quarta-feira, 16 de março de 2011

UENF, eleições e a herança maldita!

Terminadas as eleições para a reitoria da UENF, há um sentimento generalizado de vitória: Dos que venceram o pleito, propriamente dito, de toda a comunidade universitária, e por fim, da sociedade em geral, que pode assistir a Universidade exercitar sua autonomia, e escolher seu destino.

No entanto, algumas considerações devem ser feitas: É justificável o triunfalismo dos vitoriosos. Ganhar eleição é um sintoma importante, e dá capital político considerável ao grupo que sai, e ao que o sucede no poder. Parabéns, portanto, ao novo reitor e seus correligionários.

Mas todos nós sabemos, e muito mais a comunidade acadêmica, que eleições são uma etapa do processo político, e não TODO ele.

Logo, passada a euforia do resultado, o novo reitor terá que lidar com uma complicada herança deixada pelo seu antecessor. E aí não adianta desqualificar os adversários, tentar isolar as críticas ou enterrar a cabeça da Universidade, como um avestruz "corporativista".
As demandas permenecem ali, e muito mais que as denúncias acerca de possívies desvios de gestão, está a queda do nível acadêmico da Universidade em vários níveis da graduação e da pós-graduação.
Um grave sintoma de que não bastam intervenções fisicas e bom mocismo para tocar uma Universidade, pois sua atividade-fim não é funcionar como restaurante, ou inaugurar franquias pelo interior, sem o mínimo de condições, mas sobretudo, como todos os candidatos disseram no debate:
Promover a pesquisa, inovação e o ensino.

Ainda assim: Parabéns a UENF e sua comunidade! Pois é muito melhor uma democracia com defeito, que um autoritarismo perfeito!

14 comentários:

Anônimo disse...

Quá quá quá...

herança maldita ?!

Estamos falando da mesma universidade ? Aquela com vários prêmios nacionais e internacionais ?
Uma das melhores do país ?

douglas da mata disse...

Bom, caro comentarista, eu não sei.

Eu falo da Universidade que teve alguns de seus programas de pós-graduação rebaixados no CAPES, sendo que, de acordo com as informações, se a situação continuar, serão descredenciados.

Ninguém é louco de não reconhecer a proeficiência acadêmica da Universidade.

Mas quem vive de história é museu, ou seja, se continuarem a dilapidação salarial, o fluxo de evasão de pesquisadores "sênior", e o desinteresse dos "novos" pesquisadores em apostar na UENF, haverá o agravamento de um quadro que já é reconhecido, inclusive pelo então candidato, hoje, reitor, no debate entre candidatos.

Em suma, seria bom que a euforia pela vitória não fosse utilizada como anestésico para os problemas, mas como capital político indispensável para a reversão do quadro que se avizinha.

A USP até há pouco tempo era o créme-de-la-créme do Brasil, e agora vai ladeira abaixo. Uma combinação mortal: Governos autoritários e lenientes com a comunidade acadêmica e com a pesquisa, comunidade acadêmica subserviente, gastos mal explicados, uma boa dose de "populismo acadêmico", etc, etc, etc.

Agora, se você acha que está tudo bem, ok, falamos mesmo de Universidades diferentes!

Um abraço.

Anônimo disse...

"complicada herança deixada pelo seu antecessor" ?

que complicada herança ?

- O pagamento das dívidas trabalhistas ?
- O enquadramento e as progressões ?
- A aprovação da correção salarial da tabela do PCV ?
- Os NOVÍSSIMOS PRÉDIOS ?
- As salas de aulas equipadas com equipamentos de informática de última geração e ar condicionado ?
- As bolsas para os alunos de graduação (quase todos têm), as bolsas de extensão, mestrado e doutorado ?
- A melhoria da qualidade de vida no campus ? (coral, judô, oficina de teatro, tai chi chuan, capoeira, etc.)
- Um bandejão enorme e lindo para toda a comunidade SE ALIMENTAR com DIGNIDADE ?
- A nova frota de carros e ônibus da universidade ?
- A nova e equipada garagem ?
- A reforma e pintura dos prédios ?
Não há nenhuma herança complicada.

Anônimo disse...

Quem conhece a UENF e quer vê-la entre as melhores só pode concordar com a abordagem do blog. Quem ri, deve fazer parte do pessoal da atual administração. O triste é que os votoriosos no pleito de ontem também. Como esperar algo de bom,melhorias nos cursos, consulta à comunidade acadêmica,transparência nos gastos,etc de quem já está naadministração e nada contestou. Trata-se da continuidade do quejá existe.Pior impossível

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Você tem todo o direito de torcer para essa ou aquela gestão. Isso é do jogo democrático. O que não pode é distorcer fatos, e espancar a realidade até que ela aceite se curvar aos interesses desse ou daquele grupo.

Bom, uma greve de meses não nos autoriza dizer que há um clima de satisfação na Universidade. E claro, a questão salarial não é da conta do reitor, e sim do governo.

Mas não foi justamente o relacionamento "privilegiado" com o governo e setores dele(SECT)que é um ds grandes trunfos da atual gestão, que inclusive garantiu as verbas para as intervenções físicas que você acha "lindas"?

Ar condicionado e computador são ótimos, mas não resolvem o problema acadêmico, são apenas instrumentos, e não objetos de deleite classe média, meu caro.

Veja, você cita as bolsas, e não diz que parte delas, ou seja, parte dos recursos dessas bolsas têm financiamento externo do orçamento uenfiano, e que só são possíveis pela excelência dos pesquisadores e relevância de suas pesquisas, justamente o que vem caindo na Universidade.

E isso não foi nenhum opositor que disse, foi o candidato da situação, ao reconhecer que a situação não é boa!

Eu estava lá, e você não vai querer me dizer o que eu ouvi,vai?

Bom, vou reafirmar aqui meu ponto de vista: Pintura, prédio, etc, etc são patamres mínimos para se exercer qualquer função, logo, não devem ser utilizadas como vantagem comparativas.

O que difere a UENF das outras não são suas "lindas instalações", e sim o seu corpo docente e técnico, que estão ameaçados.

Eu vejo que o resultado desse processo de empobrecimento da capacidade de discernimento já comea a dar "frutos", e o seu depoimento, me desculpe, é exemplo acbado disso.

Como a eleição e democracia tranformaram-se de meios a fim em si mesmas, onde se manter no poder é mais importante que as transformações que ele possibilita.

Mas como disse, é melhor democracia com defeito a um autoritarismo perfeito, portanto, quem sabe a UENF não consegue verbas para pesquisas alugando sua novíssima frota ou suas instalações para convenções, workshops e saraus? Quem sabe o bandejão não se adapta para buffets e casamentos?

Seria também um boa forma de aproximar a distante elongínqua universidade da comunidade, rsrs!

Um abraço, e grato pela participação.

Anônimo disse...

Rir é a solução. Pior é assitir aos inúmeros professores Flores (novela Ribeirão do Tempo), sociopatas e psicopatas negativistas de carteirinha que existem por aí a criticarem a universidade num discurso sem fim da mesmice tosca oriunda do vazio emocional em que vivem.

Anônimo disse...

Deixem de lado a psicopatia social e procurem analisar os fatos com clareza: mais de 70% dos votos dos técnicos administrativos, mais de 50% dos votos dos professores e mais de 60% dos votos dos alunos para a chapa apoiada pela reitoria. Ou seja, sem psicopatias sociais, a vitória de Silvério mostra que a UENF está no rumo certo. Os problemas que porventura surgirem serão solucionados com certeza.

douglas da mata disse...

Caros comentaritas,

Eu não vou ceder a tentação e desqualificar o processo democrático da Universidade, como aliás, alguns setores dessa Universidade fazem ao analisar o processo eleitoral da nossa região, por exemplo.

Ficaria fácil e óbvio dizer que maioria dos votos não diz muita coisa, até porque Hitler teve maioria dos votos e chegou a chanceler em 33, na Alemanha.
Bom, chegamos a conclusão óbvia, então, de que a maioria alemã o queria, e ponto!

E é isso que me preocupa, embora não caiba a mim questionar resultado de urna: A maioria da UENF prefere o atual modelo, e sequer consegue desvinculá-lo das suas implicações com o governo estadual que mantém a UENF de joelhos.

É esquizofrênico querer melhores salários e votar no reitor que está no bolso do governador, mas como eu disse, quem sou eu para questionar?

Eu sempre fico preocupado, também, quando vejo o debate ser substituído pela adjetivação do outro. Isso é sintoma clássico da falta de argumento.

Resta lembrar que mandato conferido nas urnas não é carta branca para cometer asneiras, e tampouco democracia pressupõe extinção das críticas, ainda que minoritárias.
Bom, pelo menos para quem acredita que Democracia é mais que quantidade de votos.

Fica só o registro: "(...)sociopatas e psicopatas negativistas de carteirinha que existem por aí a criticarem a universidade num discurso sem fim da mesmice tosca oriunda do vazio emocional em que vivem.(...)"

Pelo jeito, a UENF inaugurou um curso relâmpago de psquiatria, e já tem até especialista, rsrsr.

E mais:"(...)Ou seja, sem psicopatias sociais, a vitória de Silvério mostra que a UENF está no rumo certo. Os problemas que porventura surgirem serão solucionados com certeza. "

Mais um pouco de adjetivos e mais pobreza intelectual:
Quer dizer que a eleição da prefeita em Campos, por exemplo, nos autoriza a dizer que estamos no rumo certo? Quer dizer que então Collor, por que foi eleito, estava no rumo certo e a sociedade deu um golpe?

Os problemas surgirão e serão solucionados por combustão espontânea e a chuva os apagará?

Ué, eu pensei que cientistas pesquisassem a origem, os efeitos e soluções para fenômenos e problemas.


Um abraço.

Anônimo disse...

Quando a UENF foi instalada em Campos acreditava-se que os ventos trazidos do pensamento crítico que é uma das marcas das Universidades poderiam contaminar Campos e fazer com que esta cidade pudesse prosperar tanto politicamente, quanto socialmente.

