segunda-feira, 20 de setembro de 2010

1964/2010: O fim de uma era 2!

Não é novidade para ninguém que esse blogueiro é fã do jornalismo praticado em Carta Capital. Favor não confundir com adesão bajuladora, ou concordância ilimitada. Não se trata disso. Mas, em minha rasa opinião de leitor, trata-se do único exemplar em formato semanal de liberdade de imprensa a serviço da liberdade de expressão.

Logo, quando leio nas páginas de Carta Capital, em sua 614ª edição, os rumores sobre o destino de Aécio Neves, me sinto satisfeito por vários motivos, dentre quais destaco alguns:

Na semana passada, publiquei por aqui um texto que falava do encerramento de um ciclo histórico na vida institucional-política desse país. Aventurei-me por seara espinhosa, e recebi uma reprimenda: Ora, em 1985, dizia meu interlocutor privilegiado, o blogueiro Marcelo Bessa Cabral, estavam sepultadas as formas do arbítrio militar, e portanto, recobrava-se a normalidade democracia.

Discordei, e reafirmo: Embora em 1985 estivessem presentes elementos que delineassem o fim do período autoritário, e em 1988, esses contornos dessem um aspecto jurídico-normativo ao nosso incipiente Estado Democrático de Direito, os meios e as possibilidades do exercício cidadão permaneciam apenas no campo formal.

Mas o que a ida de Aécio Neves para um novo partido, deixando o barco neoundenista do psdb se relacionaria com o fim da era que preconizei no outro texto?



Os mistérios e mares de Minas

O mares de Minas são insondáveis, e nos trazem mistérios que povoam nosso imaginário político. Mineiro é matreiro, diz a crença popular.
Só um Estado como Minas poderia ser berço e túmulo de uma era. Lembremo-nos que foi de Minas que partiram as tropas de Olympio Mourão rumo ao RJ, em 31 de março, onde de passagem por Resende, se uniu com os cadetes de Geisel, então comandante da Escola de Cadetes das Agulhas Negras, AMAN, e deram cabo ao golpe articulado pelas forças consevadoras, que tinham no mineiro Magalhães Pinto um dos seus próceres.

É de Minas, paradoxalmente, que veio o movimento personificado em Tancredo Neves, avô de Aécio, que nos conferiu a transição indireta. Uma herança familiar que explica parte da tradição poítica daquele estado.

Agora, é Minas, novamente, que nos revela o nascimento de uma nova oposição, que sepulta de vez o udenismo raivoso cristalizado pelo PIG e seus acólitos de SP.

Vão ficando anacrônicas as tentativas de desmoralização do poder consititucionalmente estabelecido, as soluções via mídia, que atendem aos interesses dos que pretendem uma Democracia sem povo, ou pior, de povo dócil e domado pelas antenas de rádio e TV e páginas dos jornalões..

Ciente do momento, e visionário por vocação política familiar, Aécio se prepara para liderar o campo da oposição democrática, que qualifica a ação de governos pela crítica incisiva, mas limitada pela ação política legítima e não-golpista.

O recado dado pelas urnas é muito mais que a expressão avassaladora de um líder nacional de características inigualáveis. É muito mais que isso.
É a prova de que nossa população amadurece suas convicções para além dos editoriais escritos pelos "assassinos de reputação", a soldo dos barões de mídia.

Não há mais espaço para um debate desqualificado pelo denuncismo vazio. O que não significa uma imunidade para o cometimento de crimes associados a prática de governar.

Não é nada disso, embora nossos mercenários do jornalixo teimem em afirmar o contrário.

Hoje a população é capaz de distingüir a gravidade dos erros cometidos, e avaliar o quanto desses erros compromete a essência dos projetos políticos que lhe favorece, e no fim das contas, melhora sua vida e a possibilidade de escolher soberanamente, longe das garras do clientelismo coronelitsa.

O melhor de tudo é que o fim dessa era de sombras aponta para o surgimento de um período de prosperidade e normalidade democrática, com alternância de poder e revezamentos de projetos de gestão.

O Brasil caminha para o centro. E quem sabe, se torne um dos "centros do Mundo"?

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