domingo, 8 de agosto de 2010

O buraco negro da planície, a faixa de lama!

Essa série do Jornal El País é um soco no estômago dos triunfalistas ocidentais, aqueles que acreditaram(e ainda acreditam) que o "mercado" criaria riqueza que logo se transformaria em prosperidade mundial, em um mundo sem fronteiras, onde pessoas e bens circulariam à vontade.

Há alguns desses idiotas ainda soltos por aí. É só procurar atrás de uma revista veja, ou atrás das folhas d'o globo, ou qualquer outro veículo "piguiático". Ou em algum "editorial" do PIG local.

É claro que não há como "decretar" o fim da "globalização", ou "revolucionar" o mundo em "novas economias", como querem outros não menos idiotas, que circulam pelo chamado entulho ideológico bolchevique.

Mas é urgente pensar alternativas, e ter coragem para propô-las, e mais: recuperar a capacidade de se indignar frente às injustiças, e afastar o fatalismo cínico que preconiza que as coisas são assim, e sempre serão!

A seguir destacamos algumas partes do texto da série Los Agujeros Negros del Planeta, que neste domingo fala sobre a Faixa de Gaza. Um  duro choque aos olhos daqueles que "enxergam" os temas da Humanidade pelas "lentes" do PIG mundial, com foco simplificado e reduzido pelo maniqueísmo cultural e filtrados pelos interesses geoeconômicos e geopolíticos.

Não precisaríamos ir muito longe. Aqui mesmo, nessa cidade infecta, temos "material" para produzirmos um série regional desses "buracos negros". Nossa planície lamacenta está cheia deles. Falta-nos o "olhar" sobre nós mesmos. Não temos meios de comunicação, nem profissinais de mídia com coragem, independência e qualidade para tanto!

E para nossa vergonha absoluta, não se trata de miséria fabricada por bloqueios e disputas étnicas-religiosas-geopolíticas, pelo atraso secular, ou outras questões exógenas.
Somos bilionários, e nossas escolhas, o nosso destino, só nos tornam os piores seres humanos, quando nos comparamos a esses que não tiveram o direito de escolher, mas ainda assim lutam, enquanto nós, desperdiçamos nossa riqueza e nosso futuro com a opulência clientelista, sem qualquer traço de reação.

Eu destaquei, do ótimo texto do Javier Ayuso, um trecho que nos é familiar. A doença da desesperança, embora analogia cesse nas razões, é preciso dizer: a falta de futuro é um mal incurável. Lá, em Gaza, depende de muitos outros fatores que escapam às mãos de seus habitantes-prisioneiros. Aqui, na Faixa de Lama, um "bom" futuro está ao alcance de nossas mãos, embora pareça tão distante quanto. Aqui não há bombas, sangue e gritos de dor, só o alucinante e desesperador silêncio dos culpados!


"Los niños no tienen infancia en Gaza, viven rodeados de violencia y eso les hace ser violentos", afirma Hanna el Gafarani, dueña de una guardería.(As crianças não têm infância em Gaza, vivem rodeados de violência e isso os fazem ser violentos", afirma Hanna el Gafarani, dona de uma creche). Fotos de Bernardo Péres.



Foto do lixão de Campos dos Goytacazes feitas pelo CCT da UENF.
Pessoas e urubus disputam os despojos da riqueza dos royalties






Los Agujeros Negros del Planeta 
http://www.elpais.com/especial/los-agujeros-negros-del-planeta/gaza.html

Más de mil millones de personas viven en el mundo con menos de un dólar diario y más de dos mil, con menos de dos. La mitad de ellos son niños. 1.100 millones no tienen acceso a agua corriente y 2.600 millones no conocen las condiciones sanitarias mínimas. La globalización ha aumentado las desigualdades, creando grandes focos de pobreza. EL PAÍS ha viajado a algunos de los cientos de agujeros negros del planeta, en distintos puntos cardinales: Bangladesh, Gaza, Haití y República Centroafricana. Cuatro historias humanas de miseria que se publicarán durante agosto.

Os buracos negros do planeta.

(Mais de um bilhão de pessoas vivem no mundo com menos de um dólar por dia e mais de dois bilhões, com menos de dois. A metade desses são de crianças. 1.1 bilhão não têm acesso a água corrente e 2.6 bilhão não conhecem as condições sanitárias mínimas. A globalização aumentou as desigualdades, criando grandes focos de pobreza. El País viajou a alguns das cenetnas de buracos negros do planeta, em pontos cardinais distintos: Bangladesh, Gaza, Hait e República Centroafricana. Quatro histórias de miséria que serão publicadas em agosto.)


ENFERMOS DE DESESPERANZA

Jamal es uno de los cientos de miles de palestinos que viven enfermos de desesperanza. Es el principal problema de salud de la franja, según explica el doctor Moeen, director del Centro de Salud Mental de Jabalia, el mayor de Gaza. Tiene 56 años, está doctorado en Psiquiatría por la Universidad de París y ha trabajado en Arabia Saudí, Libia e Irán. Ahora se dedica a intentar sacar del pozo en que se encuentran sus 5.000 pacientes mentales del barrio de Jabalia.
"Los habitantes de Gaza tienen problemas serios de salud mental", explica el doctor Moeen, "por el hecho de estar encerrados dentro de un enorme muro, a expensas de los ataques periódicos y una situación de pobreza y de sobrepoblación muy alta". En el barrio de Jabalia viven cerca de 300.000 personas y es uno de los más afectados por los ataques de Israel. De hecho el centro médico está rodeado de casas destruidas por las bombas y que no se podrán reconstruir mientras dure el bloqueo.


Doentes de desesperança.

Jamal é um dos centenas de milhares de palestinos que são doentes de desesperança. É o principa problema de saúde da Faixa, como explica o doutor Moeen, diretor do Centro de Saúde Mental de Jabalia, o maior de Gaza. Tem 56 anos, com doutorado em Psiquiatria pela Universidade de Paris, e trabalhou na Arábia saudita, Libia e Irã. Agora de dedica a resgatar o fundo do poço no qual se encontram 5000 pacientes mentais do bairro de Jabalia. "Os habitantes de Gaza têm sérios problemas de saúde mental", explica o dr Moeen, "por causa de estarem presos dentro de um enorme muro, as custas de ataques periódicos e uma situação de pobreza e superpopulação muito alta". No bairro de Jabalia vivem cerca de 300.000 pessoas e é um dos mais afetados pelos ataques de Israel. A efeito o centro médico está cercado de casas destruídas pelas bombas e que não poderão ser reconstruídas enquanto durar o bloqueio.

Nenhum comentário: