domingo, 1 de agosto de 2010

A "judicialização" da F1 e o "fora-da-lei" alemão!

Escrever sobre esportes, ou sobre qualquer outra coisa que desperte paixões(há algo que não desperte?), é sempre um exercício delicado.

Pois é nesse tema que toda nossa parcialidade se expressa, ainda que alguns se pretendam "imparciais". Tentemos exercitar  senso de Justiça, embora também renconheçamos que qualquer noção de justiça, como valoração humana de conduta é sempre mediada por crenças e culturas.

Primeira obeservação:

A F1 deixou de ser o que era, isso qualquer cara como eu, de 40 anos, sabe. Os motivos? Os de sempre: Com a transformação do "esporte" em megabusiness, as regras tendem a limitar a imprevisibilidade e enquadrar a dinâmica da competição em padrões vendáveis como conteúdo e entretenimento. Logo, o principal atrativo de um "esporte" onde um bando de loucos se arrisca em "baratinhas" a mais de 300 km/h deveria procurar meios de evitar que pedaços de pilotos e cenas dantescas ilustrassem as TVs dos domingos familiares.


Assim, ultrapassagens, que são o momento crítico desse "esporte", deram lugar ao bem comportado "carrossel" de automóveis, limitados por circuitos travados e óbvios, com regras que limitam velocidade, carros superseguros e disputas que dependem 90% de equipes e equipamentos, em detrimento da agilidade, audácia e  por que não dizer, loucura dos pilotos!

Ah, e é claro: Tudo enquadrado em supercâmeras slow-motion, novos ângulos e super-cortes e edição, que se focadas naquele "esporte" onde havia grandes acidentes, poderia mostrar os rostos desfigurados e todo o sofrimento bem de perto! Como aquelas cenas futebolísicas de fraturas que tanto nos "emocionam"! Era preciso brecar essa selvageria, ainda mais se pensarmos nos efeitos "ideológicos e culturais" que tais cenam trazem para o cotidiano já caótico do tráfego de carros nas cidades!

Quem gostaria de ver um piloto fritando em seu carro em chamas, como Ronnie Peterson? Ou Gilles "louco" Villeuneuve, voando aos pedaços com sua Ferrari em uma seção de treinos? Ou quem se recuperou da comoção planetária do martírio(o último)de Senna na Tamborello, em Ímola?

Os valores mudam, e com eles os "esportes"!

Hoje, em Hungaroring, ao lado de minha filha e de minha mulher, a chateação de trocas de posições nos boxes ou com "punições dos juízes", que se transformaram nas únicas possibilidades de alternância de posições nas corridas, só foi quebrada pelo "duelo" de Barrichello com Schummy.

Ingredientes extra de rivalidades, como o fígado nas mãos, cada piloto tinha ali um propósito especial para ultrapassar o inimigo(sim, essa é uma categoria especial de "adversários" nesse esporte de ególatras). O sentimento seminal de todo o esporte: A vingança!

Eis que  piloto alemão, confinado em uma "baratinha" Mercedez que perderia até para as que Juan Manuel Fanggio guiava, tentou de todas as formas impedir a passagem do Barrichello, com risco de morte para ambos.

Gritaram locutores e "moralistas" do esporte: Jogo sujo! Mas eu pergunto: O que é jogo limpo nesse "esporte" onde há sempre dois pesos e duas medidas, aliás, como todo esporte que envolva bilhões de dólares?
Importante:
1. Ele não apenas arriscou a vida do outro, mas também a dele mesmo, ou seja: se havia um resultado desvantajoso possível para ambos, como dizer que ele foi desleal, uma vez que "não havia lucro possível"?
2. Eles não disputavam posição no campeonato ou na corrida, quer dizer, estavam ali por uma "guerra particular", onde todos sabemos, as noções e regras são bem relativas!

Talvez ali, na pista, estivesse o mais puro instinto animal e selvagem que foi "dominado" pelos "moralistas e justicialistas do circo"!
Talvez ali, na pista, os "justicialistas e moralistas do esporte" esperassem uma "rendição honrosa" do alemão, para que pudessem comentar em dueto com Reginaldo Leme: "O Schummy é um cavalheiro, sabe o que é ter que passar um carro mais lento, portanto..."

