terça-feira, 17 de agosto de 2010

Os canalhas e os germes do golpe!

Golpes, revoluções, contragolpes e todos os movimentos políticos de exceção, assim denominados porque rompem uma estrtura institucional para substituí-la por outra, têm na sociedade e nos grupos que lutam pela hegemonia do poder sua gênese.

São fracassos históricos os movimentos que tentam "criar" ou "importar" um sentimento que precipite tais rupturas.

Desta feita, podemos de forma ingênua dizer que o nazismo só aconteceu em condições de "temperatura e pressão" específicas. A revolução de 1917, na Rússia, e o nosso golpe de 1964, a Redentora!
Em todos exemplos havia, senão um sentimento ativo de mudança e ação, pelo menos um enorme ânimo passsivo e incapacidade de reação.

Logo, despregados de um liame maior, e de uma conjuntura histórica específica, sentimentos golpistas ou "revolucionários", ou melhor  definidos: anti-institucionais soam como "esquisitice" ou paranóia, embora nunca deixam de existir.
Ao contrário, poderíamos dizer que tais "bacilos" ficam "incubados", à espera do momento propício para disseminarem-se e promover seus objetivos.
Infelizmente, elementos que promovem tal infestação nem sempre estão sob controle!

No Brasil, com o advento do governo Lula, e de sua enorme popularidade e o sucesso de seu governo, há, vez por outra, o soluçar das vozes "da escuridão". Disfarçadas das melhores intenções, e pretensamente defensoras da liberdade de expressão, e da Democracia,  fomentam  um tipo de anti-institucionalidade que parece inofensiva, mas não é.

Às vezes pela boca dos tribunais e dos golpistas de toga, outras, pelos doutores ressentidos da academia.

Perdidas e derrotadas em sua própria estrutura democrática formal, as forças conservadoras agora atacam o próprio "sistema" que criaram, e em alguns blogs, de canalhas como Noblat, ou nos jornalões e editoriais do PIG, surgem "teorias" e "teses" para explicar o que são incapazes de entender, pois perguntam-se, entre atônitos e desesperados: "Como pode que o que dizíamos fadado a dar errado, ter dado tão certo?" ou "Onde será que erramos, em que ponto fomos "democráticos demais" com esse povo?"

Os canalhas não entendem, simplesmente, porque a noção de Democracia que detêm apenas contemplam um modelo que represente apenas suas demandas. Criados em um ambiente onde o outro(o pobre, o excluído) nunca existiu.

Assim, vociferam contra o "desperdício assistencialista" dos programas de renda mínima, e proclamam ser apenas esse o motivo do respaldo político do presidente e das forças progressistas. Idiotas. Pobres idiotas!
Esquecem que foi sobre a miséria, a exclusão, a carência total que mantiveram e patrocinaram, que construíram seu clientelismo que contaminou por anos e anos a possibilidade das urnas expressarem a vontade popular.
Diziam que a nossa Democracia era frágil, pois um povo faminto e inculto não saberia votar, mas viviam às custas da desiguladade e da opressão.
Ora, os números dizem: Melhorou a vida, tem mais emprego, mais comida, a educação avançou, ainda que não nos níveis que sonhamos.
Aí, alguns, para meu espanto e surpresa dizem: "Me poupem dos fatos!"
Eles repetem: O povo está sedado, e vota para satisfazer suas "necessidades".

Perguntamos então: Quem não o faz? Esse, afinal, não é o sentido da Democracia? Votar em quem resolve seus problemas e do seu país?

De tudo isso, me vem a memória uma entrevista lá nos idos de 2002, ou antes, não me recordo bem a data, do Antônio Ermírio de Moraes, baluarte do conservadorismo empreendedor, versão light do márioamatismo fiespiano, que empunhava os estandartes contra a gestão temerária do petismo sindicalista.

Pois é, envolvido pela crise subprime, o industrial que sempre se queixou dos juros, mas apostava neles como ninguém, com seu BV, Banco Votorantim, foi à lona, e quase levou seu "parque industrial junto", e aí socorreu-se no estatismo do Banco do Brasil!

Em quem será que o Ermírio votará?

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