terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Funk Como Le Gusta - "Manual do Funk Nacional" - Trama/Radiola 18/05/09


Atendendo a pedidos, seguimos com a cena alternativa, independente, ou qualquer outro "rótulo" que encaixe os que não foram rotulados e catalogados pela indústria cultural.
Bom, pensando bem, a faixa de mercado ocupada pelos "sem-mercado" é destinada àqueles que se pretendem: "vanguarda".
Fora toda essa besteira classificatória, bom mesmo é descobrir música, e se divertir, porque afinal, é para isso que a criação deve servir: contemplação e entretenimento.
Essa BigBand de São Paulo, criada na década de 90(de acordo com a Wikipédia), já é um pouco conhecida, e faz a seu jeito, a fusão samba-soul-funk-rock.
Um traço comum entre essa bandas é o humor, manifestado nas letras, no figurino e na atitude. Meio kitsch, meio oversized. Uma herança da Tropicália? Não sei.
Uma das maiores dificuldades para a difusão desses grupos, em nossa rasa opinião, além das rejeições óbvias da "máquina de pausterizar gostos", que conhecemos como "mercado", é o tamanho das bandas que dificultam sua contratação e deslocamento, e por último, a convergência dos projetos pessoais dos integrantes, que em busca de sobrevivência, acabam por militar em outras áreas, ou emprestam seus talentos como coadjuvantes de outros artistas mais famosos.
A banda que apresentamos abaixo, a Móveis Coloniais de Acaju procura se defender com um esquema próprio, baseado na promoção de seu próprio festival, e o completo domínio sobre todas as etapas de produção, divulgação e comercialização de conteúdo.
Mas ela é uma exceção.
Infelizmente, a miopia dos gestores das políticas públicas de cultura do país, e por que não dizer, dessa bilionária cidade, impede que o Estado atue como um fator de equilíbrio entre a enorme demanda pelos grupos já consolidados, que só verticaliza e torna o "gosto" homogêneo, e outras manifestações culturais que sofrem de inanição e abandono.
A "desculpa" é sempre a mesma: "Não dá público", como se um órgão de cultura tivesse o compromisso da "quantidade", como se fosse um empresário do ramo.
Não se trata de impor "gostos", mas possibilitar escolhas, formar os olhos e os ouvidos para a diversidade, e depois deixar que o público decida. No entanto, reféns dos "esquemas" de superfaturamento e do "pão-e-circo", que privilegiam os que já não precisam de dinheiro público para sobreviver, o poder público vai matando nossa cultura aos poucos, enquanto se submete a lógica do showbusiness.

4 comentários:

TEQUILA E AFINS disse...

Talvez se fossem as popozudas e cia o governo ou empresários iria/iriam querem patrocinar! Mas vale uma pergunta: o povo curte pão e circo ou o Estado/mídia impõem ao povo?
Abração e parabéns pelo post.
Leandro Tavares.

douglas da mata disse...

Caro Leandro,

O problema não é a natureza da manifestação artística.

A "escolha ou gosto" é sempre arbitrária, quer dizer, cada um curte o que gosta.

Logo, não nos cabe argüir, nem hierarquizar o "gosto cultural" de ninguém.

O que propomos ao debate é o combate a pasteurização do gosto, como uma imposição do mercado, e apoiado pelo Estado, que acaba por virar um agenciador dessas manifestações e desse esquema.

Ninguém imagina deslegitimar um baile funk como manifestação cultural ou o sertanejo, não é isso.

Mas o problema é que "as popozudas" parecem ser a única "escolha" disponível, e isso não é verdade.

Essa premissa colocada (povo/pão/circo/Estado/mídia) por você, como destacamos no texto, é falsa, porque os "gostos" são formados e construídos. O que a indústria cultural faz é unificar esses "gostos" para mercantilizar a arte. Aliás, em um país democrático, a indústria cultural, de certa forma, tem o direito de escolher seus caminhos, desde que deixe o dinheiro dos impostos de lado.

O que defendo é que o Estado entenda seu papel mobilizador e formador de outros olhares sobre a cultura. O dinheiro público não deve servir para "incrementar" o esquema de divulgação daqueles que já estão consolidados no mercado cultural, pelo menos, não como prioridade.

Esse é um debate superdelicado, que por vezes, e propositalmente, alguns interessados misturam a "liberdade de escolha", dirigismo cultural, liberdade de manifestação, manipulando as informações para garantir a prevalência dos seus interesses.

Um abraço.

Dêngoles disse...

Cara, Funk Como Le Gusta tem um som único! Os caras são MUITO bons.... Parabéns aê por lembrar! Infelizmente, as pessoas vêm o Funk hoje como aquele barulho que elas ouvem nos carros passando e nos altos falantes de celulares alheios no ônibus! =S

douglas da mata disse...

Obrigado pela visita, meu caro, mas veja:

Creio que a chave não é a hierarquização das manifestações culturais, e talvez o "barulho" produzido e ouvido nos ônibus e outros lugares mais "populares", deem a base para o "refinamento" promovido pelo FCLG.

Em um tempo qualquer, Benjor já foi tratado como música de categoria inferior, assim também como o blues, o jazz e o samba, hoje celebrados como "cult".

No fim das contas, tudo serve a indústria de produção de bens culturais de massa, que, aí sim, você razão, empastela tudo e repete infinitamente, destruindo a diversidade.

Um abraço