terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Crash: No limite!

É inegável que Crash, um filme de Paul Haggis, é um filme datado. Ele existe porque existiu um 11 de setembro. Mas as tensões, os conflitos, os medos, as fobias e tensões sociais, preconceitos, violência e intolerância estão entre nós há mais tempo. Desde sempre. Entre os estadunidenses, principalmente, assume contornos peculiares, que explodem a presença de um evento tão dramático como o ataque terrorista da Al Qaeda.

Por isso, eu assisti ao filme, hoje e a dois meses atrás, e tive a impressão de que os fatos se encaixam em qualquer tempo. O roteiro saca uma manjada estratégia, de cruzar histórias pessoais dos personagens, aparentemente, sem quaisquer relações, mas que se tocam, ou melhor, se chocam (daí o nome, crash=colisão) em algum ponto do enredo.

É como se o roteiro (ganhador do Oscar em 2005) dissesse que não há inocentes, e somos apenas culpados de sermos nós: humanos.

Esse ponto de inflexão, em meu rude olhar de espectador ignorante das artes cênicas, só pode ser dado na dimensão exata com o enfoque dado pelo filme: O viés personalíssimo de cada gesto, cada medo, cada olhar, que acontecem movidos como se por acaso, como gostaríamos de acreditar, mas que, lá no fundo, bem no fundo tem uma causa única: O medo!

Um elenco caprichado, com destaque para Matt Dillon (impossível não acreditar que ele é racista, policial, canalha, mas heróico) e seu "oposto" Ryan Phillipe (o tira bom e com princípios, que não o levam muito longe daquilo que ele rejeita), e Tandhie Newton, como a esposa ultrajada, às voltas com seus próprios recalques em relação a si, aos outros, sua condição e como se portar (ou não!). A sua colisão com seu destino está alem da possibilidade próxima da morte física. É a sua morte metafísica, representada no seu renascimento pelas mãos que a violaram!

Mas não tenha dúvidas, o cinismo do filme não é uma desculpa ou apologia ao preconceito. De um jeito ou de outro, o preconceito está lá, e nos MATA!

Não é um filme indicado para os hipócritas. Bom pensando bem, é um filme para todos nós: Os hipócritas, e o que pensam que não são!


Bom divertimento.

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