segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Camisa de Vênus - Só o Fim



Marcelo Nova e sua banda tinham por missão incomodar.
Camisa de Vênus foi o nome escolhido, de acordo com o próprio bandleader, que misturava rock'a'billy com rythim'n'blues, e outros subgêneros do rock, e trazia em suas letras crítica ao status quo e ao establishment, permeado com humor quase negro (Bete morreu, por exemplo).
Nos tempos do ocaso da censura, suas músicas eram alvos prediletos. O LP com o show gravado na Praia do Gonzaga, em Santos, com as versões sem cortes de Silvia e My Way, era disputado, e ouví-lo era nosso ritual de transgressão.
Bons tempos.
Marcelo Nova foi discípulo e parceiro de maior "profeta do rock", Raul Seixas, cuja origem baiana roqueira, comum a ambos, dava um tempero perfeito.

Uma visão catastrofista e niilista de uma geração de uma década perdida. Bom, se olharmos em volta, muito pouca coisa mudou, e o mundo continua um lugar estranho!

Pelo jeito, ainda não é o fim, pois o fim está ainda no começo!

Só o Fim Camisa de Vênus
Se o chão abriu sob os seus pés
E a segurança sumiu da faixa
Se as peças estão todas soltas
E nada mais se encaixa

Oh, crianças, isso é só o fim
Mas isso é só o fim
Oh, crianças, isso é só o fim

Algo que você não identifica
Insiste em lhe atormentar
Você implora por proteção
Não sabe quando vai acabar

Oh, crianças, isso é só o fim
Mas isso é só o fim
Oh, crianças, isso é só o fim

E esse calor insuportável
Não abranda o frio da alma
A vida já não é mais tão segura
E nada mais lhe acalma

Oh, crianças isso é só o fim
Mas isso é só o fim
Oh, crianças, isso é só o fim

Sempre acordo angustiado
e apressado vai a rua
Mas mesmo assim acordado
O pesadelo continua

Oh, crianças, isso é só o fim
Mas isso é só o fim
Oh, crianças, isso é só o fim
Mas isso é só o fim
Oh, senhoras, isso é só o fim
Mas isso é só o fim
Oh, senhores, isso é só o fim
Mas isso é só o fim

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