domingo, 12 de dezembro de 2010

Vale a pena ver de novo?

O desenrolar da situação de "precariedade perene" que vivemos desde 2004, parece que desembocará em mais do mesmo! Uma repetição ad nauseam do fenômeno o qual somos todos causa e efeito, vítimas e cúmplices.

Embora parte do jornalismo local se atenha ao pazer fugaz de praticar a adivinhação, como "Mães Dinás", ávidas por reconhecimento e algum din-din, e que, no fim das contas, funcionam como relógio quebrado, que marcam a hora certa duas vezes no dia, mas vivem parados no tempo, pouco importa qual será o quadro eleitoral que se formará, a partir dos acertos partidários que se avizinham.

Por isso, deslocam, propositalmente, o debate, dando ênfase nos arranjos pessoais que norteiam as legendas, em detrimento de uma ampla discussão sobre os problemas locais, até porque, patrocinar esse debate seria exporem-se a questionamentos sobre a promiscuidade que eles mesmos cultivam com o poder.

Um parêntese: Até a eleição é precária, pois uma decisão judicial a faria esvaziada de propósito, ou em termos caros aos especialistas: "perda de objeto".

Mas, voltemos ao ponto:

No atual contexto, pela conformação das forças políticas que se movimentam, não há esperança que as estruturas do poder, ou a natureza do sistema de representação que temos, experimentem alguma mudança que afaste a instabilidade que vivemos.

Os partidos definirão suas táticas, e com uma, duas ou mais candidaturas de oposição, que significa uma alternância de uma (improvável) união de primeiro turno, ou na aliança apenas na segunda etapa eleitoral, se acaso, houver turno complementar, mas que nada modificarão a forma de fazer política local.

Esquecida em sua proposta inicial, as conversas suprapartidárias que visavam estabelecer uma agenda de governança que apontasse a superação de certos "vícios" que contaminam as instituições locais, passaram a remeter a um tópico para o qual, dificilmente, haverá consenso: Os nomes!

Claro, ninguém é idiota de supor que essa questão não seja das mais importantes, e que o tempo urge em definições. Mas uma breve olhada no elenco, sabemos que o roteiro é igual, e o final, nada feliz.

Assim, as eleições locais cumprirão a sua triste sina de contemplar essa ou aquela facção do garotismo, sem que seja feita sua evisceração necessária, ou melhor: Nosso "inventário político", que nos revele o quanto temos desperdiçado oportunidades, e quantos erros cometemos, e como podemos aprender com eles, para trilharmos um futuro que escape desse fatalismo cínico.


Um mandato de dois anos não oferece muita possibilidade, ou margem de manobra, para sedimentar um projeto político coeso, que desponte como viável nas eleições de 2012.  Some-se a isso, o fato de que o novo prefeito(a) não terá o suporte de ter apoiado ou ter sido apoiado por candidatos a vereador, situação que dá outra dimensão a relação entre os poderes. O prefeito(a) chegará com a Câmara "pronta", e a julgar pela sua composição, não há de se esperar muito.

Quer dizer: A chance de "renovação", nesse contexto, é quase nula!

O chefe do garotismo local, que empresta nome a esse tenebroso movimento político, com sua incrível capacidade de enxergar o processo todo já entendeu isso, e sabe que o que está em jogo é 2012, portanto, sobra "altruísmo" para desconstruir as ambições dos pré-candidatos de seu grupo, quando reivindica a ausência do pleito, a fim de deslegitimá-lo.

Verdade ou não, essa "jogada" possibilita uma solução de força (como sempre) que lhe confira peso para decidir o que fazer(até se lançar como candidato), mas acena também que o "chefe" compreendeu que um mandato-tampão não seduz, e muito melhor seria rearrumar a coesão da sua base parlamentar local, em uma oposição feroz ao prefeito(a) eleito(a), esvaziando seu pestígio até 2012.

Outro ponto, crucial, nesses dias de partidarização judicial, é ganhar tempo para reconquistar as condições legais dos principais quadros de seu partido, de uma forma ou de outra, atolados até o pescoço em querelas legais.

É esse cenário que os interlocutores partidários da atual oposição(?) devem levar em conta: Se errarem ou repetirem os erros (e tudo indica que o farão), darão o tempo necessário e vital para que o núcleo duro do garotismo recupere as forças, e elabore sua nova fase de poder, a partir de 2012.


HOJE,eu não tenho dúvidas: Vou de voto NULO!

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