quarta-feira, 2 de março de 2011

Impressões sobre o debate da UENF!

A primeira impressão é que há um enorme potencial democrático e de exercício democrático na Universidade, haja vista o auditório estar quase lotado, fato relevante, se considerarmos o período pré-carnavalesco e a greve.

Há uma vida política interessante na Uenf, mas ao que parece, seus líderes ainda estão aquém da possibilidade de explorar essa característica.

O pouco que vi e ouvi, não havia grandes novidades no discurso, e se fosse para convencer alguém, os candidatos não lograriam êxito.

A lenga-lenga pró-Universidade, expansão, extensão, reforço na pesquisa, na inovação, etc e etc, só foi quebrada pela constatação de que a UENF, e sua nova direção, não poderão mais ignorar o fato de que a Universidade está definhando, e perdendo seu conceito no cenário nacional.

Houve a revelação por dois candidatos de oposição, os da chapa 10 e 12, de que a CAPES, que classifica os programas de pós-graduação (pesquisa, justamente a principal vocação da Universidade), fará o descredenciamento de três deles, o que afastará investimentos e verbas para novas pesquisas nesses centros e seus laboratórios.

Instala-se um círculo vicioso fatal: Menos dinheiro, menos pesquisa e pesquisadores, menos publicações, conceitos mais baixos, menos dinheiro, e por aí vai...

Associada a um política salarial omissa, e uma política de sucateamento da UENF, promovida pelas últimas gestões estaduais, junto com reitores dóceis, a Universidade vai perdendo professores/pesquisadores, atraídos por melhores salários nas Universidades Federais.


O candidato da chapa 15, a chapa da situação, não conseguiu convencer que fará diferente, e que pretenda promover as mudanças necessárias, uma vez que seu suporte político é, justamente, defender o que foi realizado, e que pelo que se vê, é muito pouco diante da grandeza que a UENF requer.

2 comentários:

pedlowma disse...

Douglas,

Creio que sua análise foi muito caridosa em relação ao que foi o debate. O problema é que a atual reitoria conseguiu rebaixar tanto o nível das discussões e práticas dentro da UENF, que este debate eleitoral não podia ter sido muito diferente. O problema central que se apresenta, especialmente para as chapas de oposição, é de como conseguir discutir elementos estratégicos num cenário de tamanha pobreza intelectual. Afinal de contas, só assim para se explicar que o candidato indicado pela reitoria tenha tido que recorrer não apenas a perguntas previamente escritas, mas também à leitura de réplicas e tréplicas previamente preparadas. Assim, fica realmente difícil.

douglas da mata disse...

Caro Marcos,

Eu fiquei pouco no debate, por motivos pessoais.

Como "convidado" não quis ser muito antipático, rs, rs!

Mas a impressão é de um incômodo geral, mas todos ficam agastados em denunciar, como se isso fosse "diminuir" a instituição.

Aliás, essa é uma tática muito utilizada por quem faz tábula rasa dos processos políticos, ou seja, empobrece o debate e coloca o rótulo nos críticos de inimigos da instituição.

Pelo que vi e ouvi, todos concordam que a UENF está mal, mas têm medo de gritar isso bem alto, como se fossem diminuir sua condição pessoal de professor em uma instituição, justamente porque ela está em crise.

Outro fator assustador é a subordinação a agenda do governador. Como se a Universidade não fosse capaz de propor suas saídas e mobilizar-se em torno delas. Isso, para uma Universidade com 100% de doutores em seu quadro docente é muito ruim.

Essa prostração submissa em relação ao governos fez com que os candidatos sequer utilizassem sua autonomia para debater seriamente as causas, efeitos e soluções. Se não tem autonomia no debate, como ter autonomia na gestão?

Eu me preocupo muito com a Uenf, e saí de lá entristecido com essa situação.

Um abraço.