terça-feira, 19 de abril de 2011

As boas intenções e o inferno!

Só há uma coisa que se equipare ao horror e sofrimento causados pelo ataque a uma escola em Realengo, ainda que entendamos a comoção popular, um tanto acentuada pelo gosto voyeurista mórbido, que é um traço da sociedade de espetáculo, na qual nos transformamos:
São a manipulação midiática, o populismo das autoridade e legisladores, que ao invés de buscar, com serenidade, a análise dos fatos para buscar soluções (se as houverem), agem como se fossem um bando de animais estourados, como uma boiada.

Só isso explica a decisão do Ministro da Justiça em recomeçar, antecipadamente, o período de entrega voluntária de armas pela população. Mesmo que consideremos válido desaramar o cidadão, é preciso dizer: No caso em tela, o ataque de um psicopata, essa iniciativa é inócua, na medida que um louco não desisitiria de seus desígnios por cem, trezentos, ou dever cívico. Muito menos os criminosos habituais.Esses nunca serão alcançados por medidas dessa natureza.
É bem verdade que a entrega voluntária dá a chance de pessoas que detenham armas ilegais escaparem da punição por manter esses artefatos em casa, como uma espécie de "anistia". E não são poucas pessoas que estão nessa condição.
Mas a pessoa que comprou legalmente uma arma, e mantém por entender que é necessária, dificilmente entregará o seu bem, ainda mais porque a indenização não corresponde ao valor de mercado, e mais o custo (taxa), tempo e burocracia gastos para obter o registro da arma.

No entanto, a despeito dessa questão, há outra muitíssimo mais grave, provocada pela "pressa populista" em dar resposta às paranóias populares fomentadas pela imprensa marrom:

Estabelecer postos de recolhimento em ambientes como ONGs, Igrejas, etc, aumentando o rol de lugares que previa Delegacias, Batalhões de Polícia, Unidades Militares, e outras instituições com pessoal treinado no manuseio, armazenamento, etc, é de uma gravidade sem par. Quase um crime. Um atentado ao bom senso.

A possibilidade de incidentes no manuseio das armas por pessoas que NUNCA tiveram qualquer contato, aliadas ao fato de que a "destruição" se dará à marretadas(?), nos dão a dimensão do risco a que estaremos expostos, se:

1. As armas não forem destruídas por incapacidade de quem recebe;
2. Ambientes sem QUALQUER SEGURANÇA serão alvos fáceis para renovar o "arsenal" de criminosos, pois é só esperar a vítima aparecer no local de entrega, e lhe tomar "o brinquedo". Mais fácil que roubar doce de criança.

Nem vou mencionar a possibilidade de desvio e recolocação dessas armas no "mercado", uma vez que se tal situação é recorrente em órgãos de segurança, pela ação de maus funcionários, e pela dificuldade de controle pelos órgaõs fiscalizadores, uma vez que a arma constará como destruída.

Enfim, como já disse, para essa gente, é sempre possível "esticar" os estragos de qualquer tragédia. Mas tudo com as melhores intenções, é claro!

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