das boas intenções de alguns casais homossexuais que queiram adotar crianças. Confundem, nos seus pré-conceitos, homossexualidade com pedofilia ou acreditam que o comportamento dos pais podem influenciar na orientação sexual futura de uma criança como se isto fosse relevante. A maior parte dos homossexuais vieram de pais heterossexuais. Ou seja, preferem crianças abandonadas, marginalizadas e órfãos do que legalizar o aborto e a adoção por homossexuais.
Eu preferiria ter um pai gay que me desse afeto e abrigo do que não ter nenhuma família e viver num orfanato.