sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As modalidades regionais do garotismo: São João da Barra!

Esqueçamos um pouco nosso infortúnio, e passemos a dar uma olhada em nosso entorno.
Penso que a força de um fenômeno político como o garotismo não se restringe a uma cidade apenas.
Não foi assim com o carlismo, na Bahia, nem com os sarney no Maranhão ou outras manifestações em outros Estados da Federação, como quércia em SP, ou os barbalho no Pará.

Pelo contrário, a História nos ensina que esses movimentos políticos se espalham pelas regiões desses Estados, e comumente alçam seus "chefes" ao poder Estadual, em um ciclo de auge e decadência típicos.

Hoje, no Norte Fluminense é pouco provável que qualquer analista arrisque dizer se o garotismo está em queda. Mas todos serão unânimes em afirmar que sua trajetória de ascenção está estagnada.
Também seria certo afirmar que novos ciclos estaduais podem renascer, dependendo da correlação de forças e das conjunturas a que estão submetidas, e desta feita, pode o garotismo recuperar o espaço perdido na esfera estadual, pois na seara local, nada parece autorizar-nos a dizer que estão mais fracos.

Dentre as cidades de nosso entorno, por questões culturais e geográficas, a que mais nos interessa é São João da Barra.
Aprazível balneário, onde boa parte da classe média e a elite migra no verão, acostumamos a enxergar aquela pequena cidade como uma extensão de Campos dos Goytacazes.

Esse fato se evidencia pela "troca" de quadros políticos entre as cidades, e não é incomum que autoridades de SJB sejam campistas ou coabitem os dois municípios.

Parte da economia de SJB também obedecia aos humores de Campos dos Goytacazes.

Com o advento dos royalties e, recentemente, com a chegada de vultosos investimentos em infra-estrutura, como o Porto do Açu e as demais instalações de um possível futuro distrito industrial, SJB começou a experimentar certa "autonomia" em relação a seus irmãos goytacá.

E mais: Os movimentos econômicos locais passaram a nos interessar, na medida que os impactos (negativos e positivos) de tanta punjança podem, e devem, extrapolar os limites daquele município litorâneo.

Em um exemplo tosco, basta ver o que os caminhões de pedra fizeram pelas ruas da nossa cidade.

Mas há no cenário sanjoanense uma peculiaridade que a torna incomum.

É a mistura de um caudilhismo caipira (e tacanho), nos moldes e oriundo da escola garotista, recém alçado a interlocutor cosmpolita, como se fosse a família buscapé em trajes de gala, e sentado a frente de talheres de prata, junto com um setor empresarial voraz e alpinista financeiro, de modos refinados, mas de essência selvagem!
Essa relação (mistura), a efeito, um truque velho das elites nacionais: acenar com "convites" aos seus pares locais para "sentarem-se à mesa", desde que o povo e seus interesses permaneçam comportados e domesticados nas "senzalas".

Nenhum preconceito contra a caipirice, que fique claro. Mas nossa repulsa reside no fato de que as autoridades sanjoanenses se portam como todas as outras da região:  Desprezam seu saber e os interesses locais (caipiras), para adotar os "maneirismos" e "cacoetes" do jetset empresarial nacional, sempre ávido por "oportunidades" de faturar alto, às custas das viúvas locais, e dos sacrifícios do "populacho".

Resultado: A situação institucional de SJB parece que deu um nó, e tal e qual Campos dos Goytacazes, mas com elementos próprios, parace acenar que não haverá futuro, ainda que as possibilidades e oportunidades sejam enormes.

O que acontece então?

Ora, como dissemos, o modelo caudilhesco garotista, que a prefeita local é discípula, embora hoje milite em campo político oposto, obedece a uma agenda de ignorar os interesses locais, desprezar qualquer diálogo com a sociedade civil, e transformar cada crítica ou dissenso em uma questão simplista e maniqueísta do tipo: Quem não está conosco, está contra a cidade.

Não há dúvidas, ou melhor, restam poucas dúvidas que a oposição sanjoanense, em sua maioria, busca apenas criar dificuldades para oferecer facilidades, aliás, essa é outra característica do garotismo "importada" pelos sanjoanenses: As oposições só diferem da situação pelo fato de não possuírem as chaves do cofre, mas na essência, praticam os mesmos métodos.
O modelo político implantado debilita e fere de morte qualquer chance de alternativa que não "reze na mesma cartilha".
Daí para o exacerbamento das questões pessoais é um pulo.

No entanto, SJB, como dissemos, tem um fato extra, um complicador, que é a prenseça de um empresariado (leia-se grupo sopa de letrinhas)voraz, que mistura a "modernidade dos métodos de alavancagem" (operação em mercados, por exemplo) com a truculência coronelística e habitual dos dententores do poder econômico.

Essa "esquizofrenia" reflete-se na cena política local, e inflama os ânimos sobremaneira, pois como sabemos: Dinheiro não leva desaforo para casa. Lá como aqui, a mídia tradicional se divide de acordo com "as oportunidades" geradas pela "briga", e desafetos anetriores se transmutam em "fiéis" defensores.

A "modernidade" de SJB não vem, ao contrário do que apregoam as autoridades locais com a varrição completa das oposições, e muito menos com a submissão do governo a agenda da oposição, como querem os adversários da prefeita.

SJB precisa afastar os oportunistas, e amadurecer um debate que a faça enfrentar os desafios que o futuro lhe coloca, e que são, ao menos à primeira vista, irreversíveis.

Desolocar o "conflito" para onde interessa: Construir uma agenda pública DE DIREITO e DE FATO, e regular e limitar o apetite privado que deteriora os direitos da maioria da população.

De nada adianta substituir a "dependência" da economia local do Orçamento público, para a dependência dos humores do "mercado e das mega-empresários".

Não faz nem dois anos que estourou a maior crise desde 1929, que jogou todas as ortodoxias no lixo da História, local o qual, é bem verdade, nunca deveriam ter saido.

Boa sorte aos sanjoanenses. Vão precisar!

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