domingo, 30 de janeiro de 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

Chico Corrêa e Eletronic Band - Lelê



Outro garimpado do Segue o Som. Chico Correa e Eletronic Band. Som de primeira com animação pr'á lá de boa. Impossível não se estarrecer com a estética pop-futurista do Pequeno Príncipe. O paraibano Chico Correa resvala na metalinguagem ao aparecer pedindo carona ao astronauta que rasga o deserto em seu Ford Mustang.

Puro suco. Melancolia delicada para inciados!

Arrastem os móveis!

Na TV Brasil tem um programa voltado para a cena independente, Segue o Som. Dedicado a proporcionar espaço e repercussão a bandas que não são digeridas pela indústria de bens culturais de massa.

Hoje, o programa, mais uma vez, deu espaço as alternativas de criação e manifestação, onde as bandas promovem festivais, onde trocam suas experiências e abrem possibilidades de cooperação entre si, driblando os esquemas corporativos dos grandes "selos".

Com o advento da rede, e suas ferramentas, essa possibilidade se tornou mais factível. É possível o Brasil se ver e ouvir para além dos limites do Sudeste-maravilha.

Apresentamos quatro vídeos, três da banda Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília, que faz o estilo de Big Band, com naipe de metais marcante, sem rótulos possíveis. Um pouco de jazz, ska, rock, etc e tal.

O outro vídeo é do Macaco Bongo, banda instrumental cuiabana, que inclusive, de acordo com o programa, acompanhou Gilberto Gil no seu show "Futurível".

Atacando uma seara pouco explorada pelas nossas bandas, o Macaco dá conta do recado.

Macaco Bong - "Noise James"* - TramaVirtual

Moveis Coloniais de Aracajú - Descomplica

Seria o Rolex? - Móveis Coloniais de Acaju

Móveis Coloniais de Acaju - O tempo

Afinal, o que é Democracia, pr'á que e para quem serve?

Eu já disse várias vezes, esse é um mundo estranho, mas não menos instigante e desafiador.
Conceitos que tínhamos como "estáveis" se esfarelam, notícias que se publicavam como verdade absoluta estão nuas, e podemos ver suas "vergonhas".
Há uma dificuldade mundial em situar a Democracia como ferramenta indispensável ao convívio humano. De um lado, o relativismo absolutista, de outro, o maniqueísmo simplista.
E tome paradoxos:
Como vemos, a noção ocidental de Democracia favorece o surgimento de regimes que contrariam essa visão clássica, como nos países árabes, que para manterem fiéis as regras estadunidenses, sufocam suas populações sob regimes corruptos, violentos e excludentes.
Afinal, o que é ser democrata, e o que isso significa?
Vemos, em nosso país, defensores da Democracia que até bem pouco tempo, tinham enormes dificuldades em nomear o regime de 64 como uma ditadura sangüinária, e torcem o nariz para direitos humanos que pretendem que sejam respeitados do outro lado do mundo.
Agora, mais uma vez, a convulsão social toma conta de um país árabe aliado, o Egito. E nossos "faróis da Humanidade", nossos ferrenhos combatentes democratas da tradição, família e propriedade, inimigos figadais do "populismo" (muito embora tenham enorme dificuldade em contextualizar e definir o termo) não sabem bem o que dizer. Quem está do lado da democracia no Egito? O que é ser democrata no Egito? Por que o país "campeão" da democracia mundial(imposta sob tanques e toneladas de bombas)não retalia e condena o mandatário que se mantém há 30 anos no poder?

Mais uma vez, pouco importam as respostas, se não soubermos fazer as perguntas certas. Leia esse bom texto do Luiz Carlos Azenha sobre o tema:


28 de janeiro de 2011 às 21:03

Por que os Estados Unidos temem democracia no mundo árabe

por Luiz Carlos Azenha
Vamos começar deixando de lado a ideia de que o que se passa no mundo árabe é uma revolução do twitter, do facebook, da Al Jazeera ou das mídias sociais.
O Vinicius Torres Freire acertou, na Folha. “De acordo com esses correspondentes, não seria possível haver Revolução Francesa, Russa, maio de 1968, Diretas-Já ou as revoluções que derrubaram as ditaduras comunistas, dado que na maioria dessas revoluções não havia nem telefones”, escreveu ele.
Voltarei ao tema.
Vinicius acerta de novo, mais adiante, quando toca no ponto central: os milhões de jovens desempregados e sem perspectivas de vida que vivem no mundo árabe.
Não tenho muita experiência de reportagens na região, a não ser por algumas semanas trabalhando no Iraque, na Jordânia e no Marrocos.
Em todos esses lugares testemunhei a frustração dos jovens árabes (na periferia de Casablanca, no Marrocos, fui a uma favela cercada de altos muros brancos, onde a pobreza era devastadora mesmo pelos padrões africanos).
Nunca me esqueço do desabafo de um jovem palestino, morador de Amã, na Jordânia, sobre o drama pessoal que enfrentava: a falta de condições  para pagar o dote, casar e conseguir morar com a esposa em endereço próprio.
São esses dramas pessoais, multiplicados por milhões, que movem hoje o que se costuma chamar de “rua árabe”. Dramas que se desenrolam diante de governos autoritários, corruptos e completamente desligados da realidade das ruas.
Aí, sim, é preciso notar o impacto das tecnologias da informação, mas muito mais da telefonia celular e da TV via satélite do que propriamente das mídias sociais, muito embora as lanhouses fervilhem em quase todas as grandes cidades do mundo árabe.
Depois de um rápido processo de urbanização, a frustração dos jovens árabes agora se dá num cenário em que eles são expostos diariamente aos objetos de consumo e ao padrão de vida que “recebem” via satélite, especialmente nos intervalos das transmissões de futebol europeu (no norte da África há mais torcedores do Manchester United do que no Reino Unido, por exemplo).
Washington sustenta o governo egípcio à base de cerca de 5 bilhões de dólares anuais.
É muito pouco provável que o governo Obama vá além de declarações vazias a respeito do governo ditatorial de Hosni Mubarak, ou de “platitudes” em defesa da liberdade de expressão da população.
A reticência dos Estados Unidos — e de todos os governos ocidentais — em relação ao Egito tem relação com o fato de que qualquer democratização para valer dos países árabes aumentará o poder dos partidos islâmicos (a Irmandade Islâmica, por exemplo, no Egito).
Foi prometendo combater a corrupção e promovendo serviços sociais que o Hamas  e o Hizbollah ganharam legitimidade respectivamente em Gaza e no Líbano.
Notem, nas próximas horas, como os governos ocidentais vão enfatizar a necessidade de “preservar a estabilidade” e a “segurança” dos governos árabes que estão na defensiva.
Democracia nos países árabes resultaria em governos menos submissos aos Estados Unidos, mais “antenados” com as ruas e, portanto, muito mais agressivos em defesa dos direitos e dos interesses dos palestinos — para não falar em defesa de seus próprios interesses.
Será muito curioso observar, nos próximos dias, a dança hipócrita dos que defendem apaixonadamente a democracia no Irã mas se esquecem de fazer o mesmo quando se trata do Egito. Inclusive no Brasil.
PS do Viomundo: Vamos ver se o governo Obama deixa de fornecer gás lacrimogêneo e outros equipamentos de “segurança” ao governo Mubarak, por exemplo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Os jagunços de redação, blogs de coleira e os assassinos de reputação!

Não importa a natureza do meio, se tem diploma de jornalista ou não, o que importa são os interesses de quem move a máquina da calúnia.

Quem quiser uma radiografia exata dessa forma de deformar e desinformar, basta consumir as matérias que são publicadas em nossos veículos tradicionais, aqui dessa planície lamacenta.

Recebemos por e-mail, NOTA OFICIAL da reitora Cibele Daher, bem como seus relatórios sobre as diárias que recebeu, o que confronta e põe a olho nú a manipulação descarada dos fatos, dos que pretendem desgastar sua gestão pela leviandade.

É bom que se diga e reafirme: Nenhuma gestão, muito menos a dela, é imune às críticas, ou aos erros. Quem ocupa cargos públicos, ainda mais, os eletivos, deve estar ciente que seus atos repercutem para além da sua esfera privada, ou da sua administração e do grupo que faz parte. Há uma liturgia institucional que pressupõe a prestação de contas, goste-se ou não.

É claro que cada viagem, ou cada ato da reitora pode ser questionado, em sua conveniência e sua oportunidade, quando se tratar de atos discricionários. Nos atos onde essa característica não for preponderante (a discricionariedade), resta apurar se a Lei foi cumprida, e só.

Bastava, portanto, investigar e descobrir se houve ou não lesão ao erário, situação que seria possível, se fosse dado o contraditório a reitora. Bom, parece que essa prática toma "muito tempo", e não permite que ilações sobre os fatos favoreçam "as necessidades políticas" do PIG local.

Mas há uma enorme diferença entre o debate democrático, que pode e deve ser prosposto pela sociedade e pela mídia, e o que se tem lido, ultimamente, nas páginas do nosso pior jornalismo marrom.

Vamos as explicações da professora Cibele:


 A luta pela ética e pelo direito à verdade
  Mais uma vez, o ato de se veicular informações caluniosas, e que têm por
objetivo induzir a população a interpretações falsas da verdade dos fatos, nos
leva a prestar esclarecimentos à comunidade do IFF.
     É importante que a comunidade compreenda que há outros interesses além
dos meramente informativos nestas matérias veiculadas, e,  por esta razão
tenho o dever de prestar as informações corretas, porque além de gestora
pública, sou também educadora, e como tal, não posso de forma nenhuma
concordar com este modo  vil de se fazer uso das informações.
     A implantação dos Institutos Federais em todo o país não tem sido fácil
para os seus gestores, e isto  vale também para os reitores e reitoras destes
institutos, que têm se empenhado para implementar um novo modelo de gestão
multicampi e pluricurricular, trabalhar e mediar as relações de poder, fazendo
com que as conquistas destas  instituições  continuem acontecendo.
      E é para preservar estas instituições públicas  tão respeitadas pela
comunidade e que têm dado uma contribuição efetiva na formação profissional de
tantos jovens de nossa região, que nos manifestamos, repudiando que a
informação seja tão mal utilizada e tão pouco educativa.
     Estamos nos referindo à matéria veiculada e, principalmente, à manchete
estampada na primeira página de um jornal de nossa cidade, que traz em seu
título uma comparação desqualificada e maldosa do valor das diárias por mim
recebidas no ano de 2010, comparando este valor com o recebido pelo Ministro
da Educação e com o de outro Reitor de Universidade Federal.
      É importante destacar que o Decreto no. 5.992 de 19 de dezembro de
2006,alterado pelo Decreto  6.907 de 2009  estabelece em seu artigo primeiro
que: “o servidor civil da administração federal direta, autárquica e
fundacional que se deslocar a serviço, da localidade onde tem exercício para
outro ponto do território nacional, ou para o exterior, fará jus à percepção
de diárias, segundo as disposições deste Decreto”.
     Assim, a comparação é desqualificada porque compara gestores públicos
distintos e que são detentores de direitos legais específicos de acordo com o
cargo que exercem. É público que os Ministros de Estado têm direito também a
outras  formas de recursos de representação, além das diárias(cartão de
representação, por exemplo),  e que a especificidade das universidades
federais é bem distinta da dos institutos federais, hoje, instituições
pluricurriculares e multicampi, localizados muitos deles no interior dos
estados, e com a obrigação de as Reitorias além de se reportarem ao Poder
Central, localizado em Brasília,  também  trabalharem  junto aos seus campi,
de forma integrada e dinâmica.
      A utilização das  tecnologias da informação e comunicação tem
possibilitado que dados importantes sejam publicizados para a população, mas
também é preciso que aqueles que lidam com a informação percebam a importância
da correta e justa utilização das mídias, em respeito ao direito das cidadãs e
dos cidadãos brasileiros ao conhecimento da verdade.
     Induzir à falsa interpretação sobre a informação é crime, e como
educadora e reitora de uma instituição que é pública, acho que a maior
contribuição que podemos deixar à sociedade é a da preservação dos valores
éticos, entre eles, o compromisso com a verdade.
     Por isso, preparei este relatório que tem a prestação de contas de todas
as viagens por mim realizadas no exercício de 2010, a serviço do
fortalecimento da instituição, que já é público, porque está no Portal da
Transparência, mas que diante de tanta deturpação dos fatos é imprescindível
reiterar.
    Apresentamos ainda um relatório, ao qual qualquer pessoa pode ter acesso,
retirado do Portal da Transparência (www.portaltransparencia.gov.br), com as
diárias pagas aos demais Reitores/as dos Institutos Federais, e mesmo que
alguns deles não tenham participado da missão Brasil/Canadá, que trouxe
benefícios específicos às nossas instituições, fortalecendo a cooperação
internacional ,todos e todas poderão constatar que o nosso valor está abaixo
da média, se considerado face aos maiores institutos de nossa Rede Federal.
      Também é importante destacar, somente a título de esclarecimento, que
há Reitores/as que assumiram ao longo do ano de 2010, o que significa que
passaram a receber diárias após a nomeação, sendo que alguns deles/as,
exatamente por este motivo, nem participaram do Curso para Reitores e Reitoras
da ENAP (Escola Nacional de Administração Pública), que foi uma das
estratégias da SETEC/MEC, na transição de implantação dos Institutos Federais.
    Precisamos na era do avanço das tecnologias da informação e da
comunicação defender sempre a ética nos meios de comunicação, pois do
contrário, estaremos voltando a instaurar a ditadura, só que agora, uma
ditadura diferente da que outrora  vivemos, a Ditadura dos que detêm o poder
das mídias e por meio delas, querem fazer valer na esteira da falsa
democracia, as suas falsas verdades.
                            Cibele Daher Botelho Monteiro
                              Reitora IF Fluminense


