quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A banalização da banalização!

Poderíamos escrever laudas e laudas acerca do resultado das votações que consagraram as contas do ex-prefeito Alexandre Mocaiber e seu vice, que ocupou o cargo por cerca de 40 dias, o deputado estadual eleito, Roberto Henriques.

Mas por mais que escrevêssemos, sempre ficaria a estranha sensação de que trata-se de mais do mesmo.
E é isso.
Só isso: Mais do mesmo.

Partindo do pressuposto que hoje, os dois ocupam lados opostos, que foram aliados, mas antes eram opostos, e vice-versa, saberemos que a cena política dessa cidade se resume a essa alternância bipolar.

Se olharmos o placar da votação (leia no blog do Cláudio Andrade), ainda que procuremos alguma diferenciação nos votos que recusaram as contas, não haverá:
Todos os 04 vereadores estiveram direta ou indiretamente envolvidos com os escândalos que culminaram com o afastamento do ex-prefeito. Alguns foram além, e funcionaram como sua "tropa de choque", em solidariedade política explícita.
Agora, negam o ex-prefeito, como se nada tivessem que ver com suas contas!

Fica só a sensação de traição. Mais uma vendetta na planície. Só mais uma!

Não havia, é verdade, esperança alguma que fosse diferente, e os pragmáticos dirão que esse é o curso natural (ou normal) da política. Ok, eu concordo, não sou ingênuo.

Mas será que um dia não poderia ser um pouquinho diferente?

Será que em um gesto extremo, de auto-conhecimento e humildade, alguns dos nossos representantes pudessem olhar seu passado "de frente", e dizerem:

"Erramos em apoiar tão nefasto governo, e por não oferecer à população uma alternativa. Erramos por criar um sistema que só realimenta suas próprias estruturas, enquanto a maioria da população vive à míngua, diante de uma riqueza bilionária.
Submetemos Vossos interesses (nossos eleitores e fonte de nosso poder)aos nossos interesses particulares e de nossos pares. Rasgamos os mandatos que nos conferiram! Pior: subvertemos a lógica desse mandato desde seu nascedouro, e dissemos em uníssono: Não há direitos, só troca de favores!
Por isso votamos contra as contas, porque junto com esse voto está nossa auto-condenação, e por isso pedimos desculpas!"

Creio que nunca assistiremos tal cena. Nossos líderes se acreditam infalíveis!

São vítimas e algozes da própria imagem que criaram de si mesmos, e entendem que votos e cargos são couraças que os protegem de qualquer questionamento, e em um paradoxo estranho, se afastam da realidade, enquanto criam uma dimensão onde valores e princípios são sempre relativos!
É o novo absolutismo: Onde tudo é relativo!
É o novo absolutismo: Onde os fins são fins em si. Não há meios. Não há justificativas!

Será que esse fatalismo, ou para outros, a maldição dos royalties, nos condenará a ter uma democracia onde o grande dilema é saber qual a decisão judicial que cassará o próximo prefeito?

Será que, a bem da verdade, somos capazes de nos acostumar com tudo mesmo?

Então, não ria. Isso também é culpa nossa!

2 comentários:

Anônimo disse...

A Gozolândia está de volta !

Anônimo disse...

Essa é a cidade da Gozolândia por parte dos políticos pois eles fazem o que querem e não dá em nada !!! E no final das contas acontece isso aí ... VIVA A GOZOLÂNDIA VIVA !!!!!!!!!!!!!!!!!