sábado, 30 de abril de 2011

Riqueza nada tem a ver com prosperidade...

O que, em suma, melhora a relação dos homens (e mulheres) entre si, e traz prosperidade, sempre foi a política, e em sentido mais amplo, a capacidade de exercitar tolerância e valores que resultam no fortalecimento da Democracia. Riqueza é uma coisa, prosperidade é outra. Há possibilidade de sociedades prósperas com baixo nível de riqueza.

Desenvolvimento econômico, salvo raríssimas exceções, nunca trouxeram desenvolvimento humano (lato sensu), porque os valores democráticos estão para além do conforto econômico. Ainda mais se considerarmos que o conforto econômico nunca é distribuído de forma isonômica.

A chegada de muito dinheiro dos royalties, per si, não explica a deterioração do ambiente político na região, nas cidades de Campos, Macaé, e outros satélites. Há outros componentes que se misturam como causa e efeito, mas a súbita riqueza, que até agora não significou prosperidade, aumentou sobremaneira a corrosão de nosso tecido social, e nos trouxe os efeitos colaterais inerentes, para os quais, não sabemos (ou não queremos?)obter respostas.

Eu pensei nisso tudo ao ler a entrevista do vereador Danilo Funke, do PT de Macaé, ameaçado de suspensão do mandato por publicizar votações da Câmara ao público. Impossível não enxergar angústia na sua fala.

Nessa região, soterrada em dinheiro, o medo segue vencendo a esperança. Há uma perigosa, e aparentemente irreversível, inversão de valores. Leia a entrevista, direto do blog do Roberto Moraes:

Sábado, Abril 30, 2011

“A democracia em Macaé tem que ser aprimorada, a cidade vai dizer isso a partir de agora”

O vereador Danilo Funke do Partido dos Trabalhadores de Macaé é protagonista de um momento que marca a história política do município.

Pela primeira vez, um pedido de cassação de mandato de vereador foi aberto contra um parlamentar da Câmara Municipal. O curioso é que a situação do vereador que será julgado pelos colegas é solitária na oposição dentre 12 parlamentares.

Os fatos que levaram a abertura do processo são: a divulgação em seu site oficial http://www.danilofunke.com.br de votação aberta numa indicação que sugeria a elaboração do Plano de Cargos e Salários dos professores da rede municipal e a transmissão on-line e ao vivo de algumas sessões plenárias da Câmara pelo twittcam.

O vereador foi denunciado por uso indevido da imagem dos colegas, porém ele acredita que a questão tem mesmo, é interesse político. Por conta da situação inusitada e dos argumentos que ele apresenta oblog resolveu ouvir o vereador Danilo Funke:

Blog: Como é fazer parte de uma Câmara de Vereadores numa disputa de 11 contra 1?

Danilo Funke – Acho que é um processo político que estamos aprendendo a lidar. Somos a única figura de oposição naquele espaço, às vezes um ou outro vota comigo em polêmicas, mas a pior situação é a solidão no plenário. Mas, desde que definimos disputar as eleições em 2008 topamos encarar a gestão pública municipal no viés da transparência e da participação popular. Acredito que Macaé está bem próxima de uma mudança de postura política em que todos os atos dos homens públicos não tenham problemas de serem também públicos.

Blog: Existe uma conversa de que o site do seu mandato divulgou imagens editadas e tenha utilizado informações falsas, como avalia isso?

DF – Sei que nesse momento vão falar de tudo, não é fácil enfrentar um sistema tão fechado. Em nenhum momento houve edição de nada. Nem nas fotos, que foram retiradas diretamente do site da Câmara Municipal de Macaé, nem nas filmagens que foram feitas em tempo real. Além disso, nosso grupo acredita que a imagem dos vereadores e de qualquer pessoa pública, é de domínio público. Não pode haver é edição ou alteração das imagens, o que não houve em nenhum momento. Menos de 15 minutos no ar, a pedido do Presidente da Câmara que me alertou da possibilidade de problemas, foram retiradas as imagens.

Blog: Mas e o texto, continuou lá, o que ele dizia?

DF - Sim, depois do alerta feito pelo presidente da Casa, ficou o mesmo texto, da forma que está lá, e sem o voto dos vereadores que rejeitaram. O texto fala o que de fato aconteceu. Tratar com informação é muito delicado. Se não houver condições da população acompanhar de fato todas as votações e debates o que vai para a sociedade são interpretações. Nosso site avalia de uma forma os fatos, um jornal de outra maneira e outro jornal de outra. Temos dificuldades para divulgar informações pela imprensa e nosso site é onde dialogamos com a população. Foi dito o que ocorreu na sessão, que oito vereadores votaram contra uma indicação e dois a favor.

Blog: Explique o que é uma indicação, e qual era sua proposta?

DF – Vereador pode atuar, principalmente, através de requerimentos, projetos de lei e indicações. As indicações não têm caráter de obrigatoriedade ao executivo. É uma sugestão apenas, e entendemos que é um instrumento legal de fazer pressão política. Isso que fizemos. No dia 12 de fevereiro, após assembléia dos professores do município, recebi a solicitação deles de apresentar uma proposta para colaborar na elaboração do Plano de Cargos e Salários do professores da rede municipal e garantir a paridade entre professores, sindicato e governo na elaboração. Naquele momento não havia discussão formal do poder executivo nesse sentido, acatamos a solicitação dos professores fizemos a indicação. A matéria foi votada no dia 12 de abril, exatamente dois meses após protocolo e duas semanas depois de começarem a discutir um plano.

Blog: A proposta foi rejeitada e você divulgou os votos?

DF - Exatamente. Ninguém da nossa equipe esperava uma repercussão dessa intensidade e nem houve má fé, ao contrário, é uma prática política nossa dar publicidade ao que deve ser público. As sessões da Câmara também. Desde 2009 estamos propondo isso, temos visto o esforço para que aconteça, mas queremos agilizar e colaborar. De maneira caseira e sem custo nossa equipe colocou uma webcam e um notebook e transmitimos algumas sessões ao vivo, sem cortes, sem edição. Um esforço coletivo de nossa equipe para colaborar para que população fique ainda mais perto da “casa do povo”.

Blog: Como você está encarando esse pedido de cassação?

DF - Tem dois lados, estamos todos, nosso grupo político, amigos e apoiadores encarando de duas formas. Uma é a sensação de tristeza, ninguém queria ter em nossa trajetória política um pedido de cassação. Na maioria da equipe somos jovens com história, militância e independência e compromisso de vida com Macaé, com a democracia, com um mundo melhor. Por outro lado é recheado de expectativas. Torcemos que haja respeito a democracia, ao bom senso, que percebam que é um grande exagero, até maior que o que talvez tenhamos cometido. Acreditamos que a sociedade macaense vai fazer uma imensa reflexão sobre o papel da Câmara de Vereadores para com a população e da população para com a Câmara. É urgente que tudo seja colocado as claras, é o povo que paga nossos salários e uma obrigação nossa garantir o controle social, fomentar isso, facilitar a aproximação da população.

Blog: Nas redes sociais e na internet há muita solidariedade. Como estão os apoios, tem recebido muitos?

DF – Isso tudo é bom por um lado, sabemos que independente do resultado na política, temos muitos amigos, muitos companheiros de caminhada, muita gente que gosta da nossa atuação e que admira tudo que fazemos. Nem todo mal é absoluto, há males que vem para bem. Estou recebendo declarações, notas, orientações de Deputados, Senador, Prefeitos, Vereadores de outros municípios, Movimento Sociais, Igrejas, partidos de esquerda, OAB tem dado sugestões, sindicatos.

Blog: O que espera de saldo final?

DF - A democracia em Macaé tem que ser aprimorada, a cidade vai dizer isso a partir de agora e vai dizer como quer participar. Em especial para mim, quebra aquela situação de solidão que passo no dia a dia do plenário, tive certeza que, seja qual for o resultado não ficarei sozinho, somos muitos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Comendo pela beiradas, e se lambuzando!

Recebemos nota da ASCOM da Câmara de SJB, onde podemos visualizar, nitidamente, a manobra de vereadores para impedir que uma sessão daquela casa se desse no local onde está o conflito pela posse da terra, onde de um lado está o grande capital, e do outro, pequenos proprietários.
Justamente na hora de estar ao lado dos eleitores, saem pela tangente com manobras regimentais.
Leia, e tire você suas conclusões:

Vereadores impedem realização do “Câmara Itinerante”
            Após o recebimento do requerimento protocolado nº 87, assinado pelos vereadores: Amaro Elio de Souza Ribeiro, Aluízio Siqueira, Carlos Alberto Alves Maia, Jonas Gomes de Oliveira e Alexandre Rosa, a Câmara Municipal de São João da Barra suspendeu o projeto “Câmara Itinerante”, que aconteceria nesta quinta-feira (28), na localidade de Água Preta, 5º distrito do município.
No documento, os cinco vereadores alegaram que, segundo o Regimento Interno, atualizado na última legislatura, as sessões itinerantes devem ser marcadas com uma semana de antecedência (a de Água Preta foi marcada na sessão da última segunda-feira 25). O presidente da Câmara, Gerson da Silva Crispim (Gersinho), estranhou o pedido dos edis, principalmente por Alexandre Rosa, ex-presidente da Casa, que sempre conduziu o “Câmara Itinerante” dessa forma, convocando os vereadores na sessão anterior à realização do projeto.
            – A atitude desses cinco vereadores vem mostrar o desrespeito com a população do 5º distrito, em especial, com os moradores e produtores rurais de Água Preta, que já vêm sofrendo com as desapropriações feitas pela Codin, para a construção do Distrito Industrial. A medida de suspender a reunião, além de demonstrar que esses vereadores não querem estar próximos da comunidade, acabou tirando da população, os serviços gratuitos que seriam oferecidos, nas áreas de direito, beleza, saúde e recreação infantil – disse Gersinho. 
            Na sede – Embora cancelado o “Câmara Itinerante”, a sessão plenária acontecerá nesta quinta-feira (28), às 17h, como o habitual, nas dependências da Câmara Municipal. Toda a população poderá acompanhar e ter mais esclarecimentos através da Internet, pelo site www.camarasjb.rj.gov.br, pelo Portal OZK (http://portalozk.com/portal/) e pela Rádio Ultra FM (101,9), que transmitirá ao vivo os trabalhos do legislativo.   

Aberração genética.

No blog do Roberto Moraes eu li que o senhor "X" apregoa que as preocupações ambientais estão no DNA das empresas "X". Pode ser.
Apenas um detalhe: Desde que no ambiente não estejam proprietários rurais, assentados e toda "gent(r)alha do atraso", que entravam o avançar de máquinas, concreto e plantas industriais sobre o terrirório.

Assim, fiel a agenda "verde", o senhor "X" divulga sua preocupação ambientalista que se resume a submeter o interesse público ao ditames do lucro privado. É um "ambientalismo" de araque, claro.

Prédios sustentáveis, erigidos sobre a injustiça da desocupação? Como assim?

O que o senhor "X" não diz, é claro, que sua pretensão é "conservar" o mundo, para que ele seja um dos únicos donos dele!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O gigante preguiçoso e dispendioso.

