quarta-feira, 20 de abril de 2011

Esse monstro chamado: "Opinião Pública"!

Existe na face da Terra, um conjunto de seres incorpóreos (a adotar a terminologia do deputado Brizola Neto).
São entes que você sabe que existem, todos falam em seu nome, teses são elaboradas, políticas são decididas, debates, etc, mas você não os vê, e não é capaz de perceber nenhum traço tangível, e toda vez que se tenta delimitar seus contornos para situá-lo na luta política, esses entes esvaem-se como fumaça.

Um desses seres é o "mercado", mas o que nos interessa aqui é outro: A opinião pública!
Todos a temem, todos buscam agradá-la, pois em seu nome são cometidos os mais difíceis malabarismos éticos.

A "opinião pública" move-se por encanto, silenciosamente, e avança sobre a sociedade, como se prescindisse dela.
É a matéria-prima predileta dos editoriais quando se pretende atacar algo, ou algum grupo, sem que se incorra no perigo de situar o interlocutor como adversário, como forma de diluir interesses e posições, ou seja: Se queres criticar ou atacar algo, diga que a "opinião pública" está contra ele.

Na maioria das vezes, essa "opinião pública" é fruto de uma percepção mágica daqueles que publicam a opinião e a chamam de pública: Nunca há, embora a ciência estatística tenha avançado consideravelmente, uma definição clara da tendência da opinião do público, e toda manifestação ou desconforto localizado ou corporativo é considerado a opinião de TODO público, e não de PARTE dele, como deveria ser.

Assim estamos frente a greve dos vigilantes, que sofre diuturnos ataques dos meios de comunicação de massa, o chamado PIG local. A "opinião pública", de novo, se levanta e se insurge, feroz, contra trabalhadores e, pasmem, contra governos.
Ora, o nível de proteção estatal aos direitos dos trabalhadores está consagrado nas leis trabalhistas, que estabelece a "arbitragem" dos conflitos pelo Judiciário. Inferir que governo (e não o Judiciário) interfira nas questões trabalhistas, significa um perigosos retrocesso ao direito dos trabalhadores e na mediação com seus patrões, justamente, os que os donos da opinião pública chamam de "mercado". (olha aí  o outro ser incorpóreo).
Mas toda vez que "o mercado" (que não tem dono, não tem interesses e ninguém sabe quem se beneficia dele)está ameaçado, a "opinião pública" sai da toca.

O problema é que essa "opinião pública" nunca se levanta contra determinados interesses, como o dos bancos, dos empresários, e nesse caso, das empresas de vigilância a seu serviço, quer dizer: os patrões!
No caso dos primeiros, a LEI garante ao consumidor o pagamento de suas obrigações, tributos e outros, sem a cobrança de juros, por motivo de força maior, na medida que o atraso se dá por questões absolutamente alheias a vontade do devedor, se for o caso.
Mas para isso, os empresários e bancos teriam que abrir mão dos juros e multas, que em alguns casos, são mais rentáveis que a cobrança pelo próprio serviço que prestam ou dos bens que forneçam.
Infelizmente, aqui, não há "opinião pública" que dê jeito, pois como dissemos, ela raramente se levanta contra o "mercado".

Como vivemos em sociedade, pretender que a greve de determinada categoria, fundamental ao funcionamento de um setor importante, como bancos, não afete outros setores dessa sociedade é quase uma piada. Por outro lado, exigir que profissionais abram mão dos seus direitos a mobilização, principalmente quando o sucesso de deu pleito é facilitado pelo poder de pressão que a parada dos serviços causam, é má-fé mesmo! Ora, se são essenciais, devem receber como tal, ou não?
Por que seus patrões não os tratam como tal, se dizem que sua greve entrava todo os sistema?
E o que devem fazer os trabalhadores, trabalhar pelo dever cívico de que a "opinião pública" possa consumir e pagar suas contas?

