segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Vítimas de si mesmos!

É claro que o incidente com o helicóptero do jornalismo da globo não foi causado por nenhum de seus funcionários.


Mas é impossível deixar de notar a ironia do desencadear dos fatos, no que tange a questão da segurança pública, e o comportamento dessa mesma mídia, e claro, de todos nós, sociedade e governos.

A cobertura da mídia sobre certos eventos, nos leva a crer que há "algo mais" por trás de tudo. E sempre há.

A cidade do Rio de Janeiro, há pouco tempo enfrentava, a julgar pelo "destaque" dos órgãos de imprensa, uma situação "pré-guerra civil".

Diuturnamente, fomos "bombardeados" pelos "ataques terroristas", imagens de todos os ângulos, entradas ao vivo, "especialistas de plantão", depoimentos emocionados, histórias de vida, heróis, vilões, e toda aquela parafernália repetitiva, maniqueísta e monocromática.

Como por um passe de mágica, o Rio de Janeiro pacificou-se! Sumiu do notíciário! "Apagou" com a mesma rapidez que queimavam carros e ônibus.

Quem consome informação pela globo tem a impressão que o Rio de Janeiro tornou-se um território livre do crime e da violência, uma idílica visão de uma laje de uma favela à beira da praia.

Logo, somos levados a pensar que o problema acabou, também por mágica, ou pela intervenção inconstitucional das forças armadas no Rio, antiga reinvindicação da classe média apavorada, das elites, e não por coincidência, da mídia conservadora.

Logo, os contribuintes e eleitores são levados a pensar que "soluções de força", usadas como fim em si mesmas, resolvem a questão complexa e diversificada da violência urbana e a criminalidade, que aliás, são "vendidas" como se fossem a mesma coisa, e que existam soluções "geniais", sempre vinculadas a uma determinada administração e a seu grupo político, como uma "marca".

Logo, os governantes são levados a imaginar que basta a conivência com a mídia, para gerar um clima de pânico que justifique TUDO, inclusive rasgar a Constituição, para apresentar soluções cheias de inventividade propagandística: UPP, delegacias legais, e um monte de outras siglas e nomes que servem fachada para a total ausência de coordenação, planejamento, avaliação e senso prático na condução de políticas públicas.

Um estranho e mórbido círculo vicioso: a mídia apavora a sociedade, a sociedade exige(geralmente, os setores que são ouvidos pela mídia)mais e mais "força", os governos dão o que todos querem, a mídia retira de pauta o clima de "terror", a sociedade esquece dos problemas, governos capitalizam, e os problemas seguem por debaixo do "tapete", até que a conjuntura exija novas "intervenções", com a mesma tônica.

Bom, parece que a globo, infelizmente, à custa do risco de morte de seus funcionários, "sentiu na pele" que o problema é mais embiaxo, e não adianta voar sobre ele!

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