Deu no Wall Street Journal e no Financial Times: A economia dos EEUU cresceu apenas 1.8% nesse quadrimestre, anualizadas as referências.
O resultado ruim pode ser visto no aumento recorde de pedidos de seguro-desemprego.
Junto com isso, a alta de preços dos combustíveis e comida.

É o que os especialistas chamariam de estagflação (inflação com recessão), mas o crescimento do PIB estadunidense, ainda que fraco, o livra dessa categoria.  Detalhe técnico.
No entanto, ao cidadão comum o efeito é o mesmo, e repercute na política, mas não da forma determinista como querem os opositores de Obama.

Boa parte de seu desgaste (de Obama) não é o resultado ruim da economia, que de certa forma, trouxe uma crise herdada pelo período do oba-oba republicano.

O eleitor de centro e o democrata, que desaprovam Obama, sabem que foi a irresponsabilidade de bush jr, e a farra do mercado que afundaram a economia da maior potência mundial e do resto do planeta.

O discurso economicista favorece a oposição, pois passa  falsa impressão que o presidente gerencia mal uma crise, quando na verdade, o que querem os republicanos radicais e empresários é, justamente, o contrário: que o governo se afaste da gestão econômica.

A queda de apoio, então, se dá por uma questão POLÍTICA, que a oposição não diz, e Obama também não, por ter ficado refém dessa agenda.

Ora, o eleitor mais esclarecido, e que está longe do fundamentalismo do tea party, sabe que Obama não pode ser culpado pela crise, mas sim pela sua opção, ou omissão em regulamentar e punir os verdadeiros culpados: os financistas, e esse ser incorpóreo (como diz Brizola Neto) chamado "mercado".
Politicamente, o povo estadunidense, e nenhum outro, a não ser os que se orientam por mirians leitão e seus pares, aceitam pagar a conta da ciranda financeira, com o mesmos argumentos de sempre:
É preciso limitar o "gasto" de Estado, atacar o funcionalismo "preguiçoso", reduzir serviços públicos, se render a "eficiência" corporativa privada.

Ninguém mais acredita nisso.
Nem gregos,
nem troianos,
espanhóis,
muito menos norte-americanos. (perdoem a rima ruim).

Os estrategistas da Casa Branca parecem não enxergar esse quadro.

Ao contrário, despejou bilhões e bilhões de dólares, e deixou intocadas e fortalecidas as posições que arrastaram o país para a recessão.

Obama está em um complicado beco sem saída, e só sobrevive (ou imagina sobreviver) graças a capacidade do eleitor em afunilar para o centro político, rejeitando assim a maluquice político-orçamentária-econômica dos ultraconservadores, que mesmo em meio ao desgaste do presidente, não conseguem sedimentar uma candidatura que canalize a insatisfação popular.
Ainda bem.

Lamento português!

Eis que depois de desfiar o costumeiro rosário dos maus perdedores contra a arbitragem, Cristiano Ronaldo teve um instante de lucidez que lhe faltou durante todo o match, e viu o óbvio: O Real Madrid jogou acovardado.
Leia sua entrevista ao El País

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Decepção, exceto por um detalhe poderoso!

Com todo o furdúncio extra-campo que envolveu o clássico entre catalães e merengues, e a super-promoção em torno do duelo de gigantes espanhóis, não é de todo uma surpresa que o match, em si, tenha ficado muito aquém das expectativas. Tanta pressão recaiu sobre os atores do espetáculo, que, afinal, são seres humanos.

O que dizer do onze madrileño, outrora galáticos, que adentraram as quatro linhas com três center-halfs, chamados de "volantes de contenção", ainda mais se considerarmos o fato de que o match era na casa no campo do Real Madrid?

Jogaram o football de terceira categoria, e claro, sem qualquer criatividade na meia-cancha, limitavam-se os companheiros da primadonna Cristiano Ronaldo a dar chutões dos backs até os forwards, em ligação direta.

Tampouco o Barcelona fez jus a enorme fama conquistada. Algumas boas triangulações, e pouco brilho, ainda mais que sua estrela, Messi, estava bloqueado pelo brucutu Pepe, que no fim das contas, acabou onde nunca deveria ter saído, fora do campo del juego. Expulso por um pontapé criminoso.

Sabemos todos ser o ludopédio bretão um esporte coletivo, e nesse aspecto, o match foi um fracasso, truncado e quase descambando para outro esporte: o pugilato, tamanha a exacerbação dos ânimos dos players.

Mas, paradoxalmente, a despeito de todas as modernidades e preparação física, o craque, o fora-de-série, o talento individual teima em sobreviver, supera esquemas e retrancas, e pinta com as cores da imprevisibilidade o quadrilátero de grama, para delirio dos amantes da arte do football.

O evento, nesse sentido, foi salvo por um único jogador: Lionel Messi. Um tento marcado, o primeiro, foi puro oportunismo, é verdade.
Messi abriu o score após zunir como uma flecha por entre os backs merengues, e el balón achou as redes após cruzar as canetas do golerio Casillas.

O segundo goal teve a marca do gênio.

Uma arrancada de passos curtos, toques picados na bola, sempre junto aos mágicos pés, em direção a meta adversária, deixando um rastro de backs estatelados ao chão, atônitos.

Nesse first round, os visitantes, Barcelona e Manchester United marcaram um score igual: 2 a 0. Enorme vantagem para o próximo encontro, onde se decidirão os habilitados aos play-offs finais.

Olé!

Quando ações judiciais se transformam em instrumento de injustiça!


Um erro não justifica o outro, ou seja: Não é porque o casal de prefeitos, e sua entourage, sejam conhecidos como boquirrotos, que possam ter seus direitos violados.

Logo, cabe ao Judiciário enfrentar as demandas que lhes são apresentadas.

No entanto, se fosse um caso isolado, já seria alvo de nossa preocupação, uma decisão judicial que manda reduzir o direito a liberdade de expressão, direito esse, entendamos também, limitado pelo sistema de freios, contrapesos, e pela razoablidade, proporcionalidade, e pelo bom senso.

Ou seja: não há direitos absolutos.

Mas o cerne da questão aqui é outro, embora eu não conheça os termos da ação que o casal de prefeitos move contra o blogueiro e chargista Walter Jr.

Há um movimento sistemático e orquestrado de limitar a ação dos blogs, utilizando ações judiciais com duplo escopo: Abolir, da fato e de direito, a liberdade de expressão, e constranger blogueiros com essas demandas, que custam dinheiro e tempo.

Na falta de uma regulamentação exclusiva sobre o tema internet, blogs, direitos a expressão e outras garantias individuais (privacidade, honra, etc), os blogueiros têm enfrentado, precariamente, o ônus da hipossuficiência, e dessa lacuna legislativa, mas sem que os tribunais enxerguem a proporção exata da sua condição:
Blogs não são meios tradicionais, não "vendem"(lucram com a) notícia, tem acesso mediado por provedores, contas e toda sorte de filtros, e no fim das contas, são uma plataforma de conteúdo cuja forma de lançamento é privada.
Blogs não ocupam concessões públicas, não têm o caráter universal do rádio e TV, e nem usufruem de anistias fiscais (jornais e revistas).
Nos blogs, há possibilidade de retirada ou retratação imediata do conteúdo ofensivo, se assim requisitado pelo ofendido, o que de plano, deveria ser entendido como uma notificação extra-judicial, que se descumprida, aí sim, deveria ser objeto de litígio.

No meu leigo e raso entender, deveria o magistrado perguntar: Se há tamanha ofensa ao patrimônio moral do ofendido, e ao publicador do blog poderia ser solicitada a imediata retirada do conteúdo ofensivo, por que os reclamantes "esperam" pela decisão judicial, que nem sempre seria tão ágil, e se submetem a continuação do abuso que dizem sofrer, até que as decisões gerem os efeitos pretendidos?

Em resumo: Ao pretender tratar blogs e outras formas de expressão pela rede mundial de computadores como os meios tradicionais, e na maioria das vezes, com mais rigor e celeridade, os tribunais parecem ter sinalizado, claramente, de que lado estão nessa briga pela democratização da comunicação social.

E creiam, não me parece que estejam do lado da Justiça, embora possam defender alguma espécie de legalidade.

"Gargalos" estruturais brasileiros: Malha aeroportuária.

Provocado por comentário de um dos leitores, reproduzo o texto da revista Carta Capital, com a fala do Ministro-Chefe da Casa Civil, Antônio Palocci.

Clique aqui e leia.

Hã????

Bom, todos sabem que não sou advogado, e nem muito menos especialista no assunto. Portanto, meu entendimento e meu questionamento são de um leigo.

O blog repercutiu, como tantos outros, o questionamento de um médico local, contratado pela pmcg. O "desabafo" do médico encontrou acolhida no Sindicato da categoria, e mereceu resposta do MP/RJ, instado a se pronunciar pela notícia(representação) apresentada ao parquet pelo médico.

Retirei uma parte dessa resposta, que não descontextualiza, nem mutila o conteúdo, dada a sua natureza na informação prestada. Leiam

"(...)QUANTO ÀS SUPOSTAS VIOLAÇÕES DE DIREITOS TRABALHISTAS DOS CONTRATADOS TEMPORÁRIOS, ESTA PROMOTORIA DE JUSTIÇA NADA PODE FAZER, NA MEDIDA EM QUE, ATRAVÉS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO DO TAC DE 2009, OBJETIVA, EXATAMENTE, EXTINGUIR ESSES CONTRATOS TEMPORÁRIOS.  LOGO, ESTE ÓRGÃO NÃO PODE ASSUMIR COMPORTAMENTOS CONTRADITÓRIOS, LUTANDO PELA EXTINÇÃO DOS CONTRATOS TEMPORÁRIOS E, AO MESMO TEMPO, POSTULANDO EM FAVOR DE SUPOSTOS DIREITOS DOS CONTRATADOS POR TEMPO DETERMINADO.  ISTO POSTO, INDEFERE-SE A REPRESENTAÇÃO. CAMPOS, 25.04.11. ÊVANES AMARO SOARES JR. PROMOTOR DE JUSTIÇA."

Bom, se eu entendi direito, o fato do MP ter proposto ação para desconstituir o vínculo precário (contrato sem concurso), como execução do descumprimento do termo de ajuste, não o desonera de proteger os direitos violados dos profissionais médicos, ou não?

Ora, a assunção de nulidade do ato jurídico não elide a reparação dos efeitos em relação a terceiros de boa fé, ainda mais que esses terceiros apenas se submetem ao vínculo precário por não haver forma diversa(concurso público) para contratar com o Erário, e prover sua sobrevivência, ou não?

Há, sabemos, uma discussão sobre a validade da reivindicação de direitos trabalhistas sobre contratos considerados nulos, é verdade. Mas se o próprio órgão ministerial acolheu a exceção pelo TAC, não parece contraditório desconhecer os efeitos e as violações de direito de uma relação jurídica (precária, é verdade), antes considerada válida pelo instrumento que foi descumprido (o TAC)?