   * Lista de valores de diárias dos reitores dos IFs:

1) Consuelo Aparecida Silleski Santos - IFSC - R$ 50.361,01 – missão Brasil-Canadá

2) Claudio Ricardo G. de Lima – IFCE – R$ 49.068,58 – missão Brasil-Canadá
3) Sebastião Edson Moura – IF Baiano – R$ 45.119,87 – missão Brasil-Canadá
4) Edvaldo Pereira da Silva – IFRR – R$ 42.594,77- missão Brasil -Canadá
5) Raimundo Vicente Gimenes – IFRO – R$ 41.180,18 – missão Brasil-Canadá
6) Arnaldo Augusto C. Borges- IFSP - R$ 41.061,24 – missão Brasil-Canadá
7) Claudia S. Soares de Souza – IFRS – R$ 36.939,91- missão Brasil-Canadá
8) Antônio Carlos Barum Brod – IF Rio Grandense – RS – R$ 36.652,55 – missão
Brasil-Canadá
9) João Martins Dias – IFAM – R$ 36.137,89 – missão Brasil- Canadá
10) Alípio Santos Leal Neto- IFPR – R$ 36.062,55
11) Claudio Adalberto Koller – IF Catarinense – R$ 34.427,56
12) Mario Sergio Costa Vieira – IF Sudeste MG – R$ 33.268,64
13) Paulo Cesar Pereira – IFGO – R$ 32.655,47- missão Brasil- Canadá
14) Sergio Gaudêncio P. de Mello – IFPE – R$ 31.576,28
15) Denio Rebello Arantes – IFES – R$ 31.496,52
16) Caio Mario Bueno da Silva – IFMG – R$ 30.713,27 – missão Brasil-Canadá
17) Eurípedes Ronaldo Araripe Ferreira – IF Triângulo Mineiro – R$ 30.845,77 –
missão Brasil-
Canadá
18) Cibele Daher B. Monteiro – IFF – R$ 30.557,72 – missão Brasil-Canadá
19) Elias Vieira de Oliveira – IFAC – R$ 30.026,30 – missão Brasil -Canadá
20) Francisco das Chagas Santana – IFPI – R$ 29.847,82
21)Carlos Alberto Pinto da Rosa - IF Farroupilha – RS – R$ 29.462,74
22) Aurina Oliveira – IFBA – R$ 29.277,78
23) João Batista de Oliveira Silva – IFPB – R$ 28.793,79 – Missão Brasil-Canadá
24) Marcus Aurélio Stier Serpe – IFMS – R$ 27.156,61
25)José Ferreira Costa – IFMA – R$ 26.377,11
26) José Bispo Barbosa – IFMT – R$ 26.028,44
27) Belchior de Oliveira Rocha – IFRN – R$ 25.222,71.
28) José Donizete Borges – IF Goiano – R$ 23.403,34
29) Paulo Cesar Pinheiro de Azevedo – IF Norte de MG – R$ 22.999,85
30) Alessio Trindade de Barros – IF Brasília – R$ 18.966,97
31) Julio Cesar Teles de Lima – IFSE – R$ 18.578,11*(houve mudança de Reitor)
32) Fernando Gusmão – IFRJ – R$ 14.955,39 (houve mudança de Reitor)
33) Rômulo Eduardo Bernardes – IF Sul de Minas – R$ 17.825,04 /Sérgio Pedini –
R$ 13.843,93 (houve mudança de Reitor)


   * Relatório referente às viagens realizadas pela Reitora no ano de 2010:

I. Viagens realizadas a Brasília: 14 (quatorze)

Objetivo:
1. Convocações do CONIF – Conselho Nacional dos Institutos Federais
2. Convocações da SETEC/MEC
3. Curso de Gestores Públicos da ENAP (Escola Nacional de Administração Pública)
II. Viagens realizadas fora de Brasília por convocação do CONIF, inclusive
REDITEC: 04, nas cidades de Manaus, João Pessoa, Belo Horizonte e Recife
III. Viagens a serviço realizadas ao Rio de Janeiro – 05 –
Objetivo: Controladoria Geral da União, Universidade
PETROBRAS e Encontro Brasil Canadá
IV. Viagem internacional – uma, Missão oficial da SETEC/CONIF
para visita técnica aos Community Colleges Canadenses para fortalecimento de
Cooperação Internacional e celebração de Memorandos de Entendimento com
Vancouver e University
V. Viagens a Vitória e Cariacica no ES – 05 com o objetivo de
participar de reuniões do Conselho Superior do IFES, do qual sou Conselheira
indicada pelo MEC
VI. Viagens realizadas nos campi do IF Fluminense com o objetivo de integração
e de interlocução com os campi: 22
Macaé – 07 visitas
Quissamã – 01 visita
Cabo Frio – 06 visitas
Bom Jesus do Itabapoana – 06 visitas
Itaperuna – 02 visitas

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A boa e velha liberdade de iniciativa: Lucro privado e prejuízo social!

Nem precisamos ponderar muito sobre o tema, dada a forma repetida como surge: A Nissan, montadora de automóveis, aguarda incentivos fiscais para se instalar aqui.

Mas como assim?
Já não bastam todos os problemas que os governos terão que arcar com o aumento das populações, atraídas pelo "sonho de riqueza", sempre frustrado, na medida que poucas pessoas conseguem ser absorvidas pelos frutos desses emmpreendimentos, e depois essa "sobra" se reflete no aumento das periferias, na exclusão social e no aumento das demandas por segurança, saúde, educação, saneamento, moradia, transporte público etc, etc, etc?

Ainda querem mais dinheiro?

Mas que capitalismo é esse? Que empresa privada é essa?

Eu digo e repito: É melhor pegar esse dinheiro e distribuir diretamente as famílias mais pobres, que com mais dinheiro movimentarão a cadeia produtiva com seu poder aquisitivo.

Perguntem aos baianos o que a ida da GM fez por lá. Quase nada! A Bahia é hoje o estado com um dos piores índices de IDH.

Esse tipo de "concessão fiscal" não se justifica, por nenhum dos lados que se olhe o problema. Bom, pelo menos não se justifica pela ótica do interesse público, que fique claro!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A estranha amnésia da mídia!

E mais uma vez, nossa imprensa nacional dá demonstrações de não se entender bem com a liberdade que reivindica.

Leia o texto que copiei do Blog do Miro. Trata do TRANCAMENTO da ação movida contra o MST, no episódio da CUTRALE, larga e exaustivamente registrada e televisada, ao contrário desse desfecho, que por óbvio, não interessa ao PIG e seus sócios.

A sentença é um claro aviso do Tribunal: Não há como imputar crimes de forma coletiva, ou em outras palavras, não se pode criminalizar movimentos políticos, ainda que se discorde de suas bandeiras e seus métodos. Cada qual a pena no tamanho de sua culpa. Simples assim.

Mas explicar isso não ajuda na tarefa de manipular e engessar o debate sobre reforma agrária, ainda que reconheçamos os erros táticos e estratégicos do MST, ou de qualquer outro movimento social.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cutrale perde processo contra sem-terra

Reproduzo mensagem enviada pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos:

"Por meio de habeas corpus[1] impetrado pelos advogados da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e do Setor de Direitos Humanos do MST, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por unanimidade, determinou o trancamento do processo crime instaurado na Comarca de Lençóis Paulista/SP contra todos os trabalhadores rurais sem terra acusados da prática de crimes durante a ocupação da Fazenda Santo Henrique/Sucocitrico-Cutrale, entre 28/9 e 7/10/2009.

Os trabalhadores tiveram prisão temporária decretada, que foi posteriormente convertida em prisão preventiva. Os decretos de prisões foram revogados em fevereiro de 2010, por meio de decisão liminar, concedida pelo Desembargador Relator Luiz Pantaleão, mas, a decisão final no habeas corpus, aguardava, desde então, voto vista do Desembargador Luiz Antonio Cardoso.

Para firmarem as revogações das prisões preventivas, os Desembargadores além de entenderem que a Magistrada de primeiro grau deixou de indicar os indícios de autoria em relação a cada um dos acusados, declararam inexistir ocorrências dando conta de que os trabalhadores tenham subvertido a ordem pública.

Por outro lado, determinou-se o trancamento do processo crime sob entendimento de que o Promotor de Justiça, em sua denúncia, não descreveu -“referentemente a cada um dos co-réus -, os fatos com todas as suas circunstâncias, como lhe é exigido pelo artigo 41 do Código de Processo Penal, de forma que:

"Imputa-se a todos a prática das condutas nucleares dos tipos mencionados. Em outras palavras, plasmaram-se imputações em blocos, o que implicaria correlativamente absolvição ou condenação também coletiva. Isso é impossível. Imprescindível que se defina qual a conduta imputada a cada um dos acusados. Só assim, no âmbito do devido processo legal, cada réu poderá exercer, à luz do contraditório, o direito de ampla defesa. (...) Imputações coletivas, sem especificação individualizada dos modos de concorrência para cada episódio, e flagrante contradição geram inépcia que deve ser reconhecida. O prosseguimento nos termos em que proposta a ação acabaria, desde que a apuração prévia deve ser feita no inquérito, não, na fase instrutória, por levar aos Órgãos jurisdicionais do primeiro e segundo grau, um verdadeiro enigma a ser desvendado com o desprestígio do contraditório e da ampla defesa, garantias constitucionais inafastáveis".

