terça-feira, 22 de março de 2011

Vaca das divinas tetas!

Socorre-me o professor Roberto Moraes dessa recorrente preguiça de escrever que tem me assolado. Diante do seu texto sobre o número de servidores, e o gasto para mantê-los, é impossível ficar impassível.

Primeiro é bom que se diga: Não cairemos aqui na armadilha dos "especialistas" e "consultores" de gestão, que se apropriariam desses números para sentenciar que um alto custo com o serviço público é um prêmio injusto a ineficiência dos servidores. Não é nada disso, embora as aparências possam sugerir tal assertiva!

Se a ação do Estado é, em suma, voltada para o bem estar público, logo, não haveria nada demais que se gastasse com burocracia(lato sensu) estatal, desde que os resultados desses gastos revertessem sempre na melhoria dos serviços prestados.

Não é o que vemos aqui, e nas outras cidades que recebem bilionárias quantias, como indenização pela exploração da atividade petrolífera.

Gasta-se muito, e muito mal.

Vamos a algumas partes do texto do professor Roberto:

"Com um gasto de R$ 535,4 milhões, no ano de 2009, o município de Campos ficou em 22º lugar, entre os 5.563 municípios brasileiros, incluindo as capitais, em tamanho de gasto para pagar pessoal.
 É oportuno relembrar que aqui não está o grosso do que é pago com pessoal terceirizado nas diversas secretarias(grifo nosso). 
Campos tem um custo de pessoal por habitante (fora as terceirizações) de R$ 1.233,81.
A média de gastos entre todos os municípios de mesmo porte que Campos dos Goytacazes no país com pessoal é de R$ 663,92. Comparando com os municípios da região Sudeste a média é de R$ 771,25.
 (...)
 Nº de servidores em Campos
O número de servidores públicos ativos em Campos é extraordinariamente maior do que em outros municípios. A tabela abaixo permite uma rápida comparação com alguns municípios de médio porte do país. Campos tem 48,1 servidores para cada mil habitantes, contra, 38 em Volta Redonda, 32 em Governador Valadares, MG, 12 em Sorocaba, SP, etc.
(...)"

Como o quadro é semelhante em diversos outros municípios "produtores", é razoável supor que se trata de um efeito local, proporcionado pelo gigantesco aporte de receita promovido pelos royalties.

Então, seria também razoável supor que a qualidade dos serviços prestados, e o nível que profissionalização e satisfação dos servidores desse município fosse proporcional a essa montanha de dinheiro que se gasta com funcionalismo.

Infelizmente, sabemos que não, ou seja, o dispêndio de tanto dinheiro não resultou em serviço público de qualidade e qualidade de vida para os servidores.

E por que?

Ora, porque a opção política dos gestores desses municípios foi adotar o modelo garotista, onde há uma desprofissionalização da administração pública, com o deterioramento das carreiras públicas, como professores e médicos, assediados pelo crescimento das contratações precárias e as terceirizações

Então, não dá para recorrer a "demonização" do servidor municipal de "carreira".
A relação promíscua da partidarização da prefeitura e sua divisão em "feudos de influência", a cargo e alidos e parlamentares, destroça o "amor próprio" do servidor concursado, já que o seu acesso por concurso público é prostituído pelo acesso possibilitado pelo puxassaquismo.

Assim, o dinheiro dos royalties que poderia funcionar como um indutor da eficiência do funcionalismo e da máquina pública, se transforma em peso extra e emperra seu funcionamento.

A população, que percebe o fracasso dessas políticas públicas, resta o "beija-mão" dos lugares-tenente dos prefeitos, onde direito vira sinônimo de favor!

Essa é outra face perversa da prefeiturização da vida das cidades contempladas pelo dinheiro do petróleo, e se misturam em um estranho círculo: Como todo esses valores parecem engessar as economias locais, uma das únicas possibilidades de sobrevivência das populações e do setor produtivo é contratar com as municipalidades. Diante disso, os grupos políticos que se revezam no poder, manipulam essa demanda sócio-política e econômica, para se perpetuarem no poder.

Uma permanente e irreversível catástrofe! Nossa versão moderna do Leviatã antropofágico!

4 comentários:

Anônimo disse...

A Prefeitura de Campos segue um modelo colonialista-escravagista,emprega cabos eleitorais, compadres,amigos de antigamente, enfim o pessoal que vai para a luta na hora da eleição. Mudam alguns atores dessa tragicomédia,mas a realidade e as intenções são as mesmas entre os vário ocupantes do cargo.Resultado: excessode gastos (só alguns ganham muito),serviço péssimo, despreparo total e o dinheiro indo embora.Fico pensando se esse dinheiro fosse usado emeducação de qualidade,saúde, obras de infraestrutura, capacitação profissional,etc teriamos uma Campos com progresso,empregos,aumento derenda...Mas aí quem ia votar nos mesmos sempre?E se surgissem liderançasmodernas realmente preocupadas com o bem estar do povo? Dói muito ver tanto egoísmo e sede de poder, enquanto o povo sofre. Acho que os empresários, professores,médicos, enfim todos os seguimentos da socciedade deveriam acordar paraisso e iniciar um movimento por uma Campos melhor, nós merecemos.

douglas da mata disse...

Caro comentarista, concordo com quase toda sua análise, no entanto, permita-me, democraticamente, discrodar de alguns pontos:

É verdade que há uma relação entre favor e voto, ou, demanda e representação política, o que sugere um fisiologismo (ou clientelismo) crônico.

Mas esse "mal" não é exclusividade dos pouco instruídos, ou dessassistidos.
Há muito mais clientelismo nos escalões superiores da sociedade, mas disfarçado sob outros nomes, como "incentivo fiscais", ou outras intervenções que, na verdade, aumentam o patrimônio de quem já é privilegiado. Esse clientelismo custa muito mais que os empregos ou favores dados a ralé.
Como o fato, por exemplo, de se gastar zilhões em ruas e vias expressas em detrimento de um transporte público digno e eficiente. Pergunto: existem mais proprietários de carros ou pedestres?

O movimento político que deve redimir essa cidade não deve se restringir aos estratos "esclarecidos" dessa cidade, pois o Estado já os beneficia em quase tudo.

Há de se ter um consenso muito mais amplo, de cima a baixo de nossa comunidade, que nos traga a percepção que esse modelo farinha pouca meu pirão primeiro, vai fazer acabar a farinha para todos!

Um abraço, e grato pela participação!

Anônimo disse...

Boa Noite,

Acho que nãoconsegui deixar claro que esse fisiologismo abrange todas as classes sociais,enquanto os menos favorecidos se agarram a um empreguinho, os melhores aquinhoados se locupletam. O problema é que precisamos de serviços deboa qualidade para preparar mlhor a população e fim das boquinhas. Quanto às ruas, gasta-se muito nelas,mas para variar mal, porque vivem esburacadas e o trânsito uma barbárie. Quanto aos menos favorecidos,continuamdependendo de um serviço de ônibus deplorável e vans apavorantes. Lamentável.

douglas da mata disse...

Caro comentarista, mais uma vez, obrigado pela participação.

Esse blog tem uma preocupação permanente em apresentar críticas ao nosso processo político, sem criar "categorias", onde o clientelismo/fisiologismo dos mais pobres seja visto como pior, ou que as escolhas destes sejam piores.

No final, todos escolhem para resolver suas demandas imediatas. Aqui, o dolo dos nossos dirigentes é ampliar e privilegiar essa relação de troca imediata, sem tocar nos temas que ultrapassem as necessidades de cada grupo, e atinjam o interesse de TODO o público de forma perene e abrangente.

Mas uma democracia ruim é melhor que o mais eficiente autoritarismo!

Um abraço.