quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A "mulher" do "homem"!



Esse é um tema polêmico, onde qualquer deslize para "lá" ou para "cá" pode resultar em sentenças irrevogáveis: Machista, troglodita, canalha, ou pelo outro lado, hipócrita, cafajeste bajulador, etc, etc.

Mas o simples fato da mobilização em redor do assunto demonstra que ele está mal resolvido, e todos sabemos disso. As manifestações acerca do problema revelam boa parte do "caráter nacional", duvidoso, como sempre.

Refiro-me ao caso da mulher do vice-presidente, Marcela Temer.

Elevada a categoria de assunto nacional, não pela sua atuação ou seus atributos intelectuais, até agora desconhecidos, mas por sua beleza e a diferença de idade que mantém com seu marido, a saber, mais de quatro décadas.

Primeiro: Michel Temer tem dinheiro, poder e prestígio que o permitem escolher o "melhor" para ele, e se para ele, o "melhor" é ter ao seu lado uma mulher que pareça sua neta, e se ele "agüenta o tranco" dos comentários, ÓTIMO PARA ELE!

O grande problema da luta de movimentos de gênero, no meu raso entender, é combater o preconceito com mistificação.

Desse jeito, reproduzem com sinal trocado, as injustiças que desejam combater, ou pelo menos, agem como se fosse secundárias essas injustiças, e explicitam as contradições que têm sobre o problema. Ora, pouco importa se Michel Temer faz suas escolhas sentimentais pela idade e beleza, e se a sua esposa se submete a esse critério. Não me consta que o "cargo" de esposa de vice-presidente seja relevante para a agenda nacional.
O grave nessa questão é saber se as escolhas para exercer certas funções obedecem ao rito e a "ditadura" do gênero misturada a estética. E a julgar pela reação de todos os lados, perece que sim, embora todos esse lados envolvidos na discussão se dediquem a nos fazer acreditar que não, por motivos distintos, diga-se de passagem:
Para alguns homens porque se aproveitam disso, mas não pega bem admitir, e para as mulheres porque traz, para algumas, humilhação e vergonha, para outras, ressentimento por não desfrutarem dos atributos exigidos, e para outras, enfim, por tentar desconhecer que essa "categoria de mulheres" (as jovens, e belas) usam e conseguem escalar a pirâmide social com essas características.
A questão não é a "existência" dessa categoria, mas o fato dela parecer preponderante.

Se duvidássemos da sinceridade dos propósitos das "companheiras", diríamo-nas hipócritas, mas esse não é o caso. A dominação machista é, SIM, nefasta, e seus resultados em nossa, e outras sociedades, é devastadora. Portanto, essa é uma luta honesta, embora reconheçamos, nem todas as "lutadoras" sejam!

Mas vamos aos fatos, e perguntamos, de início:
Quantos homens sexagenários pobres, doentes, aposentados pelo INSS, com diabetes ou outras doenças crônicas como erisipela, gota, espinhela caída, têm ao seu lado mulheres jovens e bonitas como companheiras? Qual é o poder de "sedução" que eles têm ou teriam? Debate intelecutal, "ancestralidade" ou "experiência"? É possivel uma união com esses elementos? Claro, mas é regra ou exceção?

Então questionemos a regra!

Nesse sentido é preciso dizer: Vivemos em um país onde mulheres ganham menos por exercerem as mesmas funções, são minoria nos cargos de mando, públicos ou privados, são as maiores vítimas de violência, dentre outras situações adversas, que são potencializadas quando se tratam de mulheres mais pobres. Esse é o cerne material que repercute em campo simbólico, e vice-versa!
No século XXI mulheres ainda têm como referência o "HOMEM", e mobilizam seus esforços em "dividir" com eles a hegemonia do poder simbólico da sociedade, uma vez que os dados do IBGE revelam que, economicamente, as mulheres, ainda que ganhem menos, já são maioria no "comando" das famílias.

A causa feminista é atual? Claro!
A causa feminista é justa? Justíssima! Mas a defesa do feminismo entre mulheres é homogênea e coesa, com um sentido de classe e de grupo definidos? Nunca!

Por outro lado: Há mulheres que usam seus atributos físicos para alçar condições de destaque? Penso que sim!
E mais: Nossa sociedade valoriza atributos alheios aos exigidos para cargos e funções, quer dizer, a estética vale mais que a intelectualidade, seja para homens e mulheres, ou seja, essa é uma categoria de disputa legitimada ideologicamente por homens e mulheres? Claro!
Lembremos que até bem pouco tempo certos anúncios de emprego exigiam "boa aparência" como atributo, onde se entendia subliminarmente que negros e mulheres feias estavam desde já eliminados!

Em suma, sem esgotar o debate, inesgotável:

Repudiar ou negar a mulher ou homens que elejam a beleza e juventude como categoria de "disputa" para aceitação e, ou legitimação social é inócuo.
O que vale é permitir ou conseguir que outras categorias tenham tanta ou mais relevância que essa.

Melhor: Que cada disputa tenha os atributos relacionados às funções que se destinam.

Quer dizer: Para concurso de miss basta ler o Le Petit Prince, de Exupery. Para esposa de Temer(se ele assim escolher), basta Marcela. Para presidente, eu prefiro Dilma!

Um comentário:

Gustavo disse...

"O dinheiro compra tudo, até o amor verdadeiro", Nelson Rodrigues

Acredito que Marcela ama sinceramente o Temer, pelo que ele e'; assim como o Temer ama Marcela, pelo que ela e'.

Acaso alguma relação sentimental se rege por principios diferentes?