quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O ex-prefeitos do coração!

Não é preciso se esforçar muito para encontrar laços de indentidade entre arnaldo vianna, deputado federal, candidato a reeleição, e ex-prefeito dessa cidade, e seu sucessor, o também médico, ex-prefeito e também candidato a uma vaga no legislativo, só que o estadual.

Ambos médicos, afáveis no trato pessoal, se originaram no mesmo movimento político, o garotismo, e também, coincidentemente, embora não por acaso, experimentaram a defecção com seu grupo de origem.

Agora, ambos se encontram, ao menos até o momento, impedidos de concorrer aos cargos que pretendiam, por decisão do TSE, que poderá ser revertida(com pouquíssimas chances), pelo órgão máximo daquele Tribunal, o seu plenário, ou como gostam outros, o colegiado de ministros.

Essa situação, per si, já demonstra um forte liame que tece uma conjuntura política que não é sazonal, quer dizer, o descumprimento das regras como instrumento de disputa eleitoral, e depois como método de gestão administrativa não é um mero acidente, é sim um incidente recorrente, que deixou de ser exceção para assumir contornos de regra.

Mas como explicar que tais métodos sejam amplamente referendados por votos, uma vez que o capital eleitoral dos dois não parece arrefecer ou dar mostras de desgaste, se considerarmos o fato de que arnaldo fez o seu sucessor, alexandre  mocaiber, que depois lhe deu mais de 100 mil votos?

Talvez em Sérgio Buarque de Holanda, se eu tivesse lido todo seu livro, Raízes do Brasil, esteja a resposta:

A cordialidade(que significa, passar pelo coração), que aqui se expressa não como afetuosidade, mas pela desinformalização das instituições para dar lugar a um Estado que não reconhece direitos, mas faz favores e agrados, e que políticas públicas são substituídas por "acertos privados", encerrando um patrimonialismo endêmico, explica o "sucesso" eleitoral em uma sociedade "viciada" pelos atalhos administrativos e pelo "jeitinho", outra construção teórica de outro cientista que não me recordo o nome, mas que bem poderia ser o Roberto daMatta.

Portanto, as epígrafes dos dois personagens, que apelam para o sentimentalismo(o prefeito do coração e o governo de paz)não são descoladas de um sentido, aliás, nada o é.

Por isso, suas intempéries com a Justiça, embora coincidentes, como já disse, não acontecem ao mesmo tempo por mera coincidência. São uma relação de causa-efeito. Um círculo vicioso ao qual estamos presos, e que tem no garotismo sua mola mestra!

O coração e a paz são um efeito lógico do "minha amiga dona de casa, meu amigo trabalhador"!

O problema, "minha amiga dina de casa, e meu amigo trabalhador", é que em nosso caso, o "coração" faz, e o nosso "corpo" e que paga!

Não se enganem: Não haverá mudança nas representações sem que os representados mudem sua conduta!

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