Mas a pergunta que devemos fazer é: No fim das contas, as pessoas estão em risco de morte, seu direito de ir e vir, ou o direito de se alimentar, de acessar os bens essenciais, como água, luz, educação, está ameaçado?
Se esse for o caso, e somente nesses casos, deve a "opinião pública" reclamar a intervenção do Estado. Caso contrário, a "opinião pública" deve dirigir sua fúria contra TODAS as partes do problema, e não selecionar aquelas que convêm ao "mercado"!
 

TODO APOIO A LIBERDADE SINDICAL E A GREVE DOS VIGILANTES!


PS: Grave é a posição da defensoria pública a propor ação civil para reabrir os bancos com os vigilantes que não aderirem a greve. Se não bastassem os problemas de segurança pelo número efetivo reduzido de vigilantes que se disponha a tal repugnante papel, a possibilidade de conflitos entre grevistas e fura-greves é factível, funcionando a medida como risco a segurança pública, e não para mediar o conflito, como diz pretender.
Cabem as perguntas: 
É direito de cada um não aderir a greve ou qualquer outro movimento, mas os fura-greves devolverão os aumentos que forem conseguido pelo movimento que trairam? 
Isso consta da ação cívil pública? 
Ou será que tudo não passa de uma intervenção de um órgão de suma importância (defensoria) em um conflito que não lhe cabe, só para agradar interesses não confessos de uma PARTE do público, ainda que revista a ação da defesa do interesse difuso de TODO público?

18 comentários:

Marcelo Bessa disse...

Simplificando: ninguém é obrigado a fazer greve.

douglas da mata disse...

Caro Marcelo,

Bom saber que seu gosto pelos temas polêmicos permanece.

E veja que eu não me queixarei de patrulha ideológica. Vamos ao debate:

Veja, eu concordo, e o texto diz isso, mas a sua simplificação esquece um dado importante:

Não querer a greve implicaria em renunciar aos benefícios que ela traz, senão, onde está a coerência de exercer uma liberdade, mas ainda gozar de benefícios coletivos daquilo contra o qual sua "liberdade individual" se insurge.

Parece oportunismo, não?

Portanto, deveria a defensoria deixar essa cláusula explícita, sob pena de interferir indevidamente naquilo que não deveria, ou seja: Quem não quer fazer greve, que continue a ganhar o mesmo salário, diferente dos salários aumentados (se assim acontecer) dos grevistas.

Como isso não é possível (ou seja, fragmentar direitos coletivos, que é a natureza jurídica do que tratamos aqui, e não difusos, como tratou a defensoria), daí e impropriedade da interferência da Justiça no caso, pelo menos com uma decisão que subverte a natureza jurídica dos direitos em conflito.

Antes da liberdade de não fazer greve, está o direito dos grevistas, legalmente instituídos, em sindicatos e assembléias, onde os não-grevistas devem submeter e aprovar (ou não) democraticamente seus pleitos, e se submeterem ao resultado dessa assembléia, ganhando ou perdendo. Essa é a regra democrática, e não o contrário. Liberdade individual não prevalece SEMPRE sobre o interesse coletivo, e você sabe disso.

Eu pergunto: Se os não-grevistas conseguissem aprovar sua posição na assembléia da categoria, não estaríamos todos a respeitar essa decisão, e inclusive, submetendo a minoria grevista às sanções da lei para os que insistissem em não trabalhar?

Por que o contrário não pode obter o mesmo princípio?

Um abraço. E como disse, bom saber que estás de volta a arena do bom debate.

Marcelo Bessa disse...

kkkkkk
Bom saber que você mantém o bom humor. Detesto debates: aprecio o livre colocar de opiniões, apenas (e não quero a catequese de ninguém... rsrsrs).
Pode-se imaginar, então, que caso você precise não irá a uma agência bancárias aberta, já que é contra a abertura delas, né? Sei... kkkkkk
Abração.

OBS: a resposta à sua pergunta: como a greve é um direito coletivo por natureza, se ela não fosse aprovada não seria possível à "minoria grevista" fazê-lo. Simples assim.
Por outro lado, como ninguém é obrigado a fazer ou não fazer nada a não ser em virtude de lei (e não há lei que obrigue alguém a fazer greve), quem não quiser fazer greve pode fazê-lo. Simples assim.
Sorria :o)

Anônimo disse...

Esse tema é um tanto controvertido, por isso tende a um debate quase interminável.
Vamos a alguns pontos:
Conheço pessoas que recebem seus salários na boca do caixa, portanto, desde que se iniciou a greve, estão sem salários.
Temos os idosos, que não costumam dominar a técnica do uso do caixa eletrônico, mas estes têm a opção de irem a uma agência bancária e conseguirem ser ajudados pelos funcionários dos bancos.
Temos inúmeros casos de pessoas que erraram a senha duas vezes e estão com seus cartões bloqueados. Para esses não adianta caixas eletrônicos, pois esse problema só se resolve no caixa mesmo, pelo menos no banco Itaú é assim.
Temos os casos de cartões com defeito e vencidos, etc. etc. etc.
Essas pessoas estão impossibilitadas de ter acesso ao dinheiro que as sustenta, portanto, caberia um mandado judicial autorizando-as a resolverem seus problemas.
Penso que a ordem judicial deveria ter como destinatários as agências bancárias dos prejudicados e o sindicato dos seguranças, sendo que este indicaria os agentes responsáveis pela segurança bancária, nesses casos.
Com a máxima vênia, considero um erro, ou, no mínimo, inadequado o fato da Defensoria Pública ter prescindido das indicações do sindicato e optado por escolher os vigilantes que traem a luta de sua classe.
Em todas as greves existem os covardes e oportunistas que traem a classe e não correm os riscos de reivindicarem, porém, ganham os mesmos benefícios dos que reivindicaram.
Penso que a Lei de greve deveria ter regulado essa matéria, para que pedidos equivocados, como esse da Defensoria Pública, deixassem de ser atendidos.
Até onde fiquei sabendo, as empresas ofereciam apenas 1% de aumento, mas não estou acompanhando as negociações.
Outro erro é o atraso no início da negociação, a lei de greve também deveria regular esses prazos, de forma que quando chegasse a data do dissídio, tudo já estaria acordado, ou caso não se chegasse a acordo, nas mãos da autoridade judiciária, que arbitraria um valor mínimo para o prosseguimento do trabalho e das negociações, sem necessidade da greve.
Os trabalhistas estão no Poder há oito anos, mas não ouvi falar em nenhum projeto inovador nesse ramo, o que eu vi foi o Governo Lula se esquivar do tema, quando quiseram tratar de direito a greve, reivindicado pelos servidores públicos.
Foi lamentável, pois o tema necessita de leis claras, para que os trabalhadores não continuem a sofrer com ordens e decisões judiciais pouco acertadas, tudo por falta da regulação legal adequada do tema.
Nascimento

douglas da mata disse...

Caro Marcelo,

Perder o bom humor nunca, e ainda mais com uma pessoa como você.

Veja que engraçado: Você odeia o debate, mas gosta do livre colocar de opiniões...Ué? Mas o que é isso senão o debate?

Veja também, eu não gosto de "catequese", nem outra forma de "doutrinamento", mas não encaro a colocação de conhecimento e opinião alheias como dogmas aos quais eu tenha que me submeter. Mas eu luto até a morte pelo seu direito de falar o que quiser (resguardadas as exceções de praxe, como crimes e intolerância de toda sorte), e ainda que meu interlocutor pretenda (ou não) me "catequisar", eu ouço e publico se quiser. Caso contrário, nem respondo ou nem publico.
Mas eu não provoco polêmica para estabelecer meu ponto de vista como único, ou imune a "patrulhas", até porque, na Democracia, ninguém controla a vontade de ninguém, ao menos até que ela se expresse e provoque algum dano concreto. Do contrário, é censura prévia.

