quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O óbvio e o ululante!

Vejam bem, eu fui acusado aqui de sectário, por denunciar que o voto marinista era um voto serrista enrustido, e que a principal tarefa da marina era servir de muleta aos demotucanalhas.

Ora, eles ficaram putos porque os associamos ao projeto expresso na octaéride fernandista, e disseram: "somos o novo, somos um não ao que já passou com ffhhcc, e o que existe agora, com Lula".

Ótimo.

Mas eu pergunto ao devotos da joana d'arc da floresta, esse pessoal que parece movido a overdose de santo daime:

Se havia certeza absoluta em rejeitar o projeto serrista, como é que a possibilidade de apoiá-lo está em debate no próximo dia 17?

Deveriam se declarar neutros, desde o início, ou "liberar" os seus eleitores para votarem de acordo com suas consciências, ou não?

Ou será que consideram a candidatura serra possa incorporar algum tipo de progresso a vida desse país?

Dizemos e repetimos: Todos têm o direito de optar por esse ou aquele candidato. Eleição é isso.

Mas tentar vender uma imagem progressista e aderir ao retrocesso representado nas forças da coalisão serrista, onde o novo comandante é o jorge bonhausen, não dá para engolir. Nem com toda a salada verde orgânica do mundo.

6 comentários:

misantroppo disse...

O ululante é significado da expressiva votação da Marina numa eleição de dois turnos. Mesmo não acreditando em nenhum dos dois projetos plebiscitários (anularei meu voto dia 31), renovei minhas esperanças na democracia quando entendi que parte da população rompeu com a lógica do "bem" contra o "mal". Tentar desqualificar a Marina com argumentos tão belicosos (e rasos) só prova o maniqueismo que nós, os marinados, não aceitamos mais.

De qualquer forma uma das qualidades de seu blog é não nos permitir a indiferença. Avante!

Brand Arenari disse...

Acho que nem todo voto Marina é um voto serra enrustido. É uma misturada só, embora tenha muita gente que é conservador até alma, mas gosta de fingir para si mesmo e para os outros que é moderninho, nao tem coragem de assumir para si mesmo que sente ódio e desprezo por tudo que venha dos pobres, e o Lula é este símbolo. A candidatura de Marina (não a Marina) é a mentira que eles tanto ansiavam em ouvir. Eles querem ser enganados, para levar a diante a ilusao que criaram para si de que são moderninhos e progressistas, enquanto não passam de conservadores. Acho que é esse o voto que Douglas diz que não queremos.
Por outro lado, imagino (é uma suposicao) que muita gente votou por engano, votou na Marina sem analisar o quao conservadora e retrógada era a sua coligacao, e como o PV quase sempre foi uma legenda auxiliar da direita, e claro, do PSDB.

Roberto Torres disse...

Se de fato houve um peso jovem no eleitorado de Marina, podemos talvez admitir a existencia de uma disposicao para investir no novo. Porém, o problema é que este novo já nasce corroído pelo velho, pelo elitismo udenista que consiste em ratificar a exclusao política dos pobres ao elegerem a questao moral da corrupcao como o único tema que de fato pode acompanhar a sustentabilidade.

Ou seja, Marina nao é o novo porra nenhuma, mesmo que parte de seus eleitores tenham de fato disposicao para isso, o que também é só uma possibilidade.

Levando a sério a visao de mundo dos "verdes" nao consigo ver mais do que o postulado de que o tema da sustentabilidade é capaz de superar conflitos distributivos e de classe em geral em prol do bem comum, do futuro da humanidade. Esta tese da sustentabilidade é simplesmente insustentável, visto que nossa esfera política se acha objetivamente confrontada com a existencia e a reproducao de formas de vida "sem futuro".

Se o mero desenvolvimentismo representa o deslocamento do conflito de classes através de idéia de que o crescimento vai, no futuro, permitir o enriquecimento de todos sem "cavalo de pau", a tese da sustentabilidade supoe que, já no presente, é possível superar estes conflitos, uma vez que o futuro das próximas geracoes é do interesse de todos. Ou seja, esta última é mais conservadora.

abraco

douglas da mata disse...

misantropo,

com todo respeito, mas assocciar a expressiva votação a um única causa é um erro.

é lógico que houve dentre os eleitores de marina, os que fizessem pelo ideal verde, embora a expressão partidária desse projeto político esteja cada vez mais longe disso, vide o papel de esteio do demotucanos que o PV assumiu para si.

eu sempre disse, e repito: nem todos os eleitores da marina são canalhas, mas todos os canalhas ue conheço votaram nela!

não há maniqueísmo, pois reafirmo seu direito de optar entre um e outro, ou até entre nenhumas das opções, pois não sou daqueles que execram o voto nulo como ausência de posição política.

comemoro o fato de você expressar assim sua opinião.

ótimo que você fortaleça sua noção de democrcia refutando a lógica do bem contra o mal, o que me preocupa, no entanto, é que sua candidata se apresenta como se estivesse acima desse conflito, o que também é deveras perigoso, inclusive para a democracia.

o que combato aqui é a hipocrisia dos que dizem que não votam na Dilma ou no governo simplesmente porque identificam defeitos (ou o mal, na sua definição)que são praticados por todos, inclusive a marina e o PV.

outro fato que combato está associado a um evidência: quem votou em marina levou serra para o segundo turno, e sabia disso. e negar isso é como dizer que dois e dois são cinco.

mas opções são opções, e obrigado por ter vindo aqui defender as suas.

Anônimo disse...

Meu amigo, tenha mais cuidado com as palavras, a sua idéia é boa e coerente, mas os termos que você utiliza no seu texto tem uma carga de ironia tão grande que chega a ofuscar seus raciocínios.

douglas da mata disse...

Meu caro comentarista,

Obrigado por vossa observação, mas veja:

Como tratar a sério uma sitiação, no mínimo, "inusitada" como essa?

Aqui, nesse caso em tela, a ironia é meio e fim, claro!

Sem ela, as idéias não existiriam.

Um abraço.