Então, não estaria o trabalhador médico empobrecido (sem causa legal), e o Erário enriquecido sem causa (com a apropriação indébita de contribuições recolhidas e não repassadas), em confronto com o princípio constitucional que veda tal possibilidade?

Bom, como disse, são apenas dúvidas de leigo. Socorram-me os causídicos!

Acendam a fogueira...

O pastor herege



“Deus nos livre de um Brasil evangélico”, diz o religioso Ricardo Gondim, crítico dos movimentos neopentecostais. Por Gerson Freitas Jr. Foto: Olga Vlahou
“Deus nos livre de um Brasil evangélico.” Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”,  diz na entrevista a seguir.
CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?
Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.
CC: Como o senhor define esse perfil?
RG: Extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhe assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.
CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?
RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.
CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?
RG: O movimento brasileiro é filho direto do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way oflife de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portas de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?
CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.
RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, então a minha mensagem está fragilizada.
CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?
RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez maior dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.
CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossensuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade.
CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?
RG:  Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.
CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.
RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.

Ilha Grande, Carandiru, Gericinó e Guantánamo : Fábricas de "inimigos"!

À guisa de primeiro exame, as unidades prisionais citadas no título desse texto, não têm qualquer relação, e as duas primeiras, sequer existem mais.

Some-se a isso, o fato de que as penitenciárias brasileiras têm natureza distinta do campo de concentração que os EEUU mantém em Cuba. Por mais que se equiparem na violção de direitos, nossas masmorras se destinam a apenar réus condenados legalmente. Ao contrário da masmorra estadunidense em Cuba, onde todos os presos estão ali à revelia de qualquer estrutura normativa e estado de direito.

Separadas pelo tempo e pela geografia, há nelas um resultado comum, que revela toda a inutilidade em amontoar gente em condições sub-humanas, sob qualquer pretexto, sendo presos "extra-judiciais" ou "judiciais"

Não é novidade que foi o nosso sistema penal, elo da cadeia persecutória judicial, que criou, fomentou e ampliou o poder das facções criminosas nos dois maiores centros urbanos do país: Rio e São Paulo.

Já escrevemos sobre isso, mas não custa repetir:

Segurança Pública é uma atividade sistêmica, integrada e perene, logo, de nada adiantam os esforços no planejamento, controle e prevenção de crimes, se a punição(etapa final do processo), ou o cumprimento das penas de restrição de liberdade forem sancionadas em ambientes à mergem do Estado de Direito. Encerra-se uma contradição fatal: Descumprir a lei para fazer Justiça. Não existe tal possibilidade.

Antes que os "wagner montes" e "datenas" se assanhem, com toda aquela lenga-lenga de que é revoltante custear "boa vida" para quem cometeu crimes, etc, etc, etc, é preciso dizer: Pessoas cometem crimes,e por isso têm que ser punidas, e o cumpirmento de sentenças é responsabilidade exclusiva do Estado.

E não faz sentido algum "gastar" tanto dinheiro, como gastamos em nosso sistema penitenciário, e tornar os sentenciados mais perigosos que eram, quando adentraram as cadeias.

Como já dissemos, nossas cadeias "exportaram" ao mundo extra-muros as maiores organizações criminosas, e de lá de dentro, o comando dessas oranizações continuam intactos: Foi assim com o CV em Ilha Grande, o PCC, no Carandiru, e outras facções recém criadas no Complexo de Bangu.

O mesmo fenômeno pode se repetir, agora, com os EEUU e sua masmorra cubana. Um olhar descuidado poderia inferir que os estadunidenses "importaram" nossa "tecnologia": De acordo com as matérias que repercutem o vazamento de documentos relacionados ao cotidiano da prisão cubana, os presos sofriam toda sorte de abusos, sem qualquer assistência jurídica e as informações eram obtidas através de um frágil esquema de delações entre presos. Pode-se imaginar o quanto confiáveis são essas informações retiradas de um ambiente como esse.

Desse jeito, os EEUU encarceraram e abusaram de centenas ou milhares de pessoas, dando-lhes os motivos (que a maioria não tinha) para engrossar as fileiras das células terroristas internacionais.

Um preso de Guantánamo ganhou no cárcere todo ódio necessário ao sistema de valores que os EEUU representam, e que foram, paradoxalmente, os argumentos para tantas violações.

Tal e qual nossos condenados, a maioria de pretos e pobres analfabetos e primários (calouros do crime), que nossas penitenciárias, sob o pretexto de punir, fazer justiça e reintegrá-los, regrediram a fascínoras diplomados e doutorados nas universidades do crime.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Conta-gotas!

Como convém a hipocrisia internacional, as doses de vazamento sobre Guantánamo vêm aos poucos. Homeopáticas.

O jornal El País traz em sua edição eletrônica, hoje, mais um pouco da barbárie praticada em nome de algo que os EEUU já se esqueceram o que é há muito tempo. Quanto mais dizem defender a democracia, mais a espancam.

Em um dos textos publicados, a acusação de que médicos foram cúmplices, quando silenciaram sobre as torturas (parece familiar, não?).

Noutro texto, ainda no diário espanhol, a revelação de que adolescentes, que não representavam qualquer perigo para os EEUU foram mantidos no cárcere, alguns por 09 anos. Essa matéria traz os memorandos dos serviços de inteligência, que classificam os presos adolescentes como "pouco interessantes" para a comunidade de informações.

Há, ainda, a publicação de que os EEUU mantinham doentes mentais na prisão cubana.

Por derradeiro, o jornal traz a entrevista de Clive Stafford, diretor de uma organização britânica que promoveu a assistência jurídica dos detidos.

Diante de tudo isso, nós perguntamos:
O que esperava a comunidade internacional?
Que uma masmorra cheia de pessoas presas de forma ilegal, sem nenhum processo ou acusação formal, sujeitas a toda sorte de abusos pudesse revelar algo diferente?
Que se descobrisse que os direitos humanos estivessem sendo respeitados?

Por mais que os fatos choquem o público, é preciso dizer que horror, nesse caso, não pode ser confundido com surpresa, e nem pode ser considerado como legítimo, uma vez que o silêncio coloca a todos na categoria de cúmplices.

O capital arrependido!

Seguindo sua estratégia de maximizar possibilidades de lucro, agilizar a instalação das plantas dos empreendimentos, o senhor "X" mobilizou e seduziu boa parte da agenda política local e de nossos representantes, com mimos variados: Desde generosas contribuições de campanha, viagens de "Marco Polo", até a doação de"bugigangas e miçangas" para a comunidade local, como viaturas policiais, patrocínio para folguedos de Momo, dentre outras coisas.

Apontou também a mira de sua estratégia para boa parte da mídia local, que sedenta por "oportunidades", abraçou sem nenhum traço de dúvida ou senso crítico a empreitada gigantesca.

Tudo isso, para nos convencer que estamos prestes a receber a "última maravilha moderna", ou o "sopro civilizador" que nos alçará de "bugres comedores de royalties" a cidadãos de "primeiro mundo".

Ah, como não poderia deixar de ser nesses momentos ímpares e únicos da História da Humanidade (quando generosos e corajosos empreendedores decidem mudar a geografia de terras inóspitas, tudo sem o menor interesse, além do progresso, é claro), os críticos da "invasão" foram devidamente classificados: Arautos do atraso, amantes do apocalipse, fracassomaníacos, (lembram dessa expressão do bem sucedido FFHHCC?) dinossauros, radicais, etc, etc.

Afinal, o que são famílias, interesses coletivos, estudo, pesquisa e planejamento, se a força do capital à tudo pode curar?

Bom, parece que não é bem assim. O blog do Roberto Moraes, sempre atento a questões de nosso desenvolvimento regional e a gestão pública, trouxe-nos um importante alerta aqui

Leiam vocês que o canto da sereia pode estar desafinado. Lógico que ninguém vai comparar e defender que a conjuntura que se instalou na zona oesta da capital se repetirá em SJB.

Não custa nada prestar atenção, mas ignorar os sinais pode custar um preço altíssimo, e adivinha quem pagará a conta?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Graças à deus!

É assim que cristãos e outros religiosos de outras denominações, que insistem em dar apoio político a manutenção de leis que criminalizam o aborto, deveriam reagir ao assistirem os recorrentes casos mostrados na TV, onde crianças recém-nascidas são jogadas em lixeiras, na sarjeta, e em outros casos, são mantidas presas em casa, mortas por inanição (FOME).

Sim, porque só isso explicaria essa postura ideológica de exigir que mulheres permaneçam grávidas contra sua vontade.
Resultado: As ricas, como a cristã, conservadora e anti-abortista esposa de zéserra, abortam em países onde se permite tal prática (EEUU), ou em clínicas caríssimas e seguras.
As pobres, morrem aos milhões, após praticarem auto-abortos(com medicação abortiva clandestina, e outros instrumenrtos perfurantes), ou se submetem aos "açougueiros" da periferia.
O ponto em comum entre ambas, além do fato de serem mulheres e rejeitarem a gravidez: Talvez todas, as pobre e as ricas, acreditem em deus!
Mas nenhuma fé em deus as convenceu do contrário, ou seja, manterem-se grávidas. Como pretender que o Estado laico mantenha leis calcadas na fé, quando nem entre as fiéis essas leis sejam cumpridas?

Quando falham, essas mulheres rejeitam suas crias, e as abandonam, ou pior: mantêm seus filhos sob sofrimento e condições de negligência de toda sorte.

Estudo exposto no livro de estatísticas Freakonomics (por Steven Levitt, PhD pelo MIT junto com o jornalista Stephen J. Dubner) revelam que nos estados onde há legalização do aborto, menores os índices de criminalidade relacionados a autores que tenham crescido em lares desfeitos ou desestruturados.

Alguns dirão: "Ora, mas as crianças não têm culpa, e cabe ao Estado punir maus pais, ou pais que abandonam ou matam seus filhos".

Mas o que justifica que essas crianças tenham que passar por tanto sofrimento e tortura? Será a crença cristã que o calvário desses menores lhes garantirá o "reino dos céus"?

Será que é uma imposição do "mercado de almas", que determina que haverá vida, ainda que indigna, só para "vender" uma idéia de salvação.

Outros dirão que crianças rejeitadas têm uma chance de recomeço, através da adoção. Pode ser, pode não ser. Algumas poucas, as brancas, recém-nascidas têm uma boa chance, e inclusive, para esse "padrão" tem até fila.
Mas como as pretas são a enorma maioria (aqui também o corte de raça é determinante para saber quem se dará melhor na vida), sobram crianças em abrigos e orfanatos, o que não resolve a questão do abandono e seqüelas psicológicas que estarão submetidas por toda a vida.

Eu continuo a ver a televisão, crianças em caçambas de lixo, boiando em sacolas plásticas em rios, mortas e esqueléticas após semanas sem comida, e penso:

Se tivessem sido abortadas, não teriam ao menos uma morte digna, ao invés de servirem de pauta para noticiários?

Que tipo de sociedade sádica é essa que faz questão de que essas crianças nasçam, só para assistir suas mortes pela TV?

Os valores democráticos ameaçados pelos "campeões da democracia"!

