sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um tiro no pé e as maiorias silenciosas!

Parece claro aos analistas que a discussão sobre o aborto, da forma desqualificada como foi colocada pelos serristas, aproveitados pelo marinistas e conduzida pelos setores fascistas das igerjas, deu o que tinha que dar!

Mas há um dado, que os marqueteiros da seção da ku-klux-klan brasileira, que habitam uma parte do psdb e os demos, parecem não considerar, na sua "nova cruzada".

Ora, o tema aborto é um paradoxo que desafia qualquer rigidez dogmática e qualquer avalanche moralista das religiões, assim como adultério, celibato ou qualquer outra questão associada a comportamento e escolha, alvo principal da moral religiosa:

A maioria esmagadora das mulheres que fazem aborto, confessam ter uma fé religiosa, ou no mínimo, acreditam em deus, e sabem que, de acordo com a noção de divinidade que têm, fazer aborto é contra os mandamentos da sua fé.

Logo, se nem o medo do "inferno", ou de romper crenças nas quais diz se submeter, fazem com que mulheres deixem de fazer aborto, a campanha serrista, mentirosa e caluniosa, que atribui a Dilma algo que ela não disse que faria, pode acabar por ser um veradeiro tiro no pé!

Ensinam os "especialistas" que expor o eleitorado a suas próprias "hipocrisias" pode suscitar duas coisas, ambas desastrosas:

1. A repulsa por quem lhe condena a escolha privada dolorida, pois sim, fazer aborto não é um passeio sádico pelo parque;

2. Redimir a "culpa" e provocar o debate consciente em lares e mentes dos que passaram pelo drama.

Enfim, por onde quer que se olhe, utilizar tema tão espinhoso e delicado em uma campanha suja, e eivada de preconceito e simplificações pode despertar aquilo que chamam de "maioria silenciosa", uma vez que pelos dados do SUS, subnotificados pela criminalização e pela vergonha, quase todo mundo tem uma parente ou amiga que recorreu a tal prática, e infelizmente, no caso das mais pobres, pode presenciar e, ou ouvir do sofrimento, perigo e humilhação a que foram submetidas.

2 comentários:

Roberto Torres disse...

Pode ser um tiro no pé Douglas. Mas espero que o PT nao fique contando com este efeito e deixe de agir como tem que agir: antencipando a boataria e jogo sujo e denunciando a fabricacao de um clima de ódio religioso no Brasil. Este último fato é que talvez possa representar uma arma forte contra o aiatolá Serra: trazer para o Brasil o clima político das teocracias.

Talvez o medo da intolerencia religiosa tenha mais apelo do que a questao do aborto.

Há sérias dúvidas, como fica claro naquele texto que voce postou há poucos dias, que a questao do aborto tenha produzido grande transferencia de votos de Dilma para Marina: os evangélicos votaram mais em Dilma.

o PT deve evitar que este estrago seja feito agora.

Matheus disse...

A questão é :
O aborto é feito no Brasil ?
A resposta é : Sim. Quem tem dinheiro paga e faz clandestinamente nas clínicas estruturadas, e as mulheres que nao possuem recurso, colocam qualquer objeto na vagina, colocando em risco sua saúde e muitaz vezes, perdendo a vida.
Quem é a favor do aborto é contra a vida, diriam os religiosos e hipócritas. Mas a vida de milhares de mulheres pobres que morrem nao conta??????
Deixamos de hipocrisia.
E Dilma " duchef" com medo, acuada e agindo de certo modo covardemente, nao defende isso,contraria o que pensa, temendo o voto dos evangélicos. Vão acabar ressucitando o PSDB.