A decisão do Tribunal de Justiça representa importante precedente jurisprudencial contra reiteradas ilegalidades perpetradas contra a luta dos trabalhadores rurais sem terra, contra o ordenamento processual penal, e, sobretudo, contra as garantias constitucionais vigentes. Esperamos que esta decisão se torne cotidiana, para fazer prevalecer o senso de justiça em oposição aos interesses do agronegócio, do latifúndio e dos empresários contrários ao desenvolvimento da reforma agrária que, naquela oportunidade, louvaram os ilegais decretos de prisão contra os trabalhadores."

Murder for the Money



Outra do Morphine, para fechar a tarde. Murder for money ou, Assassinato por dinheiro. Letra e imagens dispensam apresentações.

No fim das contas, é tudo pelo dinheiro, e deus sempre estará do lado de quem vence!

Muder For The Money Morphine
Murder for the money - Morphine

one, two, one, two, three, four...

Murder for the money, yeah, murder every day
Murder every into your God damn way
Murder for the money, it's murder every nite
Murder every single moment
On your God single life
It's murder... (murder...)
For the money...
It's murder... ( murder...)
For the money...

(guitarra)

Murder for the money,
You've got a crowd swear and bleed
I see any prompted up and get down on the street
Murder for the money, it's money every nite
Murder every single day
In yo' God damn life
It's murder... (murder...)
For the money...
It's murder... (murder...)
For the money...

(guitarra)

It's murder... (murder...)
For the money...
It's murder... (murder...)
For the money...

morphine - sharks patrol these waters




Há muito tempo me foi apresentada essa banda. Sonoridade incomum, e uma verve "experimental", completadas com letras "lisérgicas", referência explícita ao abuso das substâncias psicoativas como ferramenta de criação.
Alguém diria que esse "nicho de mercado", na indústria cultural, se esgotou nos anos 60, no século passado.
Bom, outros dizem que 68, ou outros anos daquela década, na verdade, nunca acabarm.

Discusssões "estéticas" e "papo-cabeça" à parte, fica a sonoridade desse trio que reúne um contrabaixo de duas cordas (Mark Sandman-vocal), saxofone(Dana Colley) e bateria(Billy Conway).


Ah, detalhe: reza a lenda que o vocalista Mark Sandman morreu, em 1999, de ataque fulminante do coração, durante um show na cidade de Palestrina, Itália motivado pelos excessos.

Como se vê, o clichê estaria completo, mas sobra com louvor o ineditismo da obra que combina jazz, blues e rock, com uma pegada, digamos, primitiva. Como se tocassem tambores em um ritual tribal qualquer.

Aprecie com moderação!

A noção capitalista de paraíso!

Bom, esse texto é para quem ainda acredita naquela visão de mundo que demoniza traficantes da favela, enquanto celebra o padrão suíço de vida nas revistas e colunas sociais. 
Ou assume como dogmas de verdade as soluções de segurança "receitadas" nos países que lucram com nossos eternos conflitos. "Guerra ao terrorismo", "guerra ao tráfico", "guerra a isso, ou aquilo", enquanto nos vendem armas (para os "bandidos e mocinhos"), produtos químicos, vendidos "legalmente", mas sem controle, e que viram insumo de refino de drogas, etc, etc, etc.
Depois é só lavar. "Lavou, tá novo".
Como podemos notar, no texto preciso de Emir Sader, é bem provável que um não exista sem o outro:

23 de janeiro de 2011 às 13:04

Emir Sader: Prostíbulos do capitalismo

Nesses territórios se praticam todos os tipos de atividade econômica que seriam ilegais em outros países, captando e limpando somas milionárias de negócios como o comércio de armamentos, do narcotráfico e de outras atividades similares.
Os paraísos fiscais, que devem somar um total entre 60 e 90 no mundo, são micro-territórios ou Estados com legislações fiscais frouxas ou mesmo inexistentes. Uma das suas características comuns é a prática do recebimento ilimitado e anônimo de capitais. São países que comercializam sua soberania oferecendo um regime legislativo e fiscal favorável aos detentores de capitais, qualquer que seja sua origem. Seu funcionamento é simples: vários bancos recebem dinheiro do mundo inteiro e de qualquer pessoa que, com custos bancários baixos, comparados com as médias praticadas por outros bancos em outros lugares.
Eles têm um papel central no universo das finanças negras, isto é, dos capitais originados de atividades ilícitas e criminosas. Máfias e políticos corruptos são frequentadores assíduos desses territórios. Segundo o FMI, a limpeza de dinheiro representa entre 2 e 5% foi PIB mundial e a metade dos fluxos de capitais internacionais transita ou reside nesses Estados, entre 600 bilhões e 1 trilhão e 500 bilhões de dólares sujos circulam por aí.
O numero de paraísos fiscais explodiu com a desregulamentação financeira promovida pelo neoliberalismo. As inovações tecnológicas e a constante invenção de novos produtos financeiros que escapam a qualquer regulamentação aceleraram esse fenômeno.
Tráfico de armas, empresas de mercenários, droga, prostituição, corrupção, assaltos, sequestros, contrabando, etc., são as fontes que alimentam esses Estados e a mecanismo de limpeza de dinheiro.
Um ministro da economia da Suíça – dos maiores e mais conhecidos paraísos – declarou em uma visita a Paris, defendendo o segredo bancário, chave para esses fenômenos: “Para nós, este reflete uma concepção filosófica da relação entre o Estado e o indivíduo.” E acrescentou que as contas secretas representam 11% do valor agregado bruto criado na Suíça.
Em um país como Liechtenstein, a taxa máxima de imposto sobre a renda é de 18% e o sobre a fortuna inferior a 0,1%. Ele se especializa em abrigar sociedades holdings e as transferências financeiras ou depósitos bancários.
Uma sociedade sem segredo bancário, em que todos soubessem o que cada um ganha – poderia ser chamado de paraíso. Mas é o contrário, porque se trata de paraísos para os capitais ilegais, originários do narcotráfico, do comercio de armamento, da corrupção.
Existem, são conhecidos, quase ninguém tem coragem de defendê-los, mas eles sobrevivem e se expandem, porque são como os prostíbulos – ilegais, mas indispensáveis para a sobrevivência de instituições falidas, que tem nesses espaços os complementos indispensáveis à sua existência.
Blog do Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo

Vítimas de si mesmos!

É claro que o incidente com o helicóptero do jornalismo da globo não foi causado por nenhum de seus funcionários.


Mas é impossível deixar de notar a ironia do desencadear dos fatos, no que tange a questão da segurança pública, e o comportamento dessa mesma mídia, e claro, de todos nós, sociedade e governos.

A cobertura da mídia sobre certos eventos, nos leva a crer que há "algo mais" por trás de tudo. E sempre há.

A cidade do Rio de Janeiro, há pouco tempo enfrentava, a julgar pelo "destaque" dos órgãos de imprensa, uma situação "pré-guerra civil".

Diuturnamente, fomos "bombardeados" pelos "ataques terroristas", imagens de todos os ângulos, entradas ao vivo, "especialistas de plantão", depoimentos emocionados, histórias de vida, heróis, vilões, e toda aquela parafernália repetitiva, maniqueísta e monocromática.

Como por um passe de mágica, o Rio de Janeiro pacificou-se! Sumiu do notíciário! "Apagou" com a mesma rapidez que queimavam carros e ônibus.

Quem consome informação pela globo tem a impressão que o Rio de Janeiro tornou-se um território livre do crime e da violência, uma idílica visão de uma laje de uma favela à beira da praia.

Logo, somos levados a pensar que o problema acabou, também por mágica, ou pela intervenção inconstitucional das forças armadas no Rio, antiga reinvindicação da classe média apavorada, das elites, e não por coincidência, da mídia conservadora.

Logo, os contribuintes e eleitores são levados a pensar que "soluções de força", usadas como fim em si mesmas, resolvem a questão complexa e diversificada da violência urbana e a criminalidade, que aliás, são "vendidas" como se fossem a mesma coisa, e que existam soluções "geniais", sempre vinculadas a uma determinada administração e a seu grupo político, como uma "marca".

Logo, os governantes são levados a imaginar que basta a conivência com a mídia, para gerar um clima de pânico que justifique TUDO, inclusive rasgar a Constituição, para apresentar soluções cheias de inventividade propagandística: UPP, delegacias legais, e um monte de outras siglas e nomes que servem fachada para a total ausência de coordenação, planejamento, avaliação e senso prático na condução de políticas públicas.

Um estranho e mórbido círculo vicioso: a mídia apavora a sociedade, a sociedade exige(geralmente, os setores que são ouvidos pela mídia)mais e mais "força", os governos dão o que todos querem, a mídia retira de pauta o clima de "terror", a sociedade esquece dos problemas, governos capitalizam, e os problemas seguem por debaixo do "tapete", até que a conjuntura exija novas "intervenções", com a mesma tônica.

Bom, parece que a globo, infelizmente, à custa do risco de morte de seus funcionários, "sentiu na pele" que o problema é mais embiaxo, e não adianta voar sobre ele!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Nirvana - Lithium



É pouco provável que nós, amantes da música e do rock'n'roll, consigamos definir Nirvana, e o clássico álbum Nevermind.
Eu creio que só consigo definir o "antes" e o "depois" de ouvir.
Felizmente, conheci o álbum, ou melhor, prestei atenção só há alguns anos atrás, ainda que ouvisse a repetição massificada e pasteurizada durante os anos.
Cada um expressa suas sensações e suas impressões sobre alguma manifestação a seu jeito, isso que, vulgarmente, chamamos gosto.
Mas, gostando ou não, é impossível ficar impassível a "ética" ou anti-ética do Kurt Kobain, que a indústria cultural simplificou e aprisionou na "estética grunge".

Divido com vocês uma de minhas preferidas, não por coincidência:

Lithium Nirvana
I'm so happy 'cause today
I've found my friends ...
They're in my head
I'm so ugly, but that's okay, 'cause so are you ...
We broke our mirrors
Sunday morning is everyday for all I care ...
And I'm not scared
Light my candles, in a daze
'Cause I've found God
yeah yeah yeah (x6)

I'm so lonely, but that's okay, I shaved my head ...
And I'm not sad
And just maybe I'm to blame for all I've heard ...
But I'm not sure
I'm so excited, I can't wait to meet you there ...
But I don't care
I'm so horny, but that's okay ...
My will is good
yeah yeah yeah (x6)

I like it - I'm not gonna crack
I miss you - I'm not gonna crack
I love you - I'm not gonna crack
I killed you - I'm not gonna crack

I like it - I'm not gonna crack
I miss you - I'm not gonna crack
I love you - I'm not gonna crack
I killed you - I'm not gonna crack

I'm so happy 'cause today
I've found my friends ...
They're in my head
I'm so ugly, but that's okay, 'cause so are you ...
We broke our mirrors
Sunday morning is everyday for all I care ...
And I'm not scared
Light my candles in a daze ...
'Cause I've found god

I like it - I'm not gonna crack
I miss you - I'm not gonna crack
I love you - I'm not gonna crack
I killed you - I'm not gonna crack

I like it - I'm not gonna crack
I miss you - I'm not gonna crack
I love you - I'm not gonna crack
I killed you - I'm not gonna crack

Faça o que eu digo, não faça o que faço.

