quarta-feira, 13 de outubro de 2010

É bom ter razão?

Um dos "cacoetes" de nossa mídia provinciana, filial do PIG nacional, é exibir como troféu a repercussão de seus "palpites" nas suas matrizes do PIG nacional.

Não há nada demais disso, e no fundo, no fundo, todo mundo que publica algo busca alguma referência pública.
O problema é ficar escravo dessa relação e abrir mão de um pensar próprio, como fazem os barões da mídia locais, que vassalam outros barões das capitais!

Nesse gueto de opinião nunca escondemos nossa admiração pela Carta Capital. Daí que sempre que encontramos algo que coincida com o que publicamos aqui nesse blog, festejamos, mas sem perdermos a capacidade de discordar, nem ceder ao autoelogio narcotizante.

Mas confesso que dessa vez,  fico em dúvidas se é bom ter razão ou não, muito embora a companhia seja luxuosa.

Na coluna do Maurício Dias, há dois momentos que podemos comparar com textos que publicamos. Os dois se relacionam, embora tratem de assuntos, aparentemente, diferentes.

Falamos na, na semana que passou, acerca da questão do aborto, que foi capa da revista citada, a Carta Capital. Falamos que o medo do PT e de Dilma determinou que o boato fizesse tamanho estrago.

Em uma fala atribuída a Ciro Gomes,  resume-se o que publicamos antes:

"Boato só prospera onde há perplexidades, vácuos, vazios. Como essa questão do aborto". 

Acreditamos que o PT e Dilma ficaram "reféns" (esse foi o termo que usamos) de um tema que não enfrentaram no governo e na campanha, aprisionados pela agenda religiosa.

Outra questão que analisamos, e que o colunista também escreveu foi a chamada "onda verde". Há dois textos, um do Marcos Coimbra e outro do Maurício Dias sobre o assunto. Destaco a nota do segundo, pela concisão e simplicidade, mais adequadas ao nosso pequeno quintal:


"O sucesso de Marina Silva na disputa presidencial gerou a ilusão de uma "Onde Verde" invadindo a política, a partir do mar de votos que ela obteve. 
Não caia nessa "Onda". Ela é como a traduçãod e uma gíria do passado: Ilusão. No ir e vir das eleições, os verdes continuam com baixa expressão nos legislativos estaduais e no Congresso, onde conseguiram, agora, manter pequena bancada de 15 deputados.
Como a versão é mais sim pática que o fato, a imprensa adota a versão."

Dissemos isso nesse blog: Que o voto marina pode ser definido por vários motivos, mas não pode ser encarado como um movimento político orgânico e sistemático, muito menos um "terceira alternativa", como festejaram alguns jornais locais .

Pois bem, eu adoraria dizer que é bom ter razão, mas essa constatação não pode ser apenas motivada por vaidade pessoal, ou necessidade de afirmar esse veículo com referência de informação aos leitores.

Como militante político, me entristece saber que nossa fragilidade nos exponha a ameaça de interromper o mais bem sucedido projeto de nação que tivemos na História.

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