Esse tema é recorrente aqui.

Geralmente, os que mais se debatem por liberdades democráticas são aqueles que mais as ameaçam. Na verdade, utilizam o discurso das liberdades para esconder seus interesses em transformar valores e direitos em privilégios de uns sobre outros.

Os EEUU têm muito a ensinar ao mundo. São um povo formidável, um país dinâmico e com níveis de conforto, inovação tecnológica e amadurecimento institucional relevantes, ainda mais se considerarmos o "pouco" tempo de existência, apenas oito anos a mais que o nosso país, por exemplo.

Mas como todo povo, sem exceção, os EEUU têm muito a ensinar, mas também, muito a aprender.

Dentre os tópicos necessários a recuperação da imagem dos EEUU frente ao resto do mundo, e de sua legitimidade como potência econômica está o fim da hipocrisia, consagrada no faça o que falo, mas nunca faça o que faço.
Com o surgimento de outros eixos de poder geopolítico e geoeconômico no mundo (Brasil, Índia, Rússia, China, África do Sul, etc), não haverá tanto espaço para manobrar ideologicamente a agenda internacional, impondo os interesses de forma unilateral, como fazem os EEUU.
Se insistirem nesse comportamento, parece claro que teremos conflitos à vista, ou pior: acirramento dos conflitos regionais já existentes (Iraque, Palestina, Balcãs, Palestina, África, Coréia-Japão, Chechênia, Geórgia, etc), que se arrastarão para dissensos em escala global.

Leia o aqui texto que fala sobre a vergonha estadunidense de Guantánamo, e reflita.

O apetite insaciável do "mercado"!

Ambição incontrolável
por Delfim Netto, na CartaCapital, 27.04.2011
Um número crescente de leitores de jornais e revistas voltou a comentar as ideias e discutir os argumentos de artigos e análises que tratam de política econômica. Isso no momento em que se trava uma discussão bastante nervosa em torno das taxas de inflação.
Há opiniões de gente do governo (e também de fora) que o momento não é propício a uma ampla discussão pública do problema, porque isso poderia deteriorar ainda mais as expectativas inflacionárias.
Concorda que essa é uma preocupação importante, mas a ampliação do debate hoje é necessária para que não prevaleça o pensamento único imposto à imprensa por grupos restritos que se julgam portadores de uma ciência econômica que, na verdade, não existe.
“Cientificamente”, os vastos recursos do sistema financeiro influem decisivamente na construção das expectativas de inflação.
São elas que dão o suporte necessário à elevação das taxas de juros.
Nosso papel é insistir em questionar esse mecanismo de criação das expectativas que o Banco Central acaba sancionando. No final, oficializa a estimativa de inflação que é do próprio sistema financeiro. Quando criticamos esse mecanismo, não estamos dizendo que a taxa de juros não é um instrumento válido para combater a inflação, mas sim que este é um processo perverso que pode pôr em xeque a própria democracia: quem controla a mídia acaba impondo a sua vontade.
Vivemos um período relativamente longo (nos anos que antecederam a eleição de Lula) em que o debate econômico estava interditado. Com a “virada de agenda” em favor do crescimento com inclusão social, parece ter renascido o interesse em discutir a política econômica de forma ampla, sem restrições.
Não há nenhuma razão para acreditar que a utilização da taxa de juros não possa ser acompanhada de medidas macroprudenciais no combate à inflação. Em um mundo ideal, em que tudo caminha bem, sem atritos ou restrições de qualquer natureza, a taxa de juros era uma coisa fantástica: bastava apertar um botão e ela subia, colocando a inflação no nível que o Banco Central desejava. Hoje, ninguém mais acredita que os bancos centrais saibam como controlar a inflação ou defende a ideia de que só existia um instrumento para fazê-lo. Nem mesmo os economistas do FMI manifestam essa crença.
Seguramente, o que se espera é que os Bancos Centrais prestem atenção em pelo menos três coisas:
1. A higidez do sistema financeiro, no que o nosso Banco Central foi mestre.
2. O controle da inflação, sobre o que tenho minhas dúvidas.
3. A utilização de medidas macroprudenciais.
No mundo real onde vivemos, cheio de complicações, é preciso observar primeiro se a elevação da taxa de inflação no Brasil é simplesmente produto de um excesso de demanda interna ou se ela é mais a consequência de um descompasso entre procura e oferta na estrutura interna do setor serviços.
Por mais que se queiram ignorar os fatos, a verdade crua é que o nível da taxa de juros brasileira propicia uma arbitragem que é incontrolável.
O governo está usando alguns instrumentos para reduzir o ritmo da sobrevalorização que ela permite. Mas não devemos ter dúvida, mantendo-se as oportunidades de arbitragem, a valorização não para. P que singifica que setores que produzem e precisam exportar vão continuar sofrendo imensos prejuízos.
As consequências são terríveis para a nossa indústria e logo também poderão infligir danos à agropecuária. Por enquanto, o campo se defende porque os preços externos dos alimentos estão nas alturas. Até quando vão continuar assim é impossível prever. O agronegócio poderá sentir menos que os demais setores os efeitos da variação cambial, porque o dólar terá de se ajustar no momento em que os preços agrícolas caírem. Mas ainda deve demorar um pouco.
Já há, contudo, alguns sinais de mudança na atitude dos organismos internacionais, indicando a possibilidade de se estabelecerem controles sobre o movimento de capitais. Há pouco mais de duas semanas, o FMI admitiu que, em “circunstâncias específicas”, o controle do fluxo de capitais pode vir a ser uma das ferramentas da política econômica dos países que estão sofrendo por causa da supervalorização de suas moedas.
Esses países não devem continuar a ser obrigados a assistir passivamente à erosão de sua base industrial sujeita à competição desleal de países mais espertos.

domingo, 24 de abril de 2011

Superação pela garra!

O onze do Clube de Regatas Flamengo venceu o match de hoje, à tarde, nos penalties kicks, após score de um tento a um, nos noventa minutos regulamentares.

Com o empate, os players enfrentaram-se em disputas de tiro livre na marca de nove metros, na "zona do agrião", e após o goalkeeper Felipe defender a cobrança do forward tricolor Tartá, foi a vez do forward do mais querido, Diego Maurício, converter sua chance, e classificar o campeão do 1º turno.

Muito embora, antes do clássico, o Fluminense Football Club fosse considerado o provável vencedor, uma vez que havia um sentimento de motivação pela vitória e classificação na Copa Libertadores, o team da Gávea superou as deficiências técnicas e as ausências de seus principais players: o middle-half Ronaldinho não adentrou as quatro linhas, e o back Leonardo Moura machucou-se aos primeiros minutos da peleja.

Toda a partida foi disputada sob forte chuva, e foi interrompida pelo prematuro apagar das luzes na arena de jogo, por corte no fornecimento de energia elétrica nas dependências.

Do lado flamenguista, destaque para o center-half Willian, que dessa vez aliou a disposição e vigor de sempre, com uma primorosa assistência para o goal de Thiago Neves pelo Flamengo.

Já o team tricolor das Laranjeiras, apresentou melhor distribuição e rigor tático, alternava boas subidas dos seus backs (laterais), com maior consistência da meia-cancha, comandada pelo meia argentino Conca, e pelo forwards Fred e Rafael Moura, sendo esse último quem abriu o score a favor do onze pó-de-arroz.

No entanto, prevaleceu a mística rubro-negra. Agora o Flamengo enfrenta os cruzmaltinos no próximo domingo.

Visão além do alcance!

Para se olhar acima e além do preconceito, está aí o novo blog da rede: olho de tandera

Expulsar, lucrar e insistir!

Durante anos e anos, eu li, ouvi e assisti a mídia PIG, aí incluídas as franquias locais, vociferarem contra a reforma agrária, contra o MST, e tudo que significasse ameaça ao "sagrado direito de propriedade".

Nunca valeram nossos argumentos de que a propriedade, e o direito à ela, não são absolutos, e como tais, deveriam se submeter aos interesses coletivos, nesse caso, o de impedir que a especulação imobiliária e a concentração fundiária aumentassem o êxodo rural e as condições desiguais e sub-humanas, as quais estão submetidos trabalhadores rurais que não tenham acesso a terra.

Pois bem, no epísódio do porto em SJB, a midia PIG local desdiz o que disse por anos. Como por encanto, o direito à propriedade dos pequenos produtores locais virou fumaça, e todo o suporte ideológico da mídia mudou de lado.

SJB e a região (o assentamento Zumbi dos Palmares em Campos dos Goytacazes também está ameaçado), podem se "orgulhar" de fazer a primeira reforma agrária ao contrário.
Vamos desassentar milhares de pessoas para o privilégio e lucro de um único bilionário e seus sócios.

Tudo com a caneta e o cofre dos governos estadual e dos municípios envolvidos.

sábado, 23 de abril de 2011

Por que tanta surpresa?

Boa parte dos blogs que li hoje, e alguns comentaristas nesses blogs, se espantam com a nova configuração "editorial" de um jornal dessa cidade, de qualidade péssima, diga-se de passagem.  Talvez essas folhas apenas sirvam para embrulhar peixe...

...podre.

O outro não é jornal, é orgão para-oficial, portanto não pode ser colocado para comparação.

Ora, todos sabemos que os donos da empresa de comunicação sempre estiveram do lado de quem detém a "caneta", e que momentâneos hiatos nessa relação diziam muito mais respeito a um "acerto" (ou falta dele), do que princípios ou desejo real de fiscalizar e cumprir seu papel, que é fundamental nas Democracias onde liberdade de imprensa não se submete a contabilidade e a liberdade da empresa.

O que houve foi "um tempo", só para reavaliar a "relação", e quem sabe, reconstruir essa "parceria" em bases mais sólidas.

São todos beneficiários desse modelo implantado aqui, há 20 anos, e que utiliza receitas de royalties como alavanca para esquemas de financiamento político, e para mobilizar interesses de empresas, nem sempre feitos à luz do dia.
Embora se apresentem, às vezes, como inimigos viscerais, o que os une é a permamente natureza patrimonialista, que tem por objetivo confundir a coisa pública com seus interesses privados.

Essa mistura imobiliza a democracia e distorce as escolhas populares, uma vez que as agendas de governança se orientam não pelo bem estar do eleitor e da sociedade em geral, mas dos grupos que se acumpliciam no saque ao Erário, e que se auto-financiam, onde não mais podemos dizer quem é causa, quem é efeito de quem.

Agora, está tudo em seu devido lugar! 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Razões para acreditar em um mundo melhor ?

Quem imagina que um produto, ou uma empresa possa comunicar temas como "esperança por um mundo mellhor", como faz a propaganda de Coca-Cola mais recente, também deve acreditar em coelho da Páscoa.

Já falamos disso no post Da série: se fosse bom, não precisava de propaganda!

No entanto, hoje recebi pelo e-mail a informação que compartilharei com vocês abaixo. Trata-se de uma decisão que condena uma das franquias do famoso refrigerante por assédio moral. Péssima publicidade, alguns diriam, mas, infelizmente, não é só isso. Não se trata de um incidente isolado ou melhor, que não possa estar vinculado com os "princípios corporativos" da empresa.

