segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mídia e comunicação social: Os desafios da blogosfera!

Desde 1989, todos sabemos o poder de mobilização que as campanhas presidenciais têm. 
Em um país com dimensões como o nossao onde as instituições partidárias ainda engatinham para se transformar em ferramenta de intervenção politica da sociedade, e no qual a idéia de coesão cultural e social nos foi "dada" pelas empresas de comunicação de massa, as eleições gerais trazem consigo a possibilidade do debate político em cada esquina, todos os dias, por todos os atores sociais.

De um modo ou de outro, de acordo com os próprios filtros que detêm, os cidadãos vão formando sua noção da realidade, e se é bem verdade que sofrem diversas influências, é certo que esse processo é sempre de mão dupla, ou seja: boa parte das diretrizes poíticas também são fruto da vontade desse senso comum, heterogêneo e que busca sempre um "centro político", um "eixo gravitacional" que nos possibilite equilibrar nossa jovem Democracia.

Nessas eleições gerais, no entanto, houve uma redução da amplitude do debate, que obedeceu a uma premissa, dentre tantas outras:

As discussões políticas acerca dos problemas do Brasil e a forma de enfrentá-los, bem como todo o espectro ideológico que cerca esse debate se resumiu a quesão da mídia tradicional e o que assistimos foi uma campanha presidencial onde o meio (a mídia) tornou-se fim em si mesma, e aprisionou tudo a sua volta.

Não houve quem escapasse a essa armadilha, até porque, a mídia tadicional ainda ocupa um espaço demasiado relevante em nossa sociedade, e logo, os meios de reação (os blogs, comunidades de relacionamento, etc)agem como tal: reativamente a uma pauta que já está pré-determinada pelos barões da mídia.

Nem o governo, com toda sua popularidade, e capital poítico conseguiu escapar a esse esquema pobre. 

A população, em sua grande maioria, se afastou dessa polarização entre mídia tradicional, governo e blogosfera, como se todos nós habitássemos uma redoma, um mundo paralelo, onde os cidadãos, do lado de fora, nos olham, entre assutados e divertidos, como se estivessem a observar um estranho zoológico.

Essa constatação revela, o enfraquecimento da mídia tradiconal, e sua incapacidade de debater outros temas que não a si mesma, e são, desse modo, o atestado de óbito de uma geração, de um ciclo de prática de uma espécie de jornalismo que parece condenado ao ostracismo, ou ao menos, aos guetos de opiniões. Um fato é óbvio e repetitivo: Perderam o monopólio da verdade. 

Mas pergunto: O que vamos colocar no lugar desse estado anterior de coisas?

Em grande parte, a relevância de toda a mídia empresarial é um fato calcado nas estruturas que construiram durante seu processo de acumulação de capital econômico e político. Suas plataformas de lançamento de informação (os meios: impressos, imagéticos, telemáticos e radiofônicos) ainda não encontram rival. 
Assim como sua natureza de organizações empresariais não encontra substituto no amadorismo independente dos blogueiros, que na maioria das vezes, têm a produção de conteúdo como hobby, e não como meio de vida, como é o caso de jornalistas e seus patrões. Se isso, em si, é uma vantagem, também, por outro lado, funciona como ameaça, haja vista que a falta de estabilidade e perenidade dilui boa parte da confinaça que o público quer depositar, ou seja, corrói a institucionalidade desse novo meio: A blogosfera!

Porém há alguns indícios de que algo começa a encorpar em outro sentido: a organização dos blogs progessistas do Rio de Janeiro, o RioProBlog aponta para um semi-organização que pode extrapolar os limites do debate eleitoral e do papel da mídia tradicional. Um tipo de especialização ou profissionlaização da produção de conteúdo.

Vencida essa etapa em 03 de outubro, qualquer que seja o resultado, com ou sem segundo turno, caberá a essa organização começar a superar os desafios de apenas "discutir" o papel da mídia, sob pena de ficar eternamente a gritar ao público a sua relevância, tendo como ponto de referência a mídia velha que quer superar, mas sem a qual, o movimento parece fadado a inexistitr, ou pior, pode ceder ao vícios de concentração e hegemonização ideológica que refuta no "inimigo".

Em outras palavras: Embora seja muito importante denunciar o papel de manipulação e o conluio com interesses das elites pela mídia tradicional, vai chegar a hora de demonstrar se temos "a carcaça" para concorrer com ela, uma vez que a tarefa de formular conceitos e informação não pode para sempre ser pautada pela disputa pura e simples, até porque, como já dissemos, mídia tradicional e blogosfera são complementares e nunca concorrentes, pois são fenômenos distintos de um mesmo gênero: Comunicação.

A assunção de um "lado" pela mídia tradicional(Estadão e Folha) nessas eleições é um marco histórico. Situados, não há mais como recorrer a tese de que escondem seus interesses.
Vai ser necessário agora, disputar a opinião na qualidade do conteúdo e nos fatos a ele relacionados.
Outra disputa vai se dar, uma hora ou outra, estrategicamente falando:
A questão de como o Estado se relacionará com essas formas diferentes de comunicação, como alocará verbas e financiamento, e o que é de domínio de política pública e o que ficará a cargo da autoregulamentação e do "mercado".

A luta está só no começo, e temos que, todos os dias, afastar a possibilidade que a "institucionalização" da blogosfera se dê pelos mesmos meios e interesses que dominaram as outras formas de comunicação, como aconteceu no passado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Já viu a posição do Urgente defendendo o PIG? Usando o blog para defender a Folha de São Paulo. Deve ser o tal que chama patrão de colega.