Mas de volta ao tema:

Não, não vou ao banco em horário, e já não faço isso há muito tempo, pois os caixas de auto-atendimento me permitem.
Mas se fosse necessário não iria, por uma postura política, que fique claro.
Ter postura política e ser coerente com o que penso não é novidade para mim, não sem algum sacrifício, mas isso é uma postura pessoal.

Quanto ao direito coletivo, você confunde o direito de não aderir a greve, com o direito de se insurgir contra um movimento legalmente instituído, e que têm regras, como a decisão das assembléias.

Como no seu exemplo, se não há "a minoria grevista", não há, por outro lado a "minoria fura-greve", e como o assessório segue o principal, não há de se falar em direito de "furar" greve, até porque, como já disse, quem não quer fazer greve teria que devolver o aumento auferido. A decisão que vincula os grevistas em potencial e em minoria, caso a greve fosse rejeitada, vincula, em sentido contrário, os não-grevistas.
É aquela velha discussão entre direito-direito e direito-dever. Que você, como especialistas no tema, conhece muito melhor que esse leigo.

Há, no meu raso entender, o atendimento, inclusive, a outro princípio quando cito os deveres dos não-grevistas: Aquele que veda o aumento de patrimônio sem a devida causa legal. Se eles legalmente se insurgiram contra o direito da maioria, como supor que gozem dos mesmos benefícios obtidos por essa maioria?

Não é uma questão simples, mas deveria ser considerada pela Justiça, ainda mais quando sabemos que a Justiça do Trabalho, foro competente para esses conflitos, não julgou a ilegalidade do movimento, nem ordenou que os trabalhadores voltassem ao trabalho.

Além de tudo, a decisão da Justiça criou um conflito de competências.

E veja que não há de se falar em interesses difusos da sociedade, porque a lide tem natureza trabalhista, e o "direito de pagar as contas", nesse caso, está subordinado ao reclamação dos direitos e vantagens trabalhistas, expresso pela lide em sede judiciária competente para tanto.

Abraços.

Marcelo Bessa disse...

Eu disse, Douglas, que não tento convencer ninguém: se a pessoa mudar de opinião com meus argumentos, tá bom; se não mudar tá bom também. Digo o que penso e pronto.
"Quem concorda bem, quem não concorda amém" é o que penso(rsrsrs).
Um abraço.

douglas da mata disse...

Nascimento, seu comentário está certíssimo, inclusive e principalmente, no que tange a omissão do governo do nosso Lula,e agora da Dilma, no que tange a regulação e debate sobre essa e outras matérias.

No caso do interesse dos atingidos por problemas pontuais, você foi perfeito: Na medida exata, cada um de acordo com o seu direito e na urgência que a satisfação desse direito necessitar. Está aí a Justiça para isso.

E nem adianta falar que isso demora, porque na apreciação do pleito(indevido)da Defensoria a coisa andou rápido, ou não?

O que a defensoria fez, beira por muito pouco, a litigância de má-fé, e motivada por interesses que são muito distintos do que eles dizem pretender.

Uma interferência perigosa no direito de greve, e pior: Rasga a tradição desse órgão na defesa dos hipossuficientes, e nesse caso, entre patrões e empregados, a condição de cada um está bem clara, pelo menos para mim.

Mas esse processo na Defensoria já é antigo, e lamentavelmente, irreversível.

Um abraço.

douglas da mata disse...

Marcelo, me permita discordar.

Há uma diferença entre tentar convencer e obrigar a concordar, e você mistura como se fossem iguais. Não são.

Quando eu publico algo, essas palavras fogem a minha esfera pessoal e se transformam em objeto da apreciação, negação, concordância, etc, etc.

E quando me dirijo a você, em seu blog, pessoalmente, ou por qualquer outro meio, tento lhe convencer, é claro, do que penso, e você, por sua vez, faz a mesmíssima coisa quando responde, ou seja, quando dialogamos.

Não há livre dizer, pois as palavras sempre têm conseqüências. Há, no entanto, LIVRE PENSAR, e isso é outra coisa.

Mas eu entendo o sentido do que falas.

