terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mais realistas que o rei!

Mais que os segredos que revela, nem tão secretos assim, afinal, que os EEUU são imperialistas e querem impor sua visão de mundo a todos os demais, e que a sua diplomacia não enxerga outro modo de relação internacional que não seja a cooptação e subordinação de seus pares não é lá uma grande novidade, o site WikiLeaks tem o "dom" de revelar o papel ridículo que as "elites locais" fazem para se adaptar as exigências dos patróns do Norte.
Tudo reverberado com gosto, fé e doutrinação pelos paladinos da liberdade de imprensa que agora, pasmem todos, nenhuma linha dedicaram a escandalosa caçada de quem patrocina os direitos que dizem defender.
Outra vez não há novidade, ou seja: Em disputas políticas em ambientes democráticos é normal que os grupos travem embates para fazer valer sua visão de mundo, ancorados nos interesses que lhes sustentam.

O problema é a hipocrisia e a velha mania de achar que o "outro" é idiota.

Só isso explica o afinco com que a nossa mídia tradicional nacional dedicou a tese de que NÃO HOUVE golpe em Honduras.
Abertos os arquivos da diplomacia do Tio Sam, qual a surpresa: Washington não mediu palavras: TRATAVA-SE DE UM GOLPE!

Lógico que essa assertiva não esgota o debate, nem tampouco delimita pela visão estadunidense o que é ou não democrático, aliás, recomenda-se inclusive o contrário, pois nas palavras de alguém que não me recordo: "Os EEUU têm cada vez mais dificuldade em conviver com os princípios que dizem defender".

Mas é engraçado assistir o silêncio ensudercedor dos patriotas locais, que passaram dias e dias a cantar a supremacia de Roberto Micheletti como herói da Democracia hondurenha, quando até a Casa Branca que o bancou não o enxergava nem mais, nem menos do que era: Um escroque golpista!

Salve a liberdade de expressão, desde que seja expressão de liberdade!

Um comentário:

Roberto Torres disse...

Interessante foi um editorial do jornal o globo dizendo que a mídia tradicional tem mais credibilidade do que a "mídia irresponsável" do tipo WikLeaks por que saberia conciliar liberdade de imprensa com seguranca nacional.

Ora, desde quando à imprensa cabe zelar pela seguranca nacional? Se for assim entao se legitima que a imprensa pratique autocensura, antecipando as vontades do poder e privando o público de fiscalizar o poder.

E a seguranca nacional em questao nem a nossa..o que mostra, de novo, como velha mídia é a expressao perfeita da "internalizacao do colonialismo".