Essa é a lógica de boa parte da mídia brasileira e alguns de seus repetidores, que pululam por aí.
O caso de Honduras é um clássico exemplo disso. Só existe uma Democracia possível para eles: A deles, e só. Toda a complexidade do mundo, os interesses geopolíticos e geoeconômicos, a diversidade das culturas, etc, etc, etc, sucumbe a divisão binária e maniqueísta que fazem do mundo. Eles são bem, todos que não seguem o que dizem, são o mal.

leia esse texto que copiei lá do blog Escrevinhador:

O vexame dos que defenderam o golpe

publicada quinta-feira, 20/01/2011 às 09:42 e atualizada quinta-feira, 20/01/2011 às 09:12

O vexame dos brasileiros que defenderam o golpe em Honduras
por Bruno Ribeiro, no blog A Trincheira
Se tivéssemos uma imprensa séria e profissional de verdade no país, determinados “comentaristas políticos” já teriam sido despachados e as empresas que eles trabalham veiculariam desculpas públicas pelas asneiras que disseram ou escreveram. Como não são e ainda duvidam da inteligência de quem os lê, vê e ouve, fica tudo por isso mesmo e quem falou ou escreveu a sandice continua ocupando espaço, ignorando solenemente a necessidade de se explicar ao distinto público.
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Poderia citar aqui vários jornalistas e comentaristas que usaram os mesmíssimos argumentos, e isso mostra como a maioria reza pela mesma cartilha, mas dentre todos os entoadores de mantra ninguém defendeu o golpe em Honduras com mais paixão e afinco do que Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor.
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Quando em 2009 os milicos tomaram o poder em Honduras, expulsando o presidente eleito legitimamente, a opinião pública internacional condenou de imediato. O comportamento da imprensa nacional foi esquizofrênico, fazendo eco a princípio com a reação internacional, mas logo em seguida mudando lentamente de posição, até defender abertamente a “legalidade” de um vergonhoso golpe de estado.
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Assim que o Brasil assumiu posição de protagonista ao enfrentar os golpistas e dar abrigo ao presidente legítimo na sua embaixada em Tegucigalpa, esse pessoal que ficou responsável por defender a legitimidade do golpe frente à opinião pública brasileira começou a repetir os argumentos fajutos dados pelos golpistas para tentar justificar o atentado contra a democracia daquele país.
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Afirmaram enfaticamente que o golpe era legítimo porque Zelaya tentara mudar a constituição. Na verdade, o que Zelaya tentou fazer foi um plebiscito onde a população decidiria se o presidente poderia ser reeleito ou não. Muito mais democrático do que tentar o mesmo através de emenda constitucional, sem respaldo popular como fez FHC em 1997.
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A desculpa oficial para justificar o golpe era uma cláusula pétrea na constituição que impedia a reeleição do presidente, portanto passaram a defender que não existiu golpe nenhum, e da mesma forma que vivem tentando reescrever a nossa história, determinaram que o que houve em Honduras em 2009 e no Brasil em 1964 foram “contra-golpes”.
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Nem o fato do governo golpista ter fechado TV, rádios e jornais à força, além de ter reprimido com violência manifestações populares mexeu com os brios de quem trabalha com imprensa ou estimulou condenações contra a restrição às liberdades de imprensa. Até a população que protestava contra o golpe e tomou as ruas de Tegucigalpa, chegando a fazer um cerco de proteção à embaixada do Brasil foi classificada como “partidários de Zelaya” e não “dissidentes” como eles costumam classificar opositores de regimes que eles consideram ditaduras.
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A humilhação já tinha vindo com uma das revelações do Wikileaks onde o embaixador americano em Honduras classificou o golpe como golpe, simples assim. Logo os EUA, por quem essas pessoas dedicam toda a sua reverência, vem a público ridicularizar suas teorias de “golpe branco”. Naquela ocasião já deveriam ter pedido o boné, como se diz no popular, mas o castigo tinha de ser maior.
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Pois bem, nessa semana o governo atual de Honduras, eleito em pleito não reconhecido pela maioria dos países, inclusive o Brasil, e o congresso daquele país aprovaram, em uma ação pouco noticiada pela imprensa brasileira, uma modificação na constiuição que permitirá a reeleição do presidente. Exatamente o que Zelaya tentou fazer e virou desculpa para o golpe de estado.
Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor não vão se explicar, vão continuar com espaço para falar o que o diretor de jornalismo da Rede Globo e os diretores da emissora gostariam de dizer, mas não tem coragem, no entanto, a cada dia mais gente vai entendendo o papel a que essas se prestam.

Miniconto.

Questionário.

Idade?
Suficiente
Profissão?
Sobrevivente
Sexo?
Solitário.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Será o duodécimo?

Eu não entendo de leis, orçamentos e essas coisas, por isso me socorro nas respostas as perguntas que deixo aos jurisconsultos.

A prefeitura de São João da Barra(pesada) divulgou nota(deve ter custado uma nota), que diz que os salários dos servidores daquele município estão ameaçados pela suposta leniência da Câmara em votar e devolver a LOA(lei orçamentária anual) a apreciação, sanção (parcial ou total) ou veto(parcial ou total) da prefeita, e seguindo o rito do processo parlamentar, manutenção e ou derrubada do veto, para, finalmente sanção e entrada em vigor(execução) do orçamento.

Lógico que, ensina Montesquieu, que há autonomia e independência entre os poderes, o que não significa um fracionamento irreversível que paralise a administração e promoçao do bem comum, que afinal, é o objetvo maior da governança em qualquer esfera de poder.

Por isso tudo pergunto: Não há, para esses conflitos políticos de atribuição, aparentemente insanáveis, o instituto da aplicação do orçamento atual pelo duodécimo do orçamento anterior, que em outras palavras autoriza a divisão do valor orçamento anterior por 12 (meses), e sua execução a cada mês do atual exercício (2011), a fim de que os serviços essenciais, incluídos aí o pagamento de servidores não sofram solução de continuidade, até que a nova Lei entre em vigor?

Se for assim, ainda que a Câmara de SJB esteja em mora, não caberia a prefeitura buscar soluções agéis que diminuíssem os efeitos da crise sobre os menos afortunados, ao invés de, "aparentemente", utilizar argumentos fatalistas para auferir desse triste episódio um ganho poítico, aliás, obtido com o sofrimento indevido de seus servidores?

Com a palavra os juristas.

Todos cobertos de lama: o sujo e o mal lavado.

Diz o ditado aí de cima que  incoerência é apontar erros nos outros, os quais pratica com afinco quando tem chance. Deve ser essa a lógica do desmemoriado ex-governador do estado do rio.

Não há dúvidas que é um escândalo que verbas alocadas em fundos estaduais, previstas em orçamentos e constituição federal e estadual, destinadas a intervenções ambientais de contenção, prevenção e socorro a tragédias naturais sejam desviadas a corporações de mídia, como noticiou o ex-governador, com repercussão em blogs e mídia em geral.

Mas, salvo me engano, quando no governo estadual, o atual deputado, à época governador, desviou, sistematicamente, os recursos do fundo estadual do ambiente, bem como os do fundo estadual da saúde, dentre tantos outros, para alimentar sua máquina de programas de propaganda a um real.

O rolo compressor da alerj permitia toda a sorte de malabarismos com o Erário.

Na época, quem se debatia contra essas manobras era um combativo deputado estadual, o minc, que hoje, estranhamente, silencia, a despeito de manter a pasta do ambiente sob sua esfera política de influência nesse governo.

Quem estará errado: o antigo governador que fazia o que hoje denuncia? O atual? O deputado que combatia e hoje silencia? Ou será que errados somos nós?

O ex-PT e o novo PT do b(acellar).

Não é a questão de nomes ou biografias pessoais que preocupa na questão (ou boato) da adesão do vereador marcos bacellar a seção local do partido do Lula, da Dilma, da Ideli Salvatti, mas também do hélio anomal, da odisséia, da neinha, do Zé Dirceu, e de tantos outros nomes que estão diametralmente colocados, mas inseridos em um mesmo contexto.

Não cabe aqui retocar e reafirmar um discurso moralóide. Quem quiser santos, vá a igreja (cuidado com os padres pedófilos!!!).

Não se trata aqui de achincalhar a conduta desse ou daquele, uma vez que a forma de financiar e patrocinar interesses políticos, dentro de partidos, parlamentos, esferas de poder executivo, enfim, na sociedade em geral, obedece a lógica da força financeira, quase sempre expressa sob o manto da hipocrisia legal-normativa, mal-disfarçada em esquemas de caixas dois, três, quatro, e por aí vão.

O vereador em questão não é estranho ao partido, e aqui já esteve, ainda que setores "cutistas" de então, dentre eles a própria vereadora de hoje, "denunciassem" a forma, digamos, heterodoxa, do sindicalista-eletricitário manter-se na presidência so STIEENF por uma dinastia, sob a suspeita de representar "mais" do que os interesses de sua categoria. Aliás, o referido sindicato ainda permanece sob sua zona de influência.

Essa fofocada infértil só serve para obscurecermos sentidos da audiência: interna e externa.

O debate é permanente ao PT, e é bom que assim seja, mas é preciso aguçar a percepção para que não desperdicemos energia.

Participei, junto com o atual presidente, de um grupo que questionava, fortemente, a filiação de Adilson Sarmet, seu sobrinho Pacelli, então integrantes do governo muda campos (versão original). Também nos opusemos, junto com o sindicalista Paulo Roberto Pereira Gomes do Sintttel, hoje radicado em Itaperuna, a filiação de Luciano D'Ângelo, dentre outros, senão me engano, o próprio Zé Luis Vianna.

Ingênuos, combatíamos a transformação do partido em um partido de "quadros", em detrimento de um partido de "massas", com enfoque na militância".

Lógico, a realidade se incumbiu de revelar nosso erro, em parte. Ótimos quadros, "reservas morais" do PT, estávamos errados na questão da personificação do problema.
Mas essa mesma realidade demonstrou que nosso receio não era infundado, e pior, estava subavaliado.

O PT, infelizmente, não se transformou em um partido de quadros em Campos dos Goytacazes. Se tranformou em partido de aluguel.
É claro que a mudança que o processo político experimentou nesses anos, com o encarecimento, industrialização, judicialização, midiatização, dando o aspecto de uma indústria profissionalizada de disputa por cargos eletivos, engoliu o PT também, e nele, justamente por sua origem e natureza, essas contradições ficaram mais explícitas, pois: uma mulher vestida de prostituta saindo de um bar não choca como uma freira fazendo o mesmo, ainda que as duas sejam mãe e filha, e o bar em questão promova um baile à fantasia.

Contudo, em nossa planície, e em nosso estado do Rio, essa metamorfose do PT assumiu contornos próprios.
Diz o adágio: a mulher de César deve ser e parecer honesta. O PT não só deixou de parecer, mas trilhou um caminho muito mais danoso a sua imagem: assumiu para si os defeitos do poder, sem nunca tê-lo exercido de fato nessa cidade.


Como se vê, ainda não superamos a questão, principalmente, porque ela é, e sempre foi falsa, em todos os sentidos.
Não há oposição entre ter quadros eleitoralmente viáveis, uma base intelectualizada e uma militância junto a sociedade, unida a uma base social mais ampla, ainda que menos orgânica. 

No entanto, essa  falsa oposição sempre serviu aos dois lados: aos puristas, para justificar o afastamento, um certo ar blasé, que reivindica os "acertos" do PT, enquanto, arrogantemente repudia os "erros", e aos pragmáticos, para justificar seus rolos compressores e sua adesão a qualquer um que tenha uma caneta ou peso político relativo junto a comunidade.

O que está em jogo no debate entre os ex-petistas e os adeptos do PT do b(acellar)não é a honestidade ou a forma republicana de encarar seus desafios e tarefas políticas na organização de uma alternativa de poder. Essa definição é sempre volátil, pois temos problemas na condução de prefeituras, secretarias, sindicatos, insitutos e universidades, etc, etc, etc.
Todos encaramos problemas éticos no dia-a-dia, e a vida nos incumbe de aprender que nem sempre fazemos a "melhor escolha", quer seja "emplacando carros no ES", quer seja "furando" um sinal, ou "tomando umas e outras" para depois dirigir.

