domingo, 16 de janeiro de 2011

O ex-PT e o novo PT do b(acellar).

Não é a questão de nomes ou biografias pessoais que preocupa na questão (ou boato) da adesão do vereador marcos bacellar a seção local do partido do Lula, da Dilma, da Ideli Salvatti, mas também do hélio anomal, da odisséia, da neinha, do Zé Dirceu, e de tantos outros nomes que estão diametralmente colocados, mas inseridos em um mesmo contexto.

Não cabe aqui retocar e reafirmar um discurso moralóide. Quem quiser santos, vá a igreja (cuidado com os padres pedófilos!!!).

Não se trata aqui de achincalhar a conduta desse ou daquele, uma vez que a forma de financiar e patrocinar interesses políticos, dentro de partidos, parlamentos, esferas de poder executivo, enfim, na sociedade em geral, obedece a lógica da força financeira, quase sempre expressa sob o manto da hipocrisia legal-normativa, mal-disfarçada em esquemas de caixas dois, três, quatro, e por aí vão.

O vereador em questão não é estranho ao partido, e aqui já esteve, ainda que setores "cutistas" de então, dentre eles a própria vereadora de hoje, "denunciassem" a forma, digamos, heterodoxa, do sindicalista-eletricitário manter-se na presidência so STIEENF por uma dinastia, sob a suspeita de representar "mais" do que os interesses de sua categoria. Aliás, o referido sindicato ainda permanece sob sua zona de influência.

Essa fofocada infértil só serve para obscurecermos sentidos da audiência: interna e externa.

O debate é permanente ao PT, e é bom que assim seja, mas é preciso aguçar a percepção para que não desperdicemos energia.

Participei, junto com o atual presidente, de um grupo que questionava, fortemente, a filiação de Adilson Sarmet, seu sobrinho Pacelli, então integrantes do governo muda campos (versão original). Também nos opusemos, junto com o sindicalista Paulo Roberto Pereira Gomes do Sintttel, hoje radicado em Itaperuna, a filiação de Luciano D'Ângelo, dentre outros, senão me engano, o próprio Zé Luis Vianna.

Ingênuos, combatíamos a transformação do partido em um partido de "quadros", em detrimento de um partido de "massas", com enfoque na militância".

Lógico, a realidade se incumbiu de revelar nosso erro, em parte. Ótimos quadros, "reservas morais" do PT, estávamos errados na questão da personificação do problema.
Mas essa mesma realidade demonstrou que nosso receio não era infundado, e pior, estava subavaliado.

O PT, infelizmente, não se transformou em um partido de quadros em Campos dos Goytacazes. Se tranformou em partido de aluguel.
É claro que a mudança que o processo político experimentou nesses anos, com o encarecimento, industrialização, judicialização, midiatização, dando o aspecto de uma indústria profissionalizada de disputa por cargos eletivos, engoliu o PT também, e nele, justamente por sua origem e natureza, essas contradições ficaram mais explícitas, pois: uma mulher vestida de prostituta saindo de um bar não choca como uma freira fazendo o mesmo, ainda que as duas sejam mãe e filha, e o bar em questão promova um baile à fantasia.

Contudo, em nossa planície, e em nosso estado do Rio, essa metamorfose do PT assumiu contornos próprios.
Diz o adágio: a mulher de César deve ser e parecer honesta. O PT não só deixou de parecer, mas trilhou um caminho muito mais danoso a sua imagem: assumiu para si os defeitos do poder, sem nunca tê-lo exercido de fato nessa cidade.


Como se vê, ainda não superamos a questão, principalmente, porque ela é, e sempre foi falsa, em todos os sentidos.
Não há oposição entre ter quadros eleitoralmente viáveis, uma base intelectualizada e uma militância junto a sociedade, unida a uma base social mais ampla, ainda que menos orgânica. 

No entanto, essa  falsa oposição sempre serviu aos dois lados: aos puristas, para justificar o afastamento, um certo ar blasé, que reivindica os "acertos" do PT, enquanto, arrogantemente repudia os "erros", e aos pragmáticos, para justificar seus rolos compressores e sua adesão a qualquer um que tenha uma caneta ou peso político relativo junto a comunidade.

O que está em jogo no debate entre os ex-petistas e os adeptos do PT do b(acellar)não é a honestidade ou a forma republicana de encarar seus desafios e tarefas políticas na organização de uma alternativa de poder. Essa definição é sempre volátil, pois temos problemas na condução de prefeituras, secretarias, sindicatos, insitutos e universidades, etc, etc, etc.
Todos encaramos problemas éticos no dia-a-dia, e a vida nos incumbe de aprender que nem sempre fazemos a "melhor escolha", quer seja "emplacando carros no ES", quer seja "furando" um sinal, ou "tomando umas e outras" para depois dirigir.

O dilema principal é a histórica incapacidade de dois grupos que necessitam um do outro, mas optam pelo caminho da intolerância na ação política: os puristas não terão "voto", e os pragmáticos sempre se ressentirão do aval e da legitimidade que os primeiros obtêm na sociedade.

Esse trabalho, de catalizar essas visões, e unificar um discurso, aparando as arestas, deveria estar à cargo da presidência e de seus líderes partidários, uma vez que o exemplo do diálogo sempre deve vir de quem pretenda "liderar".

O problema é que houve uma redução de toda a ação política a mera questão de se tornar viável eleitoralmente, que, paradoxalmente, cada vez mais enfraquece o partido nesse sentido, a despeito de pequenos "sucessos" pessoais experimentados aqui e alí. Isso porque, ao pretender ter aquilo qude não se tem, tornam-se caricaturas de si mesmos, absorvendo os cacoetes (ônus) dos "esquemas" políticos, sem, no entanto, gozarem dos benefícios e de peso político correspondente.

Ao pretender fazer a "política por cima", o PT de Campos sempre se rebaixa.

Esqueceram, uns por ignorância, outros por cinismo, que capital político se acumula fazendo política, e fazer política significa incuir, identificando e reconhecendo a representatividade de cada setor, e conferindo legitimidade a essa condição, utilizando-a na referenciação do partido como um todo.
  
Porém, a visão cartorial permanece, o cunho "privatista" da ação política, reservada a exacerbação torta do que um dia já foi chamado de "tendência", que isola os grupos e oferece sempre uma visão externa de fragilidade.

Enfim, não se trata de repudiar esse ou aquele vereador. Dentro do PT tem gente muito "parecida" com ele, e pior: sem voto!

Sua chegada, caso se confirme, ou de qualquer outro, em iguais condições, traz prejuízos não por sua história, mas sim pelo fato de que qualquer um que chegue parece suficiente para nos fazer sombra, pelo bem ou pelo mal.

Têm razão os integrantes do juventude do PT. O PT não é esgoto.

É muito pior: Ainda jogamos nossos "dejetos" à céu aberto.

Um comentário:

Anônimo disse...

"E quando nisso tudo estão alguns funcionários do STIENNF até a presente data sem receber seus salários(inclusive o senhor,Douglas).
E quando os funcionários da AMPLA(terceirizados)fizeram greve(paralização) e o Sr.Otacílio jr "abraçou" a causa e deu "total apoio" a categoria,até no churrasquinho para os "companheiros"!
E se os funcionários do sindicato fizerem a mesma coisa,terão churrasco ou virarão cinzas???