sábado, 11 de setembro de 2010

Onde todos os dias são 11 de setembro!

Pos absoluta preguiça, republicamos o texto de 08/09:

Assombrou o mundo, e boa parte dos EEUU, o discurso de um pastor evangélico extremista que prega um "Dia de queima do Alcorão", no dia 11 de setembro, como forma de protesto pelos ataques sofridos pelos estadunidenses na aludida data.


Para além das questões óbvias, como a contraposição cultural que cindiu o planeta desde então, as simplificações e manipulações de toda ordem, que serviram a tudo, desde projetos políticos de poder, recheados de carnificina da guerra, até para assassinatos e seqüestros oficiais, e erros grotescos promovidos pelo pânico, como foi o caso do brasileiro Jean Charles de Menezes, em Londres, vamos lançar um olhar sobre a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, que nesse caso, em um exame rápido, podem estar em conflito.


Há conseqüências graves para o que disse o reverendo, mas esses resultados se relacionam muito menos com o conteúdo do que com o contexto no qual foram ditas.


Em qualquer outra época, seria considerada mais uma sandice qualquer, dita por alguém que deseja 15 segundos de fama. E mais: em outras épocas, essa fama talvez nem chegasse a 5 segundos, limitada a "paróquia" onde foi dita.


Ainda que consideremos a conexão global promovida pela grande rede, a tese da intolerância religiosa sempre esteve presente em todos os cantos, e sua institucionalização depende muito mais da boa vontade e cumplicidade de quem ouve e aprova, do que do esforço de quem diz. Assim foi na Alemanha de Hitler, ou nos tempos de segregação do sul dos EEUU, ou nas Cruzadas.


O problema aqui não é, como penso, o que disse o reverendo. Ora, poderiam os muçulmanos, a seu termo, de forma bem humorada (ou não) promoverem seu dia de queima da bíblia, e o máximo que teríamos eram várias fogueiras de papel ao redor do mundo.


A própria dimensão dada ao que foi dito já nos revela a "armadilha" na qual fomos enredados desde o 11 de setembro: A intolerância saiu do gueto, e quem a catapultou a condição de fenômeno internacionalizado e sistêmico foi a reação catastrófica dos principais atingidos, os EEUU.


Agora, passados quase 09 anos desde aquele triste dia, um simples comunicado de um  maluco evangélico pode causar mais estragos às forças militares e civis estadunidenses que o mal que eles (o pastor e o governo dos EEUU) dizem querer combater.


Os defensores da chamada "liberdade de culto" inflamarão o debate, e dirão que símbolos religiosos são intocáveis, e o respeito e a tolerância implica na aceitação do outro.


Ótimo, concordo, só que a aceitação do outro implica em não desejar a exterminação física ou a cassação ou diminuição de direitos desse outro, bem como não criar ou pretender que o Estado crie constrangimentos a sua expressão religiosa e suas práticas.
Nada me impede de comprar com meu dinheiro, e queimar qualquer símbolo de qualquer denominação religiosa, desde que não o faça atingindo a esfera jurídica de terceiros.


Em uma escala de valores, a liberdade de expressão antecede a liberdade religiosa, uma vez que ela implica em poder inclusive se dizer não religioso e ateu.


Logo, ótimo que judeus falem que o papa protege pedófilos, e umbandistas digam que os judeus são mais nazistas que os nazistas, pela sua ocupação na Palestina, e esses últimos, professando o Islã, chamem a todos de infiéis e queimem bandeiras dos EEUU e crucifixos.


Liberdade e tolerância não são imposições de reverência silenciosa que sublima ódios seculares, ao contrário, a verdadeira liberdade e tolerância se exercita ao ouvirmos o que os outros pensam de nós!


É chegada a hora do mundo e os EEUU acordarem no dia 12 de setembro!

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