sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A voz do PIG em uma frase!

Para dar a dimensão e gravidade às suas inserções sobre a queda de Mubarak e a revolução no Egito, a vênus platinada escalou o pit-bonner.

Ainda que falasse em tom falsamente sóbrio, o locutor escorrega e sapeca uma frase que desnuda a hipocrisia que reina na mídia sobre os eventos no Oriente Médio, e sobre geopolítica em geral:


"(...)cai um dos governos mas estáveis da região(...)"

Lógico que não interessa aos hommers simpsons, que assistem e acreditam em pit-bonner, que estabilidade não é, nem nunca foi adjetivo para governo que se mantém no poder a custas de exclusão, corrupção, violação de direitos humanos, eleições arranjadas, tudo financiado pelo Departamento de Estado do Império.

6 comentários:

Marcelo Bessa disse...

Ah, Douglas, o cara falou no sentido de que até pouco tempo o governo não era questionado e nesse sentido é verdade. Não tinha adjetivo nenhum e nem essa de PIG, por favor...
OBS: é claro que quanto ao restante achei ótimo o povo do Egito buscar seus próprios caminhos.

douglas da mata disse...

Marcelo, meu caro, vou repetir um chavão gasto:

"O que fixa o discurso não é a fala, é o ouvido" de Pierre Bordieu.

Logo, eu escrevo a partir da interpretação que tenho dos fatos, com as informações que reúno ao longo do tempo.

Se você gosta de acreditar que pit-bonner é só um "neutro" locutor de textos "neutros" do jornalismo da globo, ok, é seu direito.

Mas a história, da globo e do bonner, me autorizam a desconfiar e denunciar cada letra que ele fala.

Existem vários adjetivos para a situação, e você como escritor, professor e que usa a língua de forma muitíssimo apropriada, sabe que "estável" NUNCA poderia ser utilizado como adjetivo para aquele governo.

Se considerarmos a cobertura vacilante(não de propósito, é só olhar para a pendular postura de Washington)da globo, a minha "interpretação" não está tão deslocada assim.

Outro detalhe: Não é certo afirmar que o governo não era questionado. Ele(o governo) sufocava esse questionamento com a repressão brutal, eleições fajutas e o auxílio da mídia internacional. O resultado está aí: Explodiu a revolução que sepultou o ditador.

Desse jeito, parece que não havia nenhum questionamento e, de repente, por combustão espontânea, surgiu a revolta.

Sabemos que a História e os fatos não acontecem assim.

Para onde quer que se olhe, e mesmo se considerar correta a sua interpretação, está aí a tentativa de manipulação.

Um abraço.

Anônimo disse...

Acontece, meu caro Douglas, que quando o ouvido é de uma pessoa que trilha pelo caminho do consevadorismo,as interpretações não podem ser diferentes.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Não tenho problemas com o conservadorismo, ainda mais quando ele se assume dessa forma.

Eu acredito na Democracia que legitima e reconhece todos os "ismos": O progressismo, o conservadorismo, etc.

E cada vez é mais difícil "delimitar" os contornos desses "ismos", embora eu bão acredite naquela chorumela de fim das ideologias, das classe e da História.

Em alguns tópicos, eu também gosto de "conservar":

Conservar a Democracia, a Lei, a distribuição de renda, a justiça social, e por aí vai.

Um abraço e grato por contribuir com o debate.

Marcelo Bessa disse...

Seria eu "conservadorista"? kkkkk
Ou eu apenas não vejo obrigatoriamente apenas o mau na Globo? rsrsrsrsrs
Detalhe: não abordei em momento algum o tema "neutralidade". Só lembro que "neutra" nem a Carta Capital é (aliás, é mais tendenciosa que a Globo, mas aí é outra conversa)...

douglas da mata disse...

Marcelo, se entendermos adotar uma posição política como "tendenciosa", isso é verdade, a Carta tem, explicita e ninguém lê enganado.

O problema é ter posição (tendência) e escondê-la sob o manto da falsa imparcialidade, e vender opinião como fato e notícia, como fazem a globo e seus acessórios.

Mas ainda assim, as críticas mais contundentes sobre o governo Lula, desde a questão da política monetária(juros altos), direitos humanos, caso battisti, o caso daniel dantas, carência de infra-estrutura, críticas a política ambiental, dentre outros problemas, foi publicado nas páginas tendenciosas dessa revista.

Um abraço.