terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pequena passagem!

Há um tempo atrás, eu e minha mulher fomos ao Picadilly, ouvir música das melhores. Embora a maioria da deseducada platéia sequer se importasse com os virtuoses que desfilavam jazz, rithym'n'blues e outros gêneros, eu estava ali pela música.

Um dos integrantes do maravilhoso trio veio até minha mesa, e me confessou desanimado: "Olha, fico feliz em vê-lo aqui, mas confesso, se fosse você eu não estaria nesse ambiente!"

Pois bem, eu fico a pensar quando vejo esse mesmo grande músico a reclamar contra tudo e contra todos, a exigir uma moral suprema e absoluta, que não relativize a ética e os valores da honestidade, em nome do que quer que seja.

Ora, se um músico supertalentoso, desses que tocariam em qualquer espaço ou turnê internacional, por contingências da vida é obrigado a levar sua música "onde o povo não está", e quem lá está não liga, ou seja: faz o que é preciso para viver, o que dizer da política, onde acordos e demandas se entrelaçam, e nem sempre é possível esperar a perfeição?

Afinal, se levasse à cabo seus "ideais", não seria de se esperar que ele estivesse tocando na praça com o chapéu em frente, aguardando o reconhecimento do público, ao invés de ganhar para tocar para quem sequer sabe que ele ali está?

Qual dos dois universos é mais complexo? Quem se "prostitui" mais? Onde está a dignidade?

Eu não saberia, nem me atreveria a responder ou a julgar. Eu sei que adorei a música, e a despeito do "ambiente", eu e minha esposa sabíamos porque estávamos ali.
Será que ele sabia?

5 comentários:

Mônica de Sousa disse...

Perfect. Esses arautos da "moralidade" não passam de pequenos burgueses recalcados, do tipo que se irritam de um operário chegar à presidência e julgam seus mandatos a ferro e fogo , os mesmos que se vendem por uns trocados num bar burguês e jamais venderiam picolés em praça pública, mas não exitam em lavar pratos ou entregar pizzas fora do Brasil.

Anônimo disse...

Se apoquente não menino.
Outro dia fui lá também pelo blues que rolava... Ainda bm que encontrei um amigo e não resistimos: quebramos os protocolos, levantamos e dançamos muiiiiiito!
Nem aí pro povinho das pose!Alguns até se animaram e balançaram a cabeça...
Um dos músico também ficou bastante feliz com nossa presença e fez comentário semelhantes...
Na planície é assim mesmo: muito plano!!!

Claudio Kezen disse...

Cara Mônica:

Eu apenas lamento, e espero sinceramente que a vida amplie sua visão estereotipada e tacanha do mundo.

Ao sempre amigo Douglas:

Escrevi uma resposta enorme, confessional e provavelmente monótona para vc e a Mônica, mas ao clicar em "publicar comentário" deu erro e se perdeu.

Não obstante, quero me desculpar pelo tom da minha resposta atravessada lá no Sociedade.

Todos nós acordamos "menstruados" de quando em vez.

Um abraço,
Claudio.

douglas da mata disse...

Caro Cláudio,

Seja sempre bem-vindo, ainda que estejamos todos, um dia ou outro, na TPM ou qualquer outro estado de histeria feminna qualquer, rs!

Um abraço.

Mônica de Sousa disse...

Sr. Claudio, não o conheço e nem sabia que o post se referia ao senhor. Apenas respondi ao texto sob a minha ótica sobre da pequena burguesia campista, que é assim mesmo. Estreita, preconceituosa e elitista. Come couve e flata caviar.
P.S. E isso não te nada a ver com hormônios,rs.