Leia, e tire suas conclusões.
Eu já tirei as minhas, e penso que um mundo melhor se dá com menos manipulação e propaganda, mas acesso à Justiça e aos direitos. Um mundo com menos Coca-Cola, enfim, como disse o Plebe Rude na mesma música que citamos abaixo(Cala a boca e consuma):
/...comprei uma Coca/cadê o sorriso?/gastei o dinheiro/e fiquei liso.../


Empresa de refrigerante é condenada a pagar R$ 50 mil por assédio moral contra empregado deficiente.

   Trabalhador da Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda (Coca Cola) deverá
receber R$ 50 mil por danos morais. O juiz Ranúlio Moreira, auxiliar da 2ª Vara do Trabalho de Goiânia, reconheceu a prática de assédio moral por parte do superior hierárquico do trabalhador que sofria discriminação por ser portador de deficiência física.
Na sentença, o magistrado, considerou os depoimentos das testemunhas apresentadas pelo reclamante, que presenciaram o assédio contra o trabalhador deficiente. Elas afirmaram ter o assediador feito piadinhas falando que o reclamante era aleijado e que precisava andar mais rápido, e que essas piadas eram contínuas e constrangiam os colegas.
A empresa, por sua vez, apresentou defesa afirmando que jamais cometeu qualquer ato que maculasse ou denegrisse tanto a imagem do trabalhador quanto a sua dignidade, destacando ser absurda a pretensão autoral.
Diante das provas colhidas, o juiz reconheceu a violência psicológica contra o reclamante, expondo-o a situação vexatória e humilhante, e a responsabilidade do empregador, que responde pelos atos de seus empregados ou prepostos."Neste ponto falhou a reclamada.
Esqueceu-se que a produção existe para o homem e não o homem para a produção. Ao invés de proporcionar condições de trabalho seguras e um meio ambiente de trabalho saudável, não o fez, e o que é mais grave, depois de dilacerar a alma de seu empregado, causando-lhe mal e adoecendo a sua alma, nega sua culpa, deixando o trabalhador largado à própria sorte, enquanto continua enriquecendo, sem sequer se dignificar em reconhecer e reparar o dano causado, fazendo o trabalhador ter de vencer mais uma batalha: a jurídica, para ver minimizado o seu sofrimento e reconhecida a sua dignidade", ressaltou o magistrado. A decisão é de primeiro grau e está sujeita a recurso.

( RTOrd-0002199-17.2010.5.18.0002 )


Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 18ª Região Goiás, por 20.04.2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Que democracia racial é essa?

Esse é o título da matéria do repórter Rodrigo Martins, a partir de estudo realizado pelo Instituto de Economia da UFRJ. Diante de alguns números que a matéria traz, alguns poderão espernear e tentar espancar a realidade para que caiba nos filtros embaçados com os quais enxergam a realidade(?). Mas, infelizmente para eles, o mito da democracia racial não resiste a um sopro, a não ser que se comece o malabarismo de dizer que não há racismo no Brasil porque não há pretos geneticamente puros.
São os eugenistas de sinal trocado, que como jaboticaba, só existem no Brasil.

Vamos ao texto:

Que democracia racial é essa?

Apesar da redução das disparidades propiciadas por programas de segurança alimentar, como o Bolsa Família, o abismo que separa brancos e negros no Brasil continua gigantesco. Essa é uma das conclusões do 2º Relatório Anual de Desigualdades Raciais, divulgado na terça-feira 19, pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os indicadores foram compilados a partir de diferentes bases de dados do IBGE, dos ministérios da Saúde e Educação, entre outras instituições públicas. O estudo revela que os afrodescendentes têm menor acesso ao sistema de saúde (uma taxa de não cobertura de 27%, frente aos 14% verificados entre a população branca), a exames ginecológicos preventivos, ao pré-natal e sofrem com uma taxa maior de mortalidade materna.
Por dia, morrem cerca de 2,6 mulheres pretas ou pardas por complicações na gestação, enquanto este mesmo problema acomete 1,5 mulheres brancas. Entre 1986 e 2008, a taxa de fecundidade das afrodescendentes caiu de forma mais acelerada (48,8%) que a das brancas (36,7%). No entanto, as mulheres pretas ou pardas se sujeitam com mais intensidade a procedimentos radicais de contracepção, como as laqueaduras. Quase 30% dessa população em idade fértil estavam esterilizada em 2006, frente a uma taxa de 21,7% das mulheres brancas.
“Ninguém é contra o planejamento familiar. A queda na taxa de natalidade representa uma melhora na qualidade de vida das pessoas. Mas as afrodescendentes poderiam ter acesso a formas menos agressivas de intervenção”, avalia o economista Marcelo Paixão, coordenador do relatório. “A esterilização é uma solução radical demais. É como arrancar um dente para não tratar uma cárie. Por isso, causa preocupação o fato de parte dessa redução da fecundidade estar associada às laqueaduras.”
Nos últimos 20 anos, a média do tempo de estudos dos afrodescendentes acima de 15 anos passou de 3,6 anos para 6,5. Mesmo assim, está muito aquém da população branca, hoje com uma média de 8,3 anos de estudo. Além disso, 45,4% das crianças pretas ou pardas entre 6 e 10 anos estudava na série inadequada em 2008, frente ao percentual do 40,4% dos brancos. Entre as crianças de 11 e 14 anos, o problema é ainda mais grave, pois 62,3% dos afrodescendentes não estudavam na série correta. Entre os jovens brancos, a inadequação atingia 45,7%.
Por outro lado, as famílias pretas ou pardas beneficiadas pelo Bolsa Família conseguiram aumentar a quantidade de alimentos consumidos em proporção superior (75,7%) a das famílias brancas (70,1%). A elevação no consumo de arroz entre os afrodescendentes foi de 68,5%. Brancos: 31,5%. No caso do feijão, o consumo dos pretos e pardos cresceu 68%. Brancos: 32%.
“Apesar de melhorar a segurança alimentar dos afrodescendentes, o que é importantíssimo, em todos os outros setores percebe que a discrepância entre brancos e negros prevalece”, comenta Paixão. “Devido às elevadas taxas de desemprego, rotatividade no mercado de trabalho e informalidade, os pretos e partos tem um acesso bem menor à cobertura da Previdência Social. A diferença chega a dez pontos percentuais na população masculina e 20% entre as mulheres”, completa.
Outro dado que chama a atenção é o baixo índice de condenação por crimes de racismo no Brasil. Entre 2007 e 2008, 66,9% dos casos julgados nos Tribunais de Justiça de todo o País foram vencidas pelos réus e apenas 29,7% das supostas vítimas saíram vitoriosas. Na primeira instância, as vítimas tiveram sua demanda judicial contemplada em 40,5% dos acórdãos.
“Talvez os magistrados ainda acreditem no mito da democracia racial brasileira e, por isso, sejam mais brandos nas condenações e na aplicação das penas”, especula o professor da UFRJ. “Pela lei, o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, mas não tenho notícia de um único racista condenado à prisão no Brasil. Vejo apenas punições pecuniárias, sobretudo indenizações, e pedidos de desculpas formais.”

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cala a boca e consuma!

Dizia a letra de uma música do conjunto de rock, Plebe Rude, do álbum Nunca Fomos Tão Brasileiros: "Cale a boca e consuma, você não direito de duvidar..."

A letra, ainda da década de 80, já antecipava a prevalência do mundo do consumo sobre a cidadania, como se uma coisa se confundisse com a outra.

Pois eis que no caso do novo templo da classe mé(r)dia, o "xóping", alguns setores da midia de coleira, aquela que sempre está do lado de quem tem algum para "perder", gritam contra a recomendação do MPF, e mandam a sugestão clássica: botemos a PRF para trabalhar. Como SEMPRE, para essa gente, o ônus dos empreendimentos privados recaem sobre o Erário e funcionários públicos.

Do mesmo jeitinho que imaginam na questão do Açu e do Sr "X".

Ora, MPF não é consultoria, logo sua ação é persecutória e de defesa dos interesses públicos, difusos, coletivos, etc, frente às possíveis lesões ou ameaças a direitos.

A OBRIGAÇÃO de estudar e prover a redução de impactos negativos, quer seja ambientais, quer seja de tráfego, vizinhança ou de postura, é de quem vai lucrar com o negócio.

Caso não tenham feito, como parece que não fizeram, não abre, e pronto! Aliás, estranho foi a paciência do MPF, que só encaminhou uma "recomendação".

Agora imagine se o cara do trayller ou da carrocinha de cachorro-quente usarem o mesmo argumento:

-Olha aí, chefia, eu não fiz o estudo de impacto, nem adotei as regras de higiene, mas porque você não falou antes? É só desviar o trânsito para eu colocar minhas mesinhas aí na rua, ou chama a PM para controlar o tráfego.
-Como é que é? Aí, olha o rapa, perdeu, perdeu, perdeu...

Mas como nessa cidade o crime e as infrações administrativas sempre compensam, desde que envolvam grandes intere$$e$, cale a boca e consuma...

A sociedade do espetáculo e o espetáculo do desperdício!

Vários estudiosos, opinólogos e semi-analfabetos(como eu) já identificaram e dissecaram a chamada sociedade do espetáculo, que dentre os paradoxos prinicipais, carrega em seu DNA os seguintes:
1. Exposição exagerada do indívíduo, que ao invés de socializá-lo, isola-o;
2. Desrespeito a privacidade, incentivado pelas pessoas que mais a reclamam, os exibicionistas;
3. Uniformização de comportamento, com fragmentação da sociedade e de seus valores.

Na atividade política, como não poderia deixar de ser, há a contaminação por esse movimento, e como uma relação de causa e efeito, onde não se determina o que é um ou outro, as decisões e consensos políticos se movem pelo resultado simbólico (espetáculo) que provocam, e não pela utilidade em si dos atos, em mudar e melhorar a vida das pessoas.

Por isso, nossa classe política e representantes, parecem seres estranhos e distantes, confinados em um palco, onde se dá um espetáculo estranho aos nossos interesses. Mas se olharmos bem de perto, não há como disntingüir quem está no picadeiro, e quem está na platéia, e todos fazemos parte desse triste enredo.

Esses pensamentos me assaltaram quando passei pela Avenida Alberto Lamego, no útltimo sábado, quando levava alguns adolescentes-infratores a serem apresentados ao MP/RJ em SJB, como determina a lei 8069.

Olhei as estruturas do Carnaval(que Carnaval?), as obras do "Túmulo do Samba", e as arquibancadas que se montam para suprir o atraso nas obras do "Túmulo", e pensei: Como pode tanto desperdício?

Um Carnaval indigno desse nome, com vícios e sem qualquer qualidade estética que justifique o gasto público, em agremiações que mais se parecem com "parasitas" de verbas públicas, sem qualquer independência financeira que lhes dê autonomia cultural para definir os rumos de suas manifestações, dirigidas assim, como apêndices da agenda oficial, e relegados e transferidos para um cantinho qualquer de uma data, que não incomode as decisões dos governantes.