A postura de Schummy nos agride e ofende porque sempre nos lembraremos que idiotas dóceis como Massa e Barrichello é que protagonizaram cenas vergonhosas de "jogo seguro de equipe" para beneficiar seus parceiros, ainda que sob pena de morrerem como homens-pilotos!

Barrichello, hoje, com certo atraso, lavou sua honra, e nessa hora, regras são pouco úteis! Quem é homem de verdade sabe disso! E sua vingança só foi completa e digna porque o alemão se portou como kamikaze!

Alguém imagina, com todas as acusações que lhe pesam sobre as costas, que Schummy pudesse dar seu lugar para um concorrente da mesma ou de outra equipe para ganhar campeonato ou porque está mais lento? Ou melhor, alguém imagina que algum chefe de equipe pudesse "sugerir" tal manobra a esses dois? Ou a Ayrton Senna, ou a Piquet-pai, ou a Fittipaldi?

E para os fãs da F1 não custa lembrar do que fez Senna para ganhar um campeonato de dar o "troco" a Prost, jogando sua Maclaren sobre o oponente na mesma curva do mesmo autódromo japonês!

E na época, esse foi mais um "componente" de sua biografia como "herói nacional"!

Portanto senhores, nesse mundo onde valores e éticas são diluídas ao sabor da aceleração dos bólidos, tenhamos mais comedimento nos nossos "julgamentos" e possamos nos divertir pela essência que "esses jogos" proporcionam:
Um ambiente onde a idéia de heroísmo e morte rondam, ainda que com algum controle, para que façamos a diferença entre homens e meninos!
É só para isso que servem as disputas esportivas, desde a Gréca Antiga!

O resto é balela e galvãobuenice!

9 comentários:

Gustavo Rangel disse...

Douglas a questão da deslealdade do alemão é antiga. Não foi um fato isolado como o de hoje. Ele já jogou carro pra cima do Villeneuve (filho) na tentativa de tirá-lo da corrida e do´único título do canadense. Já parou no meio da pista em um treino em Mônaco alegando problemas no carro, mas foi só para não deixar Alonso(que vinha logo atrás) fazer tempo melhor que o dele.
Em 1994, Damon Hill, numa ótima reação chegou à última corrida da temporada apenas um ponto atrás do queixudo alemão. Schumacher, nervoso durante a corrida e não sabendo lidar com a pressão, errou na tomada de uma curva e bateu seu Bennetton, avariando-o. Ele voltou à pista com seu carro avariado somente para bater em Hill, seu adversário na luta pelo título. Os dois carros abandonaram e nessa manobra suja Schumacher ganhou seu primeiro título mundial. Fora batidas premedidatas contra Raikkonen, Montoya, Coulthard e por ai vai. Aqui nesse link tem mais sobre suas trapaças...kkkkk...abraço forte parceiro!!!

http://elementox.pbworks.com/Michael+Schumacher:+Pol%C3%AAmicas#F1/2002mdashGPdaMalásiamdashMontoya

Antônio Olegário disse...

Galvaobuenisse foi ótima hehehe

Marcelo Bessa Cabral disse...

Numa boa, Douglas: ninguém discute a briga pela posição.
Aliás, quando Alonso reclamou que Di Grassi - limpamente - não o deixou passar em Mônaco, isso veio à tona: precisamos de outros pilotos que coloquem a vontade de vencer em primeiro lugar.
Cá entre nós: Schumacher não ganhou o apelido de Dick Vigarista à toa. Querer que ele cumpra o regulamento não é judicializar o esporte: é a regra do esporte, apenas.
O que se discute é a descarada e indisfarçável vigarice e falta de vergonha na cara de se imprensar um piloto no muro a 300 km por hora (o que, aliás, o texto não negou, até porque não poderia), contra todas as regras do esporte: são pilotos, não gladiadores.
Um abraço.

douglas da mata disse...

Gustavo,

Eu concordo com você e o Marcelo. O problema é que a questão que levanto antes:

Não se trata de "vigarice pessoal" apenas. Pretender que o "jogo F1" seja um paraíso de boas condutas é no mínimo, ingenuidade.

