quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Aliança e adesismo: duas faces da mesma moeda!

Em qualquer atividade humana é correto afirmar que ninguém faz nada sozinho, salvo o derradeiro ato da morte, quando em alguns casos ela é provocada pela ação, intencional ou não, de terceiros.

A atividade política é gregária, e não nos é exato supor se somos gregários por sermos animais políticos ou vice-versa. Essa constatação serve para entendermos que alianças políticas são fatos decorrentes da ação em si, na medida, que sempre precisaremos de aliados e apoio para o que realizemos, sob pena na derrota ou, lato sensu. da irrealização da política.

Tratemos, dessa forma, do boato que circunda a cidade de que a vereadora do PT fez um acordo com o presidente da Câmara e clone de prefeito, que resultaria em sua assunção da secretaria de educação.

Os gestos de desagrava a atual secretária, inclusive com sua aparição presentando o município nos desfiles de Independência, confirmam que a cabela dela está a prêmio.
Como não há referências críveis para o desempenho da secretária, e os resultados de nossa política educacional se arrastam nessa útlima década, conforme os números de avaliação confirmam, é justo supor que sua troca não seria uma desaprovação em si, mas uma acomodação da nova conjuntura.

Como é boato, e como tal também não foi desmentido, fica a possibilidade do debate enquanto o fato não se confirma ou se esvai.

Passemos ao exercício da análise

"Tecnicamente" nada há de se opor a uma aliança PT x PR, haja vista o convívio que mantêm na esfera nacional.

Mas ensinam os manuais da política que alianças não se orientam apenas pelo viés pragmático amplo, mas também, e dependendo do caso, principalmente, pelo aspecto local. Esse é o nosso caso, afinal, as eleições suplementares são um caso atípico e restrito, que embora tenha relação com a conjuntura nacional e regional, guarda muito de sua repercussão na seara municipal.
Logo, o que deve orientar as ações partidárias nas eleições suplementares serão sempre as variáveis locais. Os que pretendem empurrar uma aliança desse tipo, justificando pelo caso nacional, querem apenas a simplificação que esconde interesses subterrâneos.

Não se trata de uma crítica lacerdista.

No entanto, ao estudarmos situações em que alianças estejam na pauta é preciso distingüir o que parece igual. O pragmatismo aliancista tem que estar a serviço de um projeto e não ao contrário. Exemplo: Lula e o PMDB, por exemplo, ou o próprio PR. Diferentes em forma e conteúdo, com dinâmicas assimétricas, esses partidos se uniram para a  construção de um projeto vitorioso, onde a direção estava clara. Embora os estragos de imagem pelos hábitos "heterodoxos" de uma ou outra sigla, um ou outro correligionário aconteçam, uma vez que aliança se dá sempre com diferentes, fica claro que havia um propósito definido e inegociável, onde uma das partes assume para si os princípios que o outro oferece, e participa de uma parte da exceução desse projeto com as contribuições e mudanças possíveis, sem no entanto, transfigurá-lo.

Esse jogo de pressão e contrapressão é intrínseco da aliança, e fortalece ou rompe-se de acordo com as conveniências de todos os envolvidos.

Em Campos dos Goytcazes o caso é sui generis. O PT de Campos não possui um projeto político. E justiça seja feita, esse não é um fato novo.

Mas a origem dessa anemia política é sempre clara: A incapacidade de enxergar em si mesmo o protagonismo político, sem que isso signifique exclusivismo ou isolacionismo sectário. Isso não nos cabe mais.
Os erros se repetem e extrapolam a esfera da culpa para o dolo.

Não se trata de refutar o outro, mas de enxergar que o modelo político representado pelo garotismo está em declínio, e não nos cabe realimentar o "monstro", ainda que ele venha travestido com outra cara familiar.

A situação do PT é paradoxal: Se entende incapaz de assumir uma cara própria, mas entende ser "capaz" de mudar o "monstro" por dentro. Síndrome MR8, ou doença infantil do stalinismo! É um "cacoete" ideológico da velha esquerda.

Assim, a tentativa da vereadora e seu esposo de aproximarem o PT do garotismo não é uma expressão de uma estratégia aliancista, mas puro adesismo fisiológico, com vistas a lhe garantir espaço para a disputa de um novo mandato em 2012, ou concorrer como rabo de elefante (como vice-prefeita), e abrir espaço para a candidatura de seu anódino companheiro presidente a vereador pelo PT. Convenhamos: É muito pouco para a legenda do presidente da República que vai passar o maior rodo eleitoral da história desse país!

O estranho é que, internamente, na luta interna e para com os seus, os "majoritários da ilusão"(detém a maioria do nada) são firmes e confirmam sua hegemonia com pulso de ferro, mas na relação com os adversários e concorrentes, agem como pequenos animais amestrados, prontos a balançar a cauda por qualquer pedaço de reconhecimento público ou cargo-migalha.

Isso tudo não seria ilegítimo caso o PT tivesse experimentado expor suas propostas a população, e entendesse que seu "tempo" político não está sintonizado com os interesses da população.
Mas do jeito que fazem, entregando a "rapadura" bem antes, fica a impressão de que, na verdade, o interesse real é nunca realizar essa exposição pelo simples motivo de que não têm nada a apresentar.

Deste modo, um carguinho aqui, uma DAS ali serve muito bem, e até está muito além do que poderiam imaginar para suas biografias.

Alguns dirão que minha fala é ressentida ou invejosa, mas eu pergunto: Inveja de quê?

De quem vendeu o partido para o deputado federal telhadista/garotista, não recebeu "todos os trocados", e ainda só lhe coube uma suplência de mandato?

De quem vai alugar o partido para um garotismo de segundo escalão, que nem tem certeza de que será o candidato do grupo dele?

Eu quero ter inveja desse pessoal, mas que eles façam por merecer esse meu sentimento pecaminoso.

Do jeito que está, só dá para sentir pena.

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