No entanto, a sua reivindicação do que diz:
"(...)"Quem concorda bem, quem não concorda amém" é o que penso(rsrsrs). (...)"
deveria ser uma via de mão dupla, mas no entanto, você, polida e democraticamente tenta me convencer que estou errado (sobre esse tema-greve, e tantos outros nos quais discordamos).
Mas se assim fosse, infelizmente, não estaríamos dialogando.

Essa é a raiz da falta de diálogo, que é a mãe da intolerância.

Um forte abraço.

Marcelo Bessa disse...

Não, não tento convencer: só disse o que penso sobre o assunto.
Um abraço.

douglas da mata disse...

Caro Marcelo,

E qual é o sentido de tentar me convencer que só quer dizer o que pensa sobre o assunto, ou sobre qualquer outro?

Afinal, sua opinião gravita em algum vácuo social ou em algum campo filosófico neutro?

Claro que não, isso é impossível, a não ser que todo o pensamento esteja extinto e só você reste.

Mas aí, qual o sentido do "livre pensar" e do "livre dizer"? Nenhum!

E veja, pouco importa o que você pensa sobre o que diz, mas o que eu interpreto do que você diz, e vice-versa, porque o que é dito, é dito para o outro.

Isso é tão humano quanto andar! E goste você ou não, a não ser que você permaneça mudo para sempre, é assim que acontece.

Um abraço.

douglas da mata disse...

PS: permita-me só mais um pitaco:

Quando você diz: eu falo, e pronto, deixa claro, embora eu ache que não seja essa sua intenção, que pouco importa o efeito de sua fala sobre os outros.

Esse processo desqualifica o outro como ouvinte, você como produtor de discurso, e na via inversa, remete a uma falta de valor a fala que o outro te dirige.

Ou seja: retira do diálogo a sua função fim, que na verdade é funcionar como instrumento de comunicação e lhe dá uma categoria de fim em si mesmo, despregado de qualquer sentido, ou seja: diálogo entre surdos.

Essa é a raiz da intolerância que assistimos hoje, e que fraciona nossa sociedade.

A "privatização individualizada" e "extremada" do direito de falar o que se quer, destroça a esfera pública de debate, que é a base da democracia, e por que não dizer, da própria idéia de liberdade de expressão.

Um abraço.

Marcelo Bessa disse...

Meu Deus... quanta Filosofia (Antropologia? Sociologia?) por nada...
Eu só disse que falei o que penso (a continuar assim vale mais a pena ficar quieto...).
O tema aqui era a greve, né? Pois é: deixou de ser... virou uma tentativa sua de provar que eu disse o que não disse ou que disse o que não disse: nem sei mais, até porque dá no mesmo.
Eu costumo pensar que o que EU penso deve ser explicado por mim , não pelos outros (e o que os outros pensam deve ser explicado pelos outros, não por mim). Mas cada um faz o que quer.
Não tem nada de "desqualificar o outro como ouvinte", nem de "falta de valor à fala que o outro te dirige" ou "retirar do diálogo a sua função fim" e muito menos "raiz da intolerância". Repito: sobre o que eu penso falo eu. Façamos o seguinte: eu deixo de ser quem eu sou, de pensar o que penso (como diria Renato Russo: "eu realmente não sabia que eu pensava assim") e faço de conta que as pessoas não têm o direito de ser contra a greve. Daí concordo com você e tudo se resolve: aí pode, né? Sei...
Por fim: se a cada manifestação corresponder uma tortura, é preferível não falar mais nada. O que é dito é dito para o outro, mas não tento convencer o outro e não estou nem aí se ele não me entender...
Desculpe o incômodo de ter discordado. Aliás, repare que minha primeira fala foi apenas "ninguém é obrigado a fazer greve" e daí surgiu um "cavalo de batalha" e o tal "debate" virou tentativa de desqualificar o que exprimi: pra mim já deu, pois não estamos na União Soviética de Stálin.