O dilema principal é a histórica incapacidade de dois grupos que necessitam um do outro, mas optam pelo caminho da intolerância na ação política: os puristas não terão "voto", e os pragmáticos sempre se ressentirão do aval e da legitimidade que os primeiros obtêm na sociedade.

Esse trabalho, de catalizar essas visões, e unificar um discurso, aparando as arestas, deveria estar à cargo da presidência e de seus líderes partidários, uma vez que o exemplo do diálogo sempre deve vir de quem pretenda "liderar".

O problema é que houve uma redução de toda a ação política a mera questão de se tornar viável eleitoralmente, que, paradoxalmente, cada vez mais enfraquece o partido nesse sentido, a despeito de pequenos "sucessos" pessoais experimentados aqui e alí. Isso porque, ao pretender ter aquilo qude não se tem, tornam-se caricaturas de si mesmos, absorvendo os cacoetes (ônus) dos "esquemas" políticos, sem, no entanto, gozarem dos benefícios e de peso político correspondente.

Ao pretender fazer a "política por cima", o PT de Campos sempre se rebaixa.

Esqueceram, uns por ignorância, outros por cinismo, que capital político se acumula fazendo política, e fazer política significa incuir, identificando e reconhecendo a representatividade de cada setor, e conferindo legitimidade a essa condição, utilizando-a na referenciação do partido como um todo.
  
Porém, a visão cartorial permanece, o cunho "privatista" da ação política, reservada a exacerbação torta do que um dia já foi chamado de "tendência", que isola os grupos e oferece sempre uma visão externa de fragilidade.

Enfim, não se trata de repudiar esse ou aquele vereador. Dentro do PT tem gente muito "parecida" com ele, e pior: sem voto!

Sua chegada, caso se confirme, ou de qualquer outro, em iguais condições, traz prejuízos não por sua história, mas sim pelo fato de que qualquer um que chegue parece suficiente para nos fazer sombra, pelo bem ou pelo mal.

Têm razão os integrantes do juventude do PT. O PT não é esgoto.

É muito pior: Ainda jogamos nossos "dejetos" à céu aberto.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rios Pontes e Overdrives - Chico Science e Nação Zumbi (Hollywood Rock)


(...) Rios pontes e overdrives/Impresisonantes esculturas de lama(...)"

Esse é o verso de uma música do insubstituível Chico Science, em seu disco de lançamento, Da Lama ao Caos.

O vídeo acima é de sua apresentação no Hollywood Rock.

Presente em quase toda a sua obra, "a cidade", suas contradições, a forte marginalização dos pobres e o avanço de um modelo de urbanização sobre a própia a urbe!

*Para quem não sabe, overdrive é o termo em inglês para viadutos.


A lama era referência estética e política, na medida que o mangue (daí o termo mangue-beat, homens caranguejos, etc), ou a natureza, se confrontava com as "necessidades civilizatórias", simbolizadas no concreto.
O termo "esculturas de lama", talvez, seja a contraposição dialética da possibilidade do concreto retornar a lama (se desmanchar), pela tragédia, pela "vingança da natureza".


Eu queria, desde o início escrever algo sobre a incrível tragédia que se abateu sobre nossos irmãos da serra.


Algo que escapasse a superficialidade e leviandade de nossa mídia tradicional, que ora apela a exploração do melodrama, ora busca culpados onde não os há, no eterno jogo de injúria e difamação que move contra seus desafetos políticos.


Logo, me veio a associação a lama de Science e a montanha de lama e pedras que arrastaram bairros e vidas na cidade de Teresa, de Pedro e na pequena suíça do primeiros imigrantes suíços da região, sua nova Fraiburg.


Como na canção do gênio pernambucano, a lama aqui também representa o estado natural maculado pela intervenção humana.


Mas como povoar cidades, sem incorrer nos riscos de que a própria cidade, na medida que avança, acabe por se devorar?


Esse questionamento foi lançado por urbanistas e jornalistas,à época do incidente com o Metrô de SP, a linha amarela sobre o Rio Pinheiros.


Desde então esses temas me incomodam.


Houve mesmo uma "privatização" da agenda pública dos gestores muncipais e estaduais, que submeteram a lógica dos interesses públicos (segurança, sanitarismo, educação, infra-estrutura, transporte, etc), a necessidade de patrocínio as campanhas eleitorais, cada vez mais caras e midiáticas, e por conseqüência, ao domínio das corporações privadas que subsistem dessas enormes intervenções físicas no espaço da cidade?


Tudo indica que sim!


Nossa cidade é um exemplo acabado dessa tendência: A submissão de toda a vida a conveniência do lucro imobiliário e dos mega-investimentos.
 Essa lógica acontece também na vizinha São João da Barra. Em pouco tempo, não nos será possível enxergar o que é causa, o que é efeito.

São Paulo não é diferente. Rio de Janeiro idem. Friburgo, Petrópolis e Teresópolis tampouco. Se essa cidades "afundam", só ingênuos (ou os cínicos) poderiam dizer que é obra do acaso e da coincidência mórbida.


Cada vez mais, as comunidades dessas cidades entregaram seu poder decisório sobre seu espaço a mediação de grupos particulares, com interesses ainda mais particulares. Feito isso, a parte "podre" do negócio fica a cargo do Erário das cidades.


É tentador procurar um "culpado" dessas tragédias. Há toda a sorte de "culpados", para todos os gostos e entendimentos.
Desde as alterações climáticas que concentram grandes quantidades de precipitação em curtos espaços de tempo, omissão dos governos em fiscalizar e regulamentar a ocupação do espaço público, ou em outros casos, a ação da esfera pública para favorecer a voracidade do lucro do setor imobiliário, junto com a promoção de uma agenda de obras para suprir os acordos de campanha e o desejo(na maioria das vezes legítimo)de propriedade dos moradores.



Mas, enfim, é preciso dizer que nosso destino, sempre é fruto de nossas escolhas. E todos esses fatores que citamos antes concorrem para um fato: A cidade que temos é uma decisão dos seus cidadãos!



Cidades que privilegiam o transporte privado, a invasão desmedida e não planejada de áreas de risco, que ignoram solemente qualquer plano diretor, não poderão contar com "a sorte" de evitar mortes, desabamentos, soterramentos, alagamentos, enxurradas, epidemias, etc.



Estamos sempre "Da lama ao caos, e do caos a lama".

Abaixo a letra da música do vídeo:

Rios, Pontes E Overdrives Chico Science & Nação Zumbi
Porque no rio tem pato comendo lama ?
Porque no rio tem pato comendo lama ?

Rios pontes e overdrives
Impressionantes esculturas de lama
Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue!!!!
Rios pontes e overdrives
Impressionantes esculturas de lama
Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue!!!!
E a lama come no mocambo e no mocambo tem molambo
E o molambo já voou, caiu lá no calçamento bem no sol do meio-dia
O carro passou por cima e o molambo ficou lá
Molambo eu, molambo tu, molambo eu, molambo tu

É macaxeira, Imbiribeira, Bom pastor, é o Ibura, Ipsep, Torreão,Casa Amarela
Boa Viagem, Genipapo, Bonifácio, Santo Amaro, Madalena, Boa Vista
Dois Irmãos, é o Cais do porto, é Caxangá, é Brasilit, Beberibe,CDU
Capibaribe, é o Sertão eu falei.

Rios pontes e overdrives
Impressionantes esculturas de lama
Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue!!!!
Rios pontes e overdrives
Impressionantes esculturas de lama
Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue!!!!
E a lama come no mocambo e no mocambo tem molambo
E o molambo já voou, caiu lá no calçamento bem no sol do meiodia
O carro passou por cima e o molambo ficou lá
Molambo eu, molambo tu, molambo eu, molambo tu
Rios pontes e overdrives
Impressionantes esculturas de lama
Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue!!!!
Rios pontes e overdrives
Impressionantes esculturas de lama
Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue!!!!
Molambo boa peça de pano pra se costurar mentira
Molambo boa peça de pano pra se costurar miséria, miséria...



http://www.vagalume.com.br/chico-science-nacao-zumbi/rios-pontes-e-overdrives.html#ixzz1AvG65u3R

O "novo partido"!

Pensando bem, se confirmados os boatos acerca do "namoro", com possível retorno de um vereador ao PT, pouca coisa vai mudar.

Do jeito qe anda o PT em Campos dos Goytacazes, não seria leviano dizer que ficaria um verdadeiro "PT do B"!

Afinal de contas, as "coisas" estariam "todas nos seus devidos lugares"!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Estranha coincidência?

Toda a mídia nacional e internacional se esforçoram para arrancar um pouco mais de sensacionalismo do triste episódio no estado do Arizona, nos EEUU. Com a superficialidade de praxe, raros foram os veículos que vincularam o ataque, que culminou com a morte de várias pessoas, e que feriu gravemente outras tantas, a ação política da exterma-direita estadunidense, reconhecida pelo seu braço mais barulhento, o Tea Party.

Nessa busca pela diluição dos fatos, a mídia de lá e de cá tropeçaram em uma infeliz coincidência: Uma das vítimas, uma menina de 09 anos, nasceu no 11/09 e morreu, justamente, em outra tragédia da "civilização estadunidense", outrora e ainda, modelo (voluntário ou compulsório) para nós, ocidentais sulamericanos.

Os eventos, o ataque das torres gêmeas, e o atentado contra a deputada democrata que fazia um encontro político com seus eleitores em um supermercado, conhecido como Congresso na esquina, não têm nenhuma relação aparente, é óbvio. Mas se olharmos mais de perto, é impossível deixar de enxergar uma relação de causa-e-efeito entre os episódios de violência. Ao que parece, o ciclo de ódio e medo que foi instalado para combater o ódio que vinha "de fora", acabou por atingir em cheio os valores que mais eram caros a uma sociedade que, hoje, parece refém de si mesma.

Em tempos de discussão sobre a "legitimidade" dos atos terroristas em diversos contextos, vale à pena, até para conhecer e evitar sua propagação, a natureza do ódio que impregna essas ações, sua teleologia política, tudo de acordo, como dissemos, com a conjuntura na qual estão inseridos.