Entretanto, ao fim de mais um processo eleitoral, que nada ficou devendo a nossa politica local (apesar dos esperneios da "intelligentsia" uenfiana). Os ingredientes que cercaram esta campanha reflete que o nível educacional não se relaciona diretamente com a qualidade do eleitorado. Sem falar na ânsia, motivada muito mais pelo medo, da atual administração em fazer seu sucessor e continuar a nossa marcha, em passos largos para a mediocridade e para a subserviência completa ao governo estadual.

O que se opera hoje na UENF é o mesmo movimento que foi combatido por Darcy Ribeiro em sua fundação, quando as elites campistas queriam transferir os quadros de suas faculdades (professores e diretores) para a UENF e transforma-la em um dos seus tentáculos para o atraso.
Hoje através do achatamento salarial a UENF atrai para os seus quadros apenas aqueles que são de interesse do grupo que está no poder, transformando esta instituição em um palco de desmandos que se transveste somente na democracia eleitoral viciada.

No fim, é mais do mesmo. A uenf é uma Campos cercada de Campos por todos os lados.

Anônimo disse...

O problema da UENF e do resto de Campos é que as pessoas dão valor ao bens materiais em detrimento dos bens imateriais. Por este motivo vemos pessoas aqui defendendo, o cheque cidadão, TV de LCD, um empreguinho no posto de saúde, um cargo comissionado na reitoria, uma bolsa de extensão com renovações eternas para esposa, entre outros...

Anônimo disse...

Realmente a elite uenfiana que, em sua maioria, sempre desdenhou dos campistas, foi às urnas dizer que a oposição séria, honesta,voltada para os ideais que nortearam a criação da UENF, não conseguiu convencê-los a votar nas chapas 10 ou 12. Aclamaram a 15 (o continuismo Almy), embasbacados com pintura externa, restaurante, TVS, cargos comissionados,bolsa esposa, etc.Parece que finalmente a elite uenfiana se deixou seduzir pelo estilo de vida interiorana que tanto os envergonhava.A UENF já pode se considerar uma filial da Prefeitura de Campos. Parabéns e vamos à luta !!! Que tal a bandeira do "vale xerox"?

Anônimo disse...

Ideias para extensão universitária:

- Acho que no carnaval a UENF deveria dar o "Vale Camisinha". Além é claro de distribuir camisinhas para seus alunos/professores/funcionários.

- Também deveria ser liberado o acesso ao restaurante a toda comunidade pobre da região.

- Deveríamos criar um posto de saúde dentro da universidade.

- Deveríamos liberar o acesso aos computadores e as bibliotecas da UENF.

- Os professores da engenharia civil deveriam fazer projetos gratuítos para comunidade carente (inclui-se aí os próprios professores da UENF).

- Professores das licenciaturas deveriam auxiliar nas aulas dos colégios de Campos.

- Os setores de compra e administração da UENF poderiam ajudar a comunidade, e a prefeitura de Campos, fazendo levantamento de custos/orçamentos para comunidade local.

- A frota de veículos deveria ser liberada para transporte das pessoas da localidade. Exemplo, um morador do bairro precisa de transporte para hospital, a UENF deveria atendê-lo localmente - no posto de saúde - e, se necessário, levá-lo rapidamente para o hospital mais próximo.

- A aprovação mínima de 90% deveria ser aprovada imediatamente!

- A exigência de presença deveria ser reduzida a 10%.

Afinal de contas, devemos fazer da extensão universitária o pilar mais forte da universidade com a cara e o jeito de Campos dos Goytacazes.

Dane-se o projeto pioneiro e aventureiro deste incopetente chamado Darcy Ribeiro, que privilegiava a Pesquisa - aqui em Campos ninguém quer saber disso.

Assinado:
Candidato a vereador
Pelo 15 é claro.

Viva Sergio Cabral nosso mito e exemplo politico!

Anônimo disse...

O anonimo acima esqueceu de mencionar que a UENF poderia estender a concessão bolsa de extensão não apenas para as esposas, mas também para os filhos, enteados, sobrinhos, afilhados, amantes, pais, avós e outros parentes.

Quanto ao uso dos veículos acho que já existe algum projeto no sentido mencionado pelo anonimo, visto que a Revista que frequenta os pesadelos da administração uenfiana, já divulgou que a HILUX da UENF (o reitor da UnB caiu também por um carrinho que perto de uma HILUX é mixuruca) ficava estacionada durante vários dias da semana em um condomínio em frente a UENF servido as necessidades privadas de um funcionário.

Longe de mim fazer qualquer referência as práticas do poder local com as da administração da UENF...

Anônimo disse...

Deveríamos mudar o slogan da UENF de "Universidade do 3º Milênio" para algo que corresponda mais com a realidade. Poderia se chamar assim: "UENF: a legítima Universidade de Campos dos Goytacazes."

Deste modo, estaríamos fazendo uma homenagem mais do que justa a classe politica de Campos que teve um papel determinante (por imitação) no cultivo das práticas administrativas pautadas no obscurantismo e no autoritarismo.

P.S.: espero que o pessoal responsável pelos concursos do IFF não fiquem com inveja e nem queira me roubar a ideia. rs