quinta-feira, 16 de setembro de 2010

picciani, o óbvio, o ululante, os asnos e as asas!

 Dizia Nélson Rodrigues que toda a obviedade é burra. Eu diria que sim, inclusive essa máxima dele também poderia ser submetida a esse raciocínio relativizante.

Assim, poderíamos "absolver" o candidato ao senado picciani por ter dito mais uma daquelas frases que, não se sabe bem ao certo se ditas pelo mesmo, ou extraídas a fórceps pela mídia para ter o que publicar,de tão pouco inteligentes que são.

Afinal, o peso político pessoal dele nessa campanha ao senado é quase nulo, a despeito dos vultosos recursos, e do fato de que deve emplacar os seus rebentos. Deve ser dífícil, então, achar algo que dê impacto a uma visita que só interessa a quem está comprometido até o pescoço em repercutí-lo, pelos de argumentos de sempre.

Aí, vendem a fala do picciani, óbvia e ululante.

Se vão haver uma, duas, três ou sete candidaturas pouco importa, é isso é uma questão de tática eleitoral, e por óbvio, mandam os manuais de eleição que no segundo turno os adversários de antes superem suas diferenças e promovam um embate com o inimigo em comum.

Logo, desnecessária a "análise" do presidente da Alerj, e muito menos necessária a "chancela" dele ou de seu chefe, o governador, que nos parece, em última análise uma interferência descabida em esferas que não lhes dizem respeito, a não ser como participantes secundários, mesmo a despeito da importância de seus cargos.

Diríamos que o bom decoro e um bom protocolo político seria aguardar e interferir discretamente, longe dos holofotes, o que farão, queiramos ou não.

Poderíamos ir além, e dizer ao picciani para se preocupar com seu desempenho sofrível, e deixar nossa campanha suplementar e nossos assuntos partidários e politicos conosco, uma vez que pretendemos abandonar o garotismo, mas não queremos a tutela de outros "chefes", muito menos com recados dados através de mídias que são instrumentos do abuso de poder econônico, que tanto mal fizeram a nossa democracia local.

Mas a boa educação nos impede, pois quem tem boca falar o que quer. Por isso eu me resumo a dizer o que gostaria que nossos líderes políticos envolvidos nessa futura disputa poderiam responder, ao invés de legitimar, como fizeram, a fala do pretenso "sub-cacique estadual do pmdb".

Nossas "lideranças" poderiam reafirmar sua crença em uma agenda mínima de governança que se comprometeriam a apoiar, independentemente das táticas eleitorais que cada partido adotasse. Esse é o compromisso que firmaram quando diziam acreditar e lutar para tornar real a frente democrática que hoje usam apenas como peça de propaganda.

Esse seria o amálgama de uma mudança que varresse o garotismo desse lugar!

A sabedoria poderia lhes mostrar que ao referenciar essa "chancela de cima", abdicam da independência necessária para tratar de um tema local, que embora repercuta na esfera regional, e quiçá, nacional, não pode, pela suas própria natureza, ser submetida por essas instâncias mais amplas. Em outras palavras: nas eleições suplementares, os interesses locais DEVEM prevalecer sobre a ótica mais ampla.

No entanto, eu já desisti de acreditar em milagres. Há muito tempo!

Querer alguma demonstração de "jeito" para a coisa em nossos "líderes de oposição" é como procurar asas em asnos!

2 comentários:

Anônimo disse...

Realmente, óbvio! Mas antes da crítica à "análise" do presidente da Alerj, que não vejo como incorreta, devia criticar (mais uma vez) o PT local. Afinal, este é sofrível e mais uma vez será engolido.

Gustavo Landim Soffiati disse...

A atitude de Picciani é realmente ridícula. Mas não só a dele: eu incluiria entre os piores momentos do pleito que ora se aproxima aquela declaração de Cidinha Campos favorável ao postulante pemedebista ao Senado, ao qual atribui a responsabilidade pela cassação de Álvaro Lins. Logo ela, sempre tida (nunca por mim) como reserva moral da política fluminense... Logo ele, um amigo do poder, ontem aliado do governo dos Garotinho (e, por tabela, de Lins).
É, período eleitoral é isso aí... Mas, como se aproxima (ou não) mais um para o município, cabe lembrar que, assim como agora querem dar amplitude a uma eleição que interessa mesmo a nós, em 2008 e, sobretudo, em 2006 e 2004, não foi diferente. Nestes dois últimos anos eleitorais citados, quando nossas disputas pelo executivo municipal foram nacionalizadas, foi duro ver e ouvir petistas de projeção em todo o país (alguns dos quais ora postulando cargos públicos) falando em nome do que você chama de garotismo de sinal invertido...