OBS: não precisa perder seu tempo respondendo, porque você já está certo, mesmo.
OBS 2: entendeu agora porque eu disse que não gosto de "debates"? A esquerda quando diz que só quer debater um tema quer mesmo é impor sua maneira de pensar (pelo menos é isso que fica claro: talvez você acredite que não): para mim não dá (por isso que me afastei da militância de esquerda).

OBS 3: não sou de direita, antes que fale (embora isso não seja ofensa). E se eu fosse de direita seria um direito meu, do qual não me envergonharia.
OBS 4: quanto a ser neutro é diferente de ser imparcial e isso eu sou no meu trabalho, que é o que importa. Neutro no exato sentido da palavra ninguém consegue ser, claro (nem mesmo os que recorrem à Filosofia (Antropologia? Sociologia?) para justificar sua maneira de pensar).

douglas da mata disse...

Caro Marcelo,

Não perca a calma. Use argumentos, é só.

Os argumentos jurídicos, você não retrucou, será que falei tanta besteira assim?

Ou talvez não mereçamos aprender com você? Nem vou considerar a hipótese de que lhe falte condições de manter o debate. Prefiro acreditar que você ache que não estejamos à sua altura.

Os argumentos políticos, idem e nada de contra-argumentação. E não falo de partidos, mas de política "lato sensu".

Desculpe se te incomodo com tanta falsa erudição, mas cada um usa as armas que tem, e como eu não sou um jurista, nem um "expert" como você, eu vou só tropeçando.

É injusta a comparação (para não falar desrespeitosa) com Stálin ou outros ditadores. Veja que não encerro debates com: "se não concorda, pouco me importa".

"Para mim já deu", também não ajuda, e ainda bem que não estamos na URSS, pois essa sua frase, pderia significar minha sentença de morte, ou exílio para algum "gulag".

Você parece não ter entendido, mas eu explico, bem devagar: o que fixa seu discurso, meu caro, não é a sua palavra, mas o ouvido de quem as ouve.
Sem isso, palavra não diz nada, é só isso.
Experimente falar sozinho, ou em um ilha. Qual o sentido das suas palavras? Nenhum, portanto, o que legitima seu discurso é a interlocução, portanto, interessa, SIM, o que pensamos sobre o você fala, senão você não falaria tanto.

Continua no próximo...

douglas da mata disse...

Continuação do outro comentário:

Você não gosta de debates, pode ser... Ué, e para que perdeu tanto do seu tempo? Não era você que evitaria temas polêmicos?

Mas aqui não vamos sair pela tangente e discutir "botas da mirella".

Engraçado, lá no seu blog, você chama tudo de "patrulha ideológica", reclama, se faz de vítima, logo depois de publicar os temas mais polêmicos.

Bom, aqui quem determina como e até onde vai o debate sou eu, e eu gosto de filosofar, de buscar fundamento, ainda que você ache que o que você disse não mereça essa atenção.

Está aí a diferença: Quando eu não concordo com você, eu busco fundamentos (que você ´pode gostar ou não), mas nunca iria, eu repito: NUNCA me dirigiria a você de forma simplista, com: "é o que eu acho e pronto acabou".

Eu nunca diria a você: "Não me importo com o que você pensa do que falo", se achasse isso, teria banido seus comentários e não perderia tempo.

Mas eu digo de novo: me importo, e vou continuar retrucando, com filosofia(de botequim), com antropologia(de vestiário de clube), ou qualquer outra ferramenta que eu disponha. Goste você ou não.

Suas preferências ideológicas são problema seu, e sua postura no trabalho, problema seu, dos seus superiores e do contribuinte, portanto, não interessam e nada tem relação com o debate. Ao contrário do que você procura inferir em minhas palavras, eu não busco rótulos, nem diferenças, só contraponto a conceitos e idéias.
Ser de esquerda, de direita, de centro, de cima ou de baixo não lhe confere imunidade e prevalência em debate algum.

Ainda que você insista em não adotar posição alguma, o seu discurso lhe situa, e isso é incontrolável, e talvez, o motivo de sua insatisfação.

