sábado, 16 de outubro de 2010

Os "os demônios" são os outros!

Um ótimo texto do Brand Arenari

sexta-feira, 15 de outubro de 2010


Ao passar as eleições, quem poderá controlar os “demônios que foram soltos”?


É sobre esse texto que eu recomendo a leitura lá no blog do Brand e seus comparsas que falaremos.

Na verdade, a tarefa de empurrar esses "demônios" de volta as profundezas do Tietê, como disse lá no blog Outros Campos, e nossa, daqueles que acreditam na Democracia, embora às vezes a definição dela apareça-nos distorcida.

Há outros demônios, porque não os há somente do outro lado. Também temos os nossos. Dessas eleições retirei algumas lições, outras virão com o tempo.

A análise dos votos, pelo corte de classe, que o blog Óleo do Diabo fez, alerta para um fato determinante: Uma vez estabelecidos na classe média, e quanto mais próximos do topo da pirâmide, mais suscetíveis a mimetização de crenças e valores caros a "velha classe média".

Não soubemos interpretar isso, e é na faixa de cima para baixo que escoam os votos para a direita. E o que fazer: manter todos na "faixa da quase-pobreza" para conseguir lastro político e capital ideológico? Claro que não.

Foi nessa faixa que a indústria de boatos e o neoconservadorismo raivoso prosperou.

Esquecemos todos, diante da avalanche de avanços e melhorias que o governo Lula promoveu, que somos um país ultraconservador, ou hipócrita, como querem alguns, e que tais "valores" não seriam apagados por alguma modernização econômica.

Eis que essa nova classe média reconhece em seu lider e lhe dá apoio, mas hesita em transferir esse apoio a quem representa valores que condena, como a laicização do Estado, a luta contra a ditadura, a liberdade de escolha das mulheres e de outros gêneros.

Até bem pouco tempo, e ainda hoje, a questão das cotas, ou políticas de ação afirmativa ainda dominavam o debate maniqueísta brasileiro, e por "milagre" também não entrou nesse bolo. Talvez porque a velha direita percebesse que propor o debate ness área constrangeria essa nova classe média que ainda goza desses benefícios de entrada em cursos superiores. Pode ser que sim, pode ser que não.

Nossa sociedade, agora enriquecida com a ascenção social relâmpago e inédita, é a mesma que legitima esquadrões da morte,que pratica racismo diário, enquanto prega "democracia racial", mistura religião com escolas, ostenta símbolos cristão em locais públicos, espanca mulheres, cheira e fuma, mas promove guerra contra o tráfico, adora a confusão do público com privado e reivindica favores, enquanto aplica a lei ao vizinho.

Essa sociedade que teve um presidente com maior capital político da História, e que não enfrentou temas caros aos direitos humanos, e talvez por causa disso também, tenha se mantido tão popular. Porque representa fielmente esse paradoxal "conservadorismo humanitário" que adoramos empunhar como bandeira.
Essa "tolerância" que nada mais é que sublimação dos conflitos para resguardar interesses dos que têm que se acertar com erros imprescritíveis.

Mas o fundamental é enxergarmos que para avançarmos com um projeto para TODO o país, é preciso não descuidarmos dos nossos "próprios demônios", que na maioria das vezes, são mais perigosos, pois de tão perto que estão, tornam-se invisíveis.

7 comentários:

misantroppo disse...

Douglas, com certeza entre esses demônios está o abominável pragmatismo petista que fez a Dilma se comprometer com o fundamentalismo religioso na tal carta que jamais deveria ter sido escrita, sequer assinada.

Anônimo disse...

Douglas, o que vc acha dos resultados das últimas pesquisas?
Será que, se elas estiverem "erradas" como as do primeiro turno, não vão mascarar a realidade e causar uma calmaria indevida na campanha da Dilma? Tipo, mostrando Dilma três ou quatro pontos à frente quando na verdade há empate ou até uma vantagem do Serra...

douglas da mata disse...

Caros comentaristas, vamos as respostas:

Não tenho dúvidas, "misa", o pragmatismo eleitoral que a fez recuar semeia fortes dúvidas na capacidade de enfrentar esses problemas.

Esse "compromisso" só vai gerar mais e mais problemas!

Ao comentário sobre pesquisas:

Sinceremanete, não possuo arcabouço teórico para debater pesquisas, mas tenho impressões de leigo que compartilho com você:

1. Depois dessas eleições o uso das pesquisas e o comportamento da mídia deverão ser profundamente discutidos por nós, sociedade.

2. Está claro que não há "isenção científica" por trás das divulgações.

3. Por mais que digamos que não, os resultados inteferem em nosso agir político e dos eleitores. A medida dessa interfência é que deve ser quantificada, e como já disse, não tenho dados para arriscar o "quantum" de influências as pesquisas têm no jogo eleitoral.

Mas, enfim, esse debate está aberto e é importante para a sociedade moderna.

Um abraço aos dois.

Anônimo disse...

quero vc de vereador desta cidade. Precisamos romper algumas barreias.

Anônimo disse...

Onde está o Sérgio Cabral?
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 17/10/2010 11h47

O senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves, arregaçou as mangas e está apoiando José Serra à Presidência, num momento em que o tucano está crescendo velozmente junto ao eleitor. Aécio vai tirar benefícios deste movimento ascendente. E o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, onde está?

A bancada eleita do PMDB fluminense no primeiro turno usou e abusou da imagem de Lula e, porque não dizer, também de Dilma Rousseff, já que a dela também estava colada na do presidente. E agora, será que ela está mobilizando suas bases eleitorais pela candidata da coligação?

Eu conversei com um tucano e um petista enfronhados nas campanhas de Serra e de Dilma, respectivamente. O ex-senador ligado a Serra brincou: "Deixa quieto, Sidney, o Cabral sabe fazer política e já está vendo na frente. Com a vitória ou derrota de Serra, o candidato dele a presidente em 2014 será Aécio. Como será o Serra vencedor, o Cabral está no sapatinho". Pode ser.

Já o petista foi mais escancarado. Depois de soltar um palavrão, ele me disse: "Esse rapaz teve tudo do Lula e não está mexendo uma vírgula pela Dilma. Agora eu entendo por que o Garotinho se sentiu traído por ele!".

Se Cabral realmente inclina-se para Aécio, pode ser que alimente ser o vice dele na eleição presidencial daqui a quatro anos, mesmo dizendo que não concorrerá mais a cargo eletivo. Afinal, o candidato será Aécio e ele seria o Índio da Costa do tucano.

Bem, se isso não for verdade, o governador do Rio de Janeiro terá duas semanas para deixar claro se realmente quer Dilma no Planalto. A ver.

Herval Guimarães disse...

Como contraponto Veja..

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-grande-mentira-do-petismo-ou-peca-desculpas-jose-eduardo-cardozo/


http://coturnonoturno.blogspot.com/

Sds

Herval Guimarães

Anônimo disse...

Para quem como você que não cre em Deus,lidar com demonios é fichinha.