E para tudo isso, a repetição quase criminosa de gastos: De um lado o inacabado "Túmulo do Samba". Na Avenida, a improvisada "Capela do Velório do Samba".

O vereador bucha de canhão!

Lá no Cazaquistão, o parlamento da cidade, de acordo com o blog de uma pessoa próxima ao vereador que propôs uma investigação na empresa de águas e esgoto, serviu a manobras de um líder político local. Dito por quem está tão próximo, merece crédito.

A coisa cheira mal, e os subterrâneos políticos dessa cidade correm à céu aberto, como uma vala negra e lamacenta.

O vereador que apadrinhou a "investigação" vestiu o figurino do "fantoche" ou melhor: Bucha de canhão! Ou na gíria popular: zérruela!

Os alienistas ou serão "Os alienígenas"?

Vejam vocês, meus poucos leitores, o que encontrei em minha caixa do correio eletrônico.
Bom, eu vou correndo para o discódromo mais próximo.
Atenção, todos na freqüência "X".
Mas onde será o local "X" para recebermos esss seres superiores?
Será que é mais uma empresa interplanetária daquele famoso Sr "X"?
Será que ele é um alienígena, ou agente infiltrado, a serviço da dominação dos habitantes do planeta "X" nas terras de SJB?
Será que a prefeita de lá foi abduzida, junto com alguns jornalistas, e portam implantes cerebrais que controlam seus atos e vontades?

Freqüência vibracional, que catzo é isso? Vem com pilha?
Vai saber!

@ETBilu

 para mim
mostrar detalhes 14:40 (21 horas atrás)

Olá Douglas,

Há tempos as autoridades ocultam a verdade sobre o passado da humanidade.

Como muitos já sabem, estamos em plena transição planetária e todos devem estar preparados para os eventos nos próximos anos, principalmente após 2012.

O contato conosco, seres alienígenas, já pode ocorrer a qualquer momento, em vários locais do Planeta, mas, para que isso aconteça os terráqueos precisam gerar a freqüência vibracional X, necessária para sustentar o contato com as outras raças existentes no universo.

Através da música, nós vamos ajudá-los a gerar a freqüência X

Tanto lá como aqui, a folha só embrulha peixe podre!

Como todos sabem, eu não sou jornalista, nem acumulo estofo acadêmico para tanto, portanto reduzo meu palpite a simples observação de (não) leitor:
Certos jornais e suas linhas editoriais deveriam ser alvos de curiosidade científica dos responsáveis pelos cursos de comunicação social espalhados pelo pais, onde alguns jornais, programas de rádio e TV deveriam ocupar a categoria: COMO NÃO FAZER JORNALISMO, ou COMO TRAVESTIR OPINIÃO E POSIÇÃO POLÍTICA EM MATÉRIA JORNALÍSTICA ou ainda QUANDO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE IMPRENSA SIGNIFICA ABUSO DE DIREITO.

Que se diga bem alto: Não há, em países democráticos como o nosso, nenhum óbice que os grandes barões da mídia expressem suas opiniões pela lavra de seus jornalistas e blogueiros de coleira. Aliás, essa é a natureza do vínculo, e cada um faz o que quiser para sobreviver, e não me cabe julgar escolhas, já que eu mesmo lido com a escória da Humanidade para levar o sustento para casa.
Mas uma coisa é tapar o nariz e cumprir o dever, outra é se regojizar, sadicamente de sua tarefa, e cumprir com gosto as tarefas mais indignas, escondendo interesses inconfessáveis sob o manto do "livre" exercício da profissão. Ou seja: Opinião deve ser exposta como tal, enquanto a matéria jornalística deve se submeter a certos rigores éticos.

Mais ou menos como em uma Delegacia. Por mais que eu odeie um estuprador, que tenha causado danos e lesões às suas vítimas, e a própria paz pública com seus atos, o limite de minha opinião pessoal sobre o evento é a letra rigorosa da Lei e a garantia dos direitos individuais do preso, ainda que minha vontade, como já disse, como pai, filho e marido seja outra.
Em suma: Ainda que exista meu interesse pessoal de intervir, motivado pela enorme repulsa a esse tipo de crime e criminoso, esse desejo não pode colidir com interesse público (as garantias fundamentais), podem, no entanto e somente, convergir com esse interesse público, representado na necessidade de punir dentro das regras.
Interesse privado, ao contrário do que dizem, pode sim coincidir com o público.
O problema é quando colidem, como foi o caso do interesse do jornalista (de coleira) e seus patrões, e o direito público à informação.

Esse limite é sempre tênue, e a comoção, às vezes, ou a manipulação, no caso da imprensa, misturam e subvertem a defesa do público e seus direitos, mas só o permamente debate democrático e a vigilância social podem determinar os limites aceitáveis da mediação de conflitos, quer seja na comunicação, quer seja em qualquer outra instância.

Assim, maus policias abusam de seu poder quando ultrapassam essa barrreira, assim como maus jornalistas abusam de sua liberdade de exercer seu ofício, quando ultrapassam a ética e o rigor jornalístico, e travestem de interesse público o que lhes mandam quem segura a coleira.

Veja o contraponto a uma (falsa) controvéria plantada por um jornalistas (de coleira) da folha, que copiamos do blog do Azenha. Veja bem, você pode concordar ou não com o deputado Paulo Teixeira, mas a partir do que ele disse, ou diz, e nunca pela "interpretação" distorcida de um jornalista(?):


18 de abril de 2011 às 22:47

Paulo Teixeira: “A Folha não queria me encontrar. A matéria já estava pronta, toda editada”

por Conceição Lemes
O que acharia se lesse a primeira manchete na capa de um jornal, e a segunda, no caderno interno?


Pois isso aconteceu nesse domingo, 17 de abril, na Folha de S. Paulo. A vítima da vez: o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), líder da bancada na Câmara Federal.
Curiosamente, na capa, o jornal ressalta: Procurado não deu resposta.  Depois no caderno interno, capricha: A Folha fez vários pedidos de entrevista ao deputado desde 16 de março, mas sua assessoria não deu resposta.
Desde 16 de março e a matéria só foi publicada em 17 de abril?! A Folha esperaria tanto?!  Nem criança acredita nessa história da carochinha. Repórter quando quer encontrar MESMO uma fonte, acha. E se é de Brasília, onde o deputado passa boa parte da semana, é mel na sopa. E com um mês de lambuja é covardia! Só Freud explica. Ou melhor, só a Folha explica.
“A Folha não me ouviu antes de fazer a matéria”, revela Paulo Teixeira. “O repórter Felipe Coutinho mandou e-mail para a minha assessoria de imprensa, perguntando sobre ‘microtraficantes’. A assessoria avaliou que não deveríamos entrar nesse debate num momento em que precisamos aprovar matérias importantes no Parlamento para a continuidade do processo de crescimento econômico com distribuição de renda. O repórter não disse que faria uma matéria sobre uma fala minha num evento.”
“Curiosamente, o mesmo jornalista ligou no meu celular ontem [domingo] para repercutir. Eu perguntei por que não o fez antes, a exemplo de todos os jornalistas da Folha, que me ligam diretamente no celular. Ele disse que não quis passar por cima da assessoria”, observa Teixeira. “Depois de ver a chamada da matéria na capa e a mobilização dos editores para comentá-la, percebi que a Folha não queria me encontrar, não queria realmente saber a minha opinião. Ela já tinha a matéria pronta, toda editada.”
Pena que o jornal tenha usado esse expediente num tema tão sério, que exige responsabilidade e ética. Afinal, estamos falando de saúde pública. Por isso, resolvi aprofundar a entrevista com o deputado Paulo Teixeira, para colocar os pingos nos is.
Viomundo – Deputado, a Folha cita uma palestra do senhor. É daí que foram tiradas as informações que estão na matéria?
Paulo Teixeira — A Folha teve acesso às informações por meio de um vídeo que foi postado na internet, não sei se com a fala integral ou parcial. De qualquer forma, a matéria não expressa o que eu penso, mostra apenas uma parte, com uma abordagem sensacionalista, parcial, com frases pinçadas de um contexto. Há quinze anos acompanho este tema, em diferentes foros mundiais. Não estimulo o uso de drogas, mas acho que o problema precisa de uma abordagem menos preconceituosa.
Viomundo — Na chamada de capa, a Folha diz que o senhor defende o uso da maconha e ataca o Big Mac, dando a impressão de que estimula o uso. É isso mesmo?
Paulo Teixeira — É uma insinuação inadmissível da Folha. Toda vez que falo sobre a política de drogas, faço questão salientar os prejuízos à saúde e demais danos sociais que a droga pode causar.
Falo inicialmente do álcool, que, para mim, é o problema mais grave da sociedade brasileira. Causa acidente de trânsito, brigas com morte, violência contra mulher. A sociedade brasileira precisa proibir a propaganda do álcool na TV. Em relação à maconha, falo dos riscos à saúde do usuário, da necessidade de prevenir o seu uso. Muitos usuários podem, inclusive, desencadear doenças psíquicas pelo uso.
A realidade atual é gravíssima. Drogas ilícitas são oferecidas à luz do dia. Esse mercado é muito capitalizado. Diante desse quadro, o que fazer para torná-lo menos  perigoso? Deixar os usuários consumir substâncias adulteradas? Permitir a crescente capitalização desse mercado?
Minhas propostas são retirar o usuário da esfera penal, descriminalizando o uso e a posse de drogas e esvaziar o poder econômico do tráfico. Em relação ao Big Mac, minha preocupação é estabelecer uma exigência para que os produtos alimentícios informem o teor de gordura, de sódio e gordura trans que contêm.
Viomundo —  A Folha diz que o senhor defende o plantio de maconha por cooperativas de usuários. O que falou sobre isso?
Paulo Teixeira — Eu me referi a experiências de Espanha e Portugal, entre outros países, onde o problema foi abordado de uma forma pragmática. No caso da Espanha, o  resultado foi importante para diminuir a exposição de usuários à convivência com traficantes e esquemas criminosos. Lá, especificamente, são permitidas cooperativas  de plantio formadas por consumidores. Essa estratégia enfraquece a economia da droga.
Em Portugal, os resultados foram muito positivos também. Depois da descriminalização ocorrida há dez anos, diminuiu a violência associada ao uso de drogas, diminuiu inclusive o consumo. Lá o conhecimento por parte da autoridade policial do porte de qualquer droga pelo usuário está fora da órbita criminal e submetido a infrações administrativas, como  advertências, cursos, multas, entre outras.
As experiências de Portugal e Espanha são apenas exemplos de estratégias mais pragmáticas. Não sei se servem para o Brasil, porém podem iluminar um novo caminho.
Viomundo – No Brasil, há especialistas que defendem a descriminalização da maconha. As cooperativas seriam o  caminho para viabilizar essa proposta?

