terça-feira, 5 de abril de 2011

Cálculo político arriscado!

Alguns dirão que cálculo e política não combinam, dada a imprevisibilidade do segundo termo.

Durante anos e anos, boa parte da mídia e seus "colonistas"  e outros magos de marketing, e "especialistas", se debruçaram a tarefa de realizar prognósticos a partir das mais complicadas injunções, que a bem da verdade, na maioria dos casos, apenas serviam para induzir os acontecimentos, fazendo com a que a realidade porvir se submetesse a essas adivinhações e lógico, aos interesses dos beneficiários dos resultados.

Como cartomantes de redação, faziam as previsões que interessavam aos patrões, e tentavam convencer ao público que eram de seu interesse.

Nesse ramo, talvez, mais importante que acertar a previsão, é realizar o exercício da análise, projetar os cenários e as possibilidades, enxergar os interesses que se movem por trás dos acontecimentos, dentre outras coisas. Mas as cartomantes de redação, que vivem da venda do "futuro", insistem na prestidigitação.

O caso do vereador de São João da Barra, que costeia o alambrado da prefeita local, é um exemplo clássico.

Por que será que o jornalismo local não consegue ir além do disse-me-disse palaciano, dos enredos de traições, da fofoca política, ou da mesquinharia pública?

Ora, porque há interesses poderosos que se movem e se alimentam dessa fogueira de sentimentos menores, mais poderosíssimos, e que povoam o imaginário popular.

Não seria o caso de perguntar ao vereador  se ele tem a dimensão do arriscado cálculo que faz agora, e que pode soterrar qualquer possibilidade de uma carreira política de sucesso, ou pior, colocar em risco todos os direitos e interesses coletivos que ele diz defender?

Repetimos que não há nada demais em reavaliar e mudar de posição política.

Mas há formas e "formas" de fazê-lo.
O que o vereador tem demonstrado é um misto de "arrependimento", como se a sua postura anterior, fiscalizadora em relação ao governo municipal de SJB, e contra os abusos na desapropriação do 5º Distrito, fossem abomináveis ou prejudiciais.
Nas suas declarações, não se sabe se editadas ou não, se comporta como um menino pego em flagrante em uma travessura.

Como nada ficou claro até agora, e tudo não passe de especulação, a manifestação de um suposto desejo em integrar o governo local choca-se de frente com a pretendida independência do vereador, até porque, ele deixaria a Casa de Leis.

E mais: Se o interesse do vereador é postular a prefeitura, ungido pela atual mandatária, o tiro pode sair pela culatra, por dois motivos:

Quem se "entrega" por pouco, tem o valor político de seu "preço", ou seja:
Se era para pleitear uma secretaria, não precisava tanta "mobilização", que agora cheira a chantagem.

Logo a prefeita já deve ter entendido que não é de bom tom hipotecar confiança em quem não aparenta ser confiável. E ao que parece, ela, tão somente, desejava remover um obstáculo do caminho, e de antemão, "tabelou" o "custo" político que, no fim, saiu barato.

Por derradeiro, a percepção dos eleitores pode ser de rejeição dupla: De um lado, os eleitores da prefeita e de seu grupo que o receberão com desconfiança e se negarão a apoiá-lo, e por outro, perderá a confiança e o voto dos seus antigos eleitores que se opõem a prefeita e sua gestão.

Bom, isso tudo está sujeito a alterações provocadas pela intervenção de outros personagens poderosíssimos, que com o peso de milhões de argumentos, podem desequilibrar o resultado dessa complicada equação.

Mas se é verdade o que disse Churchill, que a diferença entre guerra e política é que, na segunda, se morre várias vezes, o vereador de SJB pode encomendar a missa para sua primeira morte!

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