Mas aí, o caso é de terapia, e isso aqui a gente não faz, pelo menos, não do modo ortodoxo, rsrs.

Meu problema nessa discussão não reside em você concordar ou não comigo, é a forma de encaminhar essa divergência.

Acho que você percebeu (e os leitores também) que aqui não se encerra polêmica com: "é isso, e está acabado."

Leia o comentário do Nascimento, reflita e verá que o pleito da defensoria ofende o bom senso e o direito, e mais: todo mundo tem direito de fazer o que quiser, incluído aí o direito de não fazer greve. Só não tem o direito de esvaziar um movimento que lhe trará benefício (aumento).

Quem acredita nisso, endossa o oportunismo covarde.

Um abraço, e não se leve tão a sério, nem essa disputa que você acabou de perder.

É assim, um dia a gente leva, outro dia, a gente perde.

Caso tenha mais algum argumento sobre direito de greve ou sobre comunicação, filosofia, ou antropologia, fico feliz em publicar, mas se for só para espernear e me chamar de estalinista, me reservo do direito de censurar, ok?

Um abraço. E bom feriado!

Roberto Torres disse...

Ótimo debate!

Marcelo confunde pensamento com comunicacao, como voce mostrou bem.

O sentido do que ele pensa é definido pelo seu próprio sistema psiquico, mas o sentido do que ele fala e escreve nao. Ai, repetindo o que voce disse, entra em jogo a compreensao do interlocutor.

Dizer que nao gosta de debates e manter um blog é uma contradicao performática, que se tenta ocultar como estratégia para nao ter que fundamentar as próprias opinioes quando elas sao derrubadas pelo interlocutor.

Os vocabulário mofado antiesquerista da guerra fira, o horror à sociologia e ao esforco de pensar em geral, remetem a um treinamento (adestramento militar?) muito bem feito. No entanto cada vez mais quixotesco na medida em que a realidade é outra.

douglas da mata disse...

Caro Roberto,

E veja que o eixo central da construção teórica dele reside em: "se eu concordasse com você, tudo bem".

Na verdade, essa assertiva revela, em suma, o que já disse:

Ele considera que o debate serve para submeter SEMPRE o outro, e não para comunicar diferenças e estabelecer campos distintos, e quando houver chance, consensos.

O problema não é concordar ou discordar.

É como encaminhar ambas: concordância e discordância.

Não valorizo concordâncias ou não concordâncias se elas vierem despregadas de conteúdo. Ainda mais se tratarmos de temas polêmicos.

É para isso que mantenho um blog.

Mas nós replicamos, é claro, as discordâncias, porque elas alimentam o debate de forma mais incisiva, e porque presumimos que o interlocutor se apresenta para o diálogo, mesmo que em alguns momentos, esse diálogo se torna mais denso.

Não foram uma ou duas vezes, para manter coerência com algum conceito aqui publicado, que apresentamos alguma crítica a algum comentarista que insistia em concordar conosco. Mas esse é um fato mais raro, pelos motivos que já expus, na medida que a concordância não fomenta polêmica, mas solidifica outros laços, como a solidariedade idelógica, ou política.

Enfim, infelizmente, acho que Marcelo estava certo sobre o diagnóstico que fez dele mesmo, e do momento no qual vive: Deeveria manter-se publicando notas sobre botas, vestidos e outras futilidades.

No entanto, não sabe ele que até esse "mercado de asneiras" atende a um objetivo político.

Um abraço, Roberto.

Anônimo disse...

adooooooooooreiiiiiiiiiiii a briga dos dois egocentricos, principalmente pelo simplista ter perdido o debate.
kkkk ou ahahahhah

douglas da mata disse...

Felizmente, o blog não se orienta pelo gosto (ou disgosto) de gente que se ocupa a enviar um comentário dessa natureza.

Muito menos pelos rótulos que emanam.

Como cavalo de parada, cago e ando!

Eu só publico para que vocês, leitores, tenham a dimensão do que temos que aturar por aqui.