Para esse debate, trouxe do blog Dilema Dissonante um ótimo texto do Paulo Victor. Vamos a ele:

terça-feira, 11 de janeiro de 2011


O 11/9 revisitado

image "O tema das crenças tem sido muito comentados em alguns blogs que leio e que estão distantes do centro político. Este foi o tema de um curso que fiz na Academia Brasileira de Letras, “Mutações: A invenção das crenças, e semana passada ouvindo na internet uma destas palestras me deparei com uma leitura interessante acerca do sentido religioso do atentado contra as torres gêmeas. Esta leitura foi o tema da conferência de Jean-Pierre Dupuy que tento aqui reproduzir, com as minhas palavras.
O atentado as torres, segundo o conferencista, embora tenha atingido um símbolo do capitalismo mundial não teve efeito qualquer sobre o nosso modo de pensar racionalista e individualista. Tal modelo, já entronizado pelo senso comum, consiste em estabelecer razões para todas as ações da vida com base em desejos e crenças.
Ora, do ponto de vista das crenças toda ação é justificável, ou seja, conta com um mínimo de racionalidade. Assim, mesmo os atos insanos de terrorismo perpetrados em 11/09 podem ser explicados por meio de um processo em que se atribui crenças infactíveis aos agentes a fim de garantir a explicabilidade de suas ações. Por outras palavras, conferimos aos atos de outros motivações que não seriam capazes de nos fazer movimentar o mesmo dispêndio de força, rotulando-os como religiosos.
Isto só é possível pela criação de um estrangeirismo da cultura, ou seja, um sistema em que nós não nos reconhecemos naquelas pessoas, enquanto pessoas, e utilizamos argumentos no sentido de atribuir-lhes motivações insanas que nós mesmos não teríamos.
A explicação de Dupuy opõe-se a este sistema de alteridade invocando uma suposta identidade entre as culturas, entendendo tratar-se não de um ato de cunho religioso mas sim político. Menciona, em seu favor, a lição de Tocqueville que afirma que as maiores oposições se dão entre os iguais.
O que ele busca colocar no centro do debate é o caráter de espoliados com que os muçulmanos se reconhecem em relação ao ocidente. Afirma, para tanto, que na verdade eles não odeiam o “progresso” porém tem que lidar cotidianamente com a contradição de ser sistematicamente derrotados na luta pelo progresso. Assumem, portanto, o papel de vítimas, não pelo ódio ao ocidente, mas pelo próprio desenvolvimento do espírito competitivo no seio de sua própria cultura.
Enfim, invoca uma imagem de guerra civil dentro de uma única sociedade civilizacional compartilhada cujo motivo não é a defesa das tradições mas sua perda sem qualquer contrapartida. O ocidente não é, portanto, o seio da degeneração em si mesmo mas tão somente enquanto obstáculo ao “progresso” daquela parcela da civilização.
Tal processo de espoliação permitiu que os criminosos que fizeram o atentado contra as torres gêmeas, também por um senso anti-americano, pudessem ser vitimizados a uma pela injustiça da espoliação e também pelo autosacrifício.
Ainda assim, os teóricos continuam a se questionar sobre os objetivos e as estratégias dos terroristas sem perceber que seu objetivo não é, nem foi, derrubar as torres. As torres foram somente o alvo da inveja, do olhar atravessado, para o “progresso” do ocidente que representavam e o obstáculo ao seu próprio progresso.
Em suma, o que ocorreu não foi o ato sacrificial das vidas dos terroristas, o autosacrifício, mas o sacrifício real que agrega em si o terror e a veneração, ou seja, foi a própria sagração daquele espaço por meio da violência. Ali, o que foi sacrificado, a despeito de todo anti-americanismo, foram vidas inocentes. Tal fato só pode ser negado pelo discurso religioso que afronta o caráter político do ato realizado.
Por fim, enquanto realização do sagrado, da violência, o ato dos terroristas pode sim ser explicado mas não justificado, ou seja, ele quebra com o modelo de arrazoamento por meio de desejos e crenças."

Postado por Paulo Victor.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ronaldinho gaúcho: Quem dá mais para levar menos?

É ruim misturar a paixão, nesse caso a minha pelo Rubro-Negro da Gávea, o mais querido, com qualquer análise sobre os meandros do esporte, eviscerados pela chamada "novela" pela contratação do Ronaldinho Gaúcho.

Mais uma vez, o óbvio: Nosso futebol, a despeito de ser uma potência mundial, com reconhecimento nessa escala, insiste em se nivelar por baixo, em todas as instâncias: Mídia, "cartolas", jogadores, empresários e torcida.

A principal premissa: Se estivesse jogando bola, de verdade, como sempre fez nos clubes, ao contrário da maioria dos seus jogos pela seleção, essa celeuma toda não passaria de devaneio de torcedor, ou seja: Nunca estaria a caminho do Brasil.
Logo, como forma de criar uma "cortina de fumaça" em torno de uma negociação milionária, sem que o jogador esteja a justificar o investimento com o que sabe(ainda sabe?)fazer, é bem conveniente todo o "circo" montado. Se considerarmos as eternas dívidas do Flamengo, inclusive as dívidas públicas(INSS), esse bafáfá vem a calhar.

Outra questão: A "cobertura" da mídia nos dá a impressão que os "especialistas", comentaritas e jornalistas enfim, sabem tanto quanto nós, ou seja: Nada! Daí, toda a sorte de boatos, manipulações, ditos e desditos.

Ainda que concordemos que o esporte bretão seja um negócio, e dos grandes, a atuação do jogador, do seu empresário e dos dirigentes dos clubes, revela que não se trata de um negócio "limpo".

As últimas notícias sobre Fifa e seus dirigentes, propinas e promiscuidade entre verbas públicas e negócios privados dão a exata dimensão dessa assertiva aí de cima.

Não é de se surpreender que torcedores desse ou daquele clube chamem os jogadores de "mercenários".
 Aliás, isso não deveria ser ofensa, uma vez que todos nós sabemos que jogador só joga por dinheiro.
 Mas a forma pejorativa aproxima o contrato de trabalho a algo mais conturbado, e "mercenário" aqui se equivale a outra profissão, a mais antiga de todas, talvez.
Esse é a percepção do torcedor, do senso comum, que reflete o sentimento quem assiste a um leilão humano.

Os verdadeiros lances desse "leilão", poucos saberão, por isso, ficamos só com as impressões e palpites.

E se a primeira impressão é a que fica, a chegada de Ronaldinho me causou a pior possível.

Na contramão.

Tenho evitado tocar nos temas relativos a planície, embora essa seja a epígrafe desse gueto de palpites. Mas depois de ler alguns textos sobre o assunto, ficou o espanto:

A regulamentação do setor de transporte público(?) obedece a uma lógica, digamos, estranha:

Nada de transparência dos repasses da montanha de dinheiro da passagem a 1 real, ou licitação das linhas já operadas, muito menos exercício do poder concedente pela qualidade, pontualidade e eficiência do serviço.

O que nossos valorosos governantes vão fazer é chamar o "piratas", aqui chamados de "alternativos" para contribuir para a "legalização do setor". Ué, como assim?

Seria o velho caso da raposa chamada para ser porteira do galinheiro?

Eu imaginei...
Mas quem sou eu para imaginar? Afinal, não tenho votos e só pago impostos!
Porém, eu imaginei que que a regulação de um setor se desse pelo estabelecimento de normas, a partir do interesse dos usuários e conjugados à necessidade de viabilidade econômica dos prestadores legalmente instalados(ainda que nessa cidade, até as empresas de ônibus rodem sem linhas licitadas), onde os "alternativos", fossem tratados como tais, e  as suas demandas, ainda que justas, fossem limitadas pelo interesse de TODO o público, e não o contrário, como ficou patente.

É mais ou menos como se chamássemos os camelôs e a indústria da pirataria autoral para debater os rumos da indústria do entretenimento.

É mais ou menos como se chamássemos foras-da-lei para debater um anteprojeto de Código Penal.

Ora, se querem prestar um serviço, que obedeçam as regras e se submetam aos certames públicos esabelecidos, que visam coroar a concorrência dos que se mantiveram dentro da lei, e não o contrário!

E antes que se diga que se trata de preconceito contra os menos favorecidos, ou "criminalização" desse ou daquele "movimento, eu adianto: Se não deixarmos clara a diferença entre legal e ilegal, como convencer os que não cometeram infrações e abusos a não fazê-lo em nome de seus lucros ou sobrevivência pessoal?

O recado dado pela prefeita aos cidadão foi mais ou menos o seguinte:
" Se querem impor sua vontade e se "legalizar" pela "pressão", montem um grupo grande, atue em um setor estratégico, descumpra a lei, e quando sua "atividade" for um transtorno enorme, já instalado e cuja remoção traga prejuízos políticos irreversíveis, aí então, a gente conversa!"

Dilma, a "falha" da folha, Estado e religião: Um debate desfocado!

Não há dúvidas sobre a importância da liberdade de imprensa em sociedades regidas pelo estado democrático de Direito.
A própria presidenta Dilma já vaticinou, e sua história de resistência ao arbítrio e ao autoritarismo não deixa margem a especulações acerca dessa crença.

E se o poder se exerce através dos símbolos, e a linguagem é um dos mais importantes símbolos da atividade política, quando a presidenta diz que: "Prefiro o barulho da pior imprensa que o silêncio da ditadura", não é uma mera frase de efeito!

Mas o governo Lula, e agora o governo Dilma parecem dispostos a sinalizar, cada qual a seu jeito, que lutar pelas liberdades não significa ficar refém delas, ou de algumas de suas manifestações, nesse caso, o assédio dos grandes grupos de mídia, que há muito tempo, durante a campanha e até depois da posse, mantêm-se como um partido político de oposição.

O episódio de ontem, domingo, quando a folha de são paulo, porta-voz paraoficial da campanha serra, e dos demotucanos em SP, procurou instigar com suas manchetes o ódio religioso, a partir da constatação (falsa, diga-se de passagem)que a presidenta havia retirado de seu gabinete alguns objetos cristãos (um crucifixo e uma bíblia) revelou não só a conhecida (im)postura da nossa grande(?) mídia. Descortinou também recalques que temos que resolver no nosso campo político, sob pena de sucumbirmos a incoerência que pretendemos combater.

 O objetivo, além da informação (irrelevante), que nesse caso, se viu depois, era mentirosa (ou "mal apurada"), era indispor a presidenta com um tema incômodo, que já lhe trouxe prejuízos durante a caminhada rumo ao planalto: A religião! Assim, ao sentenciar que Dilma retirara os símbolos da fé cristã, a folha induzia seus leitores a:

1. Dilma é anti-cristã ou;
2. Dilma submete sua posição ao sabor dos ventos e necessidades de marketing, na medida que, ora assume (na campanha), ora renega (já no poder) sua fé, caso ela exista de fato.

A atuação rápida da secretária de comunicação Helena Chagas, possível apenas pela incrível rapidez e capilaridade que a internet possibilita,  tratou de colocar as coisas em seus lugares, e refez a verdade: O crucifixo saiu porque era propriedade de Lula, o antecessor, e o livro dos cristãos estava em outra sala, lá colocado antes da posse.

Na verdade, tudo acabaria por aqui, e mais uma vez (não a única, nem a última) estariam os meios de comunicação desnudados em seus interesses escusos.

Mas, infelizmente, não é só isso.

Aqui se esconde um detalhe grave, e como sabemos, aí mora o "diabo"!

Que a presidenta, quando em campanha, se esforçasse para evitar temas polêmicos, e tenha sucumbido às necessidades dos "fazedores de imagens" é compreensível, embora não seja desejável para um momento importante como é o da escolha do(a) maior mandatário(a) do país. Mas esse não é um problema só da nossa Democracia, e sabemos disso.

Mas o perigoso é a presidenta que disse em alto e bom som: "Sou a presidenta de TODOS", manter-se refém da lógica que mistura fé e Estado, religião e política!

Deveria haver o desmentido? Óbvio!

Mas por que limitar-se a desmentir, como se fosse um apressado "pedido de desculpas" aos católicos e outras denominações cristãs?

Ao se limitar a desfazer a manipulação da folha, ou a "falha da folha", a SECOM da presidência manteve uma parte do problema sob o tapete, e deixa arestas suficientes para que o tema volte a incomodar.

Ou seja: Combateram supreficialidade com mais superficialidade!

Perguntamos:
Em um Estado laico, deve a presidenta ostentar em seu gabinete símbolos relacionados ao culto de uma denominação religiosa qualquer que seja ela, ainda que majoritária?

Penso que não!

E mais:
Pouco importa qual o credo da presidenta, ou se não há nenhum.
Importa, e muito, se a presidenta é capaz de afastar a moral religiosa dos temas de Estado, única maneira possível de evitar a particularização das políticas públicas que se dirigem a todos, crentes ou não, porque afinal, independentemente da fé, são todos contribuintes.

Mais uma vez, assim como no caso battisti, ou no caso dos passaportes, perdemos uma ótima oportunidade de discutirmos as nossas contradições.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Militantes das Redes Sociais na Posse da Dilma por Helen Lima

Passaporte para Pasárgada!

