quarta-feira, 16 de março de 2011

Pequeno conto de lama!

O auto da descompadecida!

Como na obra de Suassuna, Dora traía e matava a memória de seu amor todos dias. E como uma dama da lotação, deitava com todos que viessem, brancos, negros, ricos, pobres, altos, baixos, gordos ou magros, que tinham em comum só o fato de não terem rosto ou nome.
Ficava na janela, à espera do seu amor que não vinha te pedir: Perdoa-me por me traíres! Não ele nunca veio!

E como Dora não conseguia matar o seu amor por ele, e como já não havia mais cangaceiros que pudessem lhes fuzilar juntos, ela e seu amor, ela se descompadeceu de si mesma e pendurou-se na corda do sino da Igreja, que badalou como se chamasse os fiés para acreditar no amor verdadeiro!

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