quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ué, por que a demora?

Infestada por pesquisas instantâneas, que auscultaram o eleitor quase segundo a segundo, a campanha eleitoral parece ter mudado de rumo nesse segundo turno.

Até agora, nem o sítio do IG, que publicava monitoramento (tracking) diário, nem outros institutos apresentaram suas "armas".

Cautela? Pode ser!

Mas o fato de que os números não tenham refletido o resultado, fato que até as pedras portuguesas arrancadas da Praça S. Salvador sabem ser possível, embora a imprensa PIG venda a pesquisa como prognóstico irreversível, e não uma fotografia de um determinado instante, pode ter influenciado o ímpeto pelo consumo dessa importante ferramenta no processo político.

Já se ouvem vozes pelo debate dos limites e, ou de novas regras para divulgação, para evitar a banalização desse instrumento e a conseqüente desmoralização.

Na verdade, esse é o calcanhar de Aquiles dos institutos: Sempre parecem vinculados ao gosto de quem contrata, ou de posições políticas.

E aí fica parecendo um queda de braço, onde os números são usados para torcer a realidade, que poderá caber assim, dentro desses números.

Não é culpa só dos insitutos, mas da forma como nós, políticos e militantes cedemos a midiatização da campanha, que usou como meio principal  a redução de todo o processo político a números e questões quantitativas de um lado, e do outro, no engessamento das normas das eleições, com uma judicialização excessiva, que por fim, retirou a campanha das ruas e deslocou o debate político para o monopólio do marketing e de seus magos!

Aborto tira voto? Então esconda a discussão, ou plante mentiras acerca do que não disse o adversário.

O eleitor não gosta da imagem? Então mudemos a maquiagem, e esqueçamos o conteúdo, os programas e o que representam os projetos políticos.

E antes que os idiotas se arvorem a dizer que somos nós, do PT que pretendemos censurar as pesquisas e, ou agências de publicidade, cabem duas observações importantes:

1. São os donos de institutos, como o João Meira do Vox Populi, dentre outros, que fomentam esse debate;

2. Censura mesmo quem promoveu foi o PSDB (o paladino das liberdades democráticas), quando no Paraná seu candidato e prócer da oligarquia Richa, usou o TRE local para impedir que TODOS os institutos de pesquisa divulgassem números que, à época, mostravam um crescimento de Osmar Dias do PDT, aliás, irmão de outro demotucanalha, Álvaro Dias, o preterido!

Mas todo  debate é bem-vindo, e com certeza, depois dessas eleições não mais consumiremos informação da mesma forma que os barões da midia querem: goela adentro!

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