quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Afunde Campos, ou o "novo" Fundecam.

Festejado por diversos setores como exemplo de diálogo com a sociedade e gestão, fruto de uma "nova" geração de empreendedores-gestores, o presidente do Fundecam, na verdade, carrega consigo a "tradição" do setor de origem: A monocultura latifundiária escravocrata de cana.

É desse setor a nossa gênese de Estado-patrimonialista, que confunde interesse público com privado, e torna as instituições formais meros arremedos e feudos para a concessão de privilégios, conforme diagnosticam boa parte dos especialistas da academia brasileira das ciências polítcas e sociais.

Foi na ocupação portuguesa colonial de caráter monoculturista agroexportador que forjamos nossa versão de Estado. E por ela sofremos até hoje.

Só isso explica o "novo modelo" de Fundecam proposto pelo seu presidente, como uma "solução mágica" para o setor de microfinanciamento e microcrédito.

Pelo que chegou a esse blog, fiquei estarrecido:

O Fundecam terceirizará a gestão dos recursos e a captação de novos "clientes", e funcionará como "avalista" de transações de crédito promovidas por instituições bancárias ou outros parceiros operadores de crédito.

Tudo isso já seria uma aberração, se não fosse por um detalhe mais grave:

A mão-de-obra utilizada pelo Fundo Municipal operado por empresas privadas será de funcionários públicos municipais estatutários, que serão desviados de suas funções de origem, treinados por 12 dias no Estado do ES, em um hotel, e remunerados com cerca de seiscentos reais para atuarem como agenciadores de contratos, enquanto deixam suas funções vagas, mas continuam a receber dos cofres públicos, embora estejam a serviço de empresas privadas.

Ou seja, nossos valorosos gestores públicos imobilizarão uma pequena parte da máquina administrativa para satisfazer interesses particulares de alguns servidores e dos seus "parceiros comerciais", enquanto o público arca com os prejuízos.

Isso lhe parece familiar?

Pois é, mais uma obra de "engenharia administrativa" capaz de fazer corar até o defunto de Roberto Campos, nosso inesquecível "Bob Fields".

É essa a cara de nossa "modernidade".

Onde está o nosso PT e sua vereadora que nada dizem sobre o tema?

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