Assim o fez Senna, quando protagoniza cenas de bastidors nada dignas com seus "adversários de equipe", assim o fazem todos os pilotos.

Assim o fez Senna, em seu segundo título mundial, lembra?

Schummy é um "vigarista"? Claro, mas o que eu pergunto é: Quem não é na F1?

Eu repito: Ele "jogou" o carro contra o pé-de-chinelo, mas também se acidentaria, caso houvesse uma colisão, portanto, não se trata apenas de "canalhice". Foi coragem pura e insana. Dessas que alimentam o esporte.

Marcelo, você tem razão, são pilotos, não gladiadores.

Eu preferia que fossem gladiadores, seria menos hipócrita, e muito mais divertido, ou qual é a sensação que automóveis a 300 por hora devem passar para a platéia? segurança, bosn modos e direção defensiva?

um abraço a todos, e obrigado por enriquecerem o debate!

Anônimo disse...

Não é Formula 1.

É Fórmula 171.

O Shumy está tendo um fim merecedor.

Parou com uma fama de inigualável.

Quis voltar, achando que era insuperável, e está dando nisso aí.

Um piloto que na verdade, para ser campeão, dependia de um carro muito superior, de trapaças, de deslealdades e "jogos de equipe".

Poderia ter ficado sem essa, se não fosse tão senhor de si, tão ganancioso. Se não tivesse voltado a correr, a fama de maior piloto ficaria.

Quis voltar, sua fama já era!

Gustavo Rangel disse...

Douglas, eu não deixo de concordar com vc, em partes, como diria Jack, o estripador...rsrsrs
Sim a F1 não é lugar de bom moço. Bonzinho ali só se ferra!!!Uma fechadinha aqui, outra alí. O que eu discuto é o currículo nesse sentido do alemão. E mais, ele não precisaria fazer nada disso para ser o gênio que é. Concordo com Antonio. Galvaobuenisse foi do kct!
abração

Gustavo Rangel disse...

E só para sacramentar minha opinião acredito que ele ganhou esse apelido pela sequência desses acontecimentos. Não que Senna, Prost, Piquet, Villeneuve e Cia fossem bonzinhos, nada disso. Mas esses caras vc deve buscar na memória e vai achar uma ou outra "vigarice", ao contrário do alemão que conta com vasto currículo nesse sentido. Então pela quantidade da obra, o prêmio de Dick Vigarista da F1 vai para....Michael Schumacher!!!!
kkkkkkkkk
abração

Anônimo disse...

Nessa altura do campeonato, quem está certo é ela, passeando na Holanda, com um cargo de DAS 2 na pinto-randia, ah, digo, pindorandia, só dá laranja mecânica,,mt pior, q o grande chefe já sabe,,, hummmmmmm

douglas da mata disse...

Claro, Gustavo,

O conjunto da obra ou o curriculum é maior porque as carreiras são maiores, pois lembre-se: Senna e outros não alcançaram o heptacampeonato, logo, é de se entender que o repertório dele, e dos outros tenha sido mais "econômico", rs.

Eu te pergunto, se o alemão fosse um décimo mau-humorado como o Piquet, qual seria o "nível" das galvãobuenices que ouviríamos?

Eu não vi o Piquet(pai)em nenhuma ação beneficiente, tipo futebol das estrelas pelas crianças-esperança-propaganda da globo!

Ainda assim, eu reconheço o direito do Piquet de dar os chiliques dele, como todo homem(?), e entendo que esse tipo de temperamento também faz parte do "circo" que se monta em torno da corrida de carros!

Temos as primadonnas, os bonzinhos, os ases destemidos, os vigaristas, etc, etc, etc.

Digo e repito: Só as "vigarices" do alemão é que dão certo "sal" na disputa, pois hoje é só sono!

Foi a "cotovelada" dele que valorizou a "redenção" do bundamole do Rubinho, que afinal, deveria descer do carro, deixar de lamentar(como sempre), e agradecer ao alemão a chance que esse lhe deu de provar que ele tinha algo entre as pernas que fosse dele(rubinho), e não de outro!

Um abração.

Um abração!