quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A Frente atolada no lixo!

Dentre todas as incapacidades da frente democrática sem povo, já diagnosticadas, existe uma intransponível: A ausência de autoridade "moral" para tratar certos temas.

Conseqüência óbvia do fato de terem cometido ou se locupletado de situações que agora pretendem discutir e superar.

Um dos maiores problemas dos centros urbanos, de quaisquer tamanhos, é a coleta e processamento (depósito, reciclagem, etc) do resíduo sólido, popularmente conhecido com lixo.

Em uma análise pseudosolciológica ou pseudo-antropológica desse espaço pseudo-intelectual, podemos dizer que o lixo traz em si  o recorte de classe das sociedades, no qual podemos  identificar e reconhecer os estágios de riqueza e desenvolvimento social de uma comunidade. Ou melhor: "seu estado civilizatório".
Há, portanto, lixo de pobre, lixo de rico, lixo tratado e lixo maltratado, lixo coletivo, lixo individual, lixo industrial, etc, etc, etc.

Nossa "Frente" seria algo com "entulho político".

Foi no (des)governo mocaiber, no apagar das luzes, que se celebrou um dos maiores contratos (em termos absolutos e proporcionais) de coleta e tratamento de lixo do Brasil, lógico, correspondente a um orçamento bilionário.
Contrato esse intocado no governo atual, a despeito da prefeita se apresentar com a negação e mutação de tudo que de ruim que foi feito.

As "correspondências" ou "coincidências" terminam aí, pois embora sejam valores estratosféricos (cerca de 550 milhões em dez anos, ou 55 milhões por ano, ou mais de 4 milhões por mês), a nossa coleta ainda está no século XIX, e se não fossse a abolição de 1888, ainda veríamos os tigres* a carregar excrementos para jogar no Paraíba.

Por motivos óbvios, a agenda da "Frente" não toca no assunto, que fedia antes e fede agora! Foi sob a cumplicidade de alguns de seus próceres que essa "sujeirada" se instalou.

Um dado precocupante:

Saneamento e coleta de lixo são indispensáveis às políticas públicas de saúde. Mantra cantado e decantado por todos sanitaristas.

Não é à toa que sofremos endemicamente com a dengue. A despeito de tentarem te fazer acreditar que a culpa e a responsabilidade maior pelos criadouros do vetor é o seu vasinho de planta, o que torna a doença uma tragédia anual e perene é a falta de coleta e processamento de lixo e esgoto à céu aberto e sem tratamento.




*tigres: Escravos que levavam os excrementos e resíduos sólidos, nas costas e em grandes cestos, para serem despejados nos mananciais. O apelido se dava porque o chorume escorria e marcava e descoloria a pele em listas, como o felino.

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