quinta-feira, 14 de abril de 2011

15 minutos de fama e dois minutos de ódio!

Se fosse possível, com as limitadas ferramentas de compreensão da realidade que disponho, e com a ausência completa de fundamento acadêmico, eu diria que vivemos um tempo estranho, onde os conceitos de Andy Wahrol e George Orwell se fundem, como um caldo que ferve paradoxos: apelos a paz mediados pela intolerância, individualismo exacerbado com perda de privacidade, alta conexão em redes e isolamento sócio-poítico e utilização das liberdades individuais (expressão, culto, política, etc) para atacar a Democracia.

Só isso explica a "agenda frankestein" que a mídia e setores conservadores vêm costurando, e que explodem em eventos isolados, mas estão conectados pela sua natureza.

Em todos esses eventos, os atores buscam contrabandear suas pretensões sob o manto da liberdade e outros direitos que pretendem atacar.

Assim temos militares se insurgindo contra novelas, mas que na verdade sinalizam o desconforto com a aproximação do debate acerca dos crimes que cometeram, debates sobre o direito de se expressar de forma racista e homofóbica, quando na verdade o que se quer é impedir o avanço das políticas de proteção e criminalização do ódio de gênero e racial, e por fim, a tentativa tresloucada da mídia em carimbar o evento de Realengo como um ato terrorista, para impor ao nosso ordenamento uma lei anti-terror, aos moldes dos EEUU, que a bem da verdade, servem apenas para criminalizar movimentos políticos e aumentar a repressão desmedida (e ineficaz) a crimes comuns, aumentado a violência e os lucros da indústria da segurança, a exemplo do que aconteceu no México e todos os países onde houve militarização do combate a determinados ilícitos, principalmente o tráfico de drogas.

É certo que pouco importa o que um doente como bolsonaro pensa sobre qualquer coisa. Mas a repercussão de seus atos ensina que há uma onda de intolerância, que se forma por causa desse "tremor" na opinião pública, e se propaga como se fosse um tsunami.


Afinal de contas, racismo, intolerância contra gays, minorias étnicas, machismo e violência doméstica, ódio religioso são problemas universais que devamos combater de forma universal, como agressões a Humanidade, ou podemos relativizar, de acordo com a necessidade política e as conjunturas/interesses onde se dão esses fatos? Ou colocando de forma um pouco diferente: Ainda que entendamos as diferenças culturais e soberanias nacionais para lidar com esses tópicos, há de se ter uma instância onde sejam celebrados princípios que todos os signatários devem obedecer?

Bom, se respondermos que sim, e que o Brasil é um país signatário de vários tratados, acordos e convenções internacionais que se impõem ao nosso ordenamento pela ratificação de nossa instâncias com atribuição para tanto, não há de se falar em liberdade de expressão para atacar esses pilares da convivência democrática e do Estado de Direito.

É preciso que se diga em bom som que uma coisa é você, entre os seus, falar que odeia gays, ou gosta de bater em mulher.
Mas como ser social há regras e uma ética que nos proibem de expressar tais opíniões em público, pois antes do direito a liberdade de se expressar está dever de respeitar o outro. Quando de se trata de determinadas funções (como a de parlamentar, por exemplo), que exigem uma liturgia própria, é ainda mais grave essa verborragia do ódio.
Imagine você chegar na delegacia e um policial lhe atender com uma camiseta com os dizeres: "Bandido bom, é bandido morto", ou aquela de Nélson Rodrigues: "Você pode não saber porque bate, mas ela sabe porque apanha", ou ainda, um servidor do Judiciário com uma plaquinha na mesa: "Justiça é um direito de rico".
Liberdade de expressão?

Não se trata de censurar falas, mas de processá-las como tais: Repúdio político e persecução criminal, quando for o caso.

Quem se alia a bolsonaro para defender seu direito de falar em público as asneiras racistas e homofóbicas não acredita em liberdade de expressão.
Na verdade, acredita que palavras podem ser usadas como armas, e pior:
Para serem usadas em um conflito que eles dizem não existir, por isso, atiram pelas costas.

Não será um contrasenso pedir nossa tolerância para ser intolerante?

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