Paulo Teixeira – Acho importante analisar as estratégias adotadas por outros países e os resultados. A experiência Portugal, que eu acabei de citar, é muito interessante. Ao descriminalizar o usuário, distinguindo-o claramente do traficante, descapitalizou grande parte do mercado de drogas ilícitas em geral. Com isso, ajudou a diminuir a violência associada a esse mercado, com resultados fantásticos em relação à diminuição das doenças associadas ao uso de drogas.
Todos os países estão discutindo a questão das drogas leves, como a maconha, e o Brasil não pode ficar fora desse debate. Há muita hipocrisia. Quase todo mundo conhece alguma história de alguém que se envolveu com drogas. Há casos de pessoas que são apenas usuários e vão parar na cadeia em razão de um flagrante armado ou fruto de uma legislação que ainda está longe da dos países que resolveram encarar o problema de frente.

Viomundo – Nós temos uma epidemia de crack, que é uma droga devastadora, vicia rapidamente… O fato de no momento as atenções estarem focalizadas principalmente nele atrapalha o debate sobre as drogas em geral?
Paulo Teixeira O crack é uma droga que se desenvolveu a partir do controle das substâncias químicas destinadas ao refino da cocaína. Assim, o crack é o refino da cocaína feito com substâncias muito pesadas e nocivas à saúde. Ele é produto da política de guerra às drogas.
Temos que prevenir o seu uso e tratar os eventuais usuários, o que não é fácil.
Por isso, acho importante que o tema das drogas seja discutido à luz do dia para que não cheguemos a esse absurdo que é o crack. É uma questão de saúde pública.
Viomundo — Drogas devem ser assunto de saúde pública ou de polícia?
Paulo Teixeira – O uso de drogas não pode ser assunto de polícia. Deve ser unicamente de políticas públicas.
Insisto: o usuário deve ser  tratado fora da esfera penal. Isso ajuda a mudar de mãos quem cuida do assunto. Em lugar da polícia e dos traficantes, teremos a família, a escola, as atividades culturais e esportivas e a saúde para cuidar dos usuários.
Viomundo – O senhor acompanha a discussão sobre as drogas há muito tempo. O que acha da nossa da legislação?
Paulo Teixeira – Realmente, é um tema, que me preocupa muito e trato bastante. Já participei de conferências no Canadá, nos EUA, no México, em vários países da América Latina, Europa e Ásia e em vários estados brasileiros. Acho que precisamos rever rapidamente a legislação brasileira.

Viomundo – O modo de o Brasil combater as drogas está dando certo?

Paulo TeixeiraNossa política sobre drogas é um entroncamento das políticas norte-americana e europeia. Temos muitos problemas, principalmente carcerários. Há uma grande massa de presos, que são pequenos infratores enquadrados na lei de drogas. Segundo os estudos, o perfil desses presos é o seguinte: réus primários, agiram sozinhos e sem emprego de armas. Os presídios são locais privilegiados para organização da violência no país. E esses presos, pequenos infratores por causa de drogas, são recrutados para ações criminais mais danosas à nossa sociedade.
Viomundo – Que outras consequências acarretam essa forma de se lidar com as drogas?

Paulo Teixeira — A nossa realidade é preocupante em relação ao abuso de drogas. Temos um foco na repressão, que consome grande quantia de recursos e que dilui os esforços das forças de segurança no combate ao pequeno delito de drogas, impedindo que as ações se concentrem no crime organizado. Diante disso, não conseguimos diminuir o número de usuários. A aquisição dessas substâncias dá-se no mercado ilegal, resultando em perigos de todos os tipos. Como ainda está sob a lei penal, o usuário tem risco permanente de uma abordagem desproporcional da polícia.
Viomundo – A atual política está conseguindo prevenir o uso de drogas?
Paulo Teixeira – De acordo com estudos publicados, o consumo de drogas no Brasil aumenta a cada dia.
Viomundo – Estados Unidos ou Europa, qual a melhor direção?
Paulo Teixeira — A política de guerra às drogas é hegemônica no mundo. O Brasil desenvolve políticas mais criativas em comparação aos EUA. A Europa tem conseguido resultados muito mais favoráveis com a política de redução de danos. Creio que essa é a direção mais correta.
Redução de danos é uma estratégia que busca prevenir o uso de drogas, mas atende o usuário na perspectiva de conseguir resultados progressivos para a saúde e  a vida social dele enquanto ainda estiver nessa condição. Educar para evitar que seja infectado pelo vírus da Aids, da hepatite.  Educar também para evitar overdose, perda do emprego, de vínculos sociais. Essas são estratégias da política de redução de danos.
Oferecer tratamento para a superação do uso e tratar das motivações que levam o usuário ao abuso são outras estratégias dos programas de redução de danos.
Viomundo — Como deveria ser a política de combate às drogas?

Paulo Teixeira — Defendo uma política democrática, com livre circulação de informações, prevenção, melhor distribuição de renda, educação, cultura e lazer. Ampliar os horizontes das pessoas.
Em relação às drogas, temos de convencer os jovens sobre a repercussão em sua saúde pelo uso ou abuso. Buscar promover espaços para o fortalecimento político da nossa juventude, para que exerçam plenamente a sua cidadania. Temos de buscar convencê-los a não usar drogas. Mas, caso usem, evitar o abuso e maiores danos à sua saúde e à sua vida. Mas, antes de tudo, é preciso convencê-los e apoiá-los.
Viomundo — A matéria diz que o senhor tem uma visão diferente da presidenta Dilma. Seria uma forma de intrigá-lo e dificultar a sua posição como líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados?

Paulo Teixeira — Tais posições são exclusivamente minhas. A presidenta  está concentrada no assunto, acelerando a atenção aos usuários, aumentando os leitos hospitalares… Esse esforço terá resultados positivos. Noutra ponta do tema, o governo vem aumentando a eficácia das ações contra o crime organizado. Não tenho divergências com a presidenta Dilma Rousseff . O repórter tentou usar a questão como fonte de potencial intriga, mas se esqueceu de que tanto a presidenta como eu estamos preocupados com a questão das drogas.
Viomundo — Para finalizar, o que o senhor diria aos pais?
Paulo Teixeira – Não adianta a gente enfiar a cabeça no buraco, fazer de conta que as drogas nunca vão afetar os nossos filhos. Talvez muitos pais não saibam, mas cada vez mais as drogas são adulteradas, ficando ainda mais perigosas à saúde.  Sabem que têm essa informação? Os traficantes. Sabem nas mãos de quem os jovens usuários  estão hoje em dia? Nas mãos dos traficantes e da polícia.
Se quisermos mudar o rumo das coisas, temos que começar a discutir essa questão às claras, sem hipocrisia nem preconceito.
Sou pai de seis filhos. Eu e a minha esposa sempre proporcionamos ambiente aberto para dialogar com nossos filhos. Sempre que eles tiveram crises de adolescência, paramos tudo para cuidar deles. Valorizamos suas iniciativas. Sou vinculado à Igreja Católica em São Paulo. Para a construção das minhas posições, consultei teólogos, bispos, padres e leigos na área religiosa. Construí minhas posições ouvindo também médicos, sociólogos, políticos, antropólogos, cientistas sociais e demais profissionais. Aconselho a todo o pai o diálogo.

Esse monstro chamado: "Opinião Pública"!

Existe na face da Terra, um conjunto de seres incorpóreos (a adotar a terminologia do deputado Brizola Neto).
São entes que você sabe que existem, todos falam em seu nome, teses são elaboradas, políticas são decididas, debates, etc, mas você não os vê, e não é capaz de perceber nenhum traço tangível, e toda vez que se tenta delimitar seus contornos para situá-lo na luta política, esses entes esvaem-se como fumaça.

Um desses seres é o "mercado", mas o que nos interessa aqui é outro: A opinião pública!
Todos a temem, todos buscam agradá-la, pois em seu nome são cometidos os mais difíceis malabarismos éticos.

A "opinião pública" move-se por encanto, silenciosamente, e avança sobre a sociedade, como se prescindisse dela.
É a matéria-prima predileta dos editoriais quando se pretende atacar algo, ou algum grupo, sem que se incorra no perigo de situar o interlocutor como adversário, como forma de diluir interesses e posições, ou seja: Se queres criticar ou atacar algo, diga que a "opinião pública" está contra ele.

Na maioria das vezes, essa "opinião pública" é fruto de uma percepção mágica daqueles que publicam a opinião e a chamam de pública: Nunca há, embora a ciência estatística tenha avançado consideravelmente, uma definição clara da tendência da opinião do público, e toda manifestação ou desconforto localizado ou corporativo é considerado a opinião de TODO público, e não de PARTE dele, como deveria ser.

Assim estamos frente a greve dos vigilantes, que sofre diuturnos ataques dos meios de comunicação de massa, o chamado PIG local. A "opinião pública", de novo, se levanta e se insurge, feroz, contra trabalhadores e, pasmem, contra governos.
Ora, o nível de proteção estatal aos direitos dos trabalhadores está consagrado nas leis trabalhistas, que estabelece a "arbitragem" dos conflitos pelo Judiciário. Inferir que governo (e não o Judiciário) interfira nas questões trabalhistas, significa um perigosos retrocesso ao direito dos trabalhadores e na mediação com seus patrões, justamente, os que os donos da opinião pública chamam de "mercado". (olha aí  o outro ser incorpóreo).
Mas toda vez que "o mercado" (que não tem dono, não tem interesses e ninguém sabe quem se beneficia dele)está ameaçado, a "opinião pública" sai da toca.

O problema é que essa "opinião pública" nunca se levanta contra determinados interesses, como o dos bancos, dos empresários, e nesse caso, das empresas de vigilância a seu serviço, quer dizer: os patrões!
No caso dos primeiros, a LEI garante ao consumidor o pagamento de suas obrigações, tributos e outros, sem a cobrança de juros, por motivo de força maior, na medida que o atraso se dá por questões absolutamente alheias a vontade do devedor, se for o caso.
Mas para isso, os empresários e bancos teriam que abrir mão dos juros e multas, que em alguns casos, são mais rentáveis que a cobrança pelo próprio serviço que prestam ou dos bens que forneçam.
Infelizmente, aqui, não há "opinião pública" que dê jeito, pois como dissemos, ela raramente se levanta contra o "mercado".

Como vivemos em sociedade, pretender que a greve de determinada categoria, fundamental ao funcionamento de um setor importante, como bancos, não afete outros setores dessa sociedade é quase uma piada. Por outro lado, exigir que profissionais abram mão dos seus direitos a mobilização, principalmente quando o sucesso de deu pleito é facilitado pelo poder de pressão que a parada dos serviços causam, é má-fé mesmo! Ora, se são essenciais, devem receber como tal, ou não?
Por que seus patrões não os tratam como tal, se dizem que sua greve entrava todo os sistema?
E o que devem fazer os trabalhadores, trabalhar pelo dever cívico de que a "opinião pública" possa consumir e pagar suas contas?

Mas a pergunta que devemos fazer é: No fim das contas, as pessoas estão em risco de morte, seu direito de ir e vir, ou o direito de se alimentar, de acessar os bens essenciais, como água, luz, educação, está ameaçado?
Se esse for o caso, e somente nesses casos, deve a "opinião pública" reclamar a intervenção do Estado. Caso contrário, a "opinião pública" deve dirigir sua fúria contra TODAS as partes do problema, e não selecionar aquelas que convêm ao "mercado"!
 