Desde já deixo claro: Não concordo com o "tratamento" especial que parentes de "autoridades" têm para conseguir passaportes diplomáticos. Como também não concordo com foro privilegiado, ou prisão especial para portadores de diploma de terceiro grau. Se a discussão é acerca dos privilégios de alguma "casta", ou da prostituição dos interesses de Estado pelos negócios privados, eu também estou disposto a "cornetar".

Mas o que não pode, é direcionar a discussão a um único "alvo", nesse caso, o presidente Lula, por motivos que já sabemos: Boa parte da mídia tradicional se porta como partido político, embora grite, berre e espereneie por uma "neutralidade" que nunca existiu!

É divertido quando o próprio PIG desmoraliza o PIG. Essa é uma das boas coisas da liberdade de imprensa, e nós gostaríamos que esse dissenso se desse com mais freqüência, por questões editoriais e comerciais, como forma de evitar monopólios de informação.

Então, para comemorar, vamos a matéria do Estadão acerca dos "passaportes" dos filhos do Lula, elevado a tema crucial para nossa República nos últimos dias. Copiei lá do blog do Miro:

Passaporte: Estadão desmoraliza a Folha

Por Altamiro Borges

"A Folha inventou mais um factóide para arranhar a alta popularidade de Lula e, de quebra, criar constrangimentos para Dilma Rousseff bem no início do seu governo. Ela deu manchetes para a "grave" concessão de passaportes diplomáticos aos filhos do ex-presidente. Todo dia ela bate bumbo com este assunto "altamente relevante". Mas este escárceu todo é ridículo e, como tal, foi desmoralizado pelo concorrente Estadão.

Reportagem de Denise Madueño e Leandro Colon revela que a emissão destes passaportes é um fato corriqueiro há muito tempo. E não beneficia apenas os filhos de Lula, como a Folha insinua maldosamente - com objetivos políticos, de oposicionista hidrófoba. Outros ex-presidentes também tem esse direito, além de deputados e seus parentes.

Emissão de 360 passaportes

Segundo a reportagem, "pelo menos dois terços dos passaportes especiais solicitados pela Câmara dos Deputados ao Itamaraty, entre esta sexta-feira, 7, e fevereiro de 2009, foram para mulheres, maridos e filhos dos parlamentares. E cerca de 87% dos vistos internacionais para esses documentos tiveram motivação turística, segundo dados da Segunda Secretaria da Câmara, responsável por essa tarefa".

"Quem tem esse documento recebe privilégios em aeroportos, como filas e atendimentos especiais, prioridade em bagagens e, dependendo do país, fica até dispensado da necessidade de tirar visto... O balanço da Câmara mostra que cerca de 360 passaportes diplomáticos foram emitidos nestes últimos dois anos... De acordo com os dados, pelo menos 125 passaportes foram emitidos para filhos e 110 para cônjuges".

Guerra queimou a língua

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra - que fugiu da disputa pela reeleição ao Senado em Pernambuco, mas adora posar de jagunço -, emitiu uma nota com duras críticas ao ex-presidente na esteira do factóide da Folha. Ele devia ser mais cuidadoso com sua língua ferina. O registro da Segunda Secretaria mostra que, no dia 21 de dezembro do ano passado, o deputado Carlos Leréia (PSDB-GO) mandou o ofício 250/2010 pedindo passaporte diplomático e visto para ele, a mulher e três filhos viajarem para Miami.

Parlamentares de vários outros partidos também gozam deste privilégio. "Em julho de 2010, a Segunda Secretaria providenciou passaportes diplomáticos para dois filhos de Ratinho Júnior (PSC-PR) viajarem a 'turismo', segundo a Câmara, para Miami". A legislação para emissão de passaporte diplomático é vinculada ao decreto 5.978/2006 e garante este direito aos membros do Congresso e seus dependentes. O benefício pode até ser impopular, mas é legal - o que confirma a baixaria da Folha.

Tratamento diferenciado e seletivo

O curioso é que esse mesmo jornal, de propriedade da Famíglia Frias, nunca foi atrás das várias denúncias envolvendo o ex-presidente FHC. Alguns dos seus colunistas, até pelas relações íntimas que mantêm com o tucano, conheciam as denúncias, mas sempre o trataram como um "princípe da Sorbonne" acima de qualquer suspeita. No seu ranço de classe, preferem criticar o peão Lula, que tira suas férias em quartéis no litoral brasileiro, do que falar mal do aristocrático FHC, que sempre viajou para a Europa.

Como observou Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, a cobertura sobre factóide do passaporte especial - que a Folha detonou e, na dobradinha orquestrada, a TV Globo amplificou - é totalmente distorcida. Ela só engana os ingênuos, metidos a puristas. O tratamento diferenciado dados aos dois ex-presidentes só confirma a manipulação.

A mídia "jamais incomodou FHC com a história do filho ilegítimo que gerou com uma jornalista da Globo... As encrencas de outros filhos de FHC, os assumidos por ele, jamais chegaram tão rápido ao noticiário. Só em 2009, oito anos depois de o tucano deixar o poder, a mídia soltou notinhas sobre Luciana Cardoso, que recebia salários do Senado sem aparecer por lá para trabalhar", afirma, indignado, Eduardo Guimarães."

sábado, 8 de janeiro de 2011

Dilema crucial!

A maior expressão do PIG, as organizações globo, encontram-se de frente para seu maior dilema. Repetido a exaustão o dogma que regulação do setor de comunicações é censura, a globo vai ter que buscar argumentos para desdizer o que disse.
Propositalmente, a globo e seus comparsas do PIG "vendem" a idéia de que estabelecer marcos regulatórios (direitos e deveres) seja a mesma coisa que controlar a produção de conteúdo fossem a mesma coisa. Não é.
Mas agora, com o avanço de gigantes corporativos sobre o setor, leia-se as teles, Telefónica, por exemplo, e corporações de internet, como Google e outras sobre a plataforma de convergência de produção de conteúdos: internet, telefonia e tele e radiodifusão, as organizações globo precisam dar alguns anéis para não perder os dedos.
Vão ter que concordar com a agenda regulatória, para impor limites e salvaguardas as empresas nacionais, senão, vão sumir do mapa. Nesse ramo, com tendência clara a oligopolização, o orçamento global é mixaria frente ao "cacife" das teles.
Junte-se a isso, o momento delicado de corrosão dos números globais. Leia o ótimo texto de Rodrigo Vianna, em seu blog Escrevinhador:

Os números da Globo: lenta decadência

publicada quarta-feira, 05/01/2011 às 14:10 e atualizada quinta-feira, 06/01/2011 às 19:13

por Rodrigo Vianna
Altamiro Borges, aqui, e Paulo Henrique Amorim, aqui, destacam fatos que demonstram a decadência da TV Globo.
"O texto de Miro mostra que o Faustão – em crise de audiência (e de faturamento?) – demitiu a banda de músicos. E que o “Fantástico” enfrenta a pior crise de sua longa história. O Paulo Henrique relata como a audiência do “JN” encolheu em dez anos: o jornal apresentado por Bonner perdeu um de cada quatro telespectadores de 2000 para 2010 – são números oficiais do IBOPE.
São fatos. Não é bom brigar com eles. Mas é bom analisar esse proceso com cautela.
Quando entrei na TV Globo, em 95, o “JN” dava quase 50 pontos de audiência. Era massacrante.  O “Globo Repórter” dava perto de 40 pontos.
Em 2005/2006, quando eu estava prestes a sair da emissora, o “JN” já tinha caído pra casa dos 36 ou 37 pontos (havia dias em que o jornal local conseguia mais audiência do que o principal jornal da casa) e o “Globo Repórter”  se segurava em torno de 30 ou 32 pontos (programa que desse menos de 30 abria crise, era preciso sustentar a marca dos 30).
Esse tempo ficou pra trás. O “JN” já caiu pra menos de 30 pontos. E o Globo Repórter hoje patina em 24 ou 25 – dizem-me.
O “Jornal da Record” dobrou de audiência. Em São Paulo chega a 10 pontos, em outros Estados passa dos 12 ou 13. Nas manhãs, a Globo e a Record (com o SBT um pouco atrás) brigam pau a pau. E a Record vence em muitos horários matutinos, há meses. Aos domingos, a Globo também sofre. A grande jóia da coroa da emissora carioca é o horário nobre durante a semana: novelas+ JN. Nesse caso, os números revelam que o domínio da Globo se reduz, ainda que de forma lenta.
Muita gente espera o dia em que a Globo vai passar por uma hecatombe e deixará de ser a Globo. Acredito que isso não vai acontecer: a queda será lenta, negociada, chorada…  
A Globo poderia ter quebrado ali pelo ano 2000. No primeiro governo FHC, Marluce (então diretora geral) tivera duas idéias “brilhantes”: tomar dinheiro emprestado, em dólar, para capitalizar a empresa de TV a cabo do grupo; e centralizar as operações numa “holding”. Ela acreditou nas previsões do Gustavo Franco e da Miriam Leitão, de que o Real valeria um dólar para todo o sempre! Passada a reeleição de FHC, em 98, o Brasil quebrou, veio a crise cambial e a Globo ficou pendurada numa dívida em dólar que (de uma semana pra outra) triplicou.
A dívida era da TV a cabo mas, como Marluce e os geniais irmãos Marinho tinham centralizado as operações na holding, contaminou todo o grupo. A Globo entrou em “default”. Quebrou tecnicamente. Poderia ter virado uma Varig. Mas conseguiu (sabe-se lá com quais acordos e pressões políticas) equalizar a dívida.
Quando saiu da crise, em meados do primeiro mandato de Lula, a Globo (o jornalismo) estava já sob os auspícios de Ali Kamel – o Ratzinger. Ele conduziu a empresa para a direita: contra as cotas nas universidades, contras as políticas de combate ao racismo (“Não somos racistas”, diz), contra o Bolsa-Família. O grande público não percebe isso de forma racional. Mas (mesmo que de forma despolitizada) sente que a Globo ficou contra todos os avanços sociais dos últimos 8 anos. Lentamente, foi-se criando uma antipatia no público. Ouve-se por aí: a Globo não fica do lado do povão.
Não é à toa que um fenômeno novo surge nas grandes cidades, como São Paulo. Nas padarias, restaurantes populares, pontos de táxi, era comum ver televisores ligados sempre na Globo. Isso há 7 ou 8 anos. Acabou. De manhã, especialmente, a programação da Record e do SBT (e às vezes também dos canais a cabo) entra nas padarias, ocupa os lugares públicos.
Essa é uma mudança simbólica.
Mas é bom não brigar com outro fato: boa parte do público segue a ter admiração e carinho pela progamação da Globo. E há motivos pra isso, entre eles a qualidade técnica. A iluminação, a textura da imagem, o cuidado com o bom acabamento. Tudo isso a Globo conseguiu manter – apesar de muitos tropeços aqui e ali.
Fora isso, apesar de toda crítica que façamos (e eu aqui faço muito) ao jornalismo global, é bom não esquecer que na TV da família Marinho há sim ótimos profissionais, gente séria que tenta (e muitas vezes consegue) fazer bom jornalismo.  
Esse capital – qualidade técnica – a turma do Jardim Botânico tem conseguido manter. O que não ajuda: a política editorial, adotada por exemplo durante a posse de Dilma. Ironias desmedidas, falta de compreensão do momento histórico e uma arrogância de quem se acha no direito de “ensinar” como Dilma deve governar. A seguir nessa toada, a decadência será mais rápida…
E o que mais pode entornar o caldo por lá? Grana.
A Globo tem custos altíssimos de produção. Quem conhece de perto o Projac diz que aquilo é uma fábrica de boas novelas e minisséries, mas também uma fábrica de desperdício. Empresa familiar, que cresceu demais. Cada naco dominado por um diretor, como se fosse um feudo. Até hoje a Globo conseguiu manter essa estrutura porque ficava com uma porção gigante das verbas públicas de publicidade (isso mudou com Lula/Franklin) e com uma porção enorme da publicidade privada: o BV – bônus em que a agência é “premiada” pela Globo se concentrar seus anúncios na emissora – explica em parte essa “mágica”; outra explicação é que a Globo detem (detinha!?) de fato fatia avassaladora da audiência.
Com menos audiência, as agências (ou as empresas anunciantes, através das agências) podem pressionar para que o valor dos anúncios caia. Se isso acontecer, a Globo vai virar um elefante branco. Impossível manter aquela estrutura verticalizada se a grana encurtar.
Qual o limite que a Globo suporta? Difícil saber. Mas dispensa da banda do Faustão é um indicador de que a água pode estar subindo rápido.
Outro problema sério: o risco de perder a transmissão do futebol, ou de ter que pagar caro demais para mantê-lo.
Tudo isso está no horizonte. E mais: a entrada das teles no jogo. O Grupo Telefônica, por exemplo, fatura dez vezes mais que a Globo. Como concorrer? Só com regulação do mercado, assegurando nacos para os proprietários nacionais.
Ou seja: a Globo – que é contra a regulamentação (“censura”, eles bradam) por princípio – vai ter que pedir água, vai ter que negociar alguma regulação pra conter os estrangeiros. E aí pode entrar também a regulação que interessa à sociedade: critérios para concessões, e também para evitar o lixo eletrônico e os abusos generalizados na TV. Regulação, como em qualquer país civilizado. Até aqui a Globo tentou barrar esse debate. Mas vai ter que aceitá-lo agora, porque ficou mais frágil.
De minha parte, não torço pra que aconteça nenhuma “hecatombe”, nem que a Globo quebre. Mas para que fique menos forte, e que o mercado se divida.
Parece que é isso que está pra acontecer. Seria saudável para o Brasil."


