quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Faça o que eu digo, não faça o que faço.

Essa é a lógica de boa parte da mídia brasileira e alguns de seus repetidores, que pululam por aí.
O caso de Honduras é um clássico exemplo disso. Só existe uma Democracia possível para eles: A deles, e só. Toda a complexidade do mundo, os interesses geopolíticos e geoeconômicos, a diversidade das culturas, etc, etc, etc, sucumbe a divisão binária e maniqueísta que fazem do mundo. Eles são bem, todos que não seguem o que dizem, são o mal.

leia esse texto que copiei lá do blog Escrevinhador:

O vexame dos que defenderam o golpe

publicada quinta-feira, 20/01/2011 às 09:42 e atualizada quinta-feira, 20/01/2011 às 09:12

O vexame dos brasileiros que defenderam o golpe em Honduras
por Bruno Ribeiro, no blog A Trincheira
Se tivéssemos uma imprensa séria e profissional de verdade no país, determinados “comentaristas políticos” já teriam sido despachados e as empresas que eles trabalham veiculariam desculpas públicas pelas asneiras que disseram ou escreveram. Como não são e ainda duvidam da inteligência de quem os lê, vê e ouve, fica tudo por isso mesmo e quem falou ou escreveu a sandice continua ocupando espaço, ignorando solenemente a necessidade de se explicar ao distinto público.
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Poderia citar aqui vários jornalistas e comentaristas que usaram os mesmíssimos argumentos, e isso mostra como a maioria reza pela mesma cartilha, mas dentre todos os entoadores de mantra ninguém defendeu o golpe em Honduras com mais paixão e afinco do que Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor.
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Quando em 2009 os milicos tomaram o poder em Honduras, expulsando o presidente eleito legitimamente, a opinião pública internacional condenou de imediato. O comportamento da imprensa nacional foi esquizofrênico, fazendo eco a princípio com a reação internacional, mas logo em seguida mudando lentamente de posição, até defender abertamente a “legalidade” de um vergonhoso golpe de estado.
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Assim que o Brasil assumiu posição de protagonista ao enfrentar os golpistas e dar abrigo ao presidente legítimo na sua embaixada em Tegucigalpa, esse pessoal que ficou responsável por defender a legitimidade do golpe frente à opinião pública brasileira começou a repetir os argumentos fajutos dados pelos golpistas para tentar justificar o atentado contra a democracia daquele país.
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Afirmaram enfaticamente que o golpe era legítimo porque Zelaya tentara mudar a constituição. Na verdade, o que Zelaya tentou fazer foi um plebiscito onde a população decidiria se o presidente poderia ser reeleito ou não. Muito mais democrático do que tentar o mesmo através de emenda constitucional, sem respaldo popular como fez FHC em 1997.
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A desculpa oficial para justificar o golpe era uma cláusula pétrea na constituição que impedia a reeleição do presidente, portanto passaram a defender que não existiu golpe nenhum, e da mesma forma que vivem tentando reescrever a nossa história, determinaram que o que houve em Honduras em 2009 e no Brasil em 1964 foram “contra-golpes”.
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Nem o fato do governo golpista ter fechado TV, rádios e jornais à força, além de ter reprimido com violência manifestações populares mexeu com os brios de quem trabalha com imprensa ou estimulou condenações contra a restrição às liberdades de imprensa. Até a população que protestava contra o golpe e tomou as ruas de Tegucigalpa, chegando a fazer um cerco de proteção à embaixada do Brasil foi classificada como “partidários de Zelaya” e não “dissidentes” como eles costumam classificar opositores de regimes que eles consideram ditaduras.
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A humilhação já tinha vindo com uma das revelações do Wikileaks onde o embaixador americano em Honduras classificou o golpe como golpe, simples assim. Logo os EUA, por quem essas pessoas dedicam toda a sua reverência, vem a público ridicularizar suas teorias de “golpe branco”. Naquela ocasião já deveriam ter pedido o boné, como se diz no popular, mas o castigo tinha de ser maior.
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Pois bem, nessa semana o governo atual de Honduras, eleito em pleito não reconhecido pela maioria dos países, inclusive o Brasil, e o congresso daquele país aprovaram, em uma ação pouco noticiada pela imprensa brasileira, uma modificação na constiuição que permitirá a reeleição do presidente. Exatamente o que Zelaya tentou fazer e virou desculpa para o golpe de estado.
Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor não vão se explicar, vão continuar com espaço para falar o que o diretor de jornalismo da Rede Globo e os diretores da emissora gostariam de dizer, mas não tem coragem, no entanto, a cada dia mais gente vai entendendo o papel a que essas se prestam.

13 comentários:

Roberto Torres disse...

Meu caro,

é preciso muita paciência pra suportar estes comentaristas políticos.

nao acho que exista algo monolítico na grande imprensa. O termo PIG acaba ofuscando muitos bons jornalistas que nao deixam de permitir uma pluralidade mínima, pelo menos na FSP e no Estadao.

Mas os comentaristas políticos, Jabor e Cia. estes sao a mistura ideal de ignorância com má fé.

Marcelo Bessa Cabral disse...

Se a notícia for verdadeira (no site do Congresso de Honduras não há notícia dela) o atual Presidente deve ser afastado, como foi o anterior: basta ler a constituição daquele país.
Concordo que existem pessoas que acham que "eles são bem, todos que não seguem o que dizem, são o mal", mas elas não estão só na mídia: algumas até falam em defesa da democracia, embora seu verdadeiro objetivo seja acabar com ela.
Um abraço.

douglas da mata disse...

caro roberto, perdoe as letras em minúsculo, mas digito só com a mão direita, por causa da tendinite.

sabemos que a rotulação esconde a diversidade e empobrece o debate.

mas é importante definir certas "categorias" para referenciar a natureza e a forma orgânica da movimentação de cada grupo.

se é verdade que nem todos são ruins, por outro lado, é a maioria(que engole esses bons)que determina o senso desse grupo, e nos parece que eles têm, aí incluídos os mais "softs", um ponto de referência comum.

por isso que o termo "pig" encaixa tão bem.

um abraço.

douglas da mata disse...

ps: ainda mais se considerarmos que esses "bons" silenciam obsequiosamente" frente a blitzkrieg promovida pelos "arautos da liberdade".

tudo sob a falácia da "liberdade de expressão", que aqui se confunde com liberdade de "omissão" em nome da liberdade de "opressão".

douglas da mata disse...

marcelo,

cncordo com sua opinião, embora esse não seja o foco do debate proposto.

não me aventuro a dizer o que é, ou não, democrático para hondurenhos, ou para qualquer outro povo.

há séculos, pesquisadores, pensadores e nós, o povo, procuramos uma definição exata para democracia, embora saibamos, de um modo instintivo o que é viver sem ela.

logo:

defendo o direito do povo hondurenho decidir, e pelo que pouco conheço de direito constitucional, sei que nenhuma constituição está à salvo de ser modificada, desde que o poder originário, o povo, assim decidam pelas regras já estabelecidas.

mas, como disse, esse não é o debate central.

o foco da questão é o comportamento da mídia frente aos fatos, e a vergonhosa cobertura que procurou justificar o golpe, quando nem os patrões do norte o consideravam de outra forma.

erraram feio, e nada sobre o assunto.

não preciso dizer que não se trata apenas de liberdade de imprensa ou decisão editorial, pois como concessionárias de espaço público para comunicar, e no caso dos jornais, isentos de impostos para publicar, devem ter essas "liberdades" limitadas pelo interesse público e direito humano inalienável a comunicação social diversificada e multi-opinativa, e não esse samba de uma nota só tocado pelo pig.

onde está o contraponto do pig sobre o golpe? é só isso que questionamos.

Marcelo Bessa Cabral disse...

Douglas:
a mídia não errou na cobertura sobre o caso hondurenho, pois não houve golpe algum.
O fato é que a mídia que se intitula "progressista" (que se acha dona da verdade) ficou chateada porque Zelaya tinha se aliado ao populismo colocado em prática nas Américas de uns anos para cá e quis defendê-lo, mas não leu a Constituição hondurenha ao fazê-lo.
Quem defende que o atual presidente está errado (e está) deve aceitar que o anterior também o estava. Na época eu disse que o afastamento de Zelaya não foi golpe.
Golpe será se o atual presidente conseguir mudar a regra para reeleger-se (como diz a postagem) e ninguém o afastar do poder.

douglas da mata disse...

marcelo,

toda mídia, alternativa, tradicional, ou publicada a partir de qualquer plataforma se "acha" dona da verdade.

inclusive, revestir suas posições de "verdade" é o negócio das empresas de mídia.

isso não quer dizer que quem divulgue opiniões e fatos sem fim lucrativo seja menos parcial, ao contrário.

já debamos incansavelmente a questão hondurenha, e eu e você não chegamos a um consenso. em minha opinião, da diplomacia estadunidense, e da esmagadora maioria dos governos do mundo, houve golpe, e o regime lá colocado é ilegítimo.

lógico que você não é obrigado a concordar comigo, nem com a maioria dos governantes do mundo.

mas você há de concordar que as empresas de mídia sequer ofereceram a possibilidade desse debate, e foram pegas de surpresa sobre a opinião da sua "fonte" de referência, ou seja, a sede da diplomacia do "império".

enfim, não concordo com sua leitura da constituição hondurenha, e (ainda bem)que no direito não haja questões definitivas.

veja que o artigo que veda a submissão do tema(reeleição)não autorizou o exército e o michelleti destituir o zelaya, sem antes fosse instaurado o devido processo legal, com o rito para sentenciar(aí sim)a destituição do presidente.

aí reside a noção de golpe, ou seja, depor, pela força das armas, um presidente eleito, sem que as garantias e o devido processo(que também devem estar previstos na constituição)sejam levados à cabo, com a assunção do vice, e a convocação de nova eleição, se for o caso.

como disse, todo esse debate sequer foi ventilado, e subsiste na opinião pública uma noção partudarizada, ideologizada e deformada da questão, aliás, como sempre.

um abraço.

Marcelo Bessa Cabral disse...

Como pode ser ilegítimo se a eleição já estava marcada antes mesmo de Zelaya ser afastado???
Com ou sem "golpe" outro presidente seria empossado em janeiro de 2010.
A diplomacia brasileira bateu ...nessa tecla mais por não ter o que fazer do que por se tratar de verdadeira ilegitimidade...

douglas da mata disse...

marcelo, não entendi bem o seu questionamento.

o fato de haver um calendário eleitoral não torna o golpe legítimo, ao contrário.

foi uma ruptura institucional dedicada a mudar o rumo das eleições.

se a ação de zelaya era inconstitucional, e proporcionava sua destituição, que se provocassem os meios legais para tanto, e não a força das armas, com a tomada de assalto do palácio.

então, se o exército destituisse o presidente lula, mesmo com as eleiçõs marcadas, isso tornaria um golpe "palatável".

penso que não.

também não acredito em quem rasga constituições para "protegê-la". nossa lembrança sobre isso não é muito confortável.

destaco na sua fala: "(...)com ou sem golpe(...)"

como assim: "com ou sem golpe"?

esse não é um mero "incidente", que torna possível a "normalidade" democrática, em nenhum país.

confesso que agora, fiquei um pouco assustado com seu desapreço à normalidade e ao processo devido e as garantias constitucionais.

enfim, você pode discordar dos rumos da nossa política externa, mas o comportamento dela é elogiado pela maioria dos países, e não foi à toa que nossos diplomatas pssasram a ocupar o lugar de protagonistas no tabuleiro geopolítico mundial.

não é porque o entendimento dessa diplomacia é distinto do seu que tornará as intervenções diplomáticas meras impertinências.

digo e repito: o governo micheletti é considerado ilegítimo pela maioria dos países e organismos multilaterais.

seria o caso de inverter esse consenso mundial para tornar legítimo um golpe?

creio que o assunto se esgota aqui. você entende que não houve golpe, mas se o houve, nada mudaria, pois havia um calendário eleitoral.

eu entendo que um golpe torna qualquer eleição ilegítima.

assim como são ilegítimas as eleições no iraque ou afeganistão, com presença de tropas estrangeiras invasoras.

um abraço.

Marcelo Bessa disse...

Bem, para não dilatar muito o assunto (entendo que você sugeriu um fim para a questão: isso é normal), gostaria de aalgumas colocações.
1 - entendo (e acho normal) que discordemos. Não pretendo te convencer de nada, como bem sabe.
2 - Depois do mico do "acordo" com Irã e Turquia (que ruiu em 24 horas) dizer que nossos diplomatas ocupam "lugar de protagonistas no tabuleiro geopolítico mundial" deve ser brincadeira, mas tudo bem: sou bem humorado.
Não que eu não queira que eles ocupem tal lugar: é que esse fato simplesmente não existe.
Quanto a eu concordar ou não com a diplomacia é fato absolutamente sem importância para a diplomacia.
Ah, claro: eles não são impertinentes: são megalomaníacos, o que é bem diferente;
3 - quem determinou o afastamento de Zelaya foi a Suprema Corte do país, a pedido do Ministério Público e após o devido processo legal, sim. Mostrei isso no meu blog na época. Quanto à forma como foi executada a medida também tenho minhas ressalvas, pois houve excesso, sim.
4 - eu apenas disse que as eleições não decorreram do chamado "golpe", pois já estavam previstas constitucionalmente. Eu não disse que o contexto político hondurenho na ocasião não foi importante no processo eleitoral. Não disse porque não sou maluco e só escrevo o que posso sustentar.
5 - para terminar: tenho absoluto APREÇO pelas garantias constitucionais. Não tenho apreço é por ditadores, ainda que eleitos.

douglas da mata disse...

Marcelo,

O que você chamou de "mico" foi uma tentativa válida, e estrategicamente esvaziada pela diplomacia estadunidense e européia, que temem pelo seu esvaziamento.

Logo, se você tem (e creio que tenha) algum conhecimento da questão, sabe que as inspeções nucleares nas condições estipuladas pelos EEUU e seus aliados configuram espionagem, ou submissão da autonomia dos países "inspecionados". É claro que Teerã mordeu a isca das provocações e fez o que se esperava, até porque, no jogo político local, a "oposição ao imperialismo" é forte fator de coesão da base política de qualquer líder. E antes que você critique, em qualquer país, a coisa se repete: é preciso aumentar "o medo" do inimigo(interno e externo)para justificar o aumento de poder.

Assim, o "conflito" serve aos dois lados: Os EEUU e "o eixo do bem" criam condições que sabem que os "bandidos" não cumprirão, e justificam seu "diiscurso". E o "eixo do mal" segue a desafiar o Império e reúne seus compatriotas sob o consenso da xenofobia.

Por outro lado, falando de nossa chancelaria, posso dizer que entendo que diplomacia não é uma "gincana". É um tentativa, diálogo, erro e acerto. O que faz nossa diplomacia estar em lugar de destaque, e RESSALTO, essa não é a opinião dos diplomatas do Itamaraty, nem da propaganda oficial, mas dos especialistas em geopolítica internacional, como a conceituada Foreign Policy(revista que trata do tema), e de outros analistas respeitados.

Isso também não quer dizer que sejam super-heróis e que resolvam tudo, ou seja, nas suas palavras "megalomaníacos". A megalomania está do lado de quem tenta, fracassadamente, impor seus interesses pela ocupação e pela força, pela cooptação e chantagem, como fazem os países que detinham a hegemonia. Aí incluídos EEUU, Europa, Rússia e China, dentre outros.

O nosso sucesso se dá pelo olhar multi-lateral e diversificado das questões problemáticas, que escapa do maniqueísmo reinante nas chancelarias dos países ricos. Nosso sucesso está no reconhecimento da autonomia dos povos, sem subserviência, e no respeito às diferenças de cada povo, e da forma que encontram para resolver seus problemas.

Novamente discordo de você no caso hondurenho. Não houve afastamento pelo processo legal, pois as tropas o depuseram ANTES de que esse processo tivesse fim, ou esgotasse seu amplo contraditório e defesa.

Podemos assim dizer, que foi um "processo de fatos consumados", bem conveniente, aliás.

Seu argumento ficou bem explicitado, pois, por um instante pareceu-me que você tenha dito que tanto fazia ter havido "golpe ou não", na medida que havia eleiões marcadas.

Ratifico que não creio em eleições livres com tropas como "cabos eleitorais". Aliás, nesse caso de Honduras, nenhum país, a não ser os EEUU e sua franquia colombiana, reconheceram a "legitimidade" do pleito. Aqui, mais uma vez, o verdadeiro "mico" diplomático: "para combater o que consideram O MAL, leia-se Chavez, aplaudem e apóiam um golpe de Estado.

Um abraço.

Marcelo Bessa disse...

Finalizando:
Acesse o link abaixo e veja o que diz a Suprema Corte sobre Zelaya...
Eu achava que tinha sido golpe até ler a Constituição deles e ver o processo. É uma boa sugestão.
O processo contra Zelaya, assinado pelo presidente da Suprema Corte daquele país está em (http://www.poderjudicial.gob.hn
/NR/rdonlyres/87E2BFFC-AF4D-44EA-BFC5-D93730D8D81C/2413/ExpedienteJudicial1.pdf). Só não vê quem não quer...
1 - O próprio secretário-geral da OEA defendeu a volta de Honduras à instituição e disse que todos os países-membros concordavam (em maior ou menor grau) com isso. Leia o discurso no site da OEA (http://www.oas.org/es/acerca/
discurso_secretario_general.asp?sCodigo=10-0043).
2 - Veja a foto do Presidente Lobo com os demais presidentes da América Central em reunião da SICA (http://operamundi.uol.com.br/noticias/
APESAR+DE+DESAPROVACAO+DA+NICARAGUA
+HONDURAS+E+REINTEGRADA+AO+SICA_5175.shtml)
Bem, como mostrado acima, não foram só os EUA que reconheceram o governo (Chile, México, Canadá etc). Tecnicamente isso não era mesmo necessário, pois houve uma eleição já prevista pelas regras locais.
Se outra pessoa que não Micheletti (presidente do Congresso) assumisse o poder na época ou se ele não desse posse a Porfírio Lobo (o eleito), aí sim seria o caso de os outros países que reconhecerem (ou não) o novo governo.
Aliás, se foi "golpe militar", por que quem assumiu foi o Presidente do Congresso e não um general???? Interessante notar que há quem invoque o princípio da autodeterminação dos povos para defender a ditadura cubana mas esquece desse mesmo princípio e ataca o presidente eleito de Honduras... rsrsrs
Repito: também não concordo com a maneira como as coisas foram feitas quando Zelaya foi tirado do poder. Mais que isso: sou, claro, contra golpes de estado.
Usando um argumento seu: não é porque você acha (e usa milhões de argumentos nesse sentido) que o governo hondurenho não é legítimo que ele deixará de sê-lo. Você fala como se Lobo fosse um impostor e isso ele não é. Até o governo brasileiro mudou o tom a partir de maio de 2010...
Não pretendo mais comentar mais esta postagem.
Obrigado.
OBS: só chamei o "acordo" Brasil-Turquia-Irã de "mico" porque foi um... mico!!! rsrsrsrs

douglas da mata disse...

Marcelo,

Para encerrar:

1. Não disse que o "processo" não foi instalado, e grato pelo link, embora a existência, repito, desse processo não passe de uma "manobra" para mascarar o fato de que o presidente eleito já havia sido julgado, e inclusive, deposto pela força das armas.

2. A opinião do secretário da OEA não corresponde a posição oficial da entidade, uma vez que não houve nenhuma decisão oficial dos países membros para reintegrar Honduras.

3. O fato dos militares terem entregue o cargo da presidência a Michelletti não descaracteriza o golpe de Estado. Golpe, nesse caso, é definido pela ruptura insitucional do processo de sucessão presidencial, ou seja: antes que fosse levado a cabo um processo de impeachment, os militares retiraram um presidente e colocaram outro.

4. Não existe, REPITO, eleição legítima com tropa na rua, sejam as tropas do mesmo país, ou invasoras.

Grato.