TODO APOIO A LIBERDADE SINDICAL E A GREVE DOS VIGILANTES!


PS: Grave é a posição da defensoria pública a propor ação civil para reabrir os bancos com os vigilantes que não aderirem a greve. Se não bastassem os problemas de segurança pelo número efetivo reduzido de vigilantes que se disponha a tal repugnante papel, a possibilidade de conflitos entre grevistas e fura-greves é factível, funcionando a medida como risco a segurança pública, e não para mediar o conflito, como diz pretender.
Cabem as perguntas: 
É direito de cada um não aderir a greve ou qualquer outro movimento, mas os fura-greves devolverão os aumentos que forem conseguido pelo movimento que trairam? 
Isso consta da ação cívil pública? 
Ou será que tudo não passa de uma intervenção de um órgão de suma importância (defensoria) em um conflito que não lhe cabe, só para agradar interesses não confessos de uma PARTE do público, ainda que revista a ação da defesa do interesse difuso de TODO público?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Notícias de São João da Barra.

Claro que fatalidades podem acontecer a qualquer um, e nenhum sistema de saúde é imune a falhas.
Mas quando se trata de atendimento de urgência/emergência, a adoção de procedimentos simples, que nem custam o preço de aparelhos de última geração, ou ambulâncias superequipadas (itens preferidos para as compras, que permitem sempre um "caraminguá" para a "caixinha") podem cumprir a tarefa, que afinal, é a essência e causa primordial de todo o sistema de atendimento público de saúde: Salvar vidas. E para isso, como dissemos, é preciso ter planejamento, coordenação, gestão e fiscalização, junto com a valorização e condições de trabalhos dos profissionais.

Como imaginar que um município que pretende decuplicar sua população em dez anos, e que já usufrui de um orçamento generosíssimo, não consiga dar conta dos 40 ou 50 mil habitantes que já tem? Como imaginar que as autoridades estarão à altura das exigências que as mudanças que acontecerão, que eles tentam nos convencer que serão em benefício da população, se agora, com pouca gente e muito dinheiro as pessoas morrem por falta de uma intervenção elementar em qualquer rede primária de atendimento?

Leia o que aconteceu em SJB, do blog do Herval Júnior:  Homem morre em São João da Barra por falta de socorro médico

A saúde vai mal!

Recebemos hoje esse e-mail, e publicamos:


Bom dia, sou médico, e estou enviando este protesto que gostaria que fosse repassado e publicado, se possível. Este texto foi repassada para o sindicato dos médicos, ministério público, ministério do trabalho, veículos de informações e outro blogs influentes e formadores de opinião. Desejo com isso que se faça justiça para o bem da população campista e da classe médica desta cidade. Acredito que juntos podemos fazer e mudar muita coisa.
Grato.



Segue abaixo o texto.


Escrevo este mail com o intuito de saber o que está acontecendo com a saúde, com a classe médica, com a dignidade de nossa classe. Gostaria também, sinceramente, de saber o que tem sido feito para defender, efetivamente, nossa categoria, deveras humilhada – esta é a palavra, humilhada.
Não é difícil constatar a insatisfação generalizada dos profissionais médicos desta cidade, assim como dos outros profissionais que atuam na saúde. Estamos sobrecarregados, cansados, somos mal remunerados e assaltados. Mostramos a cada dia, pela ausência de atitude,  que nem ao menos nos resta dignidade. Pois vejo, claramente, no silencio que se faz presente, a conivência. Quem não fala, não grita, não reage, ou está satisfeito ou está morto. O que estamos? Mortos ou satisfeitos?
Aqui em Campos, e também nacionalmente, podemos observar uma conduta covarde e preocupante, fruto da incapacidade, falta de compromisso e falta de vergonha de nossos governantes que, insistentemente, apontam como culpado e responsável, toda a classe médica pelo caos que se encontra na saúde. Desde sempre é muito fácil delegar a culpa, muito conveniente. A imagem do médico tem sido manchada com adjetivos degradantes. Nos chamam de preguiçosos, desumanos, gananciosos, insensíveis, somos os verdadeiros carrascos, os responsáveis pela regência de toda esta sinfonia desafinada que é a saúde desta cidade.
Os políticos e veículos de informação mostra-nos como vilões da saúde, inimigos dos pacientes, quando também somos vítimas. Assim como os enfermos, somos vítimas de políticas precárias de saúde, governantes desalmados, irresponsáveis, sem vergonha, criminosos, que não têm um pingo de preocupação com a saúde do próximo, não se abalam ao ver (talvez nem vejam mesmo) pessoas sofridas e sofrendo com a falta de recursos. É mais fácil culpar o médico, que atende.
Propagam um discurso que temos vários empregos  e somos, então, “gananciosos”. Mas com o salário defasado do município - pra não dizer vergonhoso - como não ter mais de um emprego para garantir um padrão de vida digno? Se para os políticos, artistas, empresários e qualquer outra classe profissional, isso não é julgado, porque o médico é condenado a mercenário?  
Denunciam e reclamam que o médico faz consulta de dois minutos e que nem ao menos olha na face do paciente que atende. Mas não dizem que temos que dar conta de atender cerca de 30 pacientes por hora para que a espera dos mesmos não seja superior a 3 horas.  Alguém aqui sonhou em ser médico para exercer esta profissão desta forma?
Infelizmente a classe menos favorecida não consegue enxergar a real dimensão do problema e se limita a reclamar do atendimento que demora, do doutor que não trocou sua receita de remédio controlado, da ausência de médico em postos (como se médico fosse vagabundo que não quer trabalhar). Acredita em discursos fúteis, rasos e descarados de políticos. Porém, nós, que graças a nossa educação, temos a visão além do alcance, que não somos ignorantes, por covardia agimos como se fôssemos. Somos massacrados e nos calamos. Desta forma, consentimos.
A rede de atendimento nesta cidade encontra-se em colapso.  Não existe atenção básica.  Existem postos de saúde que apresentam um volume absurdo de atendimento, centenas de pessoas por dia passam na clinica médica dos principais postos. Pacientes graves se misturam com pacientes que deveriam estar sendo acompanhados em nível ambulatorial, mas não existe ambulatório, não existe PSF, não existe lugar para renovação de receitas de uso contínuo. Se a atenção básica é nula, caros amigos, sabemos que isso explodirá em algum momento, de alguma forma. O que temos então, é um aumento absurdo de casos de AVC, IAM, Morte súbita, Insuficiencia renal, cegueira, ICC descompensada, doentes descompensados, lesados, mutilados, mortos diariamente,  incapacidades e mais incapacidades temporárias e definitivas, por pura falta de atenção básica. Com isso temos PUs, Hospitais e UTIs  absurdamente lotados. Não há vaga suficiente para a demanda. O que está errado? Deveríamos ter 500 leitos de UTI ou evitar que este paciente venha necessitar de um leito na mesma?
 E o médico é o “culpado”. Quando dizemos que não há vaga em UTI, estamos com má vontade. Se encaminhamos para outra emergência, somos preguiçosos. Se não renovamos uma receita de uso contínuo em um posto de urgência, somos insensíveis... e por aí vai. Os governantes municipais sugerem que a responsabilidade é nossa, dos médicos, quando na verdade eles são os responsáveis pela gestão e tem o poder e obrigação de resolver esta situação.
 Nesta cidade o foco não é a saúde do povo, o foco é a política, o circo, o marketing, o populismo barato.. 
Onde está o sindicato dos médicos (SIMEC), que deveria representar nossa classe ? Estão vendados também? Por que se calam? Vocês nos representam.
Por que não iniciar uma campanha, uma paralização? Qualquer coisa que mostre que estamos vivos e que merecemos respeito.  Qual o motivo do silencio? Será que está tudo bem? 
Onde está o Ministério público desta cidade? Também estão vendados? É conveniente fechar os olhos?
Não existe lei trabalhista neste município? Onde está o ministério do trabalho?
Vocês sabem o valor do salário que recebemos? Vocês sabem os descontos incidentes sobre o mesmo? Sabem o salário base da prefeitura para os médicos contratados? Vocês tem conhecimento que todos os  médicos contratados nesta cidade não tem direito a contra-cheque (e sabemos que isso é direito do trabalhador)? Sabem que nós não sabemos qual o valor exato do nosso salário? Como contratados da prefeitura de Campos não temos acesso a valores salariais,  descontos, abatimentos e não podemos ter, eles se recusam a nos fornecer qualquer tipo de informação sobre isso, pois não podemos ter acesso a valores, já que a contratação é irregular e não pode existir provas. Não existimos como funcionários para esta prefeitura, nosso contrato não existe e não pode existir, perante um ministério público, que está vendado.
Vocês sabiam que no inicio de cada ano, quando recebemos o nosso comprovante de rendimentos, este vem com descontos de Imposto de renda inferior a faixa salarial correspondente por LEI.  Sabiam que a prefeitura de Campos desconta 6%, 10% de IR na fonte, quando deveria estar descontando 22%, 27,5%? Sabiam que eles informam que descontam 22%, mas na verdade não descontam nem a metade?  Somos tapeados.  Sabiam que descontam além do teto do INSS? INSS este que não é repassado para a previdência. Sabiam que temos que pagar um absurdo de imposto de renda simplesmente porque o mesmo não foi recolhido corretamente, como manda a lei, na fonte? E somos, no inicio de cada ano, presenteados com esta informação. Sem qualquer explicação. Como se o nosso salário fosse enorme e justo. O salário que já é vergonhoso, é na verdade uma ilusão, é ainda menor.
 O sindicato age como se não soubesse, o ministério público fecha seus olhos, o ministério do trabalho finge que não sabe... e os médicos, ficam calados, como se tudo estivesse ótimo, afinal de contas...se alguém falar alguma coisa, será perseguido, demitido, execrado e, como todos, temos contas para pagar.
Não acho justo uma pessoa gritar sozinha por todos e ser perseguida por isso, pois sabemos que é isso que acontece neste feudalismo( que é a nossa cidade), enquanto existe um sindicato que deveria ser a voz de toda uma classe. Sindicato este que somos obrigados a contribuir anualmente. No mês que passou todos tiveram descontos do sindicato em seus salários, várias vezes, diga-se de passagem. Um vínculo – um desconto sindical. Dois vínculos – dois descontos sindicais.  Tudo para o mesmo sindicato. E o que vocês estão fazendo pela classe?
Vocês podem dizer que estas acusações são graves e que precisam de provas. São graves sim. Querem provas? Procurem saber. Levantem de suas cadeiras e vão na prefeitura. Cadê o ministério público? O ministério do trabalho? Solicitem documentos. Provavelmente eles não fornecerão, quem deve, teme. Mas está tudo lá. A função de fiscalizar este absurdo é de vocês.
O que está faltando para que seja tomada uma atitude a altura da situação, o que falta pra darmos um basta nisso? Por que não existe fiscalização neste município?
Acreditem, esta não é apenas a minha opinião, não é uma crítica pontual, é unanimidade na classe médica defendida e representada por vocês.
Precisamos de uma atitude, já.


M.S.B