Contribuições ao debate!

Reproduzimos o texto de Mino Carta acerca de decisão de Lula no caso Battisti:

A injustiça dói

Reflexões sobre o último capítulo do caso Battisti. Talvez não seja o derradeiro. Por Mino Carta. Foto: Nilton Fukuda/AE
Reflexões sobre o último capítulo do caso Battisti. Talvez não seja o derradeiro
Ao negar a extradição de Cesare Battisti, Lula conseguiu reunir a direita italiana à sombra de uma única bandeira, como se deu em manifestações de protesto encenadas em Roma diante da embaixada do Brasil e em Milão em frente ao consulado. Os direitistas viviam desavenças de diversos matizes, a ponto de pôr em xeque a maioria parlamentar de Silvio Berlusconi, agora marcham juntos, contra aquela que consideram afronta à nação e à pátria.
Enredo penoso, nutrido em grande parte por ignorância, incompreensão, hipocrisia, recalques e retórica. Há “patriotas”, e ponho a palavra entre aspas de caso pensado, dos dois lados. Dar guarida a um delinquente comum em nome da soberania nacional é patético. Quanto à afronta que na Itália inflama ânimos reacionários, existe quando se pretende que Battisti, caso extraditado, sofreria perseguição política e correria risco físico. Ou seja, o Estado italiano, democrático e de Direito, não tem condições de garantir a segurança dos seus presos. Ora, em relação ao ex-terrorista só haveria uma certeza: devolvido à Itália, iria para a cadeia. Certamente, com a pena sensivelmente reduzida.
Escreve Sergio Romano, historiador e ex-diplomata de valor: “Gostaria de acreditar que Lula julga a Itália com os óculos de sua experiência brasileira”. Aprecio a definição, mas dia 31 de dezembro o presidente agiu ao sabor da sua índole e a alegada soberania de fato é a visão de um grupelho de correligionários mais ou menos milenaristas, e nem todos de boa-fé. Lula, que diz nunca ter sido de esquerda, quis agradar a um grupelho de fanáticos do Apocalipse distante da compreensão do papel que hoje cabe a um verdadeiro esquerdista em um país ainda humilhado por graves diferenças sociais e por uma lei da anistia imposta pela ditadura.
O caso nasce do erro clamoroso de Tarso Genro, à época ministro da Justiça, ao enxergar em Battisti um foragido político, com a pronta adesão de quantos, poucos felizmente, mas influentes, não percebem a diferença entre quem pega em armas para enfrentar a ditadura e quem as pega com o propósito declarado de derrubar um Estado Democrático de Direito. Sustentava então o professor Dalmo Dallari que a Itália dos anos de chumbo estava entregue a um governo de extrema-direita, para espanto até mesmo daqueles que têm conhecimento apenas superficial da história recente. Governava a península uma coligação de centro-esquerda, o presidente da República era o socialista Sandro Pertini e dois líderes do porte de Aldo Moro, democrata­ cristão, e Enrico Berlinguer, comunista, preparavam-se a selar um grande entendimento dito compromesso storico.
A este gênero de ignorância juntavam-se a manifesta intenção de pôr em julgamento as sentenças dos tribunais italianos, cominadas em três instâncias à revelia, pois Battisti estava foragido. Ouvi do próprio Genro a afirmação de que, em outras circunstâncias, o ex-terrorista teria sido absolvido. Compete ao ministro da Justiça do Brasil discutir as decisões das cortes de um Estado Democrático de Direito? Na Itália, a Justiça é até hoje um poder independente e não hesita em causar notáveis dissabores ao premier Berlusconi, este sim tão diferente dos líderes da década de 70. E foi em 1978 que Moro foi assassinado pelas Brigadas Vermelhas em um cenário de terrorismo até o último sangue em que se infiltravam os serviços secretos das potências de então, a começar pelos EUA, tão escassamente inclinados a aceitar a ideia do compromisso histórico.
Triste episódio, o caso Battisti, qualquer que venha a ser seu desfecho. A Itália mantém polpudos interesses no Brasil, onde suas multinacionais faturam alto. E o nosso país é um emergente de futuro certo, aposta de olhos fechados. Donde a previsão de que a questão se componha sem maiores sequelas é possível, se não provável. Sobraria uma inevitável ponderação: a injustiça dói.
Claudio Magris, que concorreu ao Nobel com Doris Lessing em 2007, diz em um artigo publicado pelo Corriere della Sera: “O presidente Lula, que continuaremos a admirar pela inteligência e pela coragem com que enfrentou tantos problemas cruciais do seu país, manchou o fim do seu excelente mandato com ofensas gratuitas à Itália e com a proteção oferecida ao pluriassassino Cesare Battisti”. Magris professa ideais de esquerda.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A "mulher" do "homem"!



Esse é um tema polêmico, onde qualquer deslize para "lá" ou para "cá" pode resultar em sentenças irrevogáveis: Machista, troglodita, canalha, ou pelo outro lado, hipócrita, cafajeste bajulador, etc, etc.

Mas o simples fato da mobilização em redor do assunto demonstra que ele está mal resolvido, e todos sabemos disso. As manifestações acerca do problema revelam boa parte do "caráter nacional", duvidoso, como sempre.

Refiro-me ao caso da mulher do vice-presidente, Marcela Temer.

Elevada a categoria de assunto nacional, não pela sua atuação ou seus atributos intelectuais, até agora desconhecidos, mas por sua beleza e a diferença de idade que mantém com seu marido, a saber, mais de quatro décadas.

Primeiro: Michel Temer tem dinheiro, poder e prestígio que o permitem escolher o "melhor" para ele, e se para ele, o "melhor" é ter ao seu lado uma mulher que pareça sua neta, e se ele "agüenta o tranco" dos comentários, ÓTIMO PARA ELE!

O grande problema da luta de movimentos de gênero, no meu raso entender, é combater o preconceito com mistificação.

Desse jeito, reproduzem com sinal trocado, as injustiças que desejam combater, ou pelo menos, agem como se fosse secundárias essas injustiças, e explicitam as contradições que têm sobre o problema. Ora, pouco importa se Michel Temer faz suas escolhas sentimentais pela idade e beleza, e se a sua esposa se submete a esse critério. Não me consta que o "cargo" de esposa de vice-presidente seja relevante para a agenda nacional.
O grave nessa questão é saber se as escolhas para exercer certas funções obedecem ao rito e a "ditadura" do gênero misturada a estética. E a julgar pela reação de todos os lados, perece que sim, embora todos esse lados envolvidos na discussão se dediquem a nos fazer acreditar que não, por motivos distintos, diga-se de passagem:
Para alguns homens porque se aproveitam disso, mas não pega bem admitir, e para as mulheres porque traz, para algumas, humilhação e vergonha, para outras, ressentimento por não desfrutarem dos atributos exigidos, e para outras, enfim, por tentar desconhecer que essa "categoria de mulheres" (as jovens, e belas) usam e conseguem escalar a pirâmide social com essas características.
A questão não é a "existência" dessa categoria, mas o fato dela parecer preponderante.

Se duvidássemos da sinceridade dos propósitos das "companheiras", diríamo-nas hipócritas, mas esse não é o caso. A dominação machista é, SIM, nefasta, e seus resultados em nossa, e outras sociedades, é devastadora. Portanto, essa é uma luta honesta, embora reconheçamos, nem todas as "lutadoras" sejam!

Mas vamos aos fatos, e perguntamos, de início:
Quantos homens sexagenários pobres, doentes, aposentados pelo INSS, com diabetes ou outras doenças crônicas como erisipela, gota, espinhela caída, têm ao seu lado mulheres jovens e bonitas como companheiras? Qual é o poder de "sedução" que eles têm ou teriam? Debate intelecutal, "ancestralidade" ou "experiência"? É possivel uma união com esses elementos? Claro, mas é regra ou exceção?

Então questionemos a regra!

Nesse sentido é preciso dizer: Vivemos em um país onde mulheres ganham menos por exercerem as mesmas funções, são minoria nos cargos de mando, públicos ou privados, são as maiores vítimas de violência, dentre outras situações adversas, que são potencializadas quando se tratam de mulheres mais pobres. Esse é o cerne material que repercute em campo simbólico, e vice-versa!
No século XXI mulheres ainda têm como referência o "HOMEM", e mobilizam seus esforços em "dividir" com eles a hegemonia do poder simbólico da sociedade, uma vez que os dados do IBGE revelam que, economicamente, as mulheres, ainda que ganhem menos, já são maioria no "comando" das famílias.

A causa feminista é atual? Claro!
A causa feminista é justa? Justíssima! Mas a defesa do feminismo entre mulheres é homogênea e coesa, com um sentido de classe e de grupo definidos? Nunca!

Por outro lado: Há mulheres que usam seus atributos físicos para alçar condições de destaque? Penso que sim!
E mais: Nossa sociedade valoriza atributos alheios aos exigidos para cargos e funções, quer dizer, a estética vale mais que a intelectualidade, seja para homens e mulheres, ou seja, essa é uma categoria de disputa legitimada ideologicamente por homens e mulheres? Claro!
Lembremos que até bem pouco tempo certos anúncios de emprego exigiam "boa aparência" como atributo, onde se entendia subliminarmente que negros e mulheres feias estavam desde já eliminados!

Em suma, sem esgotar o debate, inesgotável:

Repudiar ou negar a mulher ou homens que elejam a beleza e juventude como categoria de "disputa" para aceitação e, ou legitimação social é inócuo.
O que vale é permitir ou conseguir que outras categorias tenham tanta ou mais relevância que essa.

Melhor: Que cada disputa tenha os atributos relacionados às funções que se destinam.

Quer dizer: Para concurso de miss basta ler o Le Petit Prince, de Exupery. Para esposa de Temer(se ele assim escolher), basta Marcela. Para presidente, eu prefiro Dilma!