quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Fui ofendido, mas 'tô no lucro!

Nada como ironia para expor as vísceras. Eu sou fã do Gustavo Oviedo, embora não concorde com tudo que ele diga, por óbvio. Mas seu humor é quase um traço cultural, um viés melancólico da alma portenha, se me permite a repetição dos chavões que reduzem tudo e a tudo em conceitos pobres, que desmontam tudo, até a relatividade.

Leiam o texto que ele reproduziu em seu blog, vale à pena:

quarta-feira, 6 de outubro de 2010


PT

O escritor argentino Ernesto Sábato, autor de “Sobre Heróis e Tumbas” e “O Túnel”, era formado em física. Chegou a trabalhar no Instituto Curie, em Paris:

" Alguém me pede uma explicação da teoria da relatividade de Einstein. Muito empolgado, lhe falo de tensores e geodésicas tridimensionais.

- Não entendi uma palavra – me disse, espantado.

Reflito um instante e, com menos entusiasmo, dou-lhe uma explicação menos técnica, conservando algumas geodésicas, mas colocando aviadores e disparos de revolver.

- Entendi quase tudo – me disse o meu amigo, contente. - Mas tem uma coisa que ainda não captei: aquelas geodésicas, aquelas coordenadas...

Deprimido, me concentro mentalmente por um longo instante e acabo por desistir para sempre das geodésicas e das coordenadas; com verdadeira ferocidade, dedico-me exclusivamente a aviadores que fumam enquanto viajam na velocidade da luz, chefes de estação que disparam um revolver com a mão direita e conferem o tempo com o cronometro que tem na mão esquerda, trens e sinos.

- Agora sim! Agora entendi a relatividade!- anuncia o meu amigo com alegria.

- Pois é - respondo amargurado-, só que agora não é mais a relatividade."

Do livro de ensaios "Nós e o Universo"

2 comentários:

Gustavo disse...

ufa!!

Confesso que enquanto lia teu post, uma gota de suor descia pela minha testa...

Hay que endurecerse, pero sin perder el humor, jamas!

douglas da mata disse...

Sem humor, nunca! rsrs, esse do suor foi boa...uiii, que mêêêda...

Veja você que apenas uma resposta bem-humorada, embora picante, reconheço, de uma simples parábola gerou toda essa celeuma.

Eu li e reli, e não vi nenhuma ofensa direta a pobre mulher, que suscitasse tal reação por parte do filhote dela.

Mas tudo bem, eu relevo o mau-humor desse pessoal, afinal, a vida não tem sido muito justa com